30/06/2008

QUAL É O OBJETIVO DA HUMANIDADE? - Parte VII

O desvendar do mistério da criação mostra que a Entidade Suprema Qualificada (Sagun'a Brahma), a fim de prover emancipação a cada um de Seus seres unitários, tem que gerar a criação. Ela tem que se transformar no fator sólido rudimentar, apenas para dividir Seu ser sutil em seres unitários. Isto comprova que Sagun'a Brahma é uma Entidade Onisciente Infinita (Jinátá), a qual, por ser sutil, não pode se subdividir em unidades. A criação é apenas a imaginação (kalpaná) da Entidade Onisciente Infinita, na qual Ela imagina a Si mesma dividida em diferentes partes. A criação também mostra que essa onda mental imaginário surge dessa Entidade Infinita com o único propósito de retornar a Ela, e que a humanidade constitui o último elo dessa onda mental. Os seres humanos, portanto, mais cedo ou mais tarde terão que se unir a Sagun'a Brahma sutil (Entidade Suprema Qualificada) no curso de Suas ondas mentais. Uma vez que Sagun'a Brahma é infinito e sutil, nenhum ser humano manterá identidade separada, mesmo sendo sutil, a partir do momento em que se unir a Ele. Não é possível haver duas entidades similares quando uma é infinita. Assim, depois da fusão, os seres humanos se tornarão Sagun'a Brahma. Podemos tomar como exemplo uma gota d'água que, ao se misturar com a água de um copo, perde sua própria identidade e se torna uma com o restante da água do copo. O indivíduo, da mesma forma que essa gota d'água, perde completamente sua identidade individual ao se unir à Entidade Suprema Infinita.
A união da consciência unitária com a Entidade Suprema Qualificada não preenche completamente o propósito da criação. A consciência unitária, antes de alcançar a Posição Não-Qualificada (Nirgun'a), terá de unir-se à Entidade Qualificada (Sagun'a), perdendo sua identidade e tornando-se a própria Entidade Suprema Qualificada. Isto anula o propósito da Entidade Suprema Qualificada ao Se manifestar na criação.
O desejo da Entidade Suprema Qualificada é a união de todos os seres unitários com a Entidade Não-Qualificada, ou seja, o retorno de cada um deles à Posição Suprema. Isto não seria cumprido somente com a união da consciência unitária com a Entidade Suprema Qualificada, seja pelo esforço da sádhaná (prática intuitiva) seja pelo desenrolar natural do fluxo de ondas mentais da Entidade Qualificada. Esta união com a Entidade Suprema Qualificada é denominada mukti, que significa libertação do movimento das ondas mentais do Supremo, na criação. Essa libertação, ou mukti, não é a emancipação, na realidade. A consciência unitária emerge da Entidade Suprema Qualificada sutil nas suas ondas mentais e reinicia o Srs't'icakra, ou Brahma Cakra (Círculo da Criação, ou Círculo Cósmico), tendo que percorrer de novo o caminho da emancipação. Assim, mukti não é a emancipação completa, uma vez que a intenção da Entidade Suprema Qualificada de prover a posição não-qualificada a cada de Suas unidades não teria sido cumprida.

A libertação do domínio de Prakrti é a união com a Entidade Suprema Não-Qualificada, ou a realização do Estágio Supremo, denominado moks'a. A união com o Brahma Não-Qualificado liberta o ser unitário das influências da Prakrti Suprema; e, uma vez que Ela não pode influenciar Brahma, será incapaz de trazer o ser unitário de volta para a criação. Assim, a unidade será libertada de sua jornada através da criação, cumprindo a finalidade ou a intenção da Entidade Suprema Qualificada. Portanto, a meta dos seres humanos não é fundir-se com a Entidade Suprema Qualificada e obter mukti. É mais elevada do que isto. A meta é a obtenção da Posição Suprema, isto é, obter moks'a ou kaevalya mukti.

P.R. Sarkar - Filosofia Elementar da Ánanda Márga