03/09/2009

JINÁNA, KARMA E BRAKTI - CONHECIMENTO, AÇÃO E DEVOÇÃO

Deve-se entrar em contato com o Pai Divino, alcançá-Lo, através de Jinána, Karma e Brakti. O que é Jinána? Jinána é o conhecimento espiritual e não o conhecimento mundano. O conhecimento mundano é um conhecimento distorcido. Não é conhecimento, absolutamente. O conhecimento espiritual é o verdadeiro conhecimento. Mas o que é conhecimento espiritual? A pessoa deve saber quem ela é e qual é o seu objetivo. Este é o conhecimento espiritual
Em seguida vem Karma. Karma significa ação. Se a pessoa sabe o que ela é, qual é sua aspiração, terá que se mover em direção à meta de sua vida. Este movimento, esta abordagem prática, esta ação é chamada Karma. E depois de karma, quando o indivíduo chega perto Dele deve unir-se a Ele, tornando-se um com Ele.


O Bhakti Yoga pode ser dividido em duas grandes categorias; uma é a devoção atributiva e a outra é a devoção não atributiva. Na devoção atributiva, há três estágios. O primeiro é a devoção estática. Nesta, o devoto diz:
“Ó meu Senhor, eu sou Teu devoto. O Sr. X é meu inimigo. Por favor, dá-lhe um fim”.
No caso da devoção estática, o devoto não quer estar com o Senhor. Ele quer que alguma coisa de ruim ou cruel seja feita a seu inimigo. Essa é a devoção do pior tipo. Como não era seu desejo se tornar um com o Pai, ele nunca irá estar unido com o Pai. Como o Pai Supremo também é o Pai Supremo daquele inimigo, Ele poderá ou não matá-lo. A devoção estática não é devoção.
Depois vem a devoção mutativa. Neste caso, o devoto diz ao Senhor:

“Eu sou Teu devoto. Por favor, dá-me dinheiro. Por favor, dá-me nome e fama.”

O menino quer apenas brinquedos de sua mãe. Se o menino começa a chorar, a mãe deve deixar seus afazeres para atender a criança. Mas, se a criança quer apenas os brinquedos, ela nunca terá a mãe. Aqui, também o sádhaka não expressou seu desejo de se tornar um com o Pai; assim ele não conseguirá a salvação. Ele não quer tornar-se um devoto. Yogui significa aquele que está finalmente unificado com o Eu Supremo. Também este tipo de devoto pediu coisas mundanas. Você sabe, as coisas mundanas são limitadas. O dinheiro pode ser muito, mas não é infinito. Assim, o Senhor pode satisfazer ou não seu desejo. Ele tem que cuidar dos interesses de tantos filhos! Ele tem tantos filhos.Ele não pode satisfazer seu desejo injusto. Portanto, esta devoção mutativa não é absolutamente devoção.
Agora vem o terceiro tipo de devoção atributiva, a devoção sutil. Neste caso, o devoto diz:
“Eu sou Teu devoto. Mas, Ó Senhor, sou um homem velho. Dá-me alguma coisa concreta. Eu quero a salvação. Sabes que estou enfastiado deste mundo. Meus órgãos digestivos se tornaram desordenados. Não posso comer. Por favor, dá-me paz”.
Esta é a devoção sutil, porque aqui, o aspirante, o devoto, não quer nada material. Esta é melhor do que devoção estática e mutativa, porque ele pede salvação ao Pai Supremo. Mas ele não quer o Pai Supremo. Portanto, ele não é um Yogui. Um Yogui tem que se unificar com o Pai. Um Yogui não pedirá brinquedo algum ao pai.
Em seguida, vem a devoção não atributiva. Na devoção não atributiva há duas fases. Uma é chamada rágánugá bhakti, a outra é chamada rágámiká. Na devoção rágánugá bhakti o devoto diz:
“Ó meu Senhor, eu Te amo, porque Te amando sinto prazer. Não quero nada de Ti. Eu quero amar-Te, porque sinto prazer”.
Esta é a devoção não atributiva, mas não é a forma mais elevada de devoção.
A forma mais elevada de devoção é chamada rágámiká. Em rágámiká o devoto diz:
“Ó Senhor, eu Te amo. Eu quero amar-Te. E porque quero amar-Te? Quero que meu amor Te dê prazer. Eu não quero nenhum prazer. Eu Te amo para não sentir prazer, mas para Te dar prazer”.
Esta é mais elevada forma de devoção. E por meio deste tipo de devoção, devoção rágámiká, o yogui entra no mais intimo contato com o Ser Supremo e se torna um com Ele. Quando o seu amor é para dar prazer ao Senhor e não para desfrutar prazer, sua mente fica subjetivada, Isto é, sua mente se torna metamorfoseada na mente do Senhor, e é por isso que esta devoção rágámiká é a única devoção. Através desta devoção o yogui se estabelece na posição de Beatitude Suprema. O homem e seu Deus se tornam um. Este é o único objetivo da vida humana - tornar-se Um com Ele.

“Conhecer si mesmo, é o verdadeiro conhecimento, servir a todos com ideação de Deus é a verdadeira ação e o voto de dar prazer ao Senhor é a verdadeira devoção".

Quando se chega perto do Pai Supremo, é preciso se dirigir ao Pai:

“Ó Pai, dá-me proteção em Teu colo abençoado, em Teu colo cheio de graça”.
Para dizer isto, têm que se estabelecer um relacionamento de fé implícita e do mais sincero amor ao Pai. Esta fé implícita juntamente com o zelo espiritual é chamada devoção. Assim, o conhecimento e a ação vão ajudá-lo a desenvolver devoção, mas sua unificação com o Ser Supremo se estabelece apenas com a ajuda da devoção. Onde há ação e conhecimento, mas há ausência de devoção, nada pode ser feito. Na vida de um aspirante espiritual, na vida de um yogui, nada pode ser feito se há ausência de devoção. Assim, vocês filhas, vocês filhos devem lembrar–se que terão que desenvolver devoção, devoção implícita juntamente com zelo espiritual. E essa devoção os ajudará. A devoção é a única faculdade que pode ajudá-los, que pode estabelecê-los na Beatitude Suprema.
A Graça de BáBá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii