23/05/2010

Sadvipra, Táraka Brahma, Sadáshiva and Shrii Krśńa

Tanto na vida individual como coletiva, as mudanças estão acontecendo constantemente: pequenas mudanças ocorrem frequentemente e as mudanças mais importantes surgem de forma intermitente. Os seres humanos primitivos surgiram na Terra há cerca de l milhão de anos, mas os seres humanos atuais tiveram a sua origem há cerca de apenas 100 mil anos. O ritmo do progresso humano nesse último milhão de anos têm sido muito lento: os seres humanos progrediram em ritmo de lesma. Foram precisos centenas de anos para que os seres primitivos descobrissem o fogo, e centenas de milhares de anos para inventarem o carro de boi. Muitas civilizações antigas desapareceram dos anais da história simplesmente porque não conseguiram inventar a roda. Elas foram capazes de inventar o barco, mas como não tinham inventado a roda, não conseguiram fazer carroças e charretes. Por essa razão, a civilização maia, na América Latina, sofreu seu declínio. A velocidade do progresso social naqueles tempos era muito lenta e só começou a acelerar durante os últimos 15.000 anos, após a composição do Rk Veda. A história destes 15 mil anos de progresso pode ser considerada como a verdadeira história da civilização humana.
Geralmente, os seres humanos se adaptam às mudanças menores através do esforço individual ou coletivo. Às vezes, se necessário, podem causar pequenas alterações e progridem ordenadamente. Sempre que uma ou ambas dessas duas situações ocorre, isto é, quando as pessoas sentem a necessidade de introduzir pequenas alterações para se adaptar às novas condições, vários líderes surgem para guiar a sociedade. Nos tempos antigos, esses líderes eram chamados de "rs’is". Muitos líderes desse tipo viveram no passado, muitos estão vivendo no presente, e muitos vão viver no futuro, porque as mudanças sempre vão acontecer na sociedade humana. O que quer que seja criado, certamente vai progredir de acordo com as mudanças. Tudo o que existe no universo, certamente, terá de sofrer alterações. Quando a diferença entre estas duas formas – passado e presente – torna-se muito grande, nós dizemos que o passado está morto e enterrado.
A morte constitui também um tipo de mudança em que o presente parece perder sua ligação com o passado. Suponha que haja um bebê pequeno. Quando ele cresce e se torna um garoto, uma nítida mudança ocorre, mas entendemos que o mesmo bebê se transformou em um menino. No decorrer da vida, o mesmo garoto se transforma em um jovem; o jovem, em um homem de meia-idade; e, após um certo período, o homem de meia-idade se torna um homem idoso. Podemos dividir a vida de uma pessoa em diferentes fases de crescimento conforme vimos. Mas quando a pessoa idosa renasce como uma criança, a diferença torna-se tão grande que nós não conseguimos descobrir a ligação entre as duas vidas. Assim, a morte é uma mudança; e o renascimento é também uma mudança.
Um estudo da história mostra que pequenas mudanças ocorrem continuamente, e grandes mudanças ocorrem em intervalos mais longos.Antes da descoberta do fogo, os seres humanos antigos costumavam aquecer seus utensílios com os raios escaldantes do sol. Muito mais tarde, quando o fogo foi descoberto, isto foi considerado uma grande mudança na história humana. Quando os seres humanos antigos inventaram o primeiro carro de boi, isto foi considerado como um sinal de grande avanço no progresso científico.
Podemos dizer que a civilização começou a surgir após a pré-história da raça humana, isto é, a partir do dia da primeira composição do Rk Veda, cerca de 15 mil anos atrás. Uma mudança maior ainda ocorreu durante a era do Senhor Shiva, no final do período Rk Vedian (que durou 10 mil anos).

A vida humana é caracterizada por vários tipos de expressões - as pessoas comem e bebem, usam roupas, cantam e dançam, constroem casas, submetem-se a tratamento médico, e assim por diante – e isto é conhecido coletivamente como cultura. Isoladamente, qualquer uma dessas expressões não é cultura; cultura é a soma de todas elas. Sadashiva queria sistematizar todas as expressões da vida humana - dança, música, medicina, civilização, de fato, cada aspecto da vida. Esta foi uma grande mudança, uma mudança revolucionária. Nada semelhante tinha acontecido antes. Tais mudanças profundas não são facilmente trazidas pelos líderes comuns, ou rs’is. Aqueles que ajudam as pessoas a adaptarem-se à nova situação, eu os denomino de "sadvipras". Mas aquele que realmente inicia a principal mudança é chamado de “mahasadvipra". Os sadvipras sabem como conduzir as pessoas em perfeito ajuste com as novas circunstâncias, e orientá-los no caminho certo.

Assim, o início de uma mudança revolucionária não é o trabalho de um sadvipra, mas o trabalho de um mahasadvipra. Mahasadvipra é o termo filosófico, nas escrituras, ele é chamado de "Taraka Brahma". Sadashiva foi um Taraka Brahma - um guia versátil em todos os aspectos da vida humana. No período pós-Shiva, porém, a velocidade do progresso social diminuiu. Ela perdeu seu impulso, e a degeneração se estabeleceu. As diferentes partes da máquina social tornaram-se enferrujadas. A situação exigiu o advento de outra grande personalidade, que foi capaz de impulsionar a sociedade em frente e liderar o povo no caminho certo. Assim, cerca de 3500 anos atrás surgiu outro grande líder – Sri Krsna. Ele também causou uma grande mudança na sociedade e infundiu uma grande onda de progresso social.

Pode-se perguntar se somente Sadashiva trouxe essas mudanças importantes na sociedade. Não, certamente que não! Ele foi ajudado por inúmeros sadhakas devotos – intelectuais e pessoas comuns. Nas escrituras, eles são conhecidos como “gan’a” de Shiva. Diz-se que outros deuses e deusas foram decorados com vários tipos de ornamentos - alguns usavam brincos e coroas, outros eram enfeitados com búzios e flores de lótus e armas, tais como discos e cassetetes -, mas no caso de Shiva, seu ornamentos foram seus devotos, que trabalharam incansavelmente para construir a sociedade, de acordo com suas instruções.

O que aconteceu durante a era de Sri Krishna? Ele também criou uma mudança revolucionária na sociedade. Aqueles que o ajudaram nessa tarefa revolucionária não eram necessariamente sábios e intelectuais, nem todos eles eram versados nas Escrituras. Muitos deles eram membros comuns da sociedade. Mas é um fato que eles eram devotos fervorosos e sinceramente trabalharam para o bem-estar da Humanidade sob a direção de Sri Krishna (Vraja). Sua riqueza era o amor pela Ista (meta) – sua devoção a Krishna. E por causa de sua devoção alcançaram o sucesso em suas vidas. As pessoas conseguem mais com a sua sinceridade do que com o seu conhecimento.

A presente era também sofreu mudanças significativas. Vários tipos de problemas surgiram na sociedade atual. Novos tipos de preparações - mental, física e preparações completas - são necessárias para lidar com a situação atual. A corrupção e a degeneração entraram nos poros do corpo social. As pessoas honestas terão de trabalhar para efetuar uma grande mudança, lutando unidas contra esta situação adversa. No entanto, para ter sucesso nessa tarefa, as pessoas vão ter de fazer uma preparação cuidadosa. Assim como é preciso se preparar antes de fazer uma má ação, é preciso também preparar-se antes de fazer uma boa ação. As pessoas boas vão fazer boas ações.

Há uma fase preparatória, antes de cada ação. Na verdade, longos preparativos têm acontecido; e hoje, a mudança tornou-se inevitável. A situação não tolera mais demora. Cerca de 3300 anos se passaram desde a época do Senhor Krishna, e cerca de 7000 anos se passaram desde a era de Shiva. A população de hoje terá de se preparar da mesma forma como se fez no passado. As pessoas terão que se lançar em uma nova batalha, com uma nova ideologia, para gerar o bem-estar total da raça humana.

Quando uma grande mudança aconteceu no passado, como nos tempos de Shiva e Krishna, uma nova filosofia, uma nova forma de vida, uma nova luz inspirou as pessoas a se mover; e é por isso que elas puderam realizar suas tarefas em curtíssimo espaço de tempo. Para provocar uma grande mudança, a luta é inevitável, seja ela curta ou prolongada. Quando as pessoas lutam sob a inspiração de uma personalidade forte, a tarefa é realizada dentro de um curto período. Então, o povo decide, após profunda reflexão, quais são os principais problemas que a sociedade enfrenta, em seguida, faz os preparativos necessários para resolver esses problemas. Uma vez que eles estão preparados, eles podem alcançar o sucesso rapidamente.

A sociedade humana de hoje deve ser vista sob uma perspectiva universalista e não de forma sectária. Temos de resolver todos os problemas, grandes ou pequenos. Temos de começar o trabalho de resolver os principais problemas, de imediato; porque a necessidade de trazer uma mudança para a sociedade já chegou. Quanto mais se demora, maior fica a escuridão. Hoje, uma nova filosofia, uma nova forma de humanismo, uma nova forma de pensamento socioeconômico é constituída, com a única intenção de promover o bem-estar social coletivo.

É por isso que eu aconselho a não desperdiçar seu tempo. Utilize o seu tempo em atividades de valor. Diz-se "Shubhasya kalaharanam ashubhasya shiighram". Antes de iniciar uma tarefa nobre não é preciso consultar os dados de astrologia e a posição das estrelas; faça-a imediatamente. Mas quando você quiser fazer algo nocivo, tente adiá-lo o quanto puder. Pode ser que, com o passar do tempo e com uma mudança de mentalidade, você decida não fazer mais nada.

Enquanto você está executando a sua nobre tarefa, não perca seu tempo. Neste mundo prático, neste mundo relativo, o fator relativo mais importante é o tempo. Uma vez que o tempo passou, não volta mais, por isso, não utilize seu tempo de forma errada. Que você possa prosperar. Que a vitória esteja com você.

P.R.SARKAR - 17 de janeiro de 1979, Bangaon

Publicado em:
Ananda Vacanamrtam Parte 8


Sadvipra, Táraka Brahma, Sadáshiva and Shrii Krśńa


In individual and collective life, changes are constantly taking place: minor changes frequently and major changes intermittently. Primitive human beings came onto this Earth about 1 million years ago, but the present human beings had their origin only about 100,000 years ago. The pace of human progress these last million years has been very slow: humans advanced at barely a snail’s pace. It took those primitive people hundreds of thousands of years to discover fire; and hundreds of thousands of years more to invent the bullock cart. Many ancient civilizations have disappeared from the annals of history simply because they could not invent the wheel. They were able to invent the boat, but as they had not invented the wheel, they could not make carts and chariots. For this reason, the Mayan civilization of South America had its downfall. The speed of social progress in those days was very slow and only began to accelerate during the last 15,000 years, after the composition of the Rk Veda. The history of these 15,000 years of progress can be considered as the real history of human civilization.
Generally, humans adapt themselves to minor changes through individual or collective endeavour. Sometimes, if the need arises, they cause minor changes themselves and progress accordingly. Whenever one or both of these two situations occurs, that is, when people feel the necessity to introduce minor changes to adapt themselves to the changed conditions, various leaders emerge who guide the society. In ancient times, these leaders were called “rśis”. Many such leaders lived in past, many are living in the present, and many will live in the future, because changes are sure to come in human society. Whatever is created, will certainly move ahead through changes. Everything which exists in the universe will certainly have to undergo change. When the difference between the two forms, past and present, becomes too vast, we say that the past is dead and gone.
Death is also a type of change in which the present form seems to lose its link with the past. Suppose there is a small baby. When it grows into a boy a distinct change occurs, but we understand nevertheless that the same baby has grown up into a boy. In due course, the same boy becomes a youth, the youth a middle-aged man and, after a certain period, the middle-aged man becomes an old man. We can divide a person’s life into different stages of growth in this way. But when the same old man is reborn as a child, the difference becomes so vast that one fails to discover the link between the two lives. Thus, death is a change, and rebirth is also a change.
A study of history reveals that minor changes take place continuously, and major changes occur at longer intervals. Before the discovery of fire, the ancient human beings used to heat things with the scorching rays of the sun. Much later, when fire was discovered, it was considered a major change in human history. When the ancient humans first invented the bullock cart it was considered as a sign of far-reaching scientific progress.
We can roughly say that civilization first started sprouting after the prehistoric age of the human race, that is, from the days of the first composition of the Rk Veda, about 15,000 years ago. A major change took place during the days of Lord Shiva towards the end of the Rk Vedian period (which lasted 10,000 years).
Human life is characterized by various kinds of expressions – people eat and drink, wear clothes, sing and dance, build houses, undergo medical treatment, and so on – which are collectively known as culture. Any one of these expressions is not culture; culture is the sum total of them all. Sadashiva wanted to systematise all those expressions of human life – dance, music, medicine, civilization, in fact, every aspect of life. This was a big change, a revolutionary change. Nothing like it had ever taken place before. Such far-reaching changes are not easily brought about by ordinary leaders or rśis. Those who help people adapt themselves to the changed situation, I have called “sadvipras”. But the one who actually initiates the major change is called a “mahasadvipra”. Sadvipras know how to lead people in perfect adjustment with the changed circumstances, and guide them along the right path.
So, the initiation of a revolutionary change is not the work of a sadvipra, but the work of a mahasadvipra. Mahasadvipra is the philosophical term; in the scriptures he is called “Táraka Brahma”. Sadashiva was one such Táraka Brahma – a versatile guide in all aspects of human life. In the post-Shiva period, however, the speed of social progress eventually slackened. It lost its momentum, and degeneration set in. The various parts of the social machinery became rusty. The situation demanded the advent of another great personality who was capable of pushing the society ahead and leading the people along the right path. Thus, about 3,500 years ago another great leader emerged – Sri Krśńa. He also caused a big change in the society and infused a tremendous wave of social progress.
One may ask whether Sadashiva alone brought about these major changes in the society. No, certainly not! He was assisted by numerous sádhakas, devotees, intellectuals and ordinary people. In the scriptures, they are known as Shiva’s “gańa”. It is said that other gods and goddesses were decorated with various kinds of ornaments – some wore ear-rings and crowns, others carried conches and lotuses and weapons such as discs and clubs – but in the case of Shiva, His ornaments were His devotees who worked tirelessly to build the society according to his instructions.
What happened during the days of Sri Krśńa? He, too, brought about a revolutionary change in the society. Those who assisted Him in the revolutionary task were not necessarily wise and intellectual people; nor were they all well-versed in all the scriptures. Many of them were ordinary members of society. But it is a fact that they were ardent devotees and sincerely worked for the welfare of humanity under the directions of Sri Krśńa (Vraja). Their wealth was their love for their Iśt́a (goal); their devotion to Krśńa. And because of their devotion they became successful in their lives. People achieve more with their sincerity than with their knowledge.
This age, too, has undergone a marked change. Various kinds of problems have arisen in the society of today. New types of preparations – mental, physical and all-round preparations – are necessary to cope with the present situation. Corruption and degeneration have entered the minutest pores of the social body. The honest people will have to work towards a major change by fighting unitedly against this adverse situation. To succeed in this task, however, people will have to make thorough preparations. Just as one needs to make preparations before doing a bad action, one must also make preparations before doing a good deed. Good people will do good deeds.
There is a preparatory stage before each action. In fact, long preparations have been going on, and today, change has become inevitable. The situation brooks no further delay. About 3,300 years have passed since the days of Lord Krśńa, and about 7,000 years have passed since the days of Shiva. The people of today will have to become prepared just as they were in the past. They will have to plunge themselves into a new battle with a new ideology to bring about the total well-being of the human race.
When a major change took place in the past, such as in the days of Shiva and Krśńa, a new philosophy, a new way of life, a new light inspired people to move along, and that is why they could accomplish their task in an incredibly short time. To bring about a major change, fight is inevitable, be it short or protracted. When people fight under the inspiration of a mighty personality the task is accomplished within a short period. The people then decide, after deep thought, what the main problems confronting society are, and then make necessary preparations to solve those problems. Once they are prepared, they can attain success very quickly.
Human society today must be viewed with a universal outlook and not in a sectarian way. We must resolve all problems, major or minor. We must start the work of solving the major problems immediately because the need to bring a change in the society has already come. The more we delay the more the darkness will linger. Today a new philosophy, a new form of humanism, a new form of socio-economic thought has already come, with the sole intention of promoting collective social welfare.
That is why I advise you not to waste your time any longer. Utilize your time in worthwhile pursuits. It is said, “Shubhasya shiighram ashubhasya kálaharańam”. Before starting a noble task you need not consult the almanacs or the positions of the stars; start it immediately. But when you want to do something harmful, try to delay it for as long as you can. With the passing of time, and a change in mentality, you may decide not to do it any more.
While you are executing your noble task do not waste your time. In this practical world, in this relative world, the most valuable relative factor is time. Once the time has passed and gone, it does not return again, so never misuse time. May you prosper. May victory be with you.
P.R.SARKAR - 17 January 1979, Bangaon
Published in: Ánanda Vacanámrtam Part 8

05/05/2010

A VONTADE DIVINA

Quando a mente opera numa estrutura, essa estrutura é controlada pela mente, mas as estruturas nas quais a mente não está expressa são controladas e operadas pela mente do Ser Supremo. Um homem, por exemplo, move-se de um lugar para outro, por sua mente, mas o vento sopra e a água flui, de acordo com os ditames da Mente Cósmica. Os movimentos controlados pelo Ser supremo são todos do inanimado ao animada e do bruto ao sutil. Em outras palavras, são movimentos em direção a Deus. Podemos dizer que o Ser Supremo está atraindo tudo em direção a Si mesmo.
Os seres humanos são movidos e guiados por suas próprias mentes unitárias, mas no que diz respeito a assuntos de importância coletiva, não são totalmente livres, o Macrocosmo firma Sua mente.
Quando um homem se move numa linha oposta ao impulso do Ser Supremo, este movimento é em direção à degradação. O movimento é uma necessidade, seja ele para o progresso ou para a degradação – em direção ao inferno ou ao Ser divino. Os animais e objetos inanimados, cujas mentes não são desenvolvidas não têm chance de se degradarem já que não têm escolha de movimento, exceto na direção do supremo. Mas o homem tem a liberdade de escolha entre o progresso e a degradação.
Se apenas o movimento de acordo com a vontade do Ser Supremo é movimento em direção ao progresso, surge a questão de como descobrir qual é o desejo de Deus. A mente pequena do homem, encerrada numa caixa de ossos, é incapaz de conhecer os segredos da Mente Cósmica. É difícil conhecer o desejo não expresso do Ser Supremo. Mas, onde quer que haja uma dificuldade , a solução se encontra por perto. Toda doença tem uma erva curativa perto da fonte da própria doença.
Suponha que você tenha que descobrir o que o Sr. X gostaria de comer – rasagulas ou gulabjamun (dois tipos de doces indianos). Como saberia isto? Sendo um cavalheiro, ele não expressará seu desejo. E Deus é também um cavalheiro - Seus desejos não estão todos na superfície. Um aldeão pode deixar escapar seus desejos, mas um homem refinado não o fará – e Deus é refinado.
Mas há uma saída. Comece a amar o Sr. X e suas mentes se encontrarão; você saberá seus desejos. Este é o caminho seguido pelos devotos. Eles amam a Deus e conhecem Sua mente; eles sintonizam suas mentes no mesmo comprimento de onda e na mesma direção.
A diferença entre um sádhaka e um filosofo é esta: o sádhaka aprende filosofia com o objetivo de convencer outros, não para si próprio. Ele está satisfeito em amar a Deus.
Imagine um devoto e um filósofo em um bosque de mangueiras. O filósofo começa a contar as árvores, seus galhos e mangas do pomar. Enquanto ele está assim a perder seu tempo, o devoto está se deleitando com o doce suco das mangas. O devoto diz: "Deus é meu e eu devo amá-Lo, compreender Sua vontade e agir adequadamente".
Aqueles que não amam a Deus, também não são completamente livres para agir. Eles têm que seguir a Vontade divina à força. Alguns o seguem por amor, outros por medo. Há algum elemento de medo no amor também. Meu menor erro pode magoar a pessoa que amo e, assim, esse medo me mantém corretamente no caminho do amor. Somente o homem tem chance de seguir Deus com amor: os outros seres têm que fazê-lo compulsoriamente.
Aqueles que temem a Deus não são sádhakas. Todos querem evitar o medo. Deus é o medo ao medo. Todos têm medo do terrível – e Deus é um terror para o terrível. Assim, sendo o inimigo do nosso inimigo, Deus é nosso melhor amigo.
Movimento é vida. Deus é o movimento da mais íntima energia vital (prán'a). Se Deus se retirar, ninguém mais existirá.
Se um menino disser alguma coisa lógica, ela deverá ser aceita; e se mesmo Brahma (mitológico criador do universo), nascido da flor de lótus, disser alguma coisa ilógica, ela deverá ser rejeitada como uma palha.
Deus é aquele que purifica a purificação. Ele é a Pureza do puro. Considera-se um mergulho no Ganges como um ato purificador. Se isto fosse verdade, os peixes e animais que vivem no Ganges seriam os mais puros seres, pois eles vivem 24 horas do dia no Ganges.
Deus vive em todo o coração, e Ele é o purificador da pureza. Assim, tudo o que você tem a fazer para ser puro é pesquisar seu coração, contactar o Ser supremo ali e ser puro. Porque você precisar sair para ser purificar?
O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Poder sem devoção é uma força que leva à degradação. Você não deve esquecer que Deus é a fonte de todo supremo poder. Ele pode arrebatar seu poder um minuto. Este seu corpo dentro do qual você é um inquilino pertence à Lei Suprema. Ele pode lhe despejar em um minuto, sem notificação prévia.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

16/04/2010

O ORGULHO E SUA CURA

Jinána, karma e bhakti (conhecimento, ação e devoção) são essenciais para realizar Deus, o desejado objetivo da vida. É através do conhecimento e da ação que a devoção é despertada, o que leva o homem à Bem-aventurança Suprema. Enquanto a devoção está livre de qualquer defeito, o conhecimento e a ação podem criar algumas dificuldades. A aquisição do conhecimento freqüentemente faz um homem ficar preguiçoso e orgulhoso, enquanto karma pode tornar o homem orgulhoso. A menos que um aspirante espiritual seja capaz de se livrar desses defeitos, ele não pode se estabelecer em kevala bhakti (devoção completa), que é absolutamente essencial para a realização de Deus. Os sábios, portanto, adotarão uma conduta que os livre dos efeitos maléficos do conhecimento e da ação.
Observou-se que aqueles que se empenham na aquisição do conhecimento perdem contato com a natureza prática das coisas. Sua constante preocupação com livros os torna preguiçosos e letárgicos e eles evitam o trabalho. Isto, eventualmente, os leva à queda. A regra de ouro para se livrar dos próprios defeitos é criar o sentimento oposto na mente e colocá-lo em prática. Portanto, para evitar a preguiça será necessário trabalhar arduamente. O trabalho é a manifestação da Entidade Suprema e, assim, todos terão de trabalhar, e trabalhar cada vez mais e mais. O trabalho, aqui, não significa qualquer ocupação que não dê resultado. O trabalho é trabalho apenas quando é dirigido ao bem estar coletivo. Somente isto livrará o homem dos efeitos maléficos da preguiça e letargia. O orgulho que surge pela aquisição do conhecimento tem também sérias repercurssões na vida humana. Pode levar a queda completa do indivíduo. O orgulho é principalmente de três tipos, e cada um deles tem resultados desastrosos.
O primeiro tipo de orgulho é a vaidade, que surge quando uma pessoa pensa que merece mais do que está conseguindo, o que o faz desenvolver uma atitude arrogante em relação aos outros. Quem se entrega a isto, perde seu julgamento discriminativo, exatamente como acontece a um bêbado. O homem é diferente do animal, apenas porque possui discriminação e intelecto. Assim como um bêbado perde gradualmente esta inestimável qualidade, um homem cheio de orgulho também se torna privado desta faculdade. Como a perda da faculdade racional é contra as virtudes humanas fundamentais, beber é um pecado. Da mesma forma o orgulho é também um pecado e leva à decadência do individuo.
Auto-engrandecimento é o segundo tipo de orgulho. Ao ficar cheio de vaidade, a pessoa quer projetar sua imagem de maneira exagerada. Freqüentemente, ouve-se alguém dizer que tem uma rosa do tamanho de um balão em seu jardim, quando a rosa real pode se do tamanho de uma bola de pingue–pongue. A entrega constante a esse tipo de atividade converte a mente à materialidade.
O terceiro tipo de orgulho é o prestígio, que é o desejo de se fazer conhecido. A pessoa espera atenção de todos e anseia por nome e fama. Este estado mental pode ser facilmente comparado com a condição mental de um mendigo. O mendigo pede dinheiro dos outros enquanto que a pessoa que almeja prestígio mendiga que os outros a respeitem. Tal desejo é realmente sem significado e sem valor.
Tendo analisado vários tipos de orgulho e seus efeitos prejudiciais, é necessário examinar os meios de se livrar desses defeitos. Caetanya Maháprabhu (um grande santo da Índia) deu um método psicológico para o indivíduo se livrar do mal do orgulho. Orgulho é realmente uma doença mental, e as pessoas que sofrem dessa doença requerem um tratamento psicológico regular. Para se livrar do orgulho, a pessoa deverá forma o hábito de ser polido e humilde. Assim como uma palha que fica no solo, e, embora humilde, não perde sua importância, assim também, o homem nunca se tornará insignificante sendo humilde. Apenas a humildade como o da palha, salvará uma pessoa do orgulho.
Para evitar o orgulho é necessário também ter paciência e tolerância como a árvore que, ainda que podada, continua a dar uma sombra fresca. Uma pessoa que está sempre envolvida no pensamento do seu próprio prestígio deve aprender a pensar no prestígio dos outros. Jamais deve esquecer que respeito gera respeito e que deve sempre honrar aqueles que não são honrados por ninguém. Esta prática constante removerá os efeitos prejudiciais do desejo pelo prestígio. O método mais fácil de fazer isto é fazer namaskár (saudação) primeiro e não criar uma situação em que você cumprimenta em resposta.
Um homem que está cheio de vaidade e arrogância e que se ocupa sempre com o auto-engrandecimento pode melhorar apenas utilizando seu tempo em kiirtan. Se ele se dedica ao kiirtan, não terá tempo para criticar ou escandalizar ninguém e para se engrandecer por comparação. Assim há uma necessidade para tal pessoa fazer kiirtan ao máximo, para que não tenha tempo de se ocupar com a abominável atividade de crítica.
Portanto, o aspirante espiritual que tem Deus como objetivo deve sempre lutar para se livrar da letargia e do orgulho, e obter os plenos benefícios do conhecimento; deve trabalhar para fazer crescer e avivar a devoção, que é o único caminho para o final da jornada. Ele terá que se engajar em atividades de bem-estar coletivo, praticar as qualidade da humildade, paciência e tolerância, aprender a honrar aqueles que não são honrados por ninguém e organizar e participar de kiirtan.
“Não se pode conhecer coisa alguma, a menos que se desenvolva a psicologia do “eu não sei”. Este é o espírito fundamental de um verdadeiro aspirante espiritual."
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

13/03/2010

Oriental Bliss - Akhanda Kiirtan

Live Kiirtan recorded during the Hong Kong Sectorial Conference in Ananda Suruci, Taiwan in May 2009. Leading the kiirtan are 'Kiirtan Gosti' (Didi Ananda Gunamrta, Didi Ananda Arpana, Dada Shubhaniryasananda, Dada Dhiirendra and Dada Yogananda). All proceeds from the CD sales will go towards the construction of a meditation hall at our Master Unit in Far East Russia.

09/03/2010

O CONHECIMENTO VERDADEIRO

O maior conhecimento que um homem pode adquirir nos reinos físico e mental é que todo conhecimento adquirido até agora por ele é limitado.
O conhecimento físico é como a folha da árvore shala sobre a qual as pessoas fazem suas refeições. Enquanto você ainda não comeu, a folha tem valor, mas no momento em que você terminou a refeição, a folha vai para a lata de lixo para ser lambida pelos vira-latas. Quando você chegar a perceber que seu conhecimento físico é digno de ser lambido por um cão, a devoção despertará então em você e você adquirirá o verdadeiro conhecimento. Para adquirir o verdadeiro conhecimento real, o conhecimento espiritual, Paramapurus'a (Consciência Suprema) deve ser o objetivo de sua vida.
Como é possível fazer de Paramapurus'a (Consciência Suprema) objetivo de sua vida? Para todo o cosmos  a Consciência Suprema é o sujeito, e o cosmos é Seu objeto. Ele é a Subjetividade Suprema; você é Seu objeto. Não é possível fazê-lo seu objeto, pois você é o objeto D'Ele. Então, o que você deve fazer? Você tem que ter a ideação que Ele está sempre testemunhando você. Os sábios não tomam a Consciência Suprema como seu objeto; eles pensam que estão sendo testemunhados por Ele. Paramapurusa não é o meu objeto, mas eu sou o objeto de Paramapurus'a. Quando isto é sentido constantemente por um homem, todo o tempo, esse estágio é chamado – Dhruvasmrti (lembrança constante). Você sabe que é o objeto de Paramapurus'a, mas não se lembra disto todo o tempo. Quando, através da sádhana, o homem nunca esquece que a Consciência Suprema o está sempre testemunhando – isto se chama Dhruvasmrti. Somente neste estágio o homem atinge o verdadeiro conhecimento. Esse conhecimento espiritual pode ser traduzido na esfera mental, bem como na esfera física. Se o homem estiver desejoso de fazer isso, deve fazê-lo, pois estará trazendo um grande benefício à humanidade. Somente isto é o verdadeiro conhecimento. Só assim o progresso é possível. O sábio é aquele que compreende que nada sabe.
Somente o conhecimento espiritual é devoção. O conhecimento finalmente se transforma em devoção depois de um esforço constante. Isto é, quando o conhecimento percebe que nada pode ser efetuado por ele, somente então, ele se submete à devoção. Quando o conhecimento se submete à devoção, isto é o conhecimento espiritual. Lembre-se de que uma vez que você tenha devoção, você tem tudo. Se Paramapurus'a lhe perguntar o que você deseja, você não deve pedir absolutamente nada e se Deus fizer questão de lhe dar alguma coisa e com isto ficar contente, você deve pedir devoção absoluta.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

17/02/2010

DESEJO E DEVOÇÃO

No processo de evolução, no movimento do denso para o sutil, há uma tendência: o desejo de obter o objeto agradável com que se entra em contato. Você deve lembrar-se disto. Por exemplo, um homem que vive na cidade veste-se e mora de acordo com a vestimenta e moradias urbanas, e quando vive numa aldeia, sua roupa e sua casa são semelhantes às do povo da aldeia. Isso ocorre devido ao desejo despertado pela associação com as pessoas da cidade e das aldeias, respectivamente. Quando algumas pessoas tomam chá, você também tem o desejo de fazer o mesmo.
Nesse ciclo cósmico, (Brahmacakra), todas as pessoas têm seu desejo específico e individual, e todas elas estão em sua busca. Os que têm muitos desejos procuram satisfazê-los todos e assim ficam exaustos; e no final não satisfazem nenhum. Os que têm apenas um desejo o realizam muito facilmente. Portanto, ao invés de correr atrás de muitos objetos, corra à procura de Deus e segure-O, porque aqui há apenas um desejo. Quando há mais de um desejo a mente fica dividida e nada será obtido.
Os homens procuram satisfazer seus respectivos desejos, tanto devido a instinto inato como a sam'skáras impostos e, de acordo com o jogo de Prakrti (Energia Criativa), o homem tem muitos desejos. Ao correr atrás deles esquece Paramapurus'a, e assim,m o jogo (Liila) de Paramapurus'a prossegue. Quando cessa o movimento a seus desejos, os homens começam a se mover em direção ao Núcleo desses desejos.
O desejo cria prontidão para a ação. Em nenhuma circunstância deveria o homem se libertar do desejo; sem desejo haveria perturbação. Deve-se apenas observar o tipo de desejo. Onde não há desejo, a existência está aniquilada. Já que o desejo é indispensável para a existência humana, é preciso examinar que tipo de desejo se deve satisfazer.
Foi dito acima que quando o homem busca variedades, nada consegue. Às vezes pensa em se tornar ministro, às vezes secretário, às vezes, poeta. Há mil e um desejos. Por isso, o desejo não é satisfeito completamente. Ele fica exausto depois de buscar os desejos materiais e, por fim, não há sucesso na ação.
A verdadeira ação é mover-se em direção a Brahma (Entidade Suprema) e esta ação não é nada mais que uma forma de Brahma – é Sua metamorfose. Assim, tomando a ação como sendo Brahma prossiga executando ações. A ação que você fará neste estágio terá o desejo adequado por trás dela. E esse desejo será apenas um e não muitos. Em tal caso, haverá muito mais aceleração no processo de pratisaincara (evolução).
Como foi dito acima, quando o desejo é único, o trabalho será feito. Quando há muitos desejos, o trabalho não será absolutamente feito. Se alguém deseja tomar leite e fumar ao mesmo tempo, não consegue fazê-lo. Pode fazer apenas uma coisa ou outra. Assim, o desejo deve ser Paramapurus'a e nada mais; o desejo por outros objetos deve ser canalizado em direção a Paramapurus'a. Esse é o desejo correto; isso é liberação (mukti). O desejo correto para o homem é devoção.
Se o homem quer se tornar devoto do Senhor, mas no fundo de sua mente pensa que Deus o ajudará a passar em seu exame – o desejo não é um, mas dois. Quando alguma coisa é pedida a Deus, o desejo se torna duplo e o tempo será perdido. Quando esse desejo é somente em direção a Paramapurus'a, é conhecido como devoção:
“Eu quero Paramapurus'a e d'Ele não quero nada”.
Onde há devoção haverá sucesso na ação e vitória para os devotos. Esse mundo é para os devotos e para ninguém mais. Quando o desejo não é por Paramapurus'a mas por qualquer outra coisa, é conhecido como apego e não devoção. Portanto, o desejo correto é devoção.
Isso não quer dizer que o devoto apenas cantará bhajan e kiirtan. Esses não são devotos amadurecidos! O sádhaka que se move rapidamente no caminho da evolução, em direção a Paramapurus'a, nunca é alheio ao sofrimento de inúmeras pessoas ao seu redor, sofrimento esse devido à falta de um sistema social sólido de um sistema econômico sólido e de sentimentos humanos. Se ele é cego para a administração doentia do sistema social é porque não foi capaz de entender Paramapurus'a completamente. Agindo assim, seu enfoque é totalmente subjetivo, sem um ajustamento objetivo mas, quando um devoto se move em direção a Paramapurus'a,, seu enfoque é “ salvação pessoal e serviço à humanidade”. Ele se dirige a Paramapurus'a enquanto serve à humanidade. Quando a humanidade é negligenciada a “salvação pessoal” é também destruída. Portanto, o devoto deve estar sempre pronto para servir a humanidade. Sadhakas que não prestam serviço social não tem devoção real. Em sua devoção existe egoísmo. Os devotos que são egoístas não alcançam Deus. Assim, o desejo correto é devoção. Os devotos são trabalhadores. Eles nunca temerão o trabalho. Eles trabalharão ao máximo .
Porém, quando você for executar uma ação, terá que aprender a técnica de executá-la. Por isso, há necessidade de conhecimento. Os devotos verdadeiros não negligenciarão o karma (ação) e também adquirirão o conhecimento necessário para executar a verdadeira ação. Conhecimento e ação não podem levar um devoto a Paramapurus'a – a devoção pode. Para servir a humanidade e para ajustamento objetivo, o conhecimento e a ação são essenciais. Os devotos terão que aprender isso.
Quanto mais o homem se aproxima de Paramapurus'a, mais significante se torna sua vida.A existência de um homem com mente grosseira não é tão valorosa; a existência de germes e insetos não é tão valorosa, embora eles também tenham o sentimento de sua existência. A existência de cada um não tem o mesmo valor. À morte de um certo homem todos choram, mas à morte de um outro as pessoas se sentem aliviadas. Pela ação, pelo conhecimento e pela devoção, a existência passa a ter valor. Isto é apenas a verdadeira natureza prática. Quanto mais a existência de um homem se absorve em Paramapurus'a, mais valiosa ela se torna. A pessoa que não pratica o ajustamento objetivo e falha em ver os seres humanos como a Consciência Suprema, nunca atingirá Paramapurus'a, nunca poderá ser grande.
Devoção é a ponte que liga a unidade com a Consciência Cósmica. Antes de atravessar a ponte da devoção o sentimento é: “você é aquela Consciência Suprema”. Mas, enquanto se esta atravessando a ponte, sente-se “eu sou Ela”.
As pessoas que são egocêntricas não tem Paramapurus'a como objetivo. Externamente dizem que Paramapurus'a deve ser alcançado, mas em suas mentes interiores desejam outra coisa. Tais pessoas dizem, externamente, que Paramapurus'a deve ser alcançado, mas interiormente desejam fama ou riqueza; elas têm objetivo grosseiro por meta. O que a mente externa sente não é a meta do ser humano; o que mente interior diz é a meta. Se o objetivo da mente interior é um objeto grosseiro, a consciência se transformará em um objeto grosseiro. Isso é jada samádhi (samádhi grosseiro). Jada samádhi está muito abaixo da existência humana e é muito difícil de se libertar dele. Após milhões de anos, a vida humana é obtida. Veja, portanto, como é perigoso. Logo, com Paramapurus'a não tenha duas personalidades; por dentro uma coisa e por fora algo diferente. Seja o mesmo externamente e internamente, do contrário toda a sua estrutura mental, toda a sua matéria ectoplasmática será convertida no mundo material dos cinco fatores fundamentais.
Há também algumas pessoas que têm do desejo correto, mas não têm a orientação correta. Eles sabem que Paramapurus'a é o objetivo, mas não dispõem da verdadeira orientação. Diz-se que as práticas espirituais não devem ser feitas estudando-as em livros. Para elas, um preceptor é essencial. Se um homem começa a fazer sádhana pela leitura de livro ou escutando os outros, isso também é perigoso porque, nesse caso, uma concepção clara sobre o objetivo não é formada. Assim, a pessoa não sabe onde está indo. O barco está navegando, mas o marinheiro não sabe para onde vai o barco. Nessa longa jornada, o marinheiro ficará exausto e terminará sofrendo algum acidente.
Nesse caso, quando tais pessoas morrem, o estado depois da morte é conhecido como “videhillina”(mente sem corpo). Suas existências não terminam aí; seus sentimentos permanecem abstratos, no mundo das idéias. Isto é tão perigoso como jada samádhi(samádhi grosseiro). A diferença entre jada é que no primeiro está a insensatez devido ao desejo escondido, enquanto que no último não há insensatez e sim falta de uma direção correta.
Por isso, todos deveriam saber que sem direção nada pode ser feito. Tudo deve ser feito com direção apropriada, orientação correta. Grita-se alto: "revolução, revolução!" – mas revolução não significa pôr fogo em ônibus e trens ou arrancar linhas de trem. Isso causa um prejuízo ao governo, mas o governo pertence ao povo. Portanto, isso prejudica o próprio povo. Tudo isso são meios destrutivos.
Igualmente se um erro for cometido na sádhana, é devido à falta de conhecimento. Por causa disto, tanto o indivíduo quanto a sociedade são prejudicados. Isso é videhiliina, videhiliina ocorre com certeza se não há amor por Paramapurus'a.
O sádhaka que tem amor por Paramapurus'a, capacidade de ação e conhecimento e que realiza sádhana à humanidade, pode ter muita ideação cósmica e ainda assim sentir dualidade entre si e Paramapurus'a. Então, ele gozará a bem aventurança e ficará livre, temporariamente, das misérias. Esse estado de bem aventurança é bháva samádhi (êxtase ideativo). Quem alcança bháva samádhi é devoto, mas a dualidade ainda existe. Todos nascem de Paramapurus'a, então, como pode haver dois – o devoto e Paramapurus'a? Por isso em bháva samádhi o estado mais elevado não é alcançado. Enquanto a mente estiver em bháva samádhi há bem aventurança, mas, depois, o aspirante é um ser comum outra vez.
Alguns devotos vão muito além e sentem a unidade com Ele; mas, ao invés de amar o próprio Paramapurus'a, pensam mais em suas qualidades (gúnas); em tal caso eles alcançam o êxtase das qualidades. Nesse caso, os devotos também adquirem muitas qualidades, mas a unificação permanente com Paramapurus'a não é conseguida. O que acontece no êxtase das qualidades é que o devoto tem muito mais o sentimento das qualidades. Alem disso, ele pensa que sua vinda a esse universo deve ser justificada. Ele quer justificar seu corpo, sua mente, alma e toda a vida. Esses são sentimentos sutis, na verdade – mas esses devotos também não são amadurecidos!
O indivíduo deve ter a sensação de que o corpo e a mente, os quais foram dados por Paramapurus'a, serão utilizado no serviço à sociedade para agradar Paramapurus'a. Os que agradam Paramapurus'a são devotos. Sua própria natureza é dar prazer a Paramapurus'a. Os devotos de primeira ordem não desejam o êxtase das qualidades. Eles querem utilizar seus corpos, suas mentes e suas qualidades a serviço da humanidade, porque tudo pertence a Paramapurus'a. Ele se expressou em muitos objetos do universo, mesmo na folha da grama. O devoto servirá o universo porque isso dá prazer a Paramapurus'a.
Os que utilizam a si mesmos integralmente para agradar Paramapurusa são devotos classe A. Somente eles são devotos, os outros não. Quando o único fim é dar prazer a Paramapurus'a, o devoto esquece completamente de si mesmo, pois egocentrismo é agradar a si mesmo. No êxtase das qualidades, esse sentido de egocentrismo ainda existe. Mas, onde não há desejo pessoal e o único objetivo é agradar Paramapurus'a, o egocentrismo não existe em absoluto. E na ausência do egocentrismo ocorre a fusão final da existência. Com a extinção da existência, a Consciência Absoluta é estabelecida. Tudo é feito para alegria de Shiva, de Paramapurus'a. Esse estabelecimento da consciência de Shiva é conhecido como Shiva samádhi. A meta Suprema da vida é Shiva Samádhi. As pessoas se estabelecem em Shiva Samádhi através de Sádhana e do serviço à humanidade. Não há outro modo.
Pode-se perguntar como um analfabeto ou um homem fraco realizará a ação e adquirirá conhecimento. Há apenas uma resposta para isso. Se alguém é devoto, então , Paramapurus'a lhe ensinará a técnica de prestação de serviço.
Devoção é a forma de Bem Aventurança. Devoção é a vida do devoto. Devoção é serviço a Deus; devoção é dar prazer a Deus e não dar prazer a qualquer ser mundano. Devoção é amor personificado.
O homem que não tem compaixão, o homem que não derrama lágrimas pela miséria alheia, não é um homem, mas sim, uma pedra. Ele não pode fazer nenhum grande trabalho. Fique feliz com a felicidade alheia e preocupado com os problemas alheios. Somente isto é natural. Não seja antinatural. O esforço para tratar os outros como a si mesmo culmina no amor pelo Senhor – devoção é amor por Deus personificado.
A devoção é o êxtase da bem aventurança, o oceano de bem aventurança. E somente a devoção é vida para o devoto. A maior agressão aos devotos é tirar sua devoção. Nunca tente tirar a devoção dos devotos, pois ela é sua vida. O próprio Paramapurus'a ensinará o conhecimento e a técnica de fazer trabalho. Isso não é dor de cabeça dos devotos. Entregue tudo ao Senhor. Porque o homem não foi capaz de resolver seus problemas por seus próprios esforços, nem será capaz de fazê-lo, ainda assim, o devoto não deve se perturbar. Se alguém precisa de pedir alguma coisa a Deus, deve pedir apenas devoção absoluta. Quando a devoção é alcançada, Deus é realizado. Se Deus é realizado, tudo é conseguido. O que permanece inatingível?!...
Portanto, desde eras passadas as pessoas eruditas têm admitido que o homem mais sábio do mundo é o devoto. O devoto não está despojado de intelecto. Pelo contrário, ele é o mais sábio. Se você quer permanecer no mundo, permaneça como um devoto. Enquanto não houver devoção, seu coração é como um deserto; e quando a devoção é alcançada, um oásis aparece no deserto.
Você não tem que temer coisa alguma quando a devoção está com você. Não há nada que temer quando Paramapurus'a está com você. Quando há devoção, Paramapurus'a está presente. E quando Ele está aí, não tema ninguém. Em nenhum caso você deve se sentir perturbado.
Você deve lembrar que é a criação singular de Paramapurus'a. E lembrando-se disto, aprendizado, intelecto ou dinheiro não são de todo necessários. Peça e você obterá o tesouro mais barato, porém o mais inestimável.
Por isso, seja um devoto e estabeleça sua Ideologia. Se a devoção está com você, você estabelecerá sua Ideologia, qualquer que seja seu desejo e qualquer que seja o modo de desejar. Os que não têm devoção continuarão pestanejando e nunca poderão fazer qualquer coisa contra você.
Aquilo que torna a mente suave, forte e vigorosa, para que ela possa manter-se num estado equilibrado mesmo quando há dor, aquilo que cria perpetuamente um sentimento interior agradável é chamado amor. Devoção é idêntica ao amor. No momento em que a devoção é despertada surge o amor de Deus.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamurtijii

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