08/11/2012

Ádarsha e Iśt́a


Shrii Shrii Anandamurti
DMC em Bhuvaneshwar, 20 de julho de 1979.


O assunto do discurso de hoje é ” Ádarsha e Iśt́a”.
 Agora, o que é Ádarsha e o que é Iśt́a?
 Todos nós estamos constantemente em mudança: toda e cada entidade do universo, desde os enormes dinossauros até a menor folha de grama, está em um estado de constante movimento. Nada está fixo, nada é estático. Movimento é vida e pericibilidade é a lei natural do universo. Quanto todas as coisas estão em um estado de movimento, então qual é o objetivo do movimento? Cada movimento certamente tem um certo ponto final, e esse ponto final é ádarsha. Os seres humanos também estão movendo-se, mas para moverem-se adiante eles algumas vezes precisam de energia. Mas de onde vem essa energia? A fonte de toda energia é Parama Puruśa [a Consciência Suprema]. Com a energia Dele, todas as entidades estão movendo-se. Nenhum ser vivo tem sua própria energia: dotado com a energia de Parama Puruśa, cada um move-se adiante em direção ao seu ádarsha.
Existe alguma diferença entre ádarsha e iśt́a

Essa é de fato uma questão complicada. 

 Ádarsha é aquilo que é o próprio objetivo em direção ao qual todas as entidades movem-se. A palavra ádarsha [em sânscrito] 
é derivada de ádrsh + ghaiṋ; quando o sufixo feminino uniiś é  
adicionado à palavra ádarsha, obtém-se a palavra ádarshii, que significa “um espelho”. Ádarsha é aquilo que os seres humanos desejam tornar-se.

Os seres humanos estão em constante mudança, mas a questão é: qual é o ponto culminante, o ponto que eles atingem no final do seu movimento? Pegue o caso de uma criança pequena: ela sempre é fraca e sem força. Se ela quiser ficar forte, ela terá de submeter-se a exercícios físicos regulares. Se a criança crescer forte e poderosa através de exercícios físicos, isso é o ádarsha dela – quer dizer: ádarsha é um estado dotado de qualidades particulares.

Agora, quando os seres humanos não se movem em direção a esse estado, o que acontece? Há pouco eu disse que movimento é a lei do universo. É um decreto providencial que o movimento seja uma necessidade para todos: caraeveti, caraeveti – “sigam adiante, sigam adiante”. Naturalmente os seres humanos têm que continuar movendo-se incessantemente. Mas suponha que uma pessoa não tenha um objetivo; então o movimento dela será como o de um navio sem leme navegando em um mar tempestuoso. Se você ficar remando um bote sem um objetivo determinado, todo o seu trabalho será em vão, todo o seu tempo será desperdiçado e você também correrá o risco de ficar preso em um redemoinho. Portanto, os seres humanos devem sempre ter um ádarsha – uma ideologia às suas frentes.

Agora, o que é iśt́a?

A palavra iśt́a tem dois significados: a entidade que você mais ama, ou que é a sua favorita, é o seu iśt́a. Agora a questão é: qual é o objeto mais preferido? Cada microcosmo tem um sentimento existencial de “eu”, e cada sentimento microcósmico de “eu” é uma expressão do sentimento mais amplo de “eu”. Agora, cada microcosmo tem dois “eus”: um é o pequeno “eu” e o outro é o “eu” maior. Parama Puruśa é o “eu” maior; o “eu” pequeno é a felicidade finita, enquanto que o “eu” maior representa a felicidade infinita. Cada microcosmo deseja felicidade finita, mas o objeto mais querido de todos é a felicidade infinita. A felicidade finita é um assunto individual, ao passo que a felicidade infinita é um assunto universal. A felicidade infinita é aquele aspecto de Parama Puruśa que em geral é chamado de Deus Pessoal.

De acordo com a filosofia, a Entidade Suprema que controla este universo é Parama Puruśa; Ela também é o núcleo da ordem cosmológica. Mas o Parama Puruśa da filosofia, o eixo do universo, é uma entidade sem forma, impessoal, enquanto que os seres humanos sempre preferem um Deus pessoal que eles possam amar, e a quem eles possam contar os prazeres e dores das suas vidas. Os seres humanos não conseguem sentir amor e afeição extremos por um Deus ou uma filosofia impessoais, porque isso é apenas um conceito metafísico e o coração humano não consegue identificar-se plenamente com uma idéia abstrata. Eles querem um Deus pessoal a quem possam expressar plenamente seus sentimentos e emoções. Essa é uma necessidade absoluta. Os seres humanos não procuram pelo Deus deles em nebulosas e meteoros distantes – eles O procuram bem próximo deles; precisamente em meio a eles. Eles querem aceitá-Lo totalmente como o seu abrigo na vida. No jogo da imaginação abstrata as pessoas podem obter alguma satisfação temporária, mas não paz duradoura. O Deus da filosofia não pode proporcionar satisfação completa aos anseios internos profundos das pessoas: elas querem Alguém a quem possam abrir seus corações. Uma tal entidade é o iśt́a da pessoa.

Qual é a diferença entre dharma e iśt́a?

Aquilo que sustenta é [chamado de] dharma:

Yah dhárańaḿ karoti sah dharma.
Dhriyate dharmah ityáhuh sa eva paramaḿ prabhuh.

Um microcosmo é distinguido pela sua propriedade inata: nós dizemos “isto é oxigênio” por causa que ele tem tais e tais características. Nós dizemos “isto é fogo” porque ele tem sua propriedade intrínseca. Similarmente, o ar também tem a sua propriedade singular. E dessa forma, cada objeto no universo é distinguido por sua característica peculiar. Se o fogo parar de queimar, nós deixamos de chamá-lo de fogo; se o vento parar de soprar, nós não mais o chamaremos de vento – porque a mobilidade é sua característica inerente. Em sânscrito existem duas palavras: nila e niila. Niila significa “cor azul”, enquanto que nila significa “fixo, estacionário”. Se o ar estiver imóvel, então ele torna-se nila ou estacionário, e não anila ou móvel. Portanto, propriedades ou características inatas dos objetos permitem distinguir entre entidades animadas e inanimadas, orgânicas e inorgânicas, móveis ou imóveis.

Seres humanos, animais e plantas – todos têm vida. Assim como as plantas têm certas características comuns, animais também têm certas características comuns. Dentre as numerosas diferenças entre plantas e animais, a maior delas é que as plantas são relativamente estáticas enquanto que os animais são dinâmicos. Então, se as plantas se tornarem mais dinâmicas, elas também entrarão na categoria de animais. Agora, qual é a diferença entre seres humanos e animais? Seres humanos seguem o Bhágavata dharma, mas os animais não. As características comuns compartilhadas por humanos e animais são comer, dormir e morrer. Mas os seres humanos têm a propriedade singular do Bhágavata dharma, que está ausente nos animais. Essa é a singularidade dos seres humanos.

Agora, se essa característica peculiar estiver faltando aos seres humanos, então eles irão degradar-se ao nível da animalidade; e se os animais desenvolverem essa característica, então eles serão elevados à condição de humanidade.

Quais são as características especiais do Bhágavata dharma? Elas são: vistára (expansão), rasa (fluxo), seva (serviço) e tadsthiti (realização do Supremo).

 O primeiro critério da grandeza humana é o espírito de expansão. Os seres humanos querem dar uma expressão estética aos seus sentimentos e propensidades internos; esse é o primeiro aspecto do Bhágavata dharma: vistára.

Rasa significa “fluxo”. Ondas infindáveis estão emanando do eixo da ordem cosmológica, e marulhando em cristas e cavas em todas as direções. Essas ondas de pensamento Macrocósmicas estão dançando de acordo com o desejo cósmico de Parama Puruśa. Os seres humanos também estão dançando no ritmo dessas ondas estéticas [1], conforme a melodia da doce cadência musical da flauta de Krśńa [2], enquanto Ele permanece no núcleo do universo. Este é o segundo aspecto do Bhágavata dharma.

O terceiro aspecto é sevá ou serviço. Então, o que é serviço?

Prańipátena pariprashnena sevayá. Entre os animais não existe espírito de serviço, mas entre os seres humanos ele certamente está presente. Prańipátena significa “através de entrega total”. Pariprashnena significa “através de questionamentos apropriados”. E sevayá significa “através de serviço” – quer dizer, Parama Puruśa pode ser alcançado através de entrega total, de questionamentos espirituais e de serviço altruísta. Parama Puruśa em Si mesmo não requer serviço algum, mas neste universo todo e cada objeto criado é Sua prole. Se vocês servirem às crianças de Parama Puruśa, se vocês servirem aos seres humanos em dificuldades e aflitos, se vocês prestarem serviço integral à humanidade nas esferas física, mental, mudana, supramundana, social e espiritual, Parama Puruśa certamente ficará contente. Este é o verdadeiro serviço ao Supremo. Se você quiser agradar uma mãe, simplesmente sirva as crianças dela e ela ficará satisfeita. Este é o terceiro aspecto do Bhágavata dharma.

Serviço é sempre unilateral: essa é a maior diferença entre serviço e negócio, pois negócio é mútuo: você dá algum dinheiro e pega alguma coisa – digamos, alguma leguminosa [como feijões] – em troca. A transação é mútua. Mas serviço é bem diferente: é sempre unilateral. Você dá algo para Parama Puruśa sem pedir nada em troca. Quando você oferece tudo a Parama Puruśa, o que mais Ele pode pedir? Além disso, quem é que vai pedir? Quando você ofereceu tudo a Parama Puruśa, então você se tornou uno com Parama Puruśa e obviamente não pode haver mais nada sobrando que se possa pedir.

O quarto aspecto do Bhágavata dharma é tadsthiti: significa fundir a sua identidade individual Nele, a sua Meta Suprema. Eu já disse que Parama Puruśa é Táraka Brahma  [3]; Ele é o seu iśt́a, o seu Deus pessoal. Isto não é um conceito teórico. A mente humana pode ficar encantada com algumas idéias filosóficas, mas o coração não se satisfaz dessa forma. Esse Bhágavata dharma, com seus quatro aspectos, é como uma linha de prata [4] de demarcação entre os seres humanos e os animais. Bhágavata dharma é o dharma humano – mánava dharma; além desse, não há outro dharma para a humanidade.

No Bhágavata Giitá o Senhor Krśńa proclamou:

Shreyán svadharma viguńah paradharmát svánuśt́hitát.

O que dizer do paradharma ou “dharma dos outros”! Aqui paradharma significa aquele dharma que é seguido pelas plantas e animais. O dharma dos seres humanos é o Bhágavata dharma. Os animais e plantas também têm o seu próprio dharma, mas este não deveria ser seguido pelos seres humanos. Então o Senhor Krśńa ainda declarou:

Svadharme nidhanaḿ shreyah paradharma bhayávaha

– a morte é preferível do que negligenciar o próprio dharma. Jamais deveria-se seguir o dharma de outros. Por ignorância, algumas pessoas interpretam paradharma erroneamente como sendo dharma hindu, dharma islâmico, dharma cristão etc., mas isso não é correto: paradharma significa o dharma de animais e plantas.

O dharma humano é um só: é o Bhágavata dharma. E iśt́a significa o Deus pessoal com o qual todos os seres unitários podem estabelecer uma relação de amor e afeição, a quem eles podem revelar suas dores e prazeres, entregarem-se e tomar Nele o abrigo mais seguro. Esse Parama Puruśa, esse Deus pessoal não é o Deus da filosofia. Os seres humanos não podem estabelecer um relacionamento íntimo com algo teórico. Se alguém seguir o Bhágavata dharma fielmente, o resultado final será a realização do Supremo – tornar-se uno com o seu iśt́a.

Algum tempo atrás eu disse:

Yato dharma tato iśt́ah
Yato iśt́a tato jayah.[5]

Quando os aspirantes espirituais tornam-se unos com o iśt́a deles, eles deixam de ser pessoas insignificantes; nesse caso, a felicidade finita deles é transformada em felicidade infinita. Então, com a sua força limitada eles tornam-se capazes de realizar tarefas gigantescas. Portanto, ainda que haja uma diferença teórica entre ádarsha e iśt́a, na prática ambos são a mesma coisa. Através de um esforço sem tréguas, os seres humanos podem tornar-se unos com o iśt́a deles. Aqueles que não seguem o Bhágavata dharma são quase como animais.

Um poeta místico disse:

Krśńa bhajibár tare saḿsáre áinu
Miche máyáy baddha haye brkśa sama hainu.

Os seres humanos vieram a esta Terra somente para seguir o Bhágavata dharma, e não por qualquer outro propósito. Vocês têm muitas tarefas a realizar: o que quer que façam, vocês devem sempre sentir que todas as suas ações são parte do Bhágavata dharma. Onde quer que vocês estejam, vocês devem fazer algo para acabar com a pobreza e as dificuldades das pessoas nessa localidade – para melhorar a condição sócio-econômica delas. E mesmo quando estiverem fazendo as suas tarefas dessa forma, vocês devem sempre lembrar-se que o que quer que estejam fazendo não é uma tarefa mundana e sim uma parte inseparável do Bhágavata dharma de vocês.

*      *      *
Tradução: Mahesh – Florianópolis; 1 e 2 de junho; 20, 21 e 23 de outubro; 6 e 8 de novembro de 2012.
Fonte: Edição Eletrônica das Obras de P. R. Sarkar – versão 7.5 (em inglês).
Publicado em:
Subháśita Saḿgraha Part 12
 (obra ainda não publicada em português)

07/11/2012

A Engrenagem - Instituto Nina Rosa

IDEAÇÃO E MEDITAÇÃO

Com o progresso espiritual a mente desenvolve sua magnitude, a mente aumenta sua periferia, até que finalmente se funde com a Entidade Suprema. No decorrer desse processo, o aspirante espiritual desenvolverá muitas capacidades ou qualidades, mas a pessoa deve estar sempre alerta para que essas capacidades não a desviem do caminho determinado, da meta preferida.

Qual é o significado de faculdade e pensamento? Faculdade [ou capacidade] significa um tipo especial de qualidade ou atributo que separa uma entidade de outras entidades. Pensamento é a subjetivação do objeto externo; ou seja, a criação de um objeto externo na placa mental, tornando-o uma parte de nossa existência interior.
O pensamento deveria ser construído de forma metódica. Por exemplo, tente imaginar um elefante da Índia ou da África. Para pensar nisso a pessoa deveria começar da ponta do rabo e visualizar todas as partes do corpo do elefante sistematicamente. Se existirem presas, será um elefante macho. Se o crânio for pequeno, com corpo volumoso, será da espécie africana. Se o crânio for grande e o corpo for menos volumoso, será da espécie indiana. O pensamento construído com base num método é chamado de “pensamento metódico”.

O conhecimento deveria ser transmitido conforme esse método. Não deveria ser transmitido num estilo acelerado, porque os vácuos criados pela educação transmitida por tal estilo destruirão a concepção intelectual.

Agora, quais são os significados de “descoberta”, “invenção” e “lembrança”? Descoberta = “des” + “coberta”; “des” significa “contra”, “anti” ou “negativo”. Então, descoberta diz respeito a algo que existe mas não é conhecido por nós. Descobrir significa “remover a proteção e conhecer o que já existia mas não era conhecido”. Por exemplo, Vasco da Gama descobriu o Cabo da Boa Esperança enquanto buscava o caminho da Índia e a “terra dos cocos”, ou Kerala – Sul da Índia. Invenção = “in” (prefixo) – “vent” (raiz verbal) + “ção” (sufixo). Tal palavra significa “conhecer algo que não existia antes e se passou a conhecê-lo”; por exemplo, a sacarina. Lembrança (remember, em inglês) = “re” + “member”. Member significa “em existência”. Você é um member (membro) do clube de ginástica? Isto significa que você existe no clube de ginástica. “Remember (lembrar)” significa “fazer surgir aquilo que já existia sob uma capa escura”. Quando a cortina escura é removida, a pessoa se lembra. Lembrar implica remover outros pabula (alimentos psíquicos), diminuir a massa de aparências.

O pensamento concentrado é chamado de “meditação”. Como pode uma pessoa desenvolver o pensamento concentrado? Suponha que você queira visualizar o que o senhor "S" está fazendo na cidade de Berlim. Como esta meditação deve ser praticada? Isto se refere a algo físico e multicolorido, então, a pessoa começa com o Vishuddha Cakra, que controla a idéia de cor. Depois a pessoa deve visualizar as glândulas e subglândulas: a brhaspati granthi (glândula tireóide) e a brhaspati upargranthi (glândula paratireóide). Esta é a primeira fase. Então vem a kúrma nád'ii (nervos sinoidal sinusoid???), e finalmente a célula cerebral controladora. Este é o processo de abstração ou pratyáhára. Então, visualize o panorama, o som, a cor e enfoque o objeto em que medita. Este é o segredo interno. Para visualizar o cheiro, nós deveríamos começar do múládhára cakra. Se tiver um único cheiro, levará menos tempo; e no caso de um objeto com vários cheiros, levará um pouco mais de tempo. Dessa forma, a pessoa deve abstrair a mente e direcioná-la para uma célula cerebral específica. É necessário conhecer a biologia da estrutura humana. Mas os aspirantes espirituais não darão nenhuma importância aos poderes ocultos. Esta não é a sua meta. Eles somente darão importância à Entidade Suprema.

Toda célula tem um ponto controlador. O ponto controlador de todos os pontos controladores de todas as células é o Guru Cakra – o ponto controlador comum. Sahashára Cakra é a designação psicológica e Guru Cakra é a designação física. O Sahásrara Cakra não tem estrutura corporal. Sua localização espiritual é na parte externa do crânio. (O ponto é chamado Brahmarandhra). O Guru Cakra está situado no centro do crânio e é o ponto controlador de todos os pontos controladores de todas as células do cérebro, nos planos físico, psíquico e espiritual. No Guru Cakra reside a potencialidade suprema da onisciência. Conhecer a Entidade Suprema significa conhecer os segredos de todas as células. As funções inferiores da mente e do espírito integrados podem ser controladas até mesmo por pessoas com poderes mágicos, mas a porção superior está fora do alcance de seus poderes. Na porção superior da mente integrada, a intelectualidade mais elevada se une com a espiritualidade.

Agora, qual é a diferença entre o pensamento profundo e a meditação? Vocês já sabem o que é pensamento profundo. [Pensamento profundo é pensar profundamente sobre qualquer assunto]. Meditação é tentar fazer com que o sentimento de “eu” coincida com a forma subjetivada. Por ser a coincidência do sentimento de “eu”, este é um pensamento concentrado. Em outras palavras, o esforço para fazer com que o ponto controlador do sentimento de “eu” coincida com alguma outra forma subjetivada é chamado de “meditação”.

O fluxo mental está relacionado com a teoria e a prática. Quando a mente unitária está estabelecida no paralelismo psicoespiritual, o fluxo mental é chamado de “idéia”, enquanto a concepção psíquica do paralelismo psicoespiritual é chamada de “ideologia”. Quando a idéia se mantém ajustada às glândulas e subglândulas, ela é chamada de “ideação”. Mas para que o paralelismo psicoespiritual se efetue, são necessários o conhecimento, a ação e a devoção. Em termos espirituais, quando o fluxo mental está direcionado para a meta, a Entidade Suprema, ele é chamado de “concentração”, mas em termos metafísicos, este é um conceito de dharma. Pensamentos concentrados levam ao desenvolvimento de idéias positivas e poderes ocultos quando se processa um constante fluxo mental em direção à meta. No processo de meditação, os seguintes fatores estão envolvidos – as células cerebrais, a psicologia com um só objetivo, o pensamento concentrado, o Guru Cakra e a devoção mais elevada. Todos esses fatores são utilizados em Dhyana Yoga [Yoga da meditação], que finalmente estabelece o sádhaka [aspirante espiritual] na onisciência completa: Rtambhará tatra prajiná ["O intelecto nesse estágio se torna onisciente"].

Alguma ou outra forma de ideologia deve estar relacionada com a meditação, enquanto a ideação está conectada com os plexos, as glândulas e as subglândulas, e com uma idéia bem-definida. Para a ideação, a base é a idéia, mas para a meditação a base é a ideologia.

Tarka – vimarsha – viveka. Suponha que existam duas idéias antagônicas. A idéia inicial é tarka, e a idéia oposta é vimavsha. Estas duas idéias produzirão uma resultante chamada de viveka, ou “consciência”. Todo este procedimento é chamado de vicára. Quando uma pessoa segue o caminho de viveka, este movimento é chamado de “racionalidade”. Agora, quando se evitam as curvas desnecessárias, evitam-se os obstáculos desnecessários e a perda de tempo, quando o caminho é reto, este caminho reto é a racionalidade.

O trabalho de cinco mil homens pode ser realizado por um só homem que esteja manobrando uma máquina. Se uma máquina ultramoderna for utilizada na indústria, ela certamente economizará trabalho; isto significa racionalização – a racionalização na esfera industrial. Você pode chamar a isto de “racionalização física”.

Agora, o que é racionalização psíquica? É o esforço para racionalizar as crenças e as práticas religiosas dogmáticas, mantendo-se os princípios intactos. O tradicionalismo deve ser racionalizado. Os desvios devem ser evitados e a retidão deve ser adotada. Isto é o que tem sido feito na filosofia da Ananda Marga. Ananda Marga não aceita desvios. Ela adota um caminho reto. Você pode chamar a isto de racionalização psicoespiritual. O tradicionalismo está ultrapassado. Os tempos atuais exigem racionalização. Racionalidade e racionalização criam oportunidade para a evolução física, psíquica e psicoespiritual.

Existem dois tipos de subjetividade – mental e espiritual. Na subjetividade mental, a mente se funde com a sua própria subjetividade elevada; e na subjetividade espiritual a mente imerge na espiritualidade.

A área da mente depende somente de suas bases alimentares (pabula) subjetivadas. A área das bases alimentares subjetivadas aumenta ou diminui a amplitude da mente. As bases alimentares subjetivadas têm sua periferia definida. Digamos que você esteja vendo o rosto de uma pessoa e então feche os seus olhos. Agora, faça uma comparação, vendo o quanto seu campo mental está ocupado com esta imagem. Digamos um quarto. Então, tente aumentar o seu tamanho. Novamente tente aumentar o seu tamanho ao máximo. Esta é a amplitude da sua mente. Esta é a base alimentar (pabula) subjetivada. Quando você está vendo algum objeto externo com os seus olhos, isso são pabula objetivados. A sua mente tem mais espaço do que os pabula objetivados. Portanto, a amplitude da mente depende dos pabula subjetivados, e não dos pabula objetivados. Objetos externos são pabula objetivados.

A reversão de pabula é possível nas esferas física e psíquica, mas não no plano espiritual. Na esfera física tanto a transmutação interna, quanto a externa de pabula é possível. Na esfera psíquica somente transmutação interna é possível. No campo espiritual nenhuma reversão é possível.

Para mudar o pabula psíquico ou mente é arriscado em 25% dos casos. Se houver um desajuste, existirá muita chance de insanidade. No caso da mudança da mente, haverá uma sensação de jhin-jhinm [dor nos nervos] e então a personalidade mudará. Quanto à mudança da alma, existe também o risco de morte. Se não houver ajuste, a pessoa morrerá em dois ou três dias. Da mesma forma como a transformação pode ser realizada no pabula físico externamente, ela também pode ser realizada internamente, com a utilização de microvita.

Suponha que existam duas pessoas da mesma raça ou sub-raça. Suponha que elas sejam áustrico-negróides. As pessoas do Sul de Bengala, Sul de Orissa, Andhara da Região Costeira e Tamil Nadu Oriental são áustrico-negróides. Suponha que uma pessoa tenha a pele e os lábios mais finos do que outra pessoa. Ao se deitar no chão, a pessoa de pele mais fina sentirá o chão mais áspero e frio, enquanto a outra sentirá que é mais macio e mais quente. Se as características raciais de uma pessoa forem alteradas, então, toda a sua personalidade mudará. Eu não tolero nenhuma discriminação racial. Cultivar diferenciações entre um e outro ser humano é uma atitude totalmente fútil. Internamente, não existe nenhuma diferença entre uma e outra pessoa. Não há diferença fundamental entre um ser humano e os seus semelhantes.

Quanto maior é o tamanho dos pabula subjetivados, maior a amplitude da mente. O pabula espiritual de um indivíduo influencia o processo de reversão e transmutação do pabula na mente de outras pessoas. Através de seus pensamentos bondosos você pode reverter as ondas mentais dos outros. Este é também um exemplo de reversão. Se você idealizar de forma bondosa sobre alguém, o objeto, ou seja a pessoa, conseqüentemente mudará.

O mundo inteiro precisa de nosso serviço: nos planos físico, psíquico, espiritual, socioeconômico e político. Não podemos adiar.

P.R.SARKAR - 10 de junho de 1990, Calcutá, Índia.

02/11/2012

TESOURO INTERIOR

Ao discutir o neo-humanismo, eu disse que o estudo e a mente racional são requisitos necessários para neutralizar o geo-sentimento e disse também que a espiritualidade proto-psíquica é necessária para resistir ao sócio-sentimento. 
Entretanto o geo-sentimento, o sócio-sentimento e os meios para enfrentá-los são assuntos do mundo objetivo. O geo-sentimento é completamente restrito às fronteiras geográficas (confina em uma área), enquanto o sócio-sentimento é restrito a certos grupos. Ao resistir a estes dois sentimentos (um relacionado ao espaço e o outro às pessoas), utilizando-se de racionalidade e Sama-Samája Tattva, respectivamente, é possível mover-se em direção à Subjetividade Suprema. Portanto, esses dois sentimentos estão completamente relacionados com o mundo exterior. Por sua vez, o movimento dos seres humanos para a vida interior é apenas uma questão interna, uma questão de devoção. É um caminho para o mundo interior através da devoção como culto, como missão. No mundo da racionalidade, os seres humanos não atingem qualquer nível que seja da vida interior, e no campo da devoção não há “ïsmo” que possa estabelecer a humanidade na Estância Espiritual Suprema. Somente através da devoção, os seres humanos tornam-se resplandecentes em sua própria glória. Este é um processo completamente interior. Para isto, há o caminho da devoção, o espírito devocional e a doce missão da devoção. Nesta situação, há somente duas entidades – Eu e meu Senhor. Não há ninguém para impor barreiras, ninguém para explorar, ninguém para impor o geo-sentimento ou o sócio-sentimento; o ser humano é a única entidade. Assim, a cada passo, os seres humanos prosseguem em direção à Consciência Suprema. Isto está além do estudo e da abordagem racional e não diz respeito à mente objetiva.
Entretanto, na jornada do mundo interior, não se pode negar completamente a visão racional da vida exterior. Isto também é necessário, porque, na ausência da racionalidade, os pensamentos internos podem ficar perturbados. Mas é também verdade que a mente deve, sem sombra de dúvida, dirigir-se à Consciência Suprema, porque as virtudes interiores individuais são diretamente nutridas pelo pensamento no Supremo e por sua intensa procura. O estudo e a visão racional são necessários para facilitar este movimento progressivo em direção ao Supremo. Eu não anseio tornar-me um monarca. Disto não tenho o mínimo desejo. Eu tenho uma casinha de taipa. Eu desejo apenas a palha necessária para seu teto. Uma pessoa verdadeiramente virtuosa deve estar sempre pronta para responder ao chamado do Supremo – à Sua atração irresistível. 
O Dolyatra de Shrii Krs’n’a (festival das cores), que Maháprabhu introduziu em Bengala cerca de quinhentos e cinqüenta anos atrás, possui dois aspectos – o social e o espiritual. Maháprabhu trouxe este festival de Vrindaban, mas ele lhe deu um sentido espiritual e o chamou de “O Dolyatra de Shrii Krs’n’a”. Quando os seres humanos se lançam em direção ao Supremo, podem às vezes pensar. “Eu sou um pecador. Cometi tantos pecados, que estou imerso neles”. As cores mentais específicas da mente dos pecadores são a combinação de tantos pensamentos pecaminosos, que podem deixar profunda impressão na mente. Como resultado, a velocidade de seu movimento será automaticamente retardada. O significado interior de Dolyatra de Shrii Krs’n’a é o seguinte: “Através da entrega de todas as cores de minha mente a Você, eu quero tornar-me incolor”. Esta entrega à Consciência Suprema impulsiona os seres humanos em direção a Ele. Dessa forma, esse festival das cores não é uma mera representação externa, mas sim um fenômeno puramente psicoespiritual. Este mesmo fenômeno psicoespiritual está em operação no processo de Varn’árghyadan (Guru Puja, ou oferenda das cores mentais à Consciência Suprema); “Senhor, tornai minha mente sem cores, a fim de que possa mover-me em sua direção sem qualquer hesitação”. Quanto mais os seres humanos estiverem estabelecidos no neo-humanismo, tanto mais eles estarão absorvidos nas cores mais profundas de suas mentes, ao invés de serem influenciados pelas cores do mundo exterior. Isso não quer dizer que eles devam evitar as festividades sociais, no festival de cores de Dolyatra (referente ao mundo externo), mas o lado social não deve se tornar a meta final. Pelo contrário, ao ofertar todas as suas cores psíquicas à Consciência Suprema, a sua preocupação maior será com as suas cores mentais e não com as externas. Esta intensa e íntima proximidade do Supremo é o verdadeiro Vrindaban, o Vrindaban do mundo mental (estado de absoluta pureza mental). É natural para os seres humanos sujarem-se com a poeira na sua jornada pelo mundo físico. Mas isto não continuará para sempre. Eles devem tornar suas mentes absolutamente sem manchas, através da oferenda de todas as suas cores mentais ao Supremo. Esquecendo-se do aspecto externo da representação das cores, devem aceitar o jogo interno das cores como o ponto culminante da vida humana – e assim estabelecerem-se no verdadeiro Vrindaban, o destino supremo da vida humana. 
P.R.Sarkar - A Liberação do Intelecto

10/09/2012

PSEUDO-ESPIRITUALIDADE E NEO-HUMANISMO

      O tópico do discurso de hoje é pseudo-espiritualidade neo-humanismo. Por um lado existe a pseudo-espiritualidade. Não podemos chamá-la de “espiritualidade mais elevada”, porque isto significa o movimento da imperfeição para a perfeição, e, no processo desse movimento, obtém-se momentos de exaltação; mas estes momentos de exaltação não são o estágio final. É por isso que eu prefiro chamá-los de pseudo-espiritualidade. O que é pseudo-espiritualidade? Não é a espiritualidade pura, mas, até certo ponto uma espiritualidade que tem algo a ver com a espiritualidade verdadeira.
                    
     Por outro lado, há o  neo-humanismo. A existência humana – não apenas a existência humana, mas também a dos outros seres vivos – está dividida em quatro níveis. O primeiro nível é o nível físico, o segundo é o físico-psíquico, o terceiro é o psíquico e o último é o psico-espiritual. Nestes quatro níveis há movimento; todas as coisas se movem, nada está parado. No último estágio, o qual eu não mencionei, isto é, o estágio final da espiritualidade pura, também existe movimento, porque tudo neste universo se move; porém não podemos tê-lo sob o domínio da velocidade, já que esse movimento não está sujeito às limitações da relatividade. Agora, devemos considerar o quanto essa pseudo-espiritualidade pode nos ajudar em todos esses níveis. 
     Neste mundo físico, cada objeto tem a sua própria característica. Cada coisa se move com o seu ritmo característico, porém esse ritmo individual é uma parte inseparável do Ritmo Cósmico. Assim, para os seres humanos, não é relevante o valor existencial ou utilitário de uma entidade. O fato é que todos os seres criados neste universo estão movendo-se nesse cosmos harmonioso. Inumeráveis entidade estão partindo, e o seu movimento na direção da Realização Suprema, para o estágio final, de nenhuma forma depende de seu valor utilitário ou existencial. 
    Agora, no caso do neo-humanismo, temos que considerar em que grau os ritmos individuais dos seres humanos e das outras criaturas estão mantendo um ajuste com o Ritmo Cósmico, e nisso consiste a maior das aplicações do intelecto humano. Porém, devido à deficiência do intelecto humano, as pessoas nunca consideram as coisas na sua perspectiva apropriada; elas não pensam no bem-estar coletivo de seus semelhantes, muito menos no bem-estar da fauna e da flora. Elas pesam somente em seus interesses de grupo e individuais. Quer dizer, elas não são guiadas pelo Ritmo Cósmico; elas são guiadas pelos interesses de grupo e individuais e, portanto, ocorre um choque entre o interesse pelo grupo e o ritmo do movimento cósmico. Por que as pessoas pensam sobre os seus interesses mesquinhos? Porque elas são guiadas por dogmas, e esses domas certamente afetam o Ritmo Cósmico do universo, tanto quanto o do mundo humano. Logo, onde que haja a pseudo-espiritualidade, há a semente do dogma. A pseudo-espiritualidade afeta o movimento rítmico do mundo físico; ela não promove a causa do bem-estar humano.
   O segundo nível é o físico-psíquico. Este nível geralmente mantém um ajuste com o ritmo do mundo físico. Mas freqüentemente os altos e baixos psíquicos, as ondas psíquicas, as vibrações psíquicas, são afetadas pelas vibrações físicas devido aos interesses individuais e de grupo. Por causa dos pensamentos extremamente mesquinhos e egoístas, os processos de pensamentos degeneram e as pessoas perdem o ritmo no mundo psíquico. Portanto, elas se desviam da corrente principal do Ritmo Cósmico do universo. Assim, no domínio no mundo físico-psíquico, a pseudo-espiritualidade não possui nenhum significado. Não queremos a pseudo-espiritualidade, queremos a espiritualidade perfeita.
      A pseudo-espiritualidade também não pode nos ajudar a pensar, pois o nosso pensamento fica muito afetado pelo dogma. Quando os seres humanos, num momento de introspeção, pensam no interesse coletivo, então, tais pensamentos são úteis, mas geralmente as pessoas não pensam assim. Usualmente elas se lamentam sobre os esqueletos do passado: “Isto foi imposto por nossos antepassados – eles ditaram isso dessa maneira, por que, então, eu devo romper com as tradições antigas?” - “Está escrito dessa forma nas escrituras e, além disso, que mal pode haver em seguir estas convenções e tradições antigas?” – Estes tipos de dogmas e de pensamentos dogmáticos naturalmente obstruirão o fluxo livre do pensamento humano. É por isso que, onde quer que haja dogma, o pensamento humano não poderá ser claro e, por falta de clareza no pensamento, não poderá haver também nenhum progresso psico-espiritual adequado. A pseudo-espiritualidade não pode promover a causa do bem-estar humano; a semente desse bem-estar não está nela. A semente do bem-estar não pode permanecer onde está a semente do dogma. 
       Também na esfera psico-espiritual, onde a velocidade do progresso é máxima, essa velocidade fica impedida por causa do dogma, pois existe uma imperfeição na fase inicial. Se os próprios pensamentos são imperfeitos, então, como poderão as pessoas, sob o peso desses pensamentos imperfeitos, progredir na direção da espiritualidade perfeita? Assim, a pseudo-espiritualidade, cheia de dogmas, não leva ao bem-estar coletivo nem no mundo físico, nem nos físico-psíquico, psíquico e espiritual. O que queremos realmente é a espiritualidade perfeita, não a pseudo-espiritualidade.
    Todas as coisas neste universo se movem, e esse movimento é da imperfeição para a perfeição. Logo, a espiritualidade perfeita é o nosso objetivo e o neo-humanismo é a nossa abordagem. O que é neo-humanismo? O conjunto de todas as expressões naturais humanas, de todas as expressões da flora e de fauna; todos os movimentos dos sentimentos humanos e de toda a flora e da fauna na direção da espiritualidade perfeita. E essa espiritualidade perfeita não pode ser o culto, ela é o objetivo – é o Desideratum, o ponto culminante de todos os movimentos. E qual é esse culto? O culto é o movimento do neo-humanismo. Quer dizer, o culto é o movimento de todas as expressões humanas, de todas as manifestações humanas – e não apenas das expressões ou manifestações humanas – mas de todas as expressões e manifestações de todos os seres vivos, incluindo a flora e a fauna. Este é o culto, isto é o neo-humanismo
     Portanto, a nossa bordagem, o nosso culto é o neo-humanismo, e o nosso objetivo é a espiritualidade perfeita. E, essa abordagem Neo-Humanística é um legado humano, é a graça da existência humana e fascínio da sociedade humana. 
P.R.Sarkar (Abhimata, 5/88 – Ánanda Nagar, 31/12/1982)

26/08/2012

Deva Premal and Miten - Gayatri Mantra



Om bhur Bhuvasvaha - Ó Deus da vida que traz felicidade
Tat Savitur Varenyam - Dá-nos Tua luz que destrói pecados
Bhargo Devasya Dimahi - Que a Tua divinidade nos penetre
Dhiyo Yonah Prachodayat - E possa guiar nosso intelecto ao verdadeiro caminho.

11/08/2012

O NEO-HUMANISMO DOS SADVIPRAS

     Para os Sadvipras* o valor da vida humana supera todos os outros valores. Seja do estado ou de uma escritura, de uma sociedade ou de uma religião, a importância de qualquer coisa está em desenvolver a humanidade ao ponto ideal através do conhecimento, da cultura, da saúde e da afluência na vida. É para o desabrochar da humanidade que a civilização possui tantos implementos, o estado apresenta várias formas, as teorias se multiplicam e as escrituras estão cheias de cerimônias religiosas e regulamentos. Afinal, para que existe o estado, qual a utilidade das leis ou o porquê das maravilhas da civilização se o homem for privado de se expressar, se ele não conseguir nenhuma oportunidade para desenvolver um bom físico, para revigorar a sua inteligência com o conhecimento e para expandir o seu coração com o amor e a compaixão? Se, em vez de ser útil para conduzir o homem à meta de sua vida, o estado se coloca em seu caminho, então ele não pode exigir lealdade, porque o homem é superior ao estado. De acordo com Rabindranath Tagore:
 “A Justiça e lei, às custas do homem, são como pedra em vez de pão. Talvez esta pedra seja rara e valiosa, porém não pode acabar com a fome.”
              
     É costume dar preferência aos valores sociais ao invés dos humanos. Os Sadvipras desejam erradicar este costume pela raiz. Para eles, o valor humano precede o valor social. O homem forma a sociedade, portanto, os valores humanos servirão de base para os valores sociais. Em outras palavra, aqueles que levam em consideração os valores humanos terão direito aos valores sociais. Foi dito anteriormente que o valor humano existe somente para lidar com as alegrias e aflições, esperanças e aspirações do homem de forma benevolente e colocá-lo no pedestal da majestade divina após havê-lo guiado até a consciência cósmica. E, para ele se elevar a esta posição sublime, ele terá que dispor de um meio ambiente adequado à existência física, mental e espiritual. É direito inato de todos progredir na sua tríplice existência. É obrigação da sociedade reconhecer este direito do homem. A sociedade falhou no cumprimento de sua obrigação e é por isso que a vida está cheia de tristeza e sofrimentos. Ninguém pode dizer com certeza que nenhum homem grandioso teria surgido de entre aqueles rapazes de má conduta, os que tendemos a menosprezar e a odiar. A mulher que adotou a prostituição para manter sua existência física, poderia ter-se transformado em uma personalidade nobre se sua agonia houvesse sido vista de forma benevolente e se ela houvesse sido reintegrada pela sociedade. Porém, como a sociedade não se preocupa com os valores humanos, um grande número de grande personalidades está fenecendo ainda em seu estágio embrionário. Os Sadvipras irão recuperar esta humanidade negligenciada e organizar o seu renascimento. Para eles nenhum pecador é desprezível, ninguém é de má índole. Um homem se torna um ser satânico ou um pecador quando, por falta de uma orientação apropriada, é guiado pelas propensões degenerativas. Se suas propensões degenerativas forem sublimadas, ele não mais será um ser satânico, ele se transformará em um deus. Cada curso da ação da sociedade deve ser julgado visando a seguinte máxima:
 “Os seres humanos são crianças divinas.” 
     Portanto, o objetivo do código penal que será estruturado pelos Sadvipras será retificar e não punir uma pessoa. Eles irão derrubar as prisões e construir centros de recuperação. Aqueles que são criminosos natos, em outras palavras, aqueles que cometem crimes devido a algum defeito orgânico, a eles deve ser oferecido tratamento para que assim possam se humanizar. A primeira coisa e a mais importante deve ser suprir o que lhe falta. o sentimento da sociedade se encontra em todos caminharem juntos. No curso da jornada, se alguém ficar para trás, se, na escuridão da noite uma rajada de vento apagar a lamparina de alguém, então não devemos seguir adiante, deixando-o desamparado. Devemos lhe estender uma mão auxiliadora e acender sua lâmpada com a chama de nossas lamparinas.
 Varika’ Laiya’ Ha'te Calechila ek Sa'the Pathe Nibe Geche a’lo pare A’che ta’i Tomra’ ki Daya’ Kare Tulibena Há’th Dhare Ardhadan’d’a ta’r tare Tha’mibena’ Bha’i 
 “Enquanto marchava conosco com a luz em sua mão, ele teve a sua luz apagada e está caído ao lado da estrada. Irmãos, vocês não parariam por um momento para levantá-lo?”
     Parar é uma obrigação, pois, do contrário, o espírito de sociedade ficaria ameaçado. Os santos dizem:
Samamantrena Ja'yate iti Sama’jah.” 
     Assim, seja um homem, um pecador, um sofredor, um ladrão, um criminoso ou mal caráter, ele o é superficialmente; internamente, ele vibra com a potencialidade de quem pode ser purificado. O objetivo principal dos Sadvipras é usar e colocar esta potencialidade em evidência. Eles não irão fazer nenhum segregação em relação a prática dos valores humanos. Um transgressor está sujeito à punição por suas atividades abomináveis, porém, odiá-lo ou matá-lo de fome, isto nunca será feito pelos Sadvipras, que são humanistas. Os pandits**, inflados pelo orgulho, preferiam continuar a leitura de seus livros a atender a Haridas, um pobre doente que não era hindú. Porém, para Mahaprabhu Caetanya, foi impossível permanecer indiferente. Ele colocou Haridas no seu colo, cuidou cuidadosamente dele e assim fez valer os valores humanos. 
     Porém, quando surgir a pergunta sobre a responsabilidade social, ela será considerada com cuidado e cautela. A um homem irresponsável não poderão ser confiadas responsabilidades sociais. Porque aqueles que se encarregarão delas irão guiar o homem para o desenvolvimento e corrigir o modo de vida dos pecadores. Porém, se eles mesmos forem pecadores e se prosseguirem com uma tendência mental para o mal, então não lhes será possível assumirem responsabilidade sociais. Foi dito:
 “Sociedade é o nome que se dá ao grupo de indivíduos que unidos estão engajados em minimizar a distância entre dois pontos, um o das primeiras expressões do moralismo e o outro o do estabelecimento do humanismo universal.”
     Portanto, a responsabilidade social deve ser confiada àqueles que são capazes de assumi-la dignamente. Se a sociedade se origina do moralismo, então aqueles que estiverem na seu comando devem ser moralistas, e, mais ainda, eles devem ser universalistas, já que a sociedade almeja o estabelecimento do universalismo. Se a diferença entre o moralismo e o humanismo universal é para ser conquistada, a Sádhaná espiritual é uma necessidade. Portanto, eles devem praticar uma Sádhaná austera. A filosofia de suas vidas será: 
“A moralidade é base, a Sádhaná o meio e a Vida Divina o objetivo.” 
     Esta grande, grande responsabilidade não deve recair sobre aqueles que, por si mesmo, são pecadores. A não ser que e até que eles se corrijam, não lhe será dado nenhum valor social, embora de forma alguma eles sejam privados dos valores humanos. Hoje em dia se dá importância aos valores sociais mas aqueles que são selecionados para assumir essas responsabilidades sociais não possuem as qualidades mencionadas acima. Eles ocuparam as posições seja por dinheiro seja por recomendação, porém nenhum bem social será possível. Por isso existe uma instrução em nossa escritura social: 
“Ninguém deverá se deixar levar por conversa fiada. A competência será julgada com base na atividade de cada um. Qualquer que seja a área em que você esteja, você tem possibilidades amplas de servir a sua sociedade. Àquele que viola Yama e Niyama(princípios morais)não deve ser dada a oportunidade de representar as pessoas. Se o poder for dado a uma pessoa incompetente, será o equivalente a levar deliberadamente a sociedade para o abismo. Os Sadvipras irão estabelecer no poder pessoas preparadas, e a ordem social que será desenvolvida em virtude de suas lideranças dará a devida importância a cada indivíduo. Nesta nova sociedade, baseada no Neo-Humanismo, cada pessoa irá sentir a sua vida digna de ser vivida. Todas as pessoas irão receber de volta as suas posições de honra.”

* Ético-espiritualistas revolucionários
** Eruditos
P.R.SARKAR - Março de 1970 - (Abhimata, Parte II) Published in:
Neohumanism in a Nutshell Part 1 [a compilation]

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The Neohumanism of Sadvipras
 
To sadvipras [spiritual revolutionaries] the value of human life surpasses all other values. So states and scriptures, societies and religions, acquire significance only insofar as they develop humanity to the maximum through learning, culture, physical health and economic plenty. It is for the sake of developing humanity that civilization has so many institutions of different kinds, that states take their various forms, that theories proliferate, and that the scriptures abound in ordinances and regulations. What in the world does the state stand for, what is the use of all these regulations, and what are the marvels of civilization for, if people are prevented from manifesting themselves, if they do not get the opportunity to build good physiques, to invigorate their intelligence with knowledge, or to broaden their hearts with love and compassion? If, instead of tending to lead human beings to the goal of life, the state stands in the way, it cannot command loyalty, because humanity is superior to the state. According to Rabindranath Tagore, “Justice and law at the cost of humanity is like a stone instead of bread. Maybe that stone is rare and valuable, but it cannot remove hunger.”

It is customary to give preference to social value(1) over human value. Sadvipras want to strike at the root of this custom. For them, human value takes precedence over social value. Human beings form the society, and hence human value must lay the foundation for the social value. In other words, those who show respect to human value will be entitled to social value. It was mentioned earlier that human value means nothing but to treat the joys and sorrows, hopes and aspirations of human beings sympathetically, and see them merged in Cosmic Consciousness and established in divine majesty. And if one is to elevate oneself to that sublime height, he or she will have to be supplied with an environment suitable to his or her physical, mental and spiritual existence. It is the birthright of everyone to make headway in their trifarious existence. It is the duty of society to accord recognition to this human right. Society has failed to do its duty, and that is why life is full of sorrow and suffering.

No one can say for certain that no great person might have emerged from among those wayward urchins whom we are wont to slight and hate. Women who have turned to prostitution for the sake of their physical existence might have grown into noble personalities if their agony had been appreciated sympathetically, and if they had been rehabilitated by society. But since society has nothing to do with human value, a good number of great personalities are withering away in their embryonic stage. The sadvipras will undertake to revive this neglected section of humanity. To them no sinner is contemptible, no one is a rogue. People turn into satans or sinners when, for want of proper guidance, they are goaded by depraving propensities. The human mind goaded by depraving propensities is satan. If their propensities are sublimated, they will no longer be satans; they will be transformed into gods. Every course of action of society ought to be judged with an eye to the dictum “Human beings are divine children.”

Thus the purpose of the penal code which will be framed by the sadvipras will be to rectify, and not to punish, a person. They will knock down the prisons and build reform schools, rectification camps. Those who [are] inborn criminals, in other words, those who perpetrate crimes because of some organic defects, ought to be offered treatment so that they may humanize themselves. And regarding those who commit crimes out of poverty, their poverty must be removed.

The significance of society lies in moving together. If in the course of the journey anybody lags behind, if in the darkness of night a gust of wind blows out anyone's lamp, we should not just go ahead and leave them in the lurch. We should extend a hand to help them up, and rekindle their lamps with the flames of our lamps.
Vartiká laiyá háte calechila ek sáthe
Pathe nibe geche álo pare áche tái
Tomrá ki dayá kare tulibená háth dhare
Ardhadańd́a tár tare thámibená bhái.
[While marching together with lamps in our hands, someone's lamp has gone out, and he is lying beside the road. Brothers and sisters, will you not stop for a moment to lift him up?]

Stop we must, otherwise the spirit of society is in jeopardy.

A rśi [sage] has said: Samamantreńa jáyate iti samájah [“Society is the collective movement of a group of individuals who have decided to move together towards a common goal”]. That is, whether people are pápii or tápii [sinners or victims], thieves, criminals, or characterless individuals, they are so only superficially; internally they are filled with the potential for purity. The principal object of the sadvipras is to explore and bring this potentiality into play. They will accord human value to everyone without exception. Those who have done hateful crimes must be punished, but sadvipras will never hate them, or put an end to them by depriving them of food, because sadvipras are humanists. The pandits puffed up with vainglory could turn their attention to their books instead of attending on the ailing non-Hindu Haridas, but Chaitanya Mahaprabhu found it impossible to remain indifferent to him. He took Haridas in his arms and nursed him carefully, and thus showed respect to human value.

However, when the question of social responsibility arises, it must be considered with great care. Irresponsible people cannot be entrusted with social responsibility, because those who shoulder social responsibility will have to lead humanity on the path of development, and correct the ways of sinners. If they themselves are of evil mentality, it will not be possible for them to discharge their social responsibility. It has been said: “The collective body of those who are engaged in the concerted effort to bridge the gap between the first expression of morality and establishment in universal humanism is called society.”(2) So social responsibility should be entrusted to those who are capable of discharging it creditably. If moralism is the starting-point of the journey of society, then those who are at its helm must be moralists. And since society aims to establish universalism, those people must be universalists. And if the gap between moralism and universal humanism is to be bridged, spiritual sádhaná is a must, so those people must practise rigorous sádhaná. Their philosophy of life must be, “Morality is the base, sádhaná is the means, and life divine is the goal.”

This great responsibility must never be entrusted to those who are themselves criminals. Unless and until such people correct themselves, they will not be given any social value, though in no way will they be denied human value. At present social value is given importance, but those who are selected to discharge social responsibility do not possess the aforesaid qualities. They have occupied their posts on the strength of their money or on the basis of patronage, but this has not resulted in any collective welfare. That is why there is an instruction in our social scripture:

Do not be misled by anyone's tall talk. Judge merit by seeing the performance. Remember, whatever position one is in offers sufficient opportunity to work. One whose character is not in accordance with Yama-Niyama should not get opportunity [to become] a representative.… to [[vest]] an incompetent person with power means to push society towards destruction knowingly and deliberately. (“Society” in Caryacarya Part 2, 1999)

The sadvipras will install qualified persons in power, and the social order which will be evolved by virtue of their leadership will give due importance to one and all. In this new society based on Neohumanism, everyone will find their life worth living. All will regain their lost positions of honour.

Footnotes

(1) Earlier in the complete discourse of which this is the concluding part, the author had explained “social value” as the recognition that society pays to its leaders by virtue of their position. –Eds.

(2) Shrii Prabhat Ranjan Sarkar, “Moralism” in Human Society Part 1 (slightly rephrased here by the author). –Eds.

P.R.SARKAR - March 1970
Published in: Neohumanism in a Nutshell Part 1 [a compilation]

24/06/2012

SVADHARMA E PARADHARMA


Neste universo manifesto há seres animados e inanimados. Existe um Dharma para todas as criaturas. Jaeva Dharma ( o Dharma dos seres vivos) é para todas as criaturas. Mas o Dharma do homem é Bhágavata Dharma. E Bhágavata Dharma compreende Vistára (Expansão Psíquica), Rasa (Devoção) e Seva (serviço). Siga seu Svadharma que é Bhágavata Dharma.
          As pessoas amam Deus consciente ou inconscientemente. Todos têm uma inclinação para a espiritualidade.
         O Dharma Hindu, o Dharma Muçulmano ou o Dharma Cristão não é o Svadharma do homem. O Svadharma do homem é Bhágavata Dharma. As forças sutil, mutativa e estática não permanecem em Bhágavata Dharma, que se encontra além das Gun’as (Forças sutil, mutativa e estática ). Estas três Gun’as são como três ladrões que viviam numa floresta. Uma vez eles encontraram um senhor que não sabendo o caminho se perdeu na floresta. Um ladrão algemou este senhor. “Quem é você?” perguntou o senhor. “Eu sou Tamogun’a” respondeu o ladrão. O segundo ladrão acercou-se do senhor e encontrou-o retorcendo-se em dor. Desatou suas algemas. O Senhor perguntou-lhe quem ele era. Ele disse que era “Rajogun’a”. O terceiro ladrão (sattvaguna) encontrou o Senhor e comoveu-se com sua condição. “Se você for nesta direção você chegará a cidade, a cidade da luz, de Bhágavata Dharma. Nós somos ladrões e não podemos ir à cidade da luz, de Bhágavad Dharma”.
         Siga seu Svadharma. Mesmo que seja difícil seguir seu Svadharma e fácil seguir seu Paradharma, você não deve deixar seu Svadharma, seu Bhágavata Dharma. Aqueles que seguem Paradharma movem-se em direção à crudificação. Se você deseja livrar-se da tristeza, siga Bhágavata Dharma.

                                                                           P.R.Sarkar Patna,23/08/78. (Manhã)
Publicado em:
Ánanda Vacanámrtam Part 1
Discourses sobre Krśńa e o Giitá [uma compilação]

23/06/2012

GURUSAKÁSHA - GURU KRPÁHI KEVALAM


“Prátah shirasi shukle’abje Divinitram’ dvibhujam gurum Barábhaya krtahastam’ Smarettam’ námapúrvakam.” 
 *******
Pela manhã, você medita na figura do Guru em um lotus branco no guru cakra, em posição de Barábhaya Mudra, seu amigo de fato e seu benfeitor.”
                                              Shrii Shrii Ánandamúrti

Quem sou eu ?