23/06/2011

BRAHMACARYA

Brahma Vicarana’na’m Brahmacaryam”.
O significado correto de Brahmacarya é permanecer conectado a Brahma.

Sempre que uma pessoa faz um trabalho, ou pensa em fazê-lo, considera o objeto com o qual entra em contato como uma entidade finita. Devido à constante aspiração por ganhos materiais, a mente é tão absorvida pelos objetos materiais que a sua consciência torna-se densa. O significado da prática de Brahmacarya Sádhaná é o de considerar os objetos com os quais a pessoa entra em contato como diferentes expressões de Brahma, e não como formas materiais. Por esta concepção, mesmo que a mente vagueie de um objeto a outro, ela não se afasta de Brahma porque extrai sentimentos cósmicos de cada objeto. Como resultado disso, Preya Sádhaná (enfoque extrovertido) é convertido em Shreya Sádhaná (enfoque introvertido) e Kama converte-se em Prema (Preya quer dizer atração pelos objetos materiais, enquanto Shreya quer dizer atração pela realidade derradeira. Kama quer dizer desejo pelos objetos finitos e Prema desejo pelo infinito).
Muitos interpretam erradamente Brahmacarya como sendo a preservação de sêmen. Deveria ser lembrado que nenhuma das duas palavras “Brahma” e “Carya” tem relação com a palavra sêmen. Além do mais, mesmo fisiologicamente, a preservação do sêmen é um blefe. Seja por causa de doenças em certas glândulas seja por outros processos similares, a menos que alguém se torne mutilado, não será possível observar esse tipo de Brahmacarya.
Sem dúvida é certo que, se o significado natural da palavra Brahmacarya (isto é, sentir a Entidade Cósmica em todos os objetos materiais) é aceito, o controle na vida do homem se torna essencial, porém, este controle não implica infligir as leis da natureza. O controle significaria seguir as leis da natureza de forma apropriada. A prevenção da perda seminal por algumas medidas apropriadas, ou a prevenção da formação de excedente através do jejum é, em geral e erradamente, denominada de Brahmacarya.
Mas, para aqueles que não são casados, este suposto Brahmacarya, (que na verdade não é Brahmacarya), tem importância, porque reduz a possibilidade de excitação sexual e, assim, previne a perda seminal, que pode ocorrer devido à excitação enquanto acordado, dormindo ou sonhando. Isto ocorreria porque, quando não há excesso de sêmen, não surge o desejo físico para despendê-lo. Posteriores considerações mostrarão, contudo, o quanto vale este suposto Brahmacarya. Não seriam a mesma coisa prevenir a formação de sêmen em excesso e a perder o excesso? Tudo o que deve ser dito é que a primeira alternativa é boa para os solteiros e a segunda para os casados.
As pessoas que, por diferentes métodos repressivos, tentam prevenir a perda de sêmen, na verdade, sofrem reações físicas e mentais negativas. Seus corpos se desenvolvem grosseiramente e falta-lhes vivacidade. A supressão do desejo sexual dá origem a outros desejos, especialmente a raiva, sob uma forma mais terrível. Em tempos muito antigos, apenas o sentido autêntico de Brahmacarya era aceito. Mais tarde, quando a sociedade foi dominada pelos intelectuais, a “intelligentsia”, os assim-chamados monges que tinham se dedicado à exploração, pensaram que, se fosse permitido a um cidadão comum dedicar-se às práticas espirituais, eles perderiam a qualquer momento o esquema de exploração, ao qual estavam apegados. Eles pensavam: “Se o homem comum for inspirado por ideais espirituais, sua racionalidade crescerá cada vez mais. Por isso, o povo deve ser mantido desamparado e indefeso. O medo e o complexo de inferioridade devem ser infundidos no homem para explorá-lo.” Eles sabiam que esta massa explorada consistia de gente comum, cuja maioria era de pessoas casadas. Se portanto, a perda de sêmen fosse declarada anti-religiosa, eles conseguiriam sua meta sem dificuldade. O intento foi imediatamente alcançado. O homem comum começou a pensar que, ao levar a vida de casado, cometia um grave erro, um pecado abominável, entregando-se a atividades contra Brahmacarya. Os monges observavam o celibato e se tornaram, portanto, muito superiores. Os assim-chamados reclusos aproveitavam-se da situação e exploravam a sociedade sem dificuldade.
Se esses monges são realmente Naesthika Brahmacariis (aqueles que não perdem nenhum sêmen), isto não pode ser decidido por argumentos. Isto só poderia ser decidido por um exame médico. Pode-se dizer, sem a menor dúvida, que muitos desses monges não passariam por esse exame.
O casamento é uma função natural, como tomar banho, comer, dormir etc. Portanto, nada há de condenável nele, nem ele é contra o Dharma. Uma vez que um homem honrado ou um Sádhaka elevado não está proibido de comer, não há qualquer razão para ele evitar o matrimônio. Porém, é preciso um controle adequado sobre o comer e o dormir, aliás, sobre cada passo da vida. A falta desse controle leva a doenças. A comida é necessária para a vida; porém, comer sem controle causa indigestão. O banho é refrescante, porém, a falta de controle do banho, isto é, o banho muito prolongado pode acarretar resfriado. Do mesmo modo, o casamento é útil, porém, a vida de casado sem controle pode causar doenças ao corpo e à mente.
O matrimônio é um pouco diferente das outras funções naturais da vida, tais como comer, dormir etc. O matrimônio não é tão essencial à vida como o comer e o dormir. A necessidade do casamento varia de acordo com o indivíduo. Por isso, segundo a opinião da Ananda Marga, cada indivíduo tem liberdade completa no que concerne ao casamento. Por exemplo, o casamento de pessoas que sofrem de doenças físicas ou mentais, ou as que não estão bem de finanças, ou que se acham em circunstâncias não favoráveis ao casamento (ou seja, se o casamento puder causar infelicidade), não é desejável. Aqueles que estão constantemente comprometidos no cumprimento de um ideal ou aqueles que têm de passar a maior parte do dia ganhando a própria subsistência ou com outras ocupações mentais, não deveriam se casar, porque eles não poderiam cumprir seus deveres familiares adequadamente. O casamento de tais pessoas é nocivo à sociedade em muitos casos.
Embora o casamento não seja recomendável àqueles que têm certas doenças, ou que estejam em condições pessoais desfavoráveis ao casamento, existe a possibilidade de eles se entregarem a vícios velados, devido ao fato de não serem casados. Para evitar essa possibilidade, eles devem se esforçar para atingir um ideal elevado ou se engajar em práticas espirituais laboriosas [serviço social]. A degeneração psicológica resultante da supressão das tendências naturais pode ser evitada apenas com o esforço para realizar um ideal elevado.
Foi dito anteriormente e continuo a repetir que o homem deve exercer o autocontrole em cada aspecto da vida, seja ele grande ou pequeno. Este controle não implica suprimir o desejo, mas sim controlá-lo. Desejos e tendências são atributos naturais dos seres humanos. Portanto, para aqueles que desejam suprimir os desejos, melhor seria adotar um método mais fácil, ou seja, o suicídio, ao invés de buscar práticas espirituais difíceis. Eu não vejo nenhuma razão que justifique o suposto Brahmacarya adotado por shaevas, shaktas, vaesnavas, ou aqueles que acreditam nas Puranas, porque seu Deus — Shiva, Visnu, Krs’n’a e outros mais — eram pessoas comuns. As Puranas mencionam os nomes de suas esposas e seus respectivos filhos.
O Dharma é baseado em Satya. Dharma Sahna Yatra na Satyamasti”. “Onde não há Satya não há Dharma”.
A interpretação errônea de Brahmacarya pode conter qualquer coisa, exceto Satya. Portanto, não há Dharma ou Brahma nela.
O homem deve progredir ao máximo, aceitando o que é simplesmente a verdade. Este é o caminho de um Sádhaka; este é o caminho de Dharma. Pode ser um privilégio dos profissionais religiosos parasitas negar o que é simplesmente a verdade na vida prática, porém, nesse caso a santidade de Dharma não é mantida. Não é o caminho de Satya; é o que se chama de hipocrisia.
                                      Shrii Shrii Ánandamúrti - Um Guia para a Conduta Humana

14/06/2011

BRAHMA - SER SUPREMO

            Muitas pessoas crêem em Deus como um ser pessoal, criador do universo, e que vive no céu. Oram a esse Deus para pedir ajuda, especialmente quando têm problemas. Em tal crença, Deus está fora da pessoa.
            Na Ananda Marga não se considera a Deus como um ser pessoal, fora da própria pessoa. Deus pode ter diferentes nomes, mas há só um Deus, que chamamos de Brahma.
            Brahma, Ser Supremo, Aquele que abrange tudo. Não pode existir nada maior que Brahma, uma vez que o universo está contido n'Ele. Nada pode existir fora de Brahma: Brahma é a própria criação e também já existia antes que a criação visse a existir.
            Ananda Marga professa um monismo absoluto, afirmando que Brahma é tudo e tudo é Brahma. Ao mesmo tempo dá importância à criação, como sendo uma expressão de Brahma. Todas as diferentes manifestações que encontramos neste universo são diferentes formas e manifestações de Brahma, que é a essência de todas as coisas.
            Brahma é infinito, maior que tudo, tendo também a capacidade de tornar infinito aos outros. Quando meditamos em Brahma e fazemos sinceramente nossas práticas espirituais, sentindo amor a Deus e servindo à humanidade, podemos nos unir com Brahma e voltar a ser infinitos. Somente o ser humano pode experimentar e realizar a grandeza de Brahma. Os animais não podem obter a realização de que Brahma é a vida de nossas vidas, a mente de nossas mentes, o centro de nosso ser, porque não podem meditar. Os seres humanos têm essa capacidade e, por conseguinte, devem desenvolvê-la.
            Outra característica de Brahma é que Ele não pode ter ódio. Brahma é só amor. Tudo é amor. Portanto, nenhum ser humano deve temer a qualquer coisa ou alguém, pois Brahma sempre nos ama. Brahma é a fonte da Energia Cósmica, do amor, e quando direcionamos nossas mentes para Brahma não há qualquer motivo para temer.
            Todo ser humano tem o direito de receber o amor de Brahma como um menino tem o direito de receber o amor e a afeição de sua mãe. Não impor­ta quais sejam nossas faltas e fraquezas, Brahma sempre nos acolhe como seu próprio filho. Mesmo que tenhamos feito coisas más e negativas! Quando direcionamos nossas mentes para Brahma, com fé e sinceridade, Ele se revela para nós e outra vez podemos ir a Seu encontro. O inferno é um conceito que não existe na Ananda Marga, mas poderia significar as provações sofridas devido às nossas ações incorretas. Porque é natural que soframos pelas coisas negativas que fazemos e que fiquemos felizes pelas coisas boas que desenvolvemos. Sempre receberemos as conseqüências de cada uma de nossas ações; esta é a lei da natureza, da qual não se pode escapar.
            Brahma é composto de Parama Purus’a (Consciência Cósmica) e Parama Prakrti (Energia Cósmica). A Consciência Cósmica não pode ser explicada, é a essência de toda a criação e também existe além da criação. A Consciência Cósmica não faz absolutamente nada, só testemunha as ações e as reações que ocorrem no Universo. É por meio da Consciência Cósmica (Parama Purus’a) que sentimos atração por Brahma. A Consciência Cósmica existe em todas as coisas, mas não podemos vê-la. A única maneira de saber se a Consciência Cósmica realmente existe é por meio da meditação. Na meditação podemos elevar nossa consciência individual até o nível da Consciência Cósmica de Brahma e podemos realizar e experimentar a grandeza de Brahma.
            Parama Prakrti, ou Energia Cósmica, é o princípio qualificador da Consciência Cósmica. Tudo o que vemos, ouvimos e sentimos são diferentes formas de energia. Em Sua essência, Brahma é somente um, mas por meio de Sua Energia Cósmica, ou Seu princípio operativo, Ele se manifesta em diferentes formas.
            A Consciência Cósmica não pode existir sem a Energia Cósmica, pois ambas só são diferentes aspectos de Brahma. A Energia Cósmica é o princípio qualificador da Consciência Cósmica, assim como a característica do fogo é queimar e a característica do leite é ter a cor branca. Como o rico demonstra sua riqueza por meio dos valores depositados em um banco, da mesma forma a Consciência Cósmica se manifesta no universo criado por meio de Sua Energia Cósmica. Da mesma forma como os dois lados de uma folha de papel são interdependentes, também a Consciência Cósmica é interdependente da Energia Cósmica dentro do Ser Supremo, ou Brahma.
            Brahma é a entidade mais abrangente que todas as outras entidades e nada pode existir fora d'Ele. Todas as manifestações existentes neste universo são diferentes formas de Sua Energia Cósmica, de Parama Prakrti.
            O ser humano consiste de corpo, mente e alma. O corpo e a mente são diferentes expressões da Energia Cósmica. A alma, ou a consciência individual, nada faz, só testemunha as ações mentais e as ações físicas (as ações físicas são expressões das ações mentais). Dessa maneira, entendemos facilmente que nossa alma ou nossa consciência individual é o que há de mais profundo em nós. O corpo, por meio dos sentidos (audição, tato, visão, paladar e olfato) capta as vibrações (ondas) do mundo externo e as transmite através dos nervos até o cérebro, e este até a mente, e a mente transmite essas ondas de pensamentos até a alma, para que esta testemunhe todas as ações do corpo e da mente.
            A mente e a alma (atma) podem ser comparadas a dois pássaros sentados no ganho de uma árvore. Um dos pássaros come uma fruta e sente prazer ao comê-la, mas após comer muito, poderá se sentir pesado, experimentando a reação de sua ação. O outro pássaro só testemunha sua ação, mantendo seu estado de tranqüilidade e paz. Sente-se feliz em apenas observar como seu pássaro amigo está se deliciando da fruta, mas não é afetado pela ação de comer nem pela reação. Assim, a mente sempre está conectada com o mundo externo, sentido às vezes prazer, às vezes tristeza; desfrutando às vezes de bonança, às vezes de pobreza. Dessa forma, nunca poderá obter felicidade permanente, nem tranqüilidade, nem paz. Mas nossa alma, nossa consciência individual, que é um reflexo da grande Consciência Cósmica de Brahma, sempre está repleta de paz e tranqüilidade e nunca é afetada pelas aflições do mundo externo. Através da meditação em Brahma, estamos afastando nossas mente do mundo externo e dirigido-a para nosso interior, nossa alma, nossa consciência individual (atma). Por esse processo de meditação, podemos alcançar o estado de Ananda, ou seja, a bem-aventurança eterna, a felicidade infinita.     
            A Consciência Cósmica (Parama Purus’a) necessita da Energia Cósmica (Parama Prakrti) para se manifestar na forma do universo; como o indivíduo necessita do ego para se manifestar na esfera social. A Energia Cósmica despertada se expressa em diferentes formas. Ela está dividida em três diferentes tipos de energia, três diferentes forças.
            O primeiro tipo é a energia sutil (sattvaguna), que provê o sentido de existência (mahat), o sentimento de “eu sou". A energia sutil da felicidade, do sentimento de amor, de estar livre de todas as amarras, limitações e obscuridades.
            O segundo tipo de energia é a energia mutatória (rajaguna), o agente da transformação, que dá o sentido da ação (aham), o sentimento de “eu sou aquele que faz, lê, escreve e fala". Esta energia se mantém sempre ativa e opera como elemento de ligação entre o princípio sutil e o princípio estático.
            O terceiro tipo de energia é a energia estática (tamoguna), que provê o sentido de objetividade (citta), o sentimento do "eu objetivado". A energia estática manifesta o resultado da ação que ocorre por conta da energia mutatória e também permite experimentar o resultado das ações. A energia estática cria a obscuridade, a limitação e a infelicidade, direcionando nossas mentes para o mundo externo, no qual nunca poderemos encontrar a felicidade e a tranqüilidade duradoura.
            A força estática nos leva à obscuridade, à morte, à matéria. A força mutatória não causa danos, mas tampouco nos ajuda a progredir em nossa caminhada até Brahma. A força sutil, embora também nos limite, pelo menos nos ajuda em nosso esforço pelo aperfeiçoamento espiritual. Para o aspirante espiritual, é necessário utilizar a energia sutil para manter-se no caminho espiritual.
            Causar danos aos outros, mentir, roubar, desfrutar de vida luxuosa, comer carne, peixe, ovos, cebola, alho e cogumelo, ingerir bebidas alcoólicas, fumar, usar drogas, são ações dominadas pela energia estática, as quais o aspirante espiritual deve evitar.
            Viver intranqüilo, fazer várias coisas ao mesmo tempo, ingerir café ou outros estimulantes são ações dominadas pela energia mutatória e um aspirante espiritual deve, dentro do possível, abster-se desses itens.
            Viver de modo simples e tranqüilo, manter a mente, o corpo e o ambiente puros, estudar coisas boas e elevadas, fazer serviço à humanidade (sem visar a beneficio próprio), praticar posturas de yoga (ásanas) e meditação, ter hábitos higiênicos e comer verduras, frutas, produtos lácteos, grãos, castanhas etc. são ações dominadas pela energia sutil, e a pessoa que vive deste modo certamente progredirá no caminho espiritual.
            Esses três tipos de energia são forças belicosas (em luta), que estão sempre juntas. A luz não poderia existir se não houvesse a escuridão, e o bem não poderia existir sem o mal; mas somente através do bem (a energia sutil ou sattvaguna) podemos alcançar a Brahma. O mal nos leva à infelicidade e à morte, é um processo que destrói a integridade do ser humano. O bem nos leva à felicidade e à vida eterna, é um processo que conduz à união com a Consciência Cósmica.
            Cada ser humano tem em si mesmo tanto o aspecto da negatividade como o da positividade. Temos instintos de ódio, destruição, ciúme, sexo e pessimismo assim como sentimentos de amor, afeição, sinceridade, serviço desinteressado e otimismo. Nosso progresso só é possível quando fortalecemos os aspectos positivos dentro nós mesmos para lutar contra a negatividade ou a imoralidade.
            Na sociedade humana, essas três forças estão presentes. Quando a imoralidade domina a política no mundo, há guerra, exploração e corrupção; as pessoas sofrem e não podem progredir nos diferentes campos da vida. Se a força sutil predominasse no mundo, poder-se-ia criar uma ordem mundial em que todas as pessoas pudessem atender suas necessidades básicas, como alimento, moradia, vestuário, assistência médica e educação física, mental e espiritual. Um mundo onde haja justiça e que seja administrado por pessoas moralistas e espiritualistas, no qual se dê a oportunidade a cada pessoa, sem distinções, de progredir em todos os aspectos da vida e dessa maneira construir um mundo justo e feliz, que progrida até o ideal cósmico.
            As pessoas espiritualizadas têm o dever de fortalecer as forças positivas no mundo através de seu progresso individual e têm de se unir para impedir a expansão das forças negativas no mundo.
      "É a ação que torna grandioso o indivíduo. Seja grande por seu esforço pelo seu progresso espiritual, por seu serviço desinteressado à humanidade e por seu sacrifício em estabelecer uma sociedade melhor ."
      "A espiritualidade não é um ideal utópico, mas sim uma filosofia prática, que pode ser utilizada no dia-a-dia. A espiritualidade significa evolução e elevação e não tem nada a ver com superstição ou pessimismo. Todas as tendências desagregadoras impedem o aperfeiçoamento da humanidade e não estão conectadas com a espiritualidade. Somente aquilo que nos leva à expansão de nossa visão deve ser aceito. A espiritualidade não reconhece as diferenciações entre os seres humanos; a espiritualidade significa a fraternidade universal”.
        “Para construir algo em bases humanitárias é preciso estar baseado no verdadeiro amor pela humanidade. Uma sociedade realmente benevolente nunca poderá ser estabelecida sob a liderança de pessoas egoístas. O egoísmo não surge onde o amor é o principal fator. O ingrediente para construir uma sociedade saudável é simplesmente o amor genuíno".
                             Shrii Shrii Ánandamúrti
                                                              Texto elaborado segundo ensinamentos de Shrii Shrii Ánandamúrti. 

29/05/2011

ENTREGA


       O Senhor Krisna diz: “Minha Máyá, a força que cria confusões e distinções é muito poderosa; ela é insuperável pelas mentes individuais. Mas aqueles que se entregam a Mim transcendem essas minhas forças com Minha ajuda”.


       Se Máyá é mais poderosa que os seres individuais, permanecerão os filhos de Deus escravos dessa força para sempre? Não há esperança alguma? Essa situação não é apropriada nem a Deus nem a Seus Filhos.
       O segredo está na palavra “Minha”. “ Essa força cegante, Máyá, é Minha; eu a usei para o jogo de Minha criação. Sendo Minha, está dentro do Meu controle arrebata-la de todos ou de qualquer um”, diz o Senhor. “Por isso, aqueles que se entregam a Mim podem facilmente sobrepujar essa força.”
       Mas, Qual é a maneira correta para uma entrega? Oração? Pedir isso e aquilo a Deus? Ora, a responsabilidade pelo que você pede é sua – você pode pedir alguma coisa muito inferior, embora você se dirija ao Todo Poderoso para isso. A melhor oração é, portanto:” Ó Senhor! Fazes o que achares apropriado e melhor para mim. Eu não sei onde está o que me é adequando – Tu o sabes.”
       Havia um demônio que suplicava para não morrer nem durante o dia nem durante a noite.
Deus lhe concedeu isso e ele foi morto ao pôr do sol. Não seja tolo assim. Enquanto você estiver suplicando, você não está se entregando, pois você está pedindo alguma coisa para si mesmo.
       Deus pode remover Máyá de todos, de uma só vez. Ele tem poder para faze-lo. Mas isso acabará com toda Sua Liila ( jogo) e com esse drama da criação. Portanto, ele a remove de indivíduos e não de toda coletividade.
       Para o bem da sociedade humana, ossádhakas contarão também aos outros sobre o método dessa entrega e os farão homens e mulheres de Deus. O progresso individual depende do ambiente social também, e por isso, há necessidade de prácar ( propagação espiritual)
       Tanto a sádhana como o sucesso estão facilmente a seu alcance.
       O resultado já está assegurado por mim; eu os darei a vocês no momento apropriado. Não se preocupem com isso.
       Seja você pecador ou virtuoso, os que vêm ao Senhor são todos um para Ele. Ele não faz distinções. Todos serão libertados.
       Vocês todos são meus filhos e filhas queridos. Às vezes aparento ser severo para alguns. Mas isto é por amor. Se eu fosse indiferente, não haveria necessidade de repreensão ou castigo.
       Eu quero ver todos vocês rindo. Dá-me grande prazer vê-los rindo.
       Deixem todas as preocupações para mim.
       Sejam abençoados.   
  
             Shrii Shrii Ánandamúrtijii - A Graça do Senhor.

A história da encarnação do Senhor Krsna como o Senhor Nrsimhadeva é muito bela, e retrata fortemente o amor e proteção de Deus por seu devoto puro e sincero. Como Nrsimhadeva demostra Sua mais terrível ira a quem importuna e age de forma malevolente contra as entidades de bom coração e devoção amorosa, defendendo o Bhakta Prahlada de seu pai demoníaco, Hiranyakashipur. Por isso, o Senhor Nrsimhadeva é a encarnação de Krsna mais invocado pelo devoto quando se trata de proteção: seja espiritual ou material.

Aqui um resumo dessa história:

Hiranyaksa foi morto pela encarnação de Vishnu conhecida como Senhor Varaha. Conseqüentemente, seu irmão, Hiranyakasipu, o rei dos demônios, ficou muito determinado em se tornar o imperador do universo inteiro e se vingar da morte de seu irmão. Por causa de seu grande poder, ele executou muitas austeridades. Esta penitência foi tão severa que perturbou os semideuses. De fato, os semideuses pediram ao Senhor Brahma para pará-lo. O chefe dos semideuses, Senhor Brahma, assim descendeu para pacificá-lo concedendo-lhe uma benção de sua escolha.
"Por favor conceda-me que eu nunca seja morto por nenhuma entidade viva," pediu Hiranyakasipu, "que eu não morra dentro ou fora de nenhuma residência, durante o dia ou noite, nem no chão, nem no céu; que eu não seja morto por nenhuma criação sua, nem por nenhuma arma, nem por qualquer ser humano ou animal naturalmente, que eu não conheça a morte por nenhuma entidade, sendo móvel ou imóvel; que eu não tenha rival; que eu seja o único dominador sobre todas as entidades e deidades superintendentes, e que eu adquira todos os poderes místicos." Depois de Brahma ter concedido a ele todos esses pedidos, Hiranyakasipu muito rapidamente conquistou todos os planetas do universo, e tomou a residência no palácio do Senhor Indra, o rei dos semideuses, forçando-os a se curvar diante seus pés. Ele, ainda, roubava as oblações feitas aos semideuses. Intoxicado fisicamente pelo vinho e mentalmente pelo poder, Hiranyakasipu reinou o universo muito duramente. Durante esta época, sua rainha, Kayadhu, voltou ao palácio de seu esposo e deu a ele, um filho, Prahlada. Ele era o reservatório de todas as qualidades transcendentais pois era um devoto puro do Senhor Vishnu. Determinado a entender a Verdade Absoluta, ele tinha completo controle de todos seus sentidos e mente, ele era muito bondoso com todas as entidades vivas e o melhor amigo de todos. Para respeitáveis pessoas ele se comportava justamente como um servo pacífico, para os pobres ele era como um pai, e para o restante era sempre como um simpático irmão. Sempre muito humilde, ele considerava seus professores e mestres espirituais tão bons quanto o próprio Senhor. De fato, ele era completamente livre de orgulho e que mesmo tendo nascido no meio da riqueza, beleza, e aristocracia. Hiranyakasipu queria criar seu filho como um poderoso demônio, mas Prahlada somente queria aprender sobre serviço devocional ao Senhor Vishnu. Depois de Prahlada ter freqüentado a escola por algum tempo, Hiranyakasipu o tomou em seu colo e afetuosamente pediu, "Meu querido filho, por favor me diga qual seu assunto favorito na escola."
Sem medo, Prahlada disse, "Ouvir (sravanam) e cantar (kirtanam) os santos nomes, formas, qualidades, parafernália, e passatempos do Senhor Supremo; lembrando (smaranam) deles; servindo os pés de lótus do Senhor (pada-sevanam); oferecendo ao Senhor respeitosas reverências e adoração nos seus dezesseis tipos de parafernália (arcanam); oferecendo orações ao Senhor (vandanam); tornando-se Seu servo (dasyam); considerando o Senhor como o melhor amigo (sakhyam); e se rendendo a Ele (atma-nivedanam, em outras palavras, servindo-O com seu corpo, mente e palavras); estes nove processos são conhecidos como serviço devocional puro, e eu considero qualquer um que tenha se dedicado ao serviço ao Senhor Vishnu através desses nove métodos sendo a pessoa mais erudita, por ele ter adquirido conhecimento completo."
Cego de ódio, Hiranyakasipu lançou Prahlada do seu colo ao chão. "Servos! Leve-o daqui e mate de uma vez!" ele gritou. Porém, Prahlada sentou em silêncio e meditou na Personalidade de Deus, e as armas dos demônios não faziam efeito nele. Vendo isto, Hiranyakasipu ficou com medo e planejou diversos modos de matar seu filho. Seus servos lançaram Prahlada por baixo dos pés de um elefante; eles o lançaram no meio de temerosas e venenosas cobras; eles o lançaram muitos feitiços; eles o atiraram de um topo de montanha; eles deram veneno a ele; eles o deixaram com fome; eles o expuseram ao rígido frio, ventanias, fogo e água; eles atiraram fortes pedras para esmagá-lo. Hiranyakasipu então mandou sua irmã Holika queimá-lo, mas ela é quem foi queimada. Mas, apesar de tudo, Prahlada estava simplesmente absorto em pensar em Vishnu, e assim ele permaneceu são e salvo. Hiranyakasipu ficou muito inquieto pensando em qual seria o próximo plano. "Você diz que há um ser superior a mim," disse Hiranyakasipu, "mas onde está Ele? Se Ele está presente em todos os lugares, então por que Ele não está presente nesta pilastra diante a você? Você acha que ele está neste pilar?" "Sim," Prahlada respondeu, "Ele está." A raiva de Hiranyakasipu crescia mais e mais. "Por falar de coisas sem sentido, eu irei cortar sua cabeça do seu corpo. Agora deixe-me ver seu mais adorável Senhor protegendo você. Eu quero vê-lO." Amaldiçoando-o cada vez mais, Hiranyakasipu tomou sua espada, saiu de seu trono, e com grande fúria golpeou primeiro no meio da pilastra. Então, do meio do pilar que ele acabara de cortar apareceu uma maravilhosa forma metade homem, metade leão nunca vista antes. A forma do Senhor era extremamente bela por causa de Seus olhos furiosos, o qual pareciam com ouro fundido; Sua juba brilhante, a qual expandia a refulgência de Sua temerosa face; Seus dentes fatais; e Sua língua afiada como navalha. Senhor Nrsimha então procedeu a batalha com Hiranyakasipu. Finalmente, Senhor Nrsimha capturou Hiranyakasipu o colocou em Seu colo, na porta de entrada de seu palácio. Ele então rasgou o demônio em pedaços com algumas de Suas muitas, muitas mãos e poderosas unhas. A boca do Senhor Nrsimha e juba se tornavam regadas com gotas de sangue, e Seus ferozes olhos, cheios de fúria, eram impossíveis de olhar. Lambendo a margem de Sua boca com Sua língua, o Supremo Senhor, O decorou Ele mesmo com uma guirlanda feita com os intestinos retirados de Hiranyakasipu. Senhor Nrsimha arrancou o coração de Hiranyakasipu e finalmente o lançou aparte e destruiu um exército dos seguidores de Hiranyakasipu. Pela Sua transcendental inteligência, Senhor Nrsimhadeva foi capaz de matar Hiranyakasipu sem contradizer nenhuma das bênçãos dadas pelo Senhor Brahma. A execução não foi nem dentro ou fora, mas na entrada; nem na terra nem no céu, mas no colo do Senhor; nem durante o dia, nem durante a noite, mas no crepúsculo; nem por homem, besta, ou semideus nem por qualquer ser criado, mas pela Personalidade de Deus; e nem por nenhuma arma, mas pelas mãos de lótus do Senhor, aliviando todo o universo das atividades demoníacas de Hiranyakasipu. Tendo sido protegido pelo Senhor, Prahlada Maharaja ofereceu muitas orações ao Senhor com a voz engasgada por amor: "Meu querido Senhor Nrsimhadeva, por favor, por essa razão, permita Sua fúria diminua, agora que meu demoníaco pai Hiranyakasipu foi morto. . . [As pessoas santas] sempre lembrarão da Sua bela e auspiciosa encarnação, para libertá-los do medo. Deste modo, meu Senhor, Você apareceu em variadas encarnações como um ser humano, um animal, um grande santo, um semideus, um peixe ou uma tartaruga, assim mantendo Sua criação em diferentes sistemas planetários e matando os princípios demoníacos." (Veja o Srimad Bhagavatam, 7º Canto, Cap. 1-10).

08/05/2011

ALIMENTAÇÃO


De acordo com a ciência espiritual, a mente tem cinco camadas (ver Glossário: k’osa) e mais uma camada externa — que é conhecida como annamaya kos’a, ou seja, o corpo físico. Essa camada é constituída pelo alimento que ingerimos. Por isso, faz sentido afirmarmos: “Somos aquilo que comemos”. Os alimentos podem tanto ajudar como prejudicar o desenvolvimento mental e espiritual.
                           
A bioquímica dos alimentos interfere na bioquímica de nossos corpos, influenciando o sistema glandular, o sistema nervoso e o cérebro — que são os responsáveis pelas tendências mentais, ou instintos (vrttis). Quando esses instintos não são controlados, a mente fica perturbada. Assim, para mantermos a calma e o equilíbrio mental, os alimentos ingeridos devem ser dos tipos que não causam excitação glandular.
Na ioga, os alimentos estão classificados em três categorias principais.
1)  Sáttvika (sutis ou puros) são os alimentos saudáveis tanto para a mente como para o corpo. Nesta categoria se incluem todas as espécies de cereais, castanhas e frutas, temperos suaves, sal, açúcar, mel, chá de ervas, a maioria das verduras, dos legumes e das leguminosas, leite e produtos lácteos[1]. Os alimentos sáttvika são imprescindíveis para as pessoas que fazem ásanas.
2)  Rájasika (mutatórios ou ativos) são alimentos que afetam mais a mente e prejudicam menos o corpo, dependendo da quantidade ingerida. Nesta categoria se enquadram os seguintes produtos: rabanete, café, chá mate, chá preto, guaraná, refrigerantes carbonatados e chocolate “preto”, ou seja, produtos que contêm cafeína ou outras substâncias estimulantes.
3)  Támasika[2] (estáticos ou inertes) são os alimentos nocivos ao corpo e à mente. Aqui estão incluídos: carnes, produtos animais (inclusive a gelatina), peixe, ovos, cogumelos, cebola, alho, queijos que adquirem fungos no processamento, fumo, álcool, as sobras de alimentos cozidos e mal-conservados[3], folha de mostarda, lêvedos, drogas alucinógenas[4] e outras que alteram o estado normal do organismo. Obviamente, a ingestão em demasia de qualquer alimento, sáttvika ou rájasika, pode ter um efeito támasika.
Na presente sociedade encontramos várias dietas, todas elas com diferentes teorias. A diferença da dieta iogue é ela veio de práticas e experiências feitas por vários anos, para depois surgir a teoria. Primeiro, a meditação e as ásanas foram praticadas e, em seguida, as experiências com os alimentos comprovaram quais são os mais benéficos, ou não, para as práticas espirituais. Muitos praticantes espirituais novos não alteram seus hábitos alimentares logo de início, mas somente após algum tempo, quando sentem os efeitos nocivos da carne. Entretanto, o mais aconselhável é a pessoa comer somente os alimentos sáttvika a partir do momento em que se iniciar nas práticas espirituais.
     Já está bastante comprovado que a carne não faz bem à saúde. O corpo humano tem bioquímica ácida por natureza, devido às secreções das glândulas. O exemplo mais evidente é o ácido úrico — um subproduto do processo digestivo, que normalmente é eliminado pela urina. O corpo de um animal, da mesma forma que o corpo humano, também contém ácido úrico. Então, ao ingerir carne, o homem consome essa substância em grande proporção. Como o organismo humano não tem condições de eliminá-lo por completo, esse ácido acumula-se lentamente nas articulações e no sistema circulatório. As conseqüências são desde o enrijecimento das juntas até o aparecimento de doenças mais graves, como o reumatismo, a artrite, a dispepsia, a constipação, a paralisia, a úlcera, os cálculos renais, os distúrbios renais, as doenças cardíacas, a pressão alta, a asma, os distúrbios menstruais. Além disso, a concentração e a cristalização do ácido úrico afeta o sistema nervoso, acarretando nervosismo, depressão, temperamento agressivo e ansiedade. Por isso, devemos ser muito cautelosos com os alimentos ingeridos.
     A comparação entre a fisiologia dos seres humanos e a dos animais nos mostra diversos fatores que comprovam nossa qualificação como seres vegetarianos (leia o livro O que há de errado em comer carne). O intestino dos seres humanos é tão extenso quanto o dos animais herbívoros e frugívoros e totalmente diferente do intestino dos animais carnívoros, que é curto. Como a carne e o peixe entram em decomposição rapidamente, o intestino curto dos animais carnívoros é apropriado para a eliminação rápida das toxinas da carne. Entretanto, este não é o caso dos seres humanos, cujo intestino é ajustado para a digestão de frutas e legumes.
Ao serem sacrificados, os animais sentem medo, produzindo grande quantidade de adrenalina e outras secreções, que, por serem ácidas, causam malefícios ao corpo e à mente.
As proteínas necessárias ao corpo humano são facilmente encontradas nos alimentos sáttvika — tais como os produtos lácteos, os grãos, os legumes, as castanhas e as frutas secas. Na realidade, o leite e a soja, por si só, bastam para nutrir o corpo das proteínas necessárias. E com relação às vitaminas e aos sais minerais, não há melhor fonte natural do que os vegetais e as frutas.
Tanto quanto possível, devemos optar por alimentos provenientes de seres que tenham a consciência pouco desenvolvida. Isto significa que se os vegetais estiverem disponíveis, os animais devem ser poupados. Além disso, em qualquer caso, antes de matar um animal, quer ele tenha consciência desenvolvida ou não, deve-se considerar se seria possível viver com um corpo saudável sem eliminar tal vida”.
                                    Shrii Shrii Anandamurti -Extraído de Um guia para a conduta humana

Por isso, pergunta-se: “Se você ama os animais, por que comê-los?”.
Os ovos são prejudiciais à saúde pelo mesmo motivo que a carne. A natureza bioquímica do ovo é muito similar à da carne, ainda que aquele esteja em estágio menos desenvolvido. É um alimento que causa tensão ao corpo e dificulta a meditação. Além disso, o ovo tem muito colesterol, cujos efeitos nocivos sobre o coração e a arteriosclerose são bastante conhecidos.
Os alimentos támasika alteram o sistema glandular, ativando as tendências (vrtiis) mais baixas, tais como o medo, a raiva, o ódio, o desejo sexual etc. Com isso, a mente fica agitada, tornando-se difícil o controle mental.
A cebola e o alho causam aquecimento e estímulo às glândulas das partes inferiores. Tanto um como o outro são extremamente ácidos, inclusive mais do que a carne. Algumas pessoas que ingerem alho e cebola em demasia exalam o odor desses produtos, pois os poros da pele eliminam pequenas quantidades não absorvidas pelo organismo. É comum encontrarmos artigos que defendem o alho e a cebola como alimentos altamente benéficos. Do ponto de vista meramente físico essa afirmação faz sentido, porque, na verdade, quando esses alimentos são rejeitados pelo organismo, eles fazem uma espécie de limpeza sangüínea. Mas nós devemos nos preocupar principalmente com o efeito dos alimentos sobre a mente. O alho e a cebola ativam as partes inferiores — do manipura cakra (umbigo) para baixo —, causando desconforto mental. A melhor forma de comprovar esse efeito é através da experiência de passar um ano, ou até menos, sem comer tais alimentos e prová-los ao final. A pessoa notará que diferença significativa eles causam no estado mental.
Os cogumelos, por serem fungos (parasitas), vivem de matéria morta e decomposta e, quando ingeridos, absorvem a energia do corpo, ao invés de nutri-lo.
     Drogas, álcool e fumo são altamente prejudiciais ao corpo e à mente. Tudo que altera nosso estado mental por meios artificiais resulta em enfraquecimento da vontade e diminui a capacidade intelectual, o que torna o autocontrole quase impossível.
Devemos também estar atentos aos alimentos embalados, pois muitos deles possuem aditivos e conservantes prejudiciais à saúde.
Geralmente, fala-se somente das propriedades nutritivas dos alimentos. Entretanto, tão importante, ou talvez até mais importante, são as vibrações psíquicas e espirituais passadas aos alimentos durante o seu preparo. Se a comida for preparada por uma pessoa enraivecida, ou com pensamentos negativos e de mau humor, a vibração dessa pessoa passará para o alimento. Porém, se a comida for feita por alguém espiritualizado, esse alimento se tornará mais benéfico à mente.
Enquanto estiver cozinhando ou comendo, procure se manter com a mente tranqüila. Tente sempre comer junto de outras pessoas e procure conservar uma atmosfera agradável durante as refeições. É aconselhável comer de forma frugal, ou seja, alimentar-se no máximo quatro vezes ao dia e servir à mesa apenas quatro “pratos” diferentes, em cada refeição.


[1] Queijos preparados com coalho (subproduto do estômago de bezerros) ou que adquirem fungos durante sua maturação e, ainda, pães, bolos e biscoitos feitos com ovos ou gordura animal não são sáttvikas.
[2] Sáttvika, Rájasika, Támasika são termos em sânscrito, no plural e Sáttvik, Rájasik, Támasik, correspondem à forma no singular.
[3] É recomendável evitar comer no jantar os legumes cozidos para o almoço, pois estes alimentos, após um certo tempo, perdem suas propriedades nutritivas e se tornam tamásika. Nem sempre a conservação em geladeira evita esse processo, sendo, portanto, o mais recomendável comer os legumes recém-cozidos. Embora o congelamento não seja tamásico, seu uso diário não é recomendado, pois, nesse processo, o alimento perde a maioria do prana. 
[4] Considero que a autora aqui se refere a drogas tóxicas ou entorpecentes, tais como tabaco, álcool, cocaína, morfina, heroína, barbitúricos, etc.

16 PONTOS PARA O AUTO-DESENVOLVIMENTO - Técnicas para o Desenvolvimento Físico, Mental e Espiritual - Inspirado em textos de Shrii Shrii Ánandamúrti pela Avadhutiká Usa  Acharyá

22/04/2011

Shiva's seven secrets of success by Shrii Shrii Ánandamúrtijii

Shiva's seven secrets of success


You've heard so much regarding Shiva and Pa'rvatii. Pa'rvatii was the spouse of Shiva. What is Tantra? In Tantra there are two portions, A'gama and Nigama, just like the two wings of a bird. Nigama is the philosophical questions and A'gama is the practical cult. The cult side is A'gama and the philosophical side is Nigama. These are just like the two wings of a bird, and the bird is Tantra.
A'gatam' Shiva vaktebhyam' 
Gatam' ca girija' shrutam
Matam' ca va'sudesvaya
Tasma'd a'gama ucyate.
You should always remember these seven secrets of success.
Pa'rvatii asked and Shiva gave the reply. One question of Pa'rvatii was, "O Lord, what are the secrets of success? Many people do many a thing, but not all are successful in their lives. What's the secret of success?"
Shiva said, "There are seven secrets":
Phalis'yatiiti vishva'sa siddherprathama laks'an'am 
Dvitiiyam' shraddhaya' yuktam' 
Trtiiyam' Gurupu'janam 
Caturtho samata'bha'vo 
Paincamendriya nigraha 
S'as't'hainca pramita'ha'rah 
Saptamam' naeva vidyate.

"I must be successful in my mission." This firm determination is the first factor. This firm determination is the first requisite factor out of these seven factors. And what is this firm determination?
Nindantu niitinipun'ah yad va' stavantu
Laks'mii sama'vishatu graham' gacchatu va' yathes't'ham
Adyaeva maran'amastu yuga'ntare va'
Nya'ya't pathi pravicalanti na dhiirah
Pra'rabhyate na khalu vighna bhayena niicaeh
Vighnavihita' viramante madhyo
Vighnaer muhur muhur api pratihanyama'na'h
Pra'rabhya uttamagun'o na parityajanti.

What am I going to do regarding the mission of life? If logicians and philosophers condemn me, saying, "That is a very bad man," let them say like this. Or if, due to my mission, due to my movement towards my goal, a certain portion of society appreciates my action, let them appreciate it - it won't affect me. I won't be assailed by such appreciations. 

And due to my action if Laks'mii (Laks'mii is the mythological goddess of riches) comes and resides in my house, it is good. If Laks'mii says, "No, I will quit you forever, I won't remain with you." that is, you will have to suffer from poverty, let Laks'mii quit my house. And due to my course of action, due to my ideology, if Pluto, that is, the god of death, comes and says, "I'll take you," let Pluto do it! I don't care a pig for it! Or if, due to my course of action, due to my ideology if I am forced to live here for an indefinite period, I am ready to live here. You know life becomes boring if one lives for a long period, but I am ready to undergo that boredom, that monotony, for the sake of my ideology.
I know that among human beings there are three categories. The third category won't undertake any responsibility for fear of being defeated. And in the second category, they undertake the duties and responsibilities, but when they face the reactions, when inimical forces come forward and harass them, they drop the work. They are the second category of people. And in the first category, that is, the best category, they say, "Once I have undertaken the duty, I will do it. I will get the work fully complied with. Before that I won't take any rest."
So this is firm determination. It is the first requisite factor, as Lord Shiva said. "Phalis'yatiiti vishva'sa siddherprathama laks'an'am dvitiiyam' shraddhaya' yuktam." A man must have Shraddha' for his ideology. What is Shraddha'? Shraddha is a very old Vedic term. Shrad means recognized status of veracity, and Dha means movement towards.
That is, when the ideological goal has been accepted, all my might, all my propensities, should move unto that goal. This is Shraddha.
Trtiiyam' Gurupu'janam. I must have reverence for the Guru. What is the Guru? Gu means darkness, that is, darkness in the psycho-spiritual sphere. And Ru means dispelling agent. That is, he who dispels darkness from my psychic and spiritual body is the Guru. Gu means darkness, Ru means dispeller. Trtiiyam' Gurupu'janam.' That is, you must have respect for the Guru.
Caturtho samata'bha'vo. And the fourth requisite factor is that you must maintain a mental equilibrium, rather, a mental equipoise; you must not suffer from any sort of inferiority complex, or superiority complex, or defeatist complex, or complex of hopelessness or despair. That is, your mind should always be in a balanced condition. 'Caturtho samata'bha'vo.' This is the fourth factor, fourth requisite factor - you must not suffer from an inferiority complex nor from a superiority complex.
'Paincamendriya nigraha.' You must have self-restraint. Without self-restraint, nothing concrete can be done.
You should remember these factors.
S'as't'hainca pramita'ha'ra, that is, balanced diet, balanced food. You must not take this much [stretches arms far apart], you should take this much [holds hands closer together]. But the food should be substantial. And not only that, it should be good for your body, mind and spirit. Meat and other animal products may be good for the body, but not good for the mind and spirit. So yours should be a careful selection of food. It is called Pramita'ha'ra - Pramita means balanced, A'ha'ra means food.
And the seventh Lord Shiva said - He said there are seven factors, now He says, Saptamam' naeva vidyate - there is no seventh factor.
You should remember these seven factors. These are the secrets of success.
[To a devotee] - What is the seventh factor?
[Devotee] - Ba'ba', there is no seventh factor!
[Ba'ba'] - No seventh factor!? [laughs heartily, all laugh].


Shrii Shrii Anandamurti - 21 May 1979 evening, Timmern (West Germany).
Fonte:
http://anirvan.podomatic.com/entry/2011-03-12T08_52_01-08_00

27/03/2011

ASTEYA


Paradravyá Paharan’otya Go’steyam’

Não se apossar do que pertence aos outros é Asteya. Isto quer dizer não roubar. Há quatro tipos de roubo:
  1. Roubo físico de qualquer objeto. Costuma-se chamar de ladrão aquele que rouba objetos materiais. Porém, não é verdade que somente as pessoas que fogem com objetos roubados ou escapam com o saque depois de terem cometido roubo à mão armada são chamadas de ladrões. Pelo uso da força bruta, de armas ou da força do intelecto, qualquer coisa tomada, seja dinheiro seja outro bem, é considerada roubo, porque nestes atos existe a intenção de se apropriar de coisas alheias, enganando os outros. Contudo, aceitar bens em troca de dinheiro, ou qualquer outra coisa, por meios legais, não é roubo (ex. terra em troca de dinheiro, dinheiro em troca de comida etc.).
  2. O segundo tipo de roubo é aquele em que você não se apossou de qualquer objeto material ou propriedade, porém o planejou mentalmente. Portanto, isso é considerado roubo porque a pessoa interiormente cometeu o roubo. O medo da lei ou das críticas o impediram de executar a ação fisicamente.
  3. Pode acontecer de você não ter se apossado do que pertence a outros, porém os privou daquilo que lhes é devido, e assim, se tornou responsável por sua perda. Isto também é roubo.
  4. Se você não despojar ninguém do que lhe é justamente devido, porém, planejá-lo mentalmente, isto também é considerado roubo.
Algumas explicações são necessárias a respeito do terceiro e do quarto tipos de roubo mencionados acima.
Você deve ter reparado que muitas pessoas educadas viajam diariamente de trem sem comprar a passagem. Elas não roubam dinheiro diretamente da administração ferroviária, porém elas a estão despojando do que lhe é devido. Pensando um pouquinho, torna-se claro que, entre os passageiros e a administração ferroviária, há uma relação de troca; portanto, a viagem de trem sem passagem é roubo dos tipos 3 e 4. Aqueles que viajam de trem desfrutam dos serviços da administração ferroviária. Comprando as passagens, eles pagam por este serviço e, por conseguinte, a administração não se deve vangloriar de estar prestando serviço social. Se a ferrovia não foi construída para prestar serviços gratuitos, o não pagamento da passagem é roubo. Pense bem: que tipo de cidadão é aquele que comete roubo de alguns centavos? No entanto, as pessoas desse gênero entregam-se a todos os tipos de conversas para se vangloriar e criticar livremente os líderes, acusando-os de corrupção ou nepotismo. Quando suas falhas são apontadas, alegam: “É difícil viver no mundo com uma moralidade tão rigorosa; os que dirigem a administração dessa maneira devem ser tratados assim; esse meu roubo é justificado”. Missionários ou ascetas que levam uma mensagem divina ou líderes políticos que têm o nobre propósito de fazer o melhor pela pátria são vistos, muitas vezes, comprazendo-se em viajar sem passagem. São coisas que acontecem diariamente. Subornar empregados do governo para desviar imposto de renda e outras taxas, ou cobrar do passageiro o preço de uma passagem de classe superior àquela em que ele viajou, tudo isso é roubar. Não é somente roubo, mas também vileza.
Todas estas tendências ao roubo são contrárias ao código de Asteya. Em muitos casos, mesmo os homens sábios agem conscientemente contra o princípio de Asteya ou se recusam a considerar os pequenos roubos como uma quebra do código. Uma vez, um empregado da rede ferroviária perguntou-me por que tinha comprado uma passagem inteira para meu sobrinho de 13 anos, quando bastaria dizer que o mesmo tinha 12 anos e teria viajado com meia passagem.
Existem moralistas que não querem enganar indivíduo algum, porém, não vêem nada de errado em enganar os ricos ou o governo. Muitos lojistas venderiam mercadorias falsificadas aos fregueses, porém, aos amigos e convidados forneceriam ou venderiam a boa. É preciso lembrar que todas as ações baseadas nessa psicologia são contra Asteya. A maneira mais fácil de praticar Asteya, como no caso de todos os outros princípios de Yama e Niyama, é a “auto-sugestão”. Se uma pessoa desde a infância lembra-se deste código e aplica a si mesma o que é correto, ela será capaz de manter um alto padrão de pensamento e caráter.
                          Shrii Shrii Ánandamúrti - Um Guia para a Conduta Humana.

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