11/08/2012

O NEO-HUMANISMO DOS SADVIPRAS

     Para os Sadvipras* o valor da vida humana supera todos os outros valores. Seja do estado ou de uma escritura, de uma sociedade ou de uma religião, a importância de qualquer coisa está em desenvolver a humanidade ao ponto ideal através do conhecimento, da cultura, da saúde e da afluência na vida. É para o desabrochar da humanidade que a civilização possui tantos implementos, o estado apresenta várias formas, as teorias se multiplicam e as escrituras estão cheias de cerimônias religiosas e regulamentos. Afinal, para que existe o estado, qual a utilidade das leis ou o porquê das maravilhas da civilização se o homem for privado de se expressar, se ele não conseguir nenhuma oportunidade para desenvolver um bom físico, para revigorar a sua inteligência com o conhecimento e para expandir o seu coração com o amor e a compaixão? Se, em vez de ser útil para conduzir o homem à meta de sua vida, o estado se coloca em seu caminho, então ele não pode exigir lealdade, porque o homem é superior ao estado. De acordo com Rabindranath Tagore:
 “A Justiça e lei, às custas do homem, são como pedra em vez de pão. Talvez esta pedra seja rara e valiosa, porém não pode acabar com a fome.”
              
     É costume dar preferência aos valores sociais ao invés dos humanos. Os Sadvipras desejam erradicar este costume pela raiz. Para eles, o valor humano precede o valor social. O homem forma a sociedade, portanto, os valores humanos servirão de base para os valores sociais. Em outras palavra, aqueles que levam em consideração os valores humanos terão direito aos valores sociais. Foi dito anteriormente que o valor humano existe somente para lidar com as alegrias e aflições, esperanças e aspirações do homem de forma benevolente e colocá-lo no pedestal da majestade divina após havê-lo guiado até a consciência cósmica. E, para ele se elevar a esta posição sublime, ele terá que dispor de um meio ambiente adequado à existência física, mental e espiritual. É direito inato de todos progredir na sua tríplice existência. É obrigação da sociedade reconhecer este direito do homem. A sociedade falhou no cumprimento de sua obrigação e é por isso que a vida está cheia de tristeza e sofrimentos. Ninguém pode dizer com certeza que nenhum homem grandioso teria surgido de entre aqueles rapazes de má conduta, os que tendemos a menosprezar e a odiar. A mulher que adotou a prostituição para manter sua existência física, poderia ter-se transformado em uma personalidade nobre se sua agonia houvesse sido vista de forma benevolente e se ela houvesse sido reintegrada pela sociedade. Porém, como a sociedade não se preocupa com os valores humanos, um grande número de grande personalidades está fenecendo ainda em seu estágio embrionário. Os Sadvipras irão recuperar esta humanidade negligenciada e organizar o seu renascimento. Para eles nenhum pecador é desprezível, ninguém é de má índole. Um homem se torna um ser satânico ou um pecador quando, por falta de uma orientação apropriada, é guiado pelas propensões degenerativas. Se suas propensões degenerativas forem sublimadas, ele não mais será um ser satânico, ele se transformará em um deus. Cada curso da ação da sociedade deve ser julgado visando a seguinte máxima:
 “Os seres humanos são crianças divinas.” 
     Portanto, o objetivo do código penal que será estruturado pelos Sadvipras será retificar e não punir uma pessoa. Eles irão derrubar as prisões e construir centros de recuperação. Aqueles que são criminosos natos, em outras palavras, aqueles que cometem crimes devido a algum defeito orgânico, a eles deve ser oferecido tratamento para que assim possam se humanizar. A primeira coisa e a mais importante deve ser suprir o que lhe falta. o sentimento da sociedade se encontra em todos caminharem juntos. No curso da jornada, se alguém ficar para trás, se, na escuridão da noite uma rajada de vento apagar a lamparina de alguém, então não devemos seguir adiante, deixando-o desamparado. Devemos lhe estender uma mão auxiliadora e acender sua lâmpada com a chama de nossas lamparinas.
 Varika’ Laiya’ Ha'te Calechila ek Sa'the Pathe Nibe Geche a’lo pare A’che ta’i Tomra’ ki Daya’ Kare Tulibena Há’th Dhare Ardhadan’d’a ta’r tare Tha’mibena’ Bha’i 
 “Enquanto marchava conosco com a luz em sua mão, ele teve a sua luz apagada e está caído ao lado da estrada. Irmãos, vocês não parariam por um momento para levantá-lo?”
     Parar é uma obrigação, pois, do contrário, o espírito de sociedade ficaria ameaçado. Os santos dizem:
Samamantrena Ja'yate iti Sama’jah.” 
     Assim, seja um homem, um pecador, um sofredor, um ladrão, um criminoso ou mal caráter, ele o é superficialmente; internamente, ele vibra com a potencialidade de quem pode ser purificado. O objetivo principal dos Sadvipras é usar e colocar esta potencialidade em evidência. Eles não irão fazer nenhum segregação em relação a prática dos valores humanos. Um transgressor está sujeito à punição por suas atividades abomináveis, porém, odiá-lo ou matá-lo de fome, isto nunca será feito pelos Sadvipras, que são humanistas. Os pandits**, inflados pelo orgulho, preferiam continuar a leitura de seus livros a atender a Haridas, um pobre doente que não era hindú. Porém, para Mahaprabhu Caetanya, foi impossível permanecer indiferente. Ele colocou Haridas no seu colo, cuidou cuidadosamente dele e assim fez valer os valores humanos. 
     Porém, quando surgir a pergunta sobre a responsabilidade social, ela será considerada com cuidado e cautela. A um homem irresponsável não poderão ser confiadas responsabilidades sociais. Porque aqueles que se encarregarão delas irão guiar o homem para o desenvolvimento e corrigir o modo de vida dos pecadores. Porém, se eles mesmos forem pecadores e se prosseguirem com uma tendência mental para o mal, então não lhes será possível assumirem responsabilidade sociais. Foi dito:
 “Sociedade é o nome que se dá ao grupo de indivíduos que unidos estão engajados em minimizar a distância entre dois pontos, um o das primeiras expressões do moralismo e o outro o do estabelecimento do humanismo universal.”
     Portanto, a responsabilidade social deve ser confiada àqueles que são capazes de assumi-la dignamente. Se a sociedade se origina do moralismo, então aqueles que estiverem na seu comando devem ser moralistas, e, mais ainda, eles devem ser universalistas, já que a sociedade almeja o estabelecimento do universalismo. Se a diferença entre o moralismo e o humanismo universal é para ser conquistada, a Sádhaná espiritual é uma necessidade. Portanto, eles devem praticar uma Sádhaná austera. A filosofia de suas vidas será: 
“A moralidade é base, a Sádhaná o meio e a Vida Divina o objetivo.” 
     Esta grande, grande responsabilidade não deve recair sobre aqueles que, por si mesmo, são pecadores. A não ser que e até que eles se corrijam, não lhe será dado nenhum valor social, embora de forma alguma eles sejam privados dos valores humanos. Hoje em dia se dá importância aos valores sociais mas aqueles que são selecionados para assumir essas responsabilidades sociais não possuem as qualidades mencionadas acima. Eles ocuparam as posições seja por dinheiro seja por recomendação, porém nenhum bem social será possível. Por isso existe uma instrução em nossa escritura social: 
“Ninguém deverá se deixar levar por conversa fiada. A competência será julgada com base na atividade de cada um. Qualquer que seja a área em que você esteja, você tem possibilidades amplas de servir a sua sociedade. Àquele que viola Yama e Niyama(princípios morais)não deve ser dada a oportunidade de representar as pessoas. Se o poder for dado a uma pessoa incompetente, será o equivalente a levar deliberadamente a sociedade para o abismo. Os Sadvipras irão estabelecer no poder pessoas preparadas, e a ordem social que será desenvolvida em virtude de suas lideranças dará a devida importância a cada indivíduo. Nesta nova sociedade, baseada no Neo-Humanismo, cada pessoa irá sentir a sua vida digna de ser vivida. Todas as pessoas irão receber de volta as suas posições de honra.”

* Ético-espiritualistas revolucionários
** Eruditos
P.R.SARKAR - Março de 1970 - (Abhimata, Parte II) Published in:
Neohumanism in a Nutshell Part 1 [a compilation]

*******
The Neohumanism of Sadvipras
 
To sadvipras [spiritual revolutionaries] the value of human life surpasses all other values. So states and scriptures, societies and religions, acquire significance only insofar as they develop humanity to the maximum through learning, culture, physical health and economic plenty. It is for the sake of developing humanity that civilization has so many institutions of different kinds, that states take their various forms, that theories proliferate, and that the scriptures abound in ordinances and regulations. What in the world does the state stand for, what is the use of all these regulations, and what are the marvels of civilization for, if people are prevented from manifesting themselves, if they do not get the opportunity to build good physiques, to invigorate their intelligence with knowledge, or to broaden their hearts with love and compassion? If, instead of tending to lead human beings to the goal of life, the state stands in the way, it cannot command loyalty, because humanity is superior to the state. According to Rabindranath Tagore, “Justice and law at the cost of humanity is like a stone instead of bread. Maybe that stone is rare and valuable, but it cannot remove hunger.”

It is customary to give preference to social value(1) over human value. Sadvipras want to strike at the root of this custom. For them, human value takes precedence over social value. Human beings form the society, and hence human value must lay the foundation for the social value. In other words, those who show respect to human value will be entitled to social value. It was mentioned earlier that human value means nothing but to treat the joys and sorrows, hopes and aspirations of human beings sympathetically, and see them merged in Cosmic Consciousness and established in divine majesty. And if one is to elevate oneself to that sublime height, he or she will have to be supplied with an environment suitable to his or her physical, mental and spiritual existence. It is the birthright of everyone to make headway in their trifarious existence. It is the duty of society to accord recognition to this human right. Society has failed to do its duty, and that is why life is full of sorrow and suffering.

No one can say for certain that no great person might have emerged from among those wayward urchins whom we are wont to slight and hate. Women who have turned to prostitution for the sake of their physical existence might have grown into noble personalities if their agony had been appreciated sympathetically, and if they had been rehabilitated by society. But since society has nothing to do with human value, a good number of great personalities are withering away in their embryonic stage. The sadvipras will undertake to revive this neglected section of humanity. To them no sinner is contemptible, no one is a rogue. People turn into satans or sinners when, for want of proper guidance, they are goaded by depraving propensities. The human mind goaded by depraving propensities is satan. If their propensities are sublimated, they will no longer be satans; they will be transformed into gods. Every course of action of society ought to be judged with an eye to the dictum “Human beings are divine children.”

Thus the purpose of the penal code which will be framed by the sadvipras will be to rectify, and not to punish, a person. They will knock down the prisons and build reform schools, rectification camps. Those who [are] inborn criminals, in other words, those who perpetrate crimes because of some organic defects, ought to be offered treatment so that they may humanize themselves. And regarding those who commit crimes out of poverty, their poverty must be removed.

The significance of society lies in moving together. If in the course of the journey anybody lags behind, if in the darkness of night a gust of wind blows out anyone's lamp, we should not just go ahead and leave them in the lurch. We should extend a hand to help them up, and rekindle their lamps with the flames of our lamps.
Vartiká laiyá háte calechila ek sáthe
Pathe nibe geche álo pare áche tái
Tomrá ki dayá kare tulibená háth dhare
Ardhadańd́a tár tare thámibená bhái.
[While marching together with lamps in our hands, someone's lamp has gone out, and he is lying beside the road. Brothers and sisters, will you not stop for a moment to lift him up?]

Stop we must, otherwise the spirit of society is in jeopardy.

A rśi [sage] has said: Samamantreńa jáyate iti samájah [“Society is the collective movement of a group of individuals who have decided to move together towards a common goal”]. That is, whether people are pápii or tápii [sinners or victims], thieves, criminals, or characterless individuals, they are so only superficially; internally they are filled with the potential for purity. The principal object of the sadvipras is to explore and bring this potentiality into play. They will accord human value to everyone without exception. Those who have done hateful crimes must be punished, but sadvipras will never hate them, or put an end to them by depriving them of food, because sadvipras are humanists. The pandits puffed up with vainglory could turn their attention to their books instead of attending on the ailing non-Hindu Haridas, but Chaitanya Mahaprabhu found it impossible to remain indifferent to him. He took Haridas in his arms and nursed him carefully, and thus showed respect to human value.

However, when the question of social responsibility arises, it must be considered with great care. Irresponsible people cannot be entrusted with social responsibility, because those who shoulder social responsibility will have to lead humanity on the path of development, and correct the ways of sinners. If they themselves are of evil mentality, it will not be possible for them to discharge their social responsibility. It has been said: “The collective body of those who are engaged in the concerted effort to bridge the gap between the first expression of morality and establishment in universal humanism is called society.”(2) So social responsibility should be entrusted to those who are capable of discharging it creditably. If moralism is the starting-point of the journey of society, then those who are at its helm must be moralists. And since society aims to establish universalism, those people must be universalists. And if the gap between moralism and universal humanism is to be bridged, spiritual sádhaná is a must, so those people must practise rigorous sádhaná. Their philosophy of life must be, “Morality is the base, sádhaná is the means, and life divine is the goal.”

This great responsibility must never be entrusted to those who are themselves criminals. Unless and until such people correct themselves, they will not be given any social value, though in no way will they be denied human value. At present social value is given importance, but those who are selected to discharge social responsibility do not possess the aforesaid qualities. They have occupied their posts on the strength of their money or on the basis of patronage, but this has not resulted in any collective welfare. That is why there is an instruction in our social scripture:

Do not be misled by anyone's tall talk. Judge merit by seeing the performance. Remember, whatever position one is in offers sufficient opportunity to work. One whose character is not in accordance with Yama-Niyama should not get opportunity [to become] a representative.… to [[vest]] an incompetent person with power means to push society towards destruction knowingly and deliberately. (“Society” in Caryacarya Part 2, 1999)

The sadvipras will install qualified persons in power, and the social order which will be evolved by virtue of their leadership will give due importance to one and all. In this new society based on Neohumanism, everyone will find their life worth living. All will regain their lost positions of honour.

Footnotes

(1) Earlier in the complete discourse of which this is the concluding part, the author had explained “social value” as the recognition that society pays to its leaders by virtue of their position. –Eds.

(2) Shrii Prabhat Ranjan Sarkar, “Moralism” in Human Society Part 1 (slightly rephrased here by the author). –Eds.

P.R.SARKAR - March 1970
Published in: Neohumanism in a Nutshell Part 1 [a compilation]

24/06/2012

SVADHARMA E PARADHARMA


Neste universo manifesto há seres animados e inanimados. Existe um Dharma para todas as criaturas. Jaeva Dharma ( o Dharma dos seres vivos) é para todas as criaturas. Mas o Dharma do homem é Bhágavata Dharma. E Bhágavata Dharma compreende Vistára (Expansão Psíquica), Rasa (Devoção) e Seva (serviço). Siga seu Svadharma que é Bhágavata Dharma.
          As pessoas amam Deus consciente ou inconscientemente. Todos têm uma inclinação para a espiritualidade.
         O Dharma Hindu, o Dharma Muçulmano ou o Dharma Cristão não é o Svadharma do homem. O Svadharma do homem é Bhágavata Dharma. As forças sutil, mutativa e estática não permanecem em Bhágavata Dharma, que se encontra além das Gun’as (Forças sutil, mutativa e estática ). Estas três Gun’as são como três ladrões que viviam numa floresta. Uma vez eles encontraram um senhor que não sabendo o caminho se perdeu na floresta. Um ladrão algemou este senhor. “Quem é você?” perguntou o senhor. “Eu sou Tamogun’a” respondeu o ladrão. O segundo ladrão acercou-se do senhor e encontrou-o retorcendo-se em dor. Desatou suas algemas. O Senhor perguntou-lhe quem ele era. Ele disse que era “Rajogun’a”. O terceiro ladrão (sattvaguna) encontrou o Senhor e comoveu-se com sua condição. “Se você for nesta direção você chegará a cidade, a cidade da luz, de Bhágavata Dharma. Nós somos ladrões e não podemos ir à cidade da luz, de Bhágavad Dharma”.
         Siga seu Svadharma. Mesmo que seja difícil seguir seu Svadharma e fácil seguir seu Paradharma, você não deve deixar seu Svadharma, seu Bhágavata Dharma. Aqueles que seguem Paradharma movem-se em direção à crudificação. Se você deseja livrar-se da tristeza, siga Bhágavata Dharma.

                                                                           P.R.Sarkar Patna,23/08/78. (Manhã)
Publicado em:
Ánanda Vacanámrtam Part 1
Discourses sobre Krśńa e o Giitá [uma compilação]

23/06/2012

GURUSAKÁSHA - GURU KRPÁHI KEVALAM


“Prátah shirasi shukle’abje Divinitram’ dvibhujam gurum Barábhaya krtahastam’ Smarettam’ námapúrvakam.” 
 *******
Pela manhã, você medita na figura do Guru em um lotus branco no guru cakra, em posição de Barábhaya Mudra, seu amigo de fato e seu benfeitor.”
                                              Shrii Shrii Ánandamúrti

14/05/2012

DEMOCRACIA ECONÔMICA


            Quase todos os países do mundo chegaram a algum tipo de estrutura democrática. A democracia liberal se estabeleceu em certos países, entres os quais EUA, Inglaterra, França e Canadá, enquanto que na [ex-]União Soviética, China, Vietnã e Europa Ocidental a democracia socialista é o sistema dominante. A condição do povo em países liberais democratas (ditos democráticos) não é tão miserável como em países comunistas, porque em países comunistas, o sistema político e econômico é imposto à sociedade por autoridades do partido, causando sofrimentos humanos indescritíveis e severa exploração psico-econômica. Ambas, a democracia e a social-democracia, podem ser consideradas formas de democracia política, porque esses sistemas são baseados em centralização política e econômica.


Democracia Política

            Em todos os países onde a democracia está em vigor, o povo tem sido lesado ao acreditar que não há melhor sistema do que a democracia política. A democracia política sem dúvida garantiu o direito ao voto, mas tomou o direito de igualdade econômica. Conseqüentemente, há uma flagrante disparidade entre ricos e pobres, imensa desigualdade no poder de compra do povo, desemprego, falta crônica de alimento, pobreza e insegurança na sociedade.
            O tipo de democracia prevalecente na Índia também é a democracia política, e este provou ser um sistema singular de exploração. A constituição indiana foi criada por três grupos de exploradores: os imperialistas britânicos, os imperialistas indianos e os partidos governantes que representavam os capitalistas indianos. Todas as disposições da constituição indiana foram moldadas de acordo com os interesses desses oportunistas. Simplesmente para enganar as massas, o povo foi agraciado com o direito de sufrágio universal. Milhões de indianos são pobres, supersticiosos, analfabetos; ainda assim os exploradores, através de práticas como fazer falsas promessas, intimidação, abuso grosseiro do poder administrativo e voto fraudulento, repetidamente conquistam o eleitorado. Esta é a farsa da democracia. Uma vez que eles formam o governo, eles têm amplas oportunidades de se envolver em excessiva corrupção e tirania política por cinco anos. Nas eleições subsequentes - seja em nível de município ou de estado - o mesmo absurdo é repetido.
            Esse tipo de oportunismo político tem continuado na Índia desde a independência. Nos últimos 35 anos os partidos políticos convenceram-se de que para obter igualdade econômica com os países industrialmente desenvolvidos da Europa, a Índia precisa seguir o sistema democrático. Para apoiar este argumento, eles citam os exemplos de EUA e Grã-Bretanha ou China e [ex-]União Soviética. Os políticos compelem o eleitorado a votar a seu favor na época das eleições, propagando a plataforma de que a massa faminta do país poderá colher os benefícios de uma economia desenvolvida. Mas, uma vez que as eleições passam, a exploração das massas continua desenfreada com a roupagem de democracia política, e outras áreas da vida social são totalmente negligenciadas. Hoje milhões de cidadãos indianos estão privados dos requisitos básicos da vida e lutam por alimento, vesiuário, habitação, educação e tratamento médico apropriados, enquanto uma minoria esbalda-se em riqueza e luxo.
            Um dos mais óbvios defeitos da democracia é que a votação está baseada no sufrágio universal. Ou seja, o direito de votar depende da idade. Uma vez que as pessoas atingem uma certa idade, assume-se que elas tenham a capacidade apropriada para pesar os prós e os contras nos temas de uma eleição e selecionar o melhor candidato. Mas há muitas pessoas com a idade acima daquela estabelecida como limite para a votação que têm pouco ou nenhum interesse em eleições e não estão familiarizadas com os temas sociais ou econômicos. Em muitos casos, elas votam mais no partido do que no candidato e são influenciadas pela propaganda eleitoral ou pelas falsas promessas dos políticos. Aqueles que não alcançaram a idade de votar são, freqüentemente, mais aptos a selecionar o melhor candidato do que aqueles que têm o direito ao voto. Portanto, a idade não deveria ser o critério para o direito ao voto.
            Normalmente, se um candidato se elege ou não, isto depende de mobilização partidária, patrocínio político e doações eleitorais. Em alguns casos também depende de práticas anti-sociais. Em todo o mundo, o dinheiro desempenha um papel dominante no processo eleitoral e, em quase todos os casos, somente aqueles que são ricos e poderosos podem ter a esperança de conquistar um cargo político. Naqueles países onde a votação não é compulsória, somente uma pequena percentagem da população participa do processo eleitoral.
            Os pré-requisitos para o sucesso da democracia são: moralidade, educação e consciência político-socioeconômica. Em particular, os líderes precisam ser pessoas de caráter elevado, caso contrário o bem-estar da sociedade será prejudicado. Mas hoje, na maioria das democracias, pessoas de caráter duvidoso e com interesses escusos são eleitas para o poder. Mesmo bandidos e assassinos candidatam-se à eleição e formam o governo.
            Em quase todos os países do mundo falta a consciência política às massas. Políticos astutos e eruditos tiram vantagens desta deficiência para confundir as pessoas e alcançar o poder. Eles recorrem a práticas imorais, tais como suborno, propaganda de boca de urna, roubo de urnas e compra de votos e permanecem sem oposição nas eleições. Conseqüentemente, o padrão de moralidade na sociedade está diminuindo e as pessoas honestas e competentes estão relegadas a segundo plano. Líderes moralistas têm menores chances de vencer eleições, porque os resultados eleitorais são fraudados através de expedientes financeiros, intimidação e força bruta. No sistema democrático atual, são dadas oportunidades a toda sorte de práticas imorais e corruptas para perverter a sociedade. A própria natureza do presente sistema é favorecer os capitalistas e submeter o governo a forças imorais e corruptas.
            A farsa da democracia assemelha-se a um teatro de fantoches onde uma meia dúzia de políticos ávidos de poder manipulam os cordões por detrás da cena. Nas democracias liberais, os capitalistas manipulam a mídia de massa, tais como rádio, televisão e jornais, enquanto nas democracias socialistas os burocratas levam o país à beira da destruição. Em ambas as formas de democracia, há poucas chances de que líderes honestos e competentes surjam na sociedade e virtualmente não há nenhuma possibilidade de liberação econômica para o povo. A democracia política tornou-se um grande embuste para as pessoas, em todo o mundo. Ela promete o advento de uma era de paz, prosperidade e igualdade, mas na realidade ela cria criminosos, encoraja a exploração e arremessa as pessoas comuns num abismo de tristeza e sofrimento.
            Os dias da democracia política estão contados. PROUT exige a democracia econômica, não a democracia política. Para fazer com que a democracia seja bem-sucedida, o poder econômico deve estar nas mãos das pessoas comuns e os requisitos básicos da vida devem ser garantidos a todos. Esta é a única maneira de assegurar a liberação econômica do povo. O slogan de PROUT é: "Para acabar com a exploração nós exigimos a democracia econômica, e não a democracia política". 
  
Descentralização Econômica

            Na democracia econômica, o poder político e o poder econômico formam uma bifurcação. Isto é, PROUT prega a centralização política e a descentralização econômica. O poder político deve ficar a cargo de moralistas, mas o poder econômico deve ficar a cargo das pessoas do local. A principal meta do governo consiste em remover dificuldades e obstáculos que impeçam o povo de obter os requisitos econômicos. O objetivo universal da democracia econômica é garantir as necessidades mínimas da vida a todos os membros da sociedade.
            A natureza tem sido suficientemente caridosa em suprir com recursos naturais abundantes cada região desta terra, mas ela não deu as diretrizes de como distribuir estes recursos entre os membros da sociedade. Esta obrigação foi deixada a critério da inteligência dos seres humanos. Aqueles que são guiados por desonestidade e egoísmo e têm mentes perversas fazem mau uso destes recursos e os utilizam para seus interesses individuais ou de grupo, ao invés de os utilizar para o bem-estar de toda sociedade. Os recursos materiais são limitados, mas os anseios humanos são ilimitados. Por esta razão, para que todos os membros da sociedade vivam em paz e prosperidade, os seres humanos devem adotar um sistema que assegure a máxima utilização e a distribuição racional de todos os recursos. Para alcançar isto, os seres humanos devem estabelecer-se na moralidade e então criar um ambiente propício ao florescimento da moralidade.
            Descentralização econômica significa produzir para o consumo, e não produzir para o lucro. A descentralização econômica não é possível sob o capitalismo, porque a produção capitalista sempre procura maximizar o lucro. Os capitalistas invariavelmente produzem ao custo mínimo e vendem ao preço máximo. Eles preferem a produção centralizada, o que leva a disparidades econômicas e desequilíbrios na distribuição da população. [Nota: no caso do Brasil, um exemplo é o êxodo rural causado pelos grandes agronegócios exportadores.] Na descentralização econômica de PROUT, por outro lado, a produção é para o consumo e as necessidades mínimas da vida serão garantidas a todos. Todas as regiões terão as condições plenas de desenvolver seu potencial econômico, de modo que os problemas referentes a população flutuante ou superpopulação em centros urbanos não surgirão.
            A menos que alcance os níveis ideais de desenvolvimento da indústria e dos outros setores da economia, um país não poderá se tornar altamente desenvolvido. Se um país tiver pessoas empregadas no setor agrícola numa percentagem que exceda o nível ideal, que é de 30 a 45%, haverá pressão excessiva no campo. Tal país não poderá tornar-se altamente desenvolvido, nem tampouco haverá desenvolvimento equilibrado e descentralizado em todos os setores da economia. A Índia é um clássico exemplo disto. Cerca de 75% da população da Índia depende da agricultura para sua sobrevivência.
            Em alguns países democratas, tais como o Canadá e a Austrália, uma grande percentagem da população está empregada na agricultura e embora esses países sejam considerados desenvolvidos na agricultura, eles dependem de países industrialmente desenvolvidos, porque eles próprios são industrialmente sub-desenvolvidos. Por exemplo, o Canadá tem sido tradicionalmente dependente dos EUA, e a Austrália, da Grã-Bretanha.
            No que diz respeito à Índia, enquanto cerca de 75% da população estiver empregada na agricultura, a insuportável condição econômica do povo irá continuar. Qualquer país que se situe em tais condições achará muito dificil cumprir suas responsabilidades domésticas e internacionais. O poder de compra do povo continuará diminuindo, enquanto que a disparidade econômica continuará aumentando. O ambiente social, econômico e político de todo o país irá se degenerar. A Índia é um claro exemplo de todos essas deficiências. Logo, descentralização econômica não significa que a maioria da população venha a ser dependente da agricultura como meio de vida ou que outros setores da economia permaneçam subdesenvolvidos. Preferivelmente, cada setor da economia deve empenhar-se por um máximo desenvolvimento e todos os setores devem empenhar-se por uma descentralização máxima.
            Em todos os países democráticos do mundo, o poder econômico está concentrado nas mãos de alguns indivíduos e grupos. Nas democracias liberais o poder econômico é controlado por uma meia dúzia de capitalistas, enquanto que nos países socialistas o poder econômico está concentrado num pequeno grupo de líderes de partido. Em cada caso, uma meia dúzia de pessoas - o número pode ser facilmente contado na ponta dos dedos - manipula a riqueza econômica de toda a sociedade. Quando o poder econômico estiver depositado nas mãos do povo, a supremacia deste grupo de líderes será extinta, e os partidos políticos serão destruídos para sempre.
            As pessoas terão de optar entre democracia política ou democracia econômica. Isto é, elas terão de escolher um sistema socioeconômico baseado ou numa economia centralizada, ou descentralizada. Qual delas elas irão selecionar? A democracia política não pode preencher as esperanças e aspirações do povo ou proporcionar a base para construção de uma sociedade humana forte e saudável. A única maneira de alcançar isto é estabelecer a democracia econômica. 

Requisitos para a Democracia Econômica
            O primeiro requisito para democracia econômica é que as necessidades mínimas de uma determinada época - alimento, vestuário, habitação, educação e tratamento médico - devem ser garantidas a todos. Isto não apenas é um direito individual, mas também uma necessidade coletiva, porque a disponibilidade das necessidades mínimas aumentará a prosperidade global da sociedade.
            O segundo requisito para a democracia econômica é que um poder de compra crescente deve ser garantido a todo e qualquer indivíduo. Na democracia econômica as pessoas do local possuirão o poder econômico. Conseqüentemente, as matérias-primas locais serão usadas para promover a prosperidade econômica das pessoas do local. Isto é, as matérias-primas de uma "unidade socioeconômica" não devem ser exportadas para outra unidade. Ao invés disto, centros industriais devem ser construídos onde quer que as matérias-primas estejam disponíveis. Isto criará indústrias para o processamento de matérias-primas disponíveis no local e assegurará o pleno emprego para todo o povo da região.
            O terceiro requisito para a democracia econômica é que o poder de tomar todas as decisões econômicas deve ser colocado nas mãos das pessoas do local. A liberação econômica é um direito inato de todo indivíduo. Para obtê- la, o poder econômico deve estar colocado nas mãos de pessoas da região. Na democracia econômica as pessoas do local terão o poder para tomar todas as decisões econômicas, para produzir as mercadorias com base nas necessidades coletivas e para distribuir todas as mercadorias agrícolas e industriais.
            O quarto requisito para uma democracia econômica é que os imigrantes devem ser rigorosamente impedidos de interferir na economia local. [Nota: O termo “imigrantes” é usado aqui por Sarkar para referir-se àquelas pessoas que não aceitam unir seus interesses socioeconômicos com os da região em questão, sejam nascidas ali ou não. Por outro lado, quem aceitar isso será considerado como “pessoa do local”, independente de onde tenha nascido.] A evasão de capital do local deve ser interrompida com uma rigorosa prevenção quanto à participação de imigrantes ou de populações flutuantes em qualquer tipo de atividade econômica na área local.
            Para o sucesso da democracia econômica, PROUT deve ser implementada e o bem-estar de todas as pessoas deve ser aumentado passo a passo. Isto por sua vez conduzirá os seres humanos a maiores oportunidades de emancipação espiritual.
            Finalmente deve ser lembrado que a democracia econômica é essencial não só para a liberação econômica dos seres humanos, mas para o bem-estar universal de todos - incluindo plantas e animais. A democracia econômica planejará maneiras e meios para efetuar o suave progresso da sociedade, reconhecendo o valor único tanto de seres humanos como de seres não-humanos.
P.R.SARKAR - Calcutá, junho de 1986. 
[Prabhat Ranjan Sarkar. Democracia Econômica – Teoria da Utilização Progressiva. Cap. 22: Democracia Econômica. São Paulo: Ananda Marga Publicações, 1996 (1992).]

KIIRTANA FROM SHRII SHRII ÁNANDAMURTIJII BY SOJHA

Orange' Colours of the Mind

05/05/2012

Guru Krpáhi Kevalam

Tem sido dito, "Guru krpáhi kevalam". Também foi dito que "Brahmaeva gururekha náparah". Você sabe que na palavra "guru", há duas sílabas, "gu" e "ru". "Gu" significa "escuridão"; escuridão na vida espiritual, escuridão no estrato psico-espiritual. E "ru" significa "entidade dissipadora". "Guru" significa a entidade que dissipa todos os tipos de escuridão de seus corpos espirituais e psíquicos.

Táraka Brahma é o único guru, e ninguém mais pode ser o guru.

Nirgun'a não tem objetividade. Assim, Nirgun'a não mantém qualquer relação com este mundo. Assim, a Entidade Nirgun'a, assim como é, não pode ser o guru. E Sagun'a está sob certas amarras. Então Saguna não pode ser o guru.

 

O guru deve ser como Nirgun'a, porém tendo uma doce ligação com esse mundo expressado. E nenhuma outra entidade poderá ser o guru, pode ser o dissipador da escuridão de seu espírito e mente.

"Guru krpáhi kevalam" significa "Brahma krpáhi kevalam."

O que é krpá? Em Sânscrito, o verbo raiz é "kr". "Kr" significa ajudar alguém em seu próprio progresso, mesmo quando não a mereça. Então, se alguém a merece, isto é, se alguém tem a qualificação para conseguir se desenvolver plenamente totalmente exaltado, então, nesse caso não há necessidade de krpá, não há necessidade de ajuda de Táraka Brahma. Mas quando a pessoa não merece isso, quando não tem a qualificação para o desenvolvimento, e ainda assim é ajudado, esse tipo de ajuda é chamado de "krpá".

Agora, você pode dizer, todo esse cosmos, toda a criação, tudo o que você vê ou sente, tudo é criação d'Ele. Então, por uma questão de imparcialidade Ele deveria ajudar a todos. Ou seja, Sua krpa deveria ser para todos. Por que deveria haver um caso especial. Eu já disse tantas vezes que não deveria haver nenhum caso especial. Onde quer que exista um caso especial, existe um favoritismo. Então não deveria haver qualquer caso especial. Então não deveria haver qualquer krpa para ninguém. Todos deveriam ser tratados igualmente. Se Parama Purus'a ajuda a alguém em especial, Ele está manifestando parcialidade.

Agora, há algo a dizer a este respeito. As filosofias dizem que a Entidade Suprema criou tudo, e que então Ele pertence a todos, e todo mundo Lhe pertence. Mas um aspirante espiritual que desenvolveu amor por Ele não vai aceitar esse filosófico evangelho em sua vida pessoal. Ele diz: "Deixem existir tantos princípios, tantas lógicas e filosofias; mas eu não sou guiado por esses textos filosóficos. Eu sou guiado por meus próprios sentimentos". E o que é esse sentimento de amo que o aspirante espiritual desenvolveu por Ele? Ele diz:

"Deus é meu e Ele pertence somente a mim, e a mais ninguém, e eu pertenço somente a Ele e a mais ninguém. Ou seja, meu Deus é minha propriedade e eu não quero compartilhar esta propriedade pessoal com qualquer segundo indivíduo".

Então, quando tal forte sentimento de amor foi desenvolvido, há certamente forçar nele. Devido esta força, é que o homem pobre e fraco O atrai e Ele não pode negligenciar este homem. Essa atração é mil vezes mais forte do que os evangelhos de filosofia. Se Ele for atraído por tal sentimento amoroso, então ele estará em falta? Certamente que não. E todo mundo tem o direito de atraí-Lo dessa forma. Por que não fazê-lo?

E a segunda coisa é que, mesmo em condições normais Ele está distribuindo Sua compaixão em cada partícula deste universo. Ele está banhando-nos com Sua compaixão, sem distinção de casta, credo, nacionalidade ou religião.

Mas o que acontece? Há um chuveiro, um grande chuveiro da compaixão sobre cada um e todos, mas se durante esse banho você segurar um guarda-chuva sobre sua cabeça, você não vai ser encharcado. Então a culpa é o do chuveiro? Certamente que não. A culpa está na sua mão e no seu guarda-chuva de vaidade, e é por isso que você não está encharcado pela compaixão, por aquela krpa. Ele não tem culpa. Então o que devemos fazer? Você deve remover o guarda-chuva da vaidade de sua cabeça, e então você será encharcado, totalmente encharcado por Sua compaixão universal.

Ninguém mais é o guru. Táraka Brahma é o único guru. 

E a segunda coisa - não há alternativa a não ser orar, pedindo para fazer sadhana, para obter Sua compaixão e atraí-Lo por meio desta força amorosa, desta resistência amorosa dentro do seu coração.

P.R. Sarkar - 09 de setembro de 1978, Patna - Ananda Parte 2 Vacanámrtam

Guru Krpáhi Kevalam

It has been said, “Guru krpáhi kevalam”. It has also been said that “Brahmaeva gururekha náparah”. You know in the word “guru”, there are two syllables, “gu” and “ru”. “Gu” means “darkness”; darkness in spiritual life, darkness in psycho-spiritual strata. And “ru” means “dispelling entity”. “Guru” means the entity that dispels all sorts of darkness from your spiritual and psychic bodies.
Táraka Brahma is the only guru, and nobody else can be the guru.
Nirguńa has no objectivity. Hence, Nirguńa does not keep any link with this world. So the Nirguńa Entity, as it is, cannot be the guru. And Saguńa is under certain bondages. So Saguńa cannot be the guru.

The guru should be just like Nirguńa, but keeping a sweet link with that expressed world. And no other entity can be the guru, can be the dispeller of darkness from your spirit and mind: “Guru krpáhi kevalam” means “Brahma krpáhi kevalam.”

What is Krpá? In Saḿskrta, the root verb is “kr”. “Kr” means to help one in one’s progress even when one does not deserve it. So if one deserves it, that is, if one has the qualification to get oneself fully developed and fully exalted, then in that case there is no necessity of krpá, there is no necessity of help from Táraka Brahma. But when one does not deserve it, when one has not got the qualification for development, and still one is helped, that sort of help is called “krpa”.

Now you may say, this entire Cosmos, all the creation, everything that you see or feel, everything is His creation. Then for the sake of impartiality He should help all. That is, His krpá should be for all. Why should there be a special case. I have said so many times that there should not be any special case. Wherever there is a special case, there is favouritism. So there should not be any special case. So there should not be any krpá for anybody. Everybody should be treated equally. If Parama Puruśa helps somebody specially, the He is supporting partially.

Now there is something to say in this connection. The philosophy says that the Supreme Entity has created everything, so He belongs to everybody, and everybody belongs to Him. But a spiritual aspirant who has developed love for Him won’t accept this philosophical gospel in his personal life. He says, “Let there be so many principles, so much logic and philosophy; I am not to be guided by those philosophical texts. I am to be guided by my own feelings”. And what is that feeling of that spiritual aspirant who has developed love for Him? He says, “God is mine and He belongs to me only, and to nobody else, and I belong to Him only and to nobody else. That is, my God is my personal property and I don’t want to share this personal property with any second individual”.

So, when such a strong sentiment of love has developed, there is certainly force in it. By dint of that force, that poor and weak man attracts Him and He cannot neglect that man. That attraction is a thousand times stronger than the gospels of philosophy. If He is attracted by such loving sentiment, then is He at fault? Certainly not. And everybody has the right to attract Him like this, Why don’t you do it?

And the second thing is that even under normal conditions He is showering His compassion on each and every particle of this universe. He is showering His compassion without distinction of caste, creed, nationality or religion.

But what happens? There is a shower, a heavy shower of compassion on each and everybody, but if during that shower you hold an umbrella over your head, you won’t be drenched. So is the fault that of the shower? Certainly not. The fault is with your hand and with your umbrella of vanity; and that is why you are not drenched by that compassion, by that krpá. He is not at fault. Then what are you to do? You are to remove that umbrella of vanity from your head, and then and there you will be drenched, fully drenched, by His universal compassion.

Nobody else is the guru. Táraka Brahma is the only guru. And the second thing – there is no alternative but to pray, but to request, but to do sádhaná, to get His compassion and attract Him by dint of that loving force, that loving stamina within your heart.

P.R. Sarkar - 

9 September 1978, Patna - 

Ánanda Vacanámrtam Part 2

22/04/2012

What Is Dogma?



Our subject of discussion yesterday was action, the reaction of action, and doership.(1) In that connection, I explained what Parama Puruśa can do: what are the actions He performs directly and what are the actions He gets done through His agents. In this context a fundamental question arises – what are the steps Parama Puruśa adopts to redeem so-called sinners? People say that when sinners and evil-doers come under the shelter of Parama Puruśa, they attain salvation. Now if people can be redeemed from sin, intellectuals may naturally ask a question: “How to attain that salvation?”



You all know that the most detrimental thing for human society and human progress is dogma. What is dogma? Where there is no logic, where there is no support of intellectuality, where there is no debate and free discussion, but there is only a severe imposition forcing people to accept something, there is dogma. What type of people preach this sort of dogma? The answer is: the blind followers of religion. It is quite natural for the followers of religion to say all kinds of dogmatic things. That is why people say that there is no room for logic in religion. But genuine dharma is completely based on logic and supported by intellectuality. In the case of dharma, people are convinced by logic; and people analyse and accept it after free and frank discussion and accordingly start moving in the path of life. The question is: how can people follow something which is not properly understood by them? And another question is: can one get redemption from sins, or not? It is said:

Nábhuktaḿ kśiiyate karma kalpakot́ishataerapi;
Avashyameva bhoktavyaḿ krtaḿ karma shubháshubham.

“Unless one undergoes the requitals of one’s mental reactive momenta – good requitals to good actions, bad requitals to bad actions – one cannot attain liberation.” Avashyameva bhoktavyaḿ krtaḿ karma shubháshubham – “whether an action is good or bad, the reaction must be experienced.” Then, if one is bound to undergo a bad reaction to a bad action, how can one hope to be redeemed from sin, because we already know that the reactions of sins must be required? But Lord Krśńa declared, by way of consoling human beings: “However durácárii or sudurácárii a person may be, if he or she comes under My shelter I will certainly save him or her from all sins. I will help him or her to attain liberation or salvation.” Here durácárii means a sinner, a person whose actions are opposed to ideology, whose thoughts and activities are opposed to morality, justice and the spirit of dharma. And sudurácarii means a person whom even the durácáriis consider a sinner, and whose company they will try to avoid.

Are not these two things self-contradictory? On the one side it is said that one must reap the consequences of actions, and on the other side people are advised to take the shelter of Parama Puruśa to attain salvation. Is this also a dogma?

This is a knotty question indeed. Now the question is, who performs action? It is the human mind which performs action.

Mana eva manuśyáńáḿ kárańaḿ bandhamokśayoh;
Bandhasya viśayásaungii mukto nirviśayaḿ tathá.

Mano karoti karmáńi mano lipyate pátako;
Manashca tanmaná buddhayá na puńyaḿ na ca pátako.

“It is the human mind which is the cause of bondage or liberation. If the mind is in bondage, the person is also in bondage. Similarly, if the mind is liberated the person is also liberated. After all, it is the human mind which engages in auspicious actions. Now, if this mind is kept engrossed in the ideation of Parama Puruśa, then it gets totally merged in Consciousness. In that case, where is the scope for virtue or vice for that person?”

If an ordinary sinner or a confirmed sinner remains absorbed in the thought of Parama Puruśa to the exclusion of all other thoughts, then his or her mind becomes pointed. This is called agryábuddhi [pinnacled intellect] in Sanskrit. In that state of mind the spiritual aspirant gets well established in pinnacled intellect. Unless and until the ordinary human intellect is elevated to the level of pinnacled intellect or apexed intellect, the continuous rise and fall of innumerable vibrations within one’s existence continues. These psychic vibrations are sometimes the vibrations of virtue, sometimes the vibrations of vice, sometimes the vibrations of the reaction of sinful deeds, sometimes of virtuous deeds. Unless the human mind is pointed, this rise and fall of antagonistic psychic vibrations will go on. The moment the mind is centred on Parama Puruśa, then that mind will naturally become pointed. In that state there is no scope for the rise and fall of any wave – neither the wave of virtue nor the wave of vice. Thus it is said that when a spiritual aspirant is established in pinnacled intellect, there cannot be any question of virtue and vice. A person who has taken the Cosmic shelter goes far above the scope of virtue or vice. This is something very natural.


And thus so-called sinners and evil-doers should not be worried at all. Krśńa has rightly said, “If even a diehard criminal comes in My shelter, I will save him or her from all sins; I will see to it that the person attains liberation or salvation. Hence no one, no spiritual aspirant – however black or despicable one’s past life might be – should be worried about anything.” This statement of Parama Puruśa is unalterable, inviolable. This statement is neither a philosophical assertion nor any dogma. Then what sort of statement is it? It is clear and simple. It conveys the idea that human beings should not be anxious under any circumstances, Parama Puruśa is always with everyone. If one has love for Parama Puruśa, the door of liberation or salvation will immediately open.

Footnotes

(1) “Karma, Karmaphala o Kartrttva” in Ánanda Vacanámrtam Part 19. –Eds.
     P. R. Sarkar/16 May 1980, Varanasi 

Quem sou eu ?