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05/03/2015
23/02/2015
PRIMEIROS ANOS E MINHA INICIAÇÃO
Quando
revejo os 36 anos de convivência com o meu Guru, Bábá, muitas coisas me vêm à
mente. Ele me abençoou com experiências espirituais maravilhosas. As palavras
parecem ser inadequadas para descrever a bem-aventurança que ele me deu. Muitas
experiências são extremamente pessoais para serem reveladas. No entanto, farei
o melhor possível para narrar a minha vida espiritual com Bábá, no interesse de
todos e especialmente dos que buscam a espiritualidade.
Nasci
em junho de 1919. Quando menino, eu era muito magro e frágil. Tinha gênio
perverso e vivia arrumando encrencas. Certa vez, eu fui derrotado em uma briga,
diante de muitos espectadores. Isto me desmoralizou. No colégio, também era um
fracasso.
Aos
treze anos de idade, tinha um pequeno defeito físico, e minha timidez me
impedia de contar isso a alguém. Então, por intuição tive a idéia de praticar ásanas
(posturas de ioga) para curar esse problema, só que não sabia como começar.
Pela
graça de Deus, um senhor me perguntou se eu queria aprender ásanas.
Fiquei contente com sua oferta e aceitei. Bastante satisfeito, aprendi várias
posturas, as quais praticava diariamente com exagerado interesse. Mesmo depois
de meu problema ter desaparecido, continuei a praticar ioga, porque me sentia
mais saudável e mais forte.
Exatamente
um mês depois, me veio a idéia de começar a meditar diariamente. Queria saber
em que parte do corpo deveria me concentrar, durante minha meditação. A
resposta intuitiva me dizia que eu deveria me concentrar na parte do corpo mais
preciosa para mim. Decidi que seria o coração: a parte mais querida. Então,
comecei a meditar fixando-me em meu anahata cakra, o centro psíquico
situado no tórax.
Na
escola eu era o aluno mais fraco. Sentia-me tão frustrado que queria abandonar
os estudos. Pedi a meu tio, que era meu tutor, permissão para sair da escola,
mas ele a recusou. Eu queria ser um grande homem, então, me dei conta de que,
se abandonasse os estudos, provavelmente, não poderia alcançar esse objetivo.
Decidi permanecer na escola, e, embora o meu aproveitamento fosse péssimo, continuei
a praticar ásanas e meditação.
Após
alguns meses, me veio a idéia de renunciar a tudo, queria deixar todas as
coisas mundanas e tornar-me um sannyásii, como os santos de quem tinha
ouvido falar. Decidi que deixaria a minha casa na manhã seguinte, às 4 horas da
manhã, para nunca mais voltar.
Mas
quando o momento chegou, fiquei com medo. Para onde deveria seguir? Eu nada
sabia sobre a vida dos sannyásiis, e ainda era um menino. Não sabia o
que fazer àquela hora da manhã, bem cedo. Pedi a Deus que por favor me
liberasse da minha promessa, pois eu não poderia adotar esse novo sistema de
vida. Espontaneamente, disse que iria para Ele quando eu tivesse 45 anos.
Depois
disso, minha vida mudou. Sem tomar uma decisão consciente, me tornei
intelectual. Era como se a força obtida da prática espiritual fosse reconduzida
para os estudos.
Comecei
a estudar profundamente e passei a ter grande interesse pelos estudos. Comecei
a melhorar na escola. Fiquei mais sério, calmo e quieto. Embora não tivesse
dado conta do fato, minha vida tinha melhorado de forma extraordinária, porque
estava praticando ásanas e meditação.
Comecei
a adquirir as virtudes de sempre: falar a verdade e não causar danos aos
outros. Comecei a dormir no chão e não mais na cama. Evitei todos os maus
hábitos e segui uma vida de disciplina e trabalho árduo. Comecei também a
perceber a graça de Deus. Estas mudanças assombraram os meus colegas e
familiares.
Comecei
a jejuar nos dias ekadashi (o 11° dia após a lua cheia e lua nova), esta
prática espiritual é amplamente reconhecida na Índia, mas às vezes eu adoecia e
tinha outros problemas físicos. Pensei que talvez isto fosse causado pelo
jejum, então, suspendi a prática depois de alguns meses.
Quando
entrei para o curso secundário, também parei de meditar e fazer ásanas,
pois o ambiente não era propício. Porém, a minha vida de trabalho árduo e a
sede de estudar continuaram.
Por
causa dessas experiências, acredito agora que, na vida espiritual, só podemos
seguir sozinhos até uma certa distância, mas com um guia espiritual é possível
termos sucesso. Se eu tivesse um Guru àquela época, teria continuado as minhas
práticas espirituais sem interrupção. (Voltei a jejuar nos dias ekadashii mais
tarde, em 1956, após ler Caryácarya, um dos livros de Bábá, no qual Ele
recomenda o jejum para uma vida longa e o desenvolvimento espiritual. Fiquei
muito satisfeito de receber essa instrução.)
Sempre
que algum iogue ou santo visitava nossa cidade para falar de espiritualidade,
eu ia ouvi-lo. Muitos deles me pediam que os seguisse, então, eu lhes
perguntava: “Você tem solução para a falta de alimentos para o povo da Índia?
Se tiver, eu me juntarei à sua missão”. Como ninguém tinha, dei continuidade
aos meus estudos.
Após
ter completado os estudos, fui trabalhar no Departamento Central de Tarifas e
Aduana, em 1944, aos 25 anos.
Uma tarde,
ainda no meu primeiro ano de trabalho, fui caminhar com um colega. Estávamos na
confluência do rio Ganges com o rio Kosi, perto de Kursela, na província de
Bihar. Esse lugar é considerado um ponto espiritual pelo povo da Índia. A tarde
estava muito calma e bonita.
Meu
colega me falou sobre um grande espiritualista da Índia, sobre o qual comentou
que fazia coisas maravilhosas. Perguntei então quem era esse grande iogue e
onde ele morava, mas meu amigo não sabia.
Atualmente
está bem nítida para mim a definição do meu colega. O próprio Bábá estava me
atraindo para ele.
Sempre
que alguém tiver um desejo sincero de um mestre espiritual, isto será
satisfeito pela Entidade Cósmica.
Dez
anos mais tarde, em 1954, ao trabalhar em Purnia, Bihar, encontrei Naginajii,
que era superintendente de Departamento. Eu tinha grande respeito por ele, pois
tinha ouvido meus colegas falarem sobre a sua generosidade, bondade e destemor.
Ele também aparentava gostar de mim. Foi a primeira pessoa a me contar sobre
Bábá. Ele foi um dos primeiros discípulos de Bábá e era um dos mais ardorosos.
Naquela época, a Organização ainda não existia e não havia livros publicados.
Naginajii me aconselhou a tomar as lições de prática espiritual com Bábá.
Disse
a Naginajii que iria refletir e que decidiria depois. Preocupava-me ser
iniciado por esse Guru, pois teria que levar a sério os seus ensinamentos.
Percebi que deveria seguir estritamente o código de disciplina e ser muito
regular nas minhas práticas. Estava com medo de perder a minha liberdade.
Após
uns trinta dias, quando encontrei novamente com Naginajii, ele queria saber da
minha decisão sobre a sua proposta de aprender sádhaná. Eu ainda não
tinha me decidido. Porém, quando ele me perguntou, resolvi aceitar e
participar. Eu não podia me recusar. Disse-lhe, então, que estava pronto.
Naquela
época, era necessário obter permissão antecipada de Bábá para ter iniciação.
Naginajii me disse que iria escrever a Bábá para obter a minha permissão.
Após
alguns dias, veio uma resposta afirmativa, autorizando-me a receber a
iniciação. Ele me pediu que fosse a Jamalpur, uma cidade distante a nove horas
de viagem de trem, onde Bábá então vivia. Marcamos uma data.
Na
data marcada fui à estação. Na plataforma, encontrei alguns colegas que
disseram que Naginajii acabara de ser rebaixado do cargo de superintendente
para vice-superintendente. Eles contaram que a causa de seu rebaixamento foi
Bábá. Achei que Bábá estava sendo mal-agradecido com seu devoto. Esta notícia
me perturbou muito. Por isso, resolvi não ir à iniciação
Algum
tempo depois, Naginajii esteve comigo e perguntou por que eu não tinha ido.
Contei-lhe então o que tinha ouvido e falei-lhe da minha preocupação. Ele ficou
chateado e disse que aquilo não era verdade; que seus próprios samskaras
foram a causa de seu rebaixamento; e que era uma injustiça para com Bábá
culpar-Lhe pelo acontecido. Naginajii comentou que eu tinha errado ao perder o
encontro marcado para a iniciação com Bábá.
Pedi
desculpas e solicitei nova permissão para ir a Jamalpur.
Ele
me disse que poderia obter permissão mais uma vez, mas se eu faltasse de novo
não teria outra chance.
Então
Naginajii solicitou permissão de Bábá para que eu fosse. Shrii Bhavani
Shankarjii, de Patna, um grande amigo meu, e que era mais antigo que eu no
Departamento Aduaneiro, também conseguiu a permissão na mesma data. Fomos
juntos a Jamalpur. Estávamos no final do ano de 1954.
Jamalpur,
a cidade onde Bábá nasceu, era um local pacato e de uma paz maravilhosa para a
prática da meditação. Naquela época, Bábá era um funcionário da área
administrativa da Rede Ferroviária. Fomos aos seus humildes aposentos na Vila
Ferroviária.
Bábá
tinha então 33 anos. Ele parecia muito novo e esguio. Possuía uma personalidade
charmosa e atraente. Durante a iniciação, sentou-se numa cadeira e então me
ensinou a primeira e a segunda lição de sádhaná da Ánanda Márga.
Após
a iniciação, Bábá afetuosamente pediu que eu me sentasse em seu colo. Um pouco
relutante, eu disse: “Você é magro e eu sou gordo e pesado, assim vou lhe
causar problemas”; Bábá insistiu, então, sentei em Seu colo e Ele me abençoou.
Muitas
vezes vi Bábá olhar a Seus discípulos com mais amor do que um pai olha para
seus filhos, então, compreendi que lhe é totalmente adequado o nome espiritual
Shrii Shrii Ánandamúrtijii, que significa “A personificação da Bem-aventurança
que atrai a todos”.
As palavras não são o meio
mais adequado de expressão para descrever o meu sentimento interior por Bábá.
Sinto que posso expressar melhor a devoção a Ele através de gestos, posturas e
lágrimas. Na meditação profunda, quando o corpo se torna totalmente calmo e
quieto como uma estátua, nos damos conta de que Ele está além de todas as
palavras, todas as formas e todas as idéias.
Depois,
acompanhei Bábá numa caminhada. Eu pensava ter sido um grande homem na minha
vida passada. (Doze anos mais tarde, em 1965, quando me sentei com Bábá na
tumba do tigre em Jamalpur, Ele me disse que há 150 anos eu tinha levado uma
vida muito bem-aventurada com Ele em outro planeta. Eu não tinha nenhuma idéia
ou recordação desse fato afortunado. Só depois percebi, na minha sádhána,
o quanto aquilo significava termos de bem-aventurança).
Bábá
orientou-me para que aprendesse ásanas com o ácárya local. (Ele tinha
recém-designado os dois primeiros ácáryas de família). O ácárya
me passou algumas posturas. Aprendi com ele que dentre as 40.000 ásanas
existentes, Bábá selecionara apenas 42 para os aspirantes espirituais. A sua
prática regular corrige desequilíbrios glandulares e melhora a saúde em geral.
Em combinações diferenciadas, elas podem curar todas as doenças que impedem
nossa evolução espiritual.
Por
exemplo, a Shirásana (Postura da Bananeira) é muito popular hoje em dia,
mas ela danifica alguns nervos sensíveis no topo da cabeça, no sahásrára
cakra, e causa irritabilidade. Em substituição a ela, Bábá recomenda Sarvaungásana
(Postura da Vela) e Matsyamudra (Postura do Peixe). Estas posturas
possuem todos os benefícios da Shirásana, sem os seus efeitos colaterais.
O ácárya
explicou que, para praticar ásanas, eu deveria seguir estritamente a
dieta vegetariana; no que concordei imediatamente.
A
iniciação é extremamente importante. As escrituras de ioga dizem que há quatro
estágios na vida humana.
Janmaná jayate shudrah
Sam’skárát
dvijaucyate
Vedapátham’
bhavet vipra
Brahma
jánáti sah Bráhman’am
O primeiro estágio significa que ao nascer todos são shudras,
aquela pessoa cujo objetivo na vida é desfrutar do mundo material.
O
segundo estágio, o renascimento, é alcançado na iniciação, porque muitas
mudanças começam a acontecer. Aprendemos e começamos a seguir os princípios
morais de Yama e Niyama, que são:
1.
Ahims’á: Não infligir dor ou causar danos intensionalmente a
outros por pensamentos, palavras ou ações.
2.
Satya: Usar corretamente as palavras, tendo em vista o
bem-estar coletivo.
3.
Asteya: Não se apoderar do que pertence a outros, ou seja,
não roubar.
4.
Brahmacarya: Manter a mente absorta na Consciência Suprema, vendo
todas as pessoas, bem como outros seres vivos e objetos inanimados como
diferentes expressões do Supremo.
5.
Aparigraha: Não ser indulgente no gozo daquelas amenidades e
confortos desnecessários a preservação da vida.
6.
Shaoca: Manter a limpeza externa e a pureza mental interna
7.
Santos’a: Manter um estado de contentamento e tranqüilidade
mental.
8.
Tapah: Sacrificar-se ou penitenciar-se no serviço a outros.
9.
Svádhyáya: Estudar as escrituras espirituais para obter um entendimento
claro de seu verdadeiro significado.
10.Iishvara Pran’idhána:
Estabelecer-se na Idéia Cósmica, aceitando o Supremo como único ideal e
movendo-se com velocidade acelerada em direção a esse abrigo supremo.
Durante
a iniciação, aprendemos um mantra pessoal e uma técnica de meditação a ser
praticada regularmente duas vezes ao dia. Isto concentra a mente e expande-a em
direção à Consciência Suprema.
A
prática da meditação transforma a personalidade do indivíduo. Ele passa ter uma
concepção espiritual e gradualmente obtém equilíbrio emocional, compaixão,
visão universal, sabedoria e devoção. Ao mesmo tempo em que esta transformação
interna acontece nos damos conta do grande valor de satsaunga, companhia
de outros espiritualistas. Este convívio ajuda o sádhaka a manter um
ajuste entre o seu desenvolvimento interno e o mundo externo.
Quando
um aspirante espiritual estuda filosofia profundamente com sua nova compreensão
espiritual, ele alcança o terceiro estágio e se torna um táttvika —
aquele que conhece filosofia espiritual e pode ensiná-la a outros. Finalmente
ele torna-se um ácárya, que significa aquele que alcança o conhecimento
de Deus e que, com o próprio exemplo e conduta, ensina outros a se moverem em
direção à meta mais elevada.
Infelizmente,
esta escritura em particular tem sido deliberadamente mal-interpretada para
perpetuar o sistema hereditário de castas. Quando compreendida em seu
verdadeiro sentido, ela significa que mesmo uma pessoa humilde, tanto de
nascimento como profissionalmente, torna-se dvija, ou renascido, quando
inicia a prática espiritual.
Riqueza,
conhecimento, fama e posição são os critérios atuais de status de alguém. O que
distingue os seres humanos de todos os outros animais é a nossa consciência
mais elevada. Então o desenvolvimento da consciência deve ser nosso critério
para avaliar as pessoas.
Aquele
que aceita a orientação do Guru e se inicia na prática espiritual, começa uma
jornada interior para a auto-realização. É por isso que ele é chamado de pessoa
renascida e que merece o reconhecimento da sociedade como aquele que tem uma
consciência mais elevada que os não-sádhakas.
Mais
tarde Bábá me perguntou se eu, aos treze anos de idade, pensava que algum dia
iria existir uma sociedade na qual as pessoas seriam julgadas por seu padrão de
moralidade e espiritualidade. Eu afirmei que sim.
Jamais
contei a qualquer pessoa sobre isso, naquela época ou depois. Mesmo assim, Bábá
sabia meus pensamentos juvenis. Então disse a Bábá: “Naquela época, esta idéia
parecia só um desejo. Mas agora você a tornou realidade, na Ánanda Márga”. Bábá
sorriu.
Este
incidente me convenceu de que espiritualmente Bábá tem estado comigo desde o
início da minha vida e que ficará até o fim.
Acredito
que isto é válido para todos. Muitos anos mais tarde, na canção Prabhat
Sanguiita de número 1.103, Bábá disse:
Jiivanera prathama prabhate se chilo amarai sathe
Thakibe se sathe
sathe
Jiivanera shes'a khanete
“Ele estava comigo na primeira manhã da vida e Ele
permanecerá comigo até o fim da minha vida.”
Compreendo agora que a fase dos treze anos (a puberdade)
é a mais crucial, pois é quando surgem as mudanças naturais. Uma vez escutei de
Bábá que esta é a melhor idade para começar a vida de sannyásii, porque
todas as glândulas já se desenvolveram naquela idade. Isto traz mudanças
significativas no caráter e no comportamento da pessoa.
Acredito
que se as crianças forem bem cuidadas desde a concepção, elas podem fazer um
progresso enorme. Quanto mais nova é uma criança mais receptiva é sua mente.
Elas podem facilmente aprender o que lhes é ensinado.
Por
isso, pais e professores devem conduzir cuidadosamente as crianças nos planos
físico, mental e espiritual. Na verdade, a educação de uma criança começa ainda
no útero. A história de Abhimanyu do épico Mahábhárata é um exemplo
glorioso disto. Ele aprendeu muitos segredos da vida e da guerra ainda no
útero, ouvindo seu pai Arjuna dar explicações à sua mãe Subhadra.
Bábá
normalmente falava comigo de maneira muito informal. Todos percebiam que Ele
sempre agia como um perfeito cavalheiro.
Ele
generosamente nos transmitia constantemente conselhos valiosos. Pensamentos e
palavras benevolentes sempre fluíam de sua mente. Sua graça nos fascinava e eu
ansiosamente procurava entender tudo.
Bábá
ensinou-me que a persistência e a determinação são bons hábitos. Se ouvirmos
uma boa idéia devemos trabalhar arduamente até que ela seja concretizada, senão
ela será inútil. Persistência é essencial.
Ele
discursava freqüentemente sobre diferentes tópicos: literatura, filologia,
ciência, tecnologia, astronomia, astrologia, comércio, indústria, energia,
todas as diferentes escolas de filosofia, tantra, música, dança e muitas outras
coisas. Aqueles que dentre nós estavam por perto todos os dias, arrependem-se,
hoje, de não terem sido capazes de gravar tudo. Na verdade, parecia impossível
fazê-lo, pois também tínhamos muito trabalho para fazer na organização.
Sentia
como se Bábá estivesse tentando nos dar muitos litros de leite todos os dias,
mas nós só possuíamos uma caneca para guardá-lo, devido à estreiteza de nossas
mentes; nenhum de nós conseguia compreender e lembrar de tudo que Bábá dizia.
Então, Ele nos ensinou a expandir e aumentar nossas mentes com a prática de sádhaná,
serviço e sacrifício. Isto nos ajudou a utilizar mais os talentos de Bábá. Esta
é a nossa meta. Atualizar todos os conselhos de Bábá no campo físico, mental,
moral, social e espiritual para o benefício da humanidade.
MINHA VIDA ESPIRITUAL COM BÁBÁ - Acárya Shraddhánanda Avadhúta
29/01/2015
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25/10/2014
SÁDHANÁ, O AMIGO E A SERPENTE
Namaskar,
Toda manhã, quando acordado, via um rastro de cobra saindo, bem debaixo da minha cama e que silenciosamente deslizava para longe. Só depois de se reunir com o Sadguru Baba semanas depois que eu aprendi como e porque isso estava acontecendo.
Essa foi a experiência de Shyam Prasad Chakravarty, um professor da escola Ananda Marga em Ghatal. Aqui está mais da sua estória em primeira mão.
CADA MANHÃ AQUELA MESMA COBRA DESLIZAVA PARA LONGE.
Eu estava vivendo e lecionando em nossa escola Ananda Marga em Ghatal - era um edifício feito com lama, com um piso de barro e paredes de barro. Todas as manhãs, uma cobra surgia a partir de meus cobertores e ia embora. Isso era muito preocupante para mim. Todas as noites antes de dormir eu verificava meticulosamente a minha cama e tudo ao redor. Então eu prendia por todos os lados o meu mosquiteiro. Ele era fechado ao redor. No entanto, todas as manhãs, a mesma cobra deslizava para longe a partir da minha cama. De alguma forma, a cobra estava entrando em minha área de dormir, permanecendo ali durante toda a noite, e saindo de manhã.
Ela nunca me mordeu, nem assobiava por minha causa, no entanto, ela era muito preocupante para mim. Eu comecei a contar aos outros sobre isso e pedir seus conselhos. Alguns dos moradores locais e margiis sugeriram o uso de carbeto de química - um agente tóxico. Eu tentei, mas não obtive sucesso. Ainda assim, a cobra estava vindo. Eu não tinha idéia de como resolver a situação e estava muito perturbado por todo este assunto.
OPORTUNIDADE ABENÇOADA PARA VER BABA
O tempo passou e, um mês depois eu fui para prestar um relatório - todos me disseram que eu deveria procurar a ajuda de Baba sobre este assunto. Eu fui abençoado e tive a oportunidade de ver Baba.
Baba me perguntou como eu estava e eu disse que estava tudo bem. Eu sentia que não havia necessidade de dizer-lhe o meu problema, porque ele já está sabendo de tudo.
Então Baba disse: "Você está tendo um problema com uma cobra?"
Eu respondi: "Sim, Baba."
Então Baba explicou em detalhes o que estava acontecido.
VOCÊS ERAM AMIGOS DO PEITO.
Ele disse: "Quando você estava crescendo você tinha um amigo muito querido, Bankim. Como meninos, vocês dois costumavam fazer tudo juntos . Durante a escola, depois da escola, sempre vocês eram inseparáveis, vocês eram amigos do peito. Então, em 1984... , ambos foram iniciadas em Ananda Marga sadhana. Embora Bankin fosse um bom rapaz, ele não era regular em fazer sua sadhana. Uma tarde, dois anos depois, em 1986, Bankim pegou seus livros e saiu da escola, saiu do outro lado da campo, na aldeia de Vyangamatii (Purulia Dist) e morreu de repente de um ataque epiléptico ".
"Você ficou profundamente triste com sua morte. Vocês dois eram muito próximos. A morte de Bankim foi um verdadeiro choque. Devido que Bankim era irregular em sua sadhana, ele renasceu como uma cobra, e a serpente que ele tornou-se é a mesma cobra que está ficando com você todas as noites. Aquela cobra gosta muito de você."
Ouvi atentamente como Baba contou tudo.
Então Baba disse-me: "Mesmo Bankim não sendo regular em sadhana, se você quizer que ele pode obter novamente a vida humana. O que você quer: Quer que eu lhe dê a vida humana?"
Eu disse: "Sim, Baba, por favor, mais uma vez dar-lhe a vida humana."
NÃO SE PREOCUPE, O PROBLEMA DA SERPENTE SERÁ RESOLVIDO EM 30 DIAS.
Baba carinhosamente falou: "Você não precisa se preocupar com este problema da cobra por mais tempo. Ela virá a você por mais um mês. Mas você não precisa se preocupar. Ela não vai te morder, a cobra não vai incomodá-lo em nada. Só você vai vê-la como de costume quando você se levantar de manhã. Após este período, que durará um mês, ela vai ter a vida humana".
Minha sessão com Baba terminou - eu fiz sastaunga pranam, Ele graciosamente me abençoado, e eu deixei lentamente a sala.
Voltei para a escola em Ghatal e a primeira noite de volta a cobra estava novamente comigo. Todos os dias eu tentei o meu melhor para limpar e organizar minha cama e amarrar o mosquiteiro de forma segura para evitar que a serpente de entrar. Mas não importava o que eu fizesse, todas as manhãs quando eu levantava e balançava meus lençóis, então a cobra iria cair no chão e escapar. Embora esto não fosse agradável para mim, eu sabia que Baba havia dito que em um mês este problema iria acabar. Todas as manhãs eu procurava a serpente e todas as manhãs ela estava lá. Parecia ser um problema sem fim. Então, numa manhã eu levantei o lençol e fiquei agradavelmente surpreendido e aliviado ao descobrir que a cobra não estava lá. Ela se foi. Eu, então, contava os dias e percebi que era exatamente 30 dias desde que eu tinha visto Baba. Eu nunca mais vi a cobra novamente. Ao desejo do Sadguru, a cobra deixou este mundo e foi abençoada para por ter a vida humana.
O que podemos aprender com essa história
(# 1) Se você faz sadhana regularmente (duas vezes por dia) você receberá Mukti (liberação) - que é a garantia do Guru. Mas se alguém é negligente em fazer sua sadhana, o que falar de Mukti se você não pode sequer seguir a vida humana. Esse foi o caso com Bankim. como ele renasceu como uma cobra.
(# 2) Se a pessoa não fizer sadhana duas vezes por dia você vai ter que enfrentar as conseqüências e colher todos os seus samskaras.
(# 3) Neste mundo devemos ser mais atraídos para Parama Purusha (Deus) e não qualquer pessoa ou coisa unitária mundana. Desde que Bankim estava tão apegados a Shyam Prasad então ele tornou-se como uma serpente que tinha o forte desejo de estar com ele.
(# 4) Todos os que tomar iniciação são beneficiados de alguma forma - mesmo que eles não receberam Mukti (liberação). Mesmo que Bankim não fosse regular na sadhana, ele foi especialmente agraciado com rapidez novamente obter a vida humana, depois de viver por um curto período como uma cobra. Se ele não tivesse sido iniciado seu samskara teria sido pior e mais duradouro.
(# 5) Todo iniciado Ananda Margii deve ser muito vigilantes para fazer sua sadhana - duas vezes por dia, sem qualquer exceção.
(# 6) Só Parama Purusha é o objetivo benevolente e Entidade Eterna. Enquanto caminhar nesta terra, é preciso idealizar sobre Ele, e não qualquer outra coisa.
Namaskar,
Nele, Mukul Basu
Toda manhã, quando acordado, via um rastro de cobra saindo, bem debaixo da minha cama e que silenciosamente deslizava para longe. Só depois de se reunir com o Sadguru Baba semanas depois que eu aprendi como e porque isso estava acontecendo.
Essa foi a experiência de Shyam Prasad Chakravarty, um professor da escola Ananda Marga em Ghatal. Aqui está mais da sua estória em primeira mão.
CADA MANHÃ AQUELA MESMA COBRA DESLIZAVA PARA LONGE.
Eu estava vivendo e lecionando em nossa escola Ananda Marga em Ghatal - era um edifício feito com lama, com um piso de barro e paredes de barro. Todas as manhãs, uma cobra surgia a partir de meus cobertores e ia embora. Isso era muito preocupante para mim. Todas as noites antes de dormir eu verificava meticulosamente a minha cama e tudo ao redor. Então eu prendia por todos os lados o meu mosquiteiro. Ele era fechado ao redor. No entanto, todas as manhãs, a mesma cobra deslizava para longe a partir da minha cama. De alguma forma, a cobra estava entrando em minha área de dormir, permanecendo ali durante toda a noite, e saindo de manhã.
Ela nunca me mordeu, nem assobiava por minha causa, no entanto, ela era muito preocupante para mim. Eu comecei a contar aos outros sobre isso e pedir seus conselhos. Alguns dos moradores locais e margiis sugeriram o uso de carbeto de química - um agente tóxico. Eu tentei, mas não obtive sucesso. Ainda assim, a cobra estava vindo. Eu não tinha idéia de como resolver a situação e estava muito perturbado por todo este assunto.
OPORTUNIDADE ABENÇOADA PARA VER BABA
O tempo passou e, um mês depois eu fui para prestar um relatório - todos me disseram que eu deveria procurar a ajuda de Baba sobre este assunto. Eu fui abençoado e tive a oportunidade de ver Baba.
Baba me perguntou como eu estava e eu disse que estava tudo bem. Eu sentia que não havia necessidade de dizer-lhe o meu problema, porque ele já está sabendo de tudo.
Então Baba disse: "Você está tendo um problema com uma cobra?"
Eu respondi: "Sim, Baba."
Então Baba explicou em detalhes o que estava acontecido.
VOCÊS ERAM AMIGOS DO PEITO.
Ele disse: "Quando você estava crescendo você tinha um amigo muito querido, Bankim. Como meninos, vocês dois costumavam fazer tudo juntos . Durante a escola, depois da escola, sempre vocês eram inseparáveis, vocês eram amigos do peito. Então, em 1984... , ambos foram iniciadas em Ananda Marga sadhana. Embora Bankin fosse um bom rapaz, ele não era regular em fazer sua sadhana. Uma tarde, dois anos depois, em 1986, Bankim pegou seus livros e saiu da escola, saiu do outro lado da campo, na aldeia de Vyangamatii (Purulia Dist) e morreu de repente de um ataque epiléptico ".
"Você ficou profundamente triste com sua morte. Vocês dois eram muito próximos. A morte de Bankim foi um verdadeiro choque. Devido que Bankim era irregular em sua sadhana, ele renasceu como uma cobra, e a serpente que ele tornou-se é a mesma cobra que está ficando com você todas as noites. Aquela cobra gosta muito de você."
Ouvi atentamente como Baba contou tudo.
Então Baba disse-me: "Mesmo Bankim não sendo regular em sadhana, se você quizer que ele pode obter novamente a vida humana. O que você quer: Quer que eu lhe dê a vida humana?"
Eu disse: "Sim, Baba, por favor, mais uma vez dar-lhe a vida humana."
NÃO SE PREOCUPE, O PROBLEMA DA SERPENTE SERÁ RESOLVIDO EM 30 DIAS.
Baba carinhosamente falou: "Você não precisa se preocupar com este problema da cobra por mais tempo. Ela virá a você por mais um mês. Mas você não precisa se preocupar. Ela não vai te morder, a cobra não vai incomodá-lo em nada. Só você vai vê-la como de costume quando você se levantar de manhã. Após este período, que durará um mês, ela vai ter a vida humana".
Minha sessão com Baba terminou - eu fiz sastaunga pranam, Ele graciosamente me abençoado, e eu deixei lentamente a sala.
Voltei para a escola em Ghatal e a primeira noite de volta a cobra estava novamente comigo. Todos os dias eu tentei o meu melhor para limpar e organizar minha cama e amarrar o mosquiteiro de forma segura para evitar que a serpente de entrar. Mas não importava o que eu fizesse, todas as manhãs quando eu levantava e balançava meus lençóis, então a cobra iria cair no chão e escapar. Embora esto não fosse agradável para mim, eu sabia que Baba havia dito que em um mês este problema iria acabar. Todas as manhãs eu procurava a serpente e todas as manhãs ela estava lá. Parecia ser um problema sem fim. Então, numa manhã eu levantei o lençol e fiquei agradavelmente surpreendido e aliviado ao descobrir que a cobra não estava lá. Ela se foi. Eu, então, contava os dias e percebi que era exatamente 30 dias desde que eu tinha visto Baba. Eu nunca mais vi a cobra novamente. Ao desejo do Sadguru, a cobra deixou este mundo e foi abençoada para por ter a vida humana.
O que podemos aprender com essa história
(# 1) Se você faz sadhana regularmente (duas vezes por dia) você receberá Mukti (liberação) - que é a garantia do Guru. Mas se alguém é negligente em fazer sua sadhana, o que falar de Mukti se você não pode sequer seguir a vida humana. Esse foi o caso com Bankim. como ele renasceu como uma cobra.
(# 2) Se a pessoa não fizer sadhana duas vezes por dia você vai ter que enfrentar as conseqüências e colher todos os seus samskaras.
(# 3) Neste mundo devemos ser mais atraídos para Parama Purusha (Deus) e não qualquer pessoa ou coisa unitária mundana. Desde que Bankim estava tão apegados a Shyam Prasad então ele tornou-se como uma serpente que tinha o forte desejo de estar com ele.
(# 4) Todos os que tomar iniciação são beneficiados de alguma forma - mesmo que eles não receberam Mukti (liberação). Mesmo que Bankim não fosse regular na sadhana, ele foi especialmente agraciado com rapidez novamente obter a vida humana, depois de viver por um curto período como uma cobra. Se ele não tivesse sido iniciado seu samskara teria sido pior e mais duradouro.
(# 5) Todo iniciado Ananda Margii deve ser muito vigilantes para fazer sua sadhana - duas vezes por dia, sem qualquer exceção.
(# 6) Só Parama Purusha é o objetivo benevolente e Entidade Eterna. Enquanto caminhar nesta terra, é preciso idealizar sobre Ele, e não qualquer outra coisa.
Namaskar,
Nele, Mukul Basu
14/10/2014
A NEO-ÉTICA DA SALVAÇÃO MULTILATERAL
Até agora os cientistas tinham a percepção de que nenhuma estrutura poderia vir a existir sem uma base carbônica; isto é, a sobrevivência, a multiplicação e a dissolução de qualquer estrutura não seria possível sem olocus standi[razão especiosa]carbônico. Tantos os átomos carbônicos como os não-carbônicos adquirem sua estrutura atômica dos microvita. O microvitum necessita de espaço em teoria, mas não no campo físico. Uma estrutura carbônica necessita de espaço tanto na teoria como na prática. O microvitum não é de origem carbônica.
Vejamos como é a estrutura de um átomo de carbono. Um átomo tem um núcleo em cuja órbita estão os elétrons. O peso de um átomo é definido pela massa de seu núcleo. A diferença entre dois átomos é, principalmente, a diferença nuclear. A esse respeito, a massa dos satélites(eletróns) é de pequena importância. Se o núcleo de um átomo for partido, certamente serão liberadas energias ou calorias extraordinárias.
É verdade que cada estrutura protozóica é baseada em átomos de carbono. Um único microvitum é insuficiente para formar um átomo de carbono, porém, quando bilhões de microvita se solidificam, um átomo de carbono se forma – de modo geral ou natural de natureza heterogênea e, sob circunstâncias especiais, de natureza homogênea. A singularidade ou a pluralidade de átomos constitui uma molécula, e várias moléculas adquirem a característica de um elemento, sejam os elementos de natureza homogênea – como o hidrogênio, o carbono, o hélio – sejam os elementos de natureza heterogênea – como o monóxido de hidrogênio, o peróxido de hidrogênio, o monóxido de carbono, o dióxido de carbono, etc. Um átomo pode ter uma natureza interna tanto heterogênea como homogênea e também sua natureza externa pode ser tanto heterogênea como homogênea. O mesmo acontece com uma molécula. Porém sua natureza interna é mais heterogênea, enquanto o aspecto externo é mais homogêneo habitualmente. Portanto, um átomo mantém sua magia unitária de acordo com a sua homogeneidade ou sua heterogeneidade internas.
O hidrogênio, o enxofre e o oxigênio coletivamente formam o ácido sulfúrico. Quando esses elementos se combinam sob certas temperaturas, em condições barométricas específicas e proporções específicas, obtemos um resultado. Se faltar um desses fatores condicionantes, vai variar o resultado da mesma forma.
Caso não exista átomo carbônico, a estrutura protoplásmica não pode ser formada. As células protoplásmicas são de natureza molecular heterogênea. Se os núcleos das células protoplásmicas se dividirem, eles liberarão uma energia muitas vezes maior do que a liberada pela explosão nuclear. Obviamente, os corpos vivos, sendo compostos de incontáveis células protoplásmicas, possuem proporções enormes de energia – algo que está além da compreensão normal.
Bilhões de microvita produzem um único átomo de carbono. É por isso que não se pode dizer que todas as coisas vieram dos átomos de carbono. Pelo contrário, os átomos de carbono vieram dos microvita. Não apenas os átomos de carbono, mas todos os outros tipos de átomos são criações dos microvita. Naturalmente, a química, a bioquímica e todos os outros ramos relacionados passarão por uma mudança revolucionária. Certamente virá o dia em que um ômega de matemática coincidirá com um ômega de bioquímica[i]. Todas as fórmulas e teorias seguidas até agora terão de ser reformuladas, redefinidas e reclassificadas.
Já que um átomo não se encontra dentro do alcance de um microscópio comum ou de um telescópio comum, como poderiam os microvita – que são muitas vezes mais sutis e menores do que os átomos – chegarem ao alcance de um microscópio comum ou de um telescópio comum, ou da percepção ordinária, seja na esfera psíquica, seja na das inferências?
Cada estrutura de origem carbônica deste universo, tanto animada como inanimada, possui uma mente. Isto é, uma mente está associada a cada estrutura, seja na forma expressa seja na forma não expressa. Onde a mente não está expressa não existe cobertura endoplásmica, e onde a mente está expressa, a cobertura endoplásmica passa a existir. Onde quer que exista mente, ela necessita de pábulo (nutrição), tanto de natureza carbônica quanto de natureza não carbônica. Se o pábulo psíquico é de natureza carbônica, o movimento psíquico é para o denso e, se o pábulo psíquico é de natureza não carbônica, o movimento psíquico é para o sutil. O pábulo psíquico não carbônico ajuda na motivação suprapsíquica e espiritual. Um aspirante espiritual genuíno deve ser muito cuidadoso ao selecionar o seu alimento. O pábulo de natureza carbônica ajuda a manter e a nutrir a estrutura física e o pábulo de natureza não carbônica ajuda a fortalecer a estrutura psíquica. A assimilação cada vez maior de pábulo carbônico imperfeito afeta adversamente o triângulo psíquico de forças, impedindo assim o progresso psicoespiritual de uma pessoa. Poderá até chegar o estágio em que a estrutura física venha a ficar quase sem mente. A fábula mitológica de Ahalyá [que se tornou pedra por seus pecados, no épico Ramayana, bem como a mulher de Ló, conforme a Bíblia] pode ser citada como um exemplo do caso em questão.
Quando as pessoas se desinteressam pelo pábulo não carbônico e ficam progressivamente absorvidas no pábulo carbônico, ocorrem dois efeitos perniciosos como consequência. Primeiro, o campo de nosso próprio pábulo carbônico aumenta, enquanto a mente, de forma gradual e contínua, é levada em direção à matéria bruta. Em segundo lugar a mente da pessoa se fixa em devorar o pábulo carbônico dos outros. Esta é a explicação psicológica do imperialismo. Isto é, o imperialismo tem sua origem na psique e atua na esfera psíquica. Quando expressado externamente toma várias formas, tais como capitalismo, capitalismo estatal, comunismo, nacionalismo, comunalismo, paroquialismo, provincialismo, socialismo, imperialismo de castas, chauvinismo masculino, lingualismo. Uma vez eu fui a uma vila onde a língua local era o bengali. Porém, mesmo no ensino fundamental era ensinado o hindi como substituto da língua mãe. Este é um exemplo evidente do imperialismo linguístico, etc., constituindo todos eles doenças psíquicas em formas e aspectos variados.
Estimulada por esta doença psíquica, uma superpotência impõe seus interesses nacionais egoísticos sobre outros estados mais fracos, para estabelecer a sua soberania política, militar, etc. Um poder imperialista deseja dominar e explorar outras unidades socio-político-econômicas para expandir, perpetrar e consolidar seus interesses escusos. Um poderoso grupo linguístico suprime outros grupos linguísticos minoritários; as chamadas castas superiores subjugam as castas inferiores na sociedade e sugam sua energia vital sob muitos disfarces e argumentos, e homens oportunistas usurpam os direitos da população feminina de várias maneiras. Em todos os casos prevalece a mesma doença psicológica, inerente ao imperialismo.
O imperialismo é anti-humano. Vai de encontro ao espírito do neo-humanismo e à ética da vida humana. É prejudicial ao pramá sam’vrddhi, pramá rddhi e pramá siddhi [vide Democracia Econômica – cap. 6], na sociedade humana. Em resumo, ele impede o progresso humano e cria guerras mundiais e todos os tipos de forças divisionistas e destrutivas na sociedade.
O imperialismo é uma força negativa, um fenômeno destrutivo que gera condições injustas e exploradoras na vida individual e coletiva. Tal radiação venenosa da força negra atrai forças negativas como os microvitanegativos. Estes microvita negativos intensificam e incrementam as atividades demoníacas do imperialismo em todos os aspectos da sociedade humana: arte, literatura, educação, comércio, indústria, agricultura, moralidade e relações sociais. Eles cultivam uma psicologia baseada na escravidão, no complexo de inferioridade, na pseudocultura, na exploração psicoeconômica e, em certos casos, são a causa do niilismo e do cinismo.
Para destruir o imperialismo, o qual está profundamente enraizado na psique humana, a Neo-Ética, baseada nos pontos seguintes, é indispensável:
.
(1) A Entidade Macrocósmica deve ser aceita como o Desiderato Supremo da vida humana;
(2) Deve existir um ajustamento adequado e uma combinação equilibrada entre o pábulo carbônico e o pábulo não carbônico.
Esta é a Neo-Ética da presente era; uma panacéia para os males sociais imperialistas atuais e sua rede de desordens psíquicas. A aplicação da Neo-Ética levará à salvação multilateral da sociedade humana, ao remover a exploração econômica, a supressão política, a doutrinação religiosa, a imposição cultural e a subordinação social.
O PAPEL DO GURU
Eu já comentei que, se houver na mente e no corpo humano um ajustamento adequado e uma combinação equilibrada entre o pábulo carbônico e o pábulo não carbônico, não haverá nenhuma forma de imperialismo. Pelo contrário, o céu descerá sobre a terra árida.
Se seguirem o caminho da Neo-Ética, os seres humanos alcançarão grande progresso na esfera espiritual com maior velocidade. Com a ajuda do pábulo não carbônico, eles aguçarão sua penetração psíquica nos espaços atômico e molecular (em níveis inter e intra). Com a ajuda dos microvita eles serão capazes de pulverizar seus ectoplasmas e transformá-los em fatores de faculdade cognitiva.
Hoje em dia, a maioria das pessoas não conhece a técnica de utilização dos microvita. A Entidade Universal, sentada em um lugar, tem usado os microvita para acelerar o crescimento espiritual dos indivíduos em diferentes corpos celestes e de diferentes maneiras. Somente a Entidade Suprema – que está familiarizada com essas técnicas e que pode ensiná-las aos aspirantes espirituais individuais – é que é o Guru Supremo. Ele mantém todos dentro de Sua in-fluência e com a ajuda dos microvita eleva a todos espiritualmente.
Os seres vivos, através de seus próprios esforços individuais, podem alcançar apenas um pequeno progresso no mundo carbônico, porém, no mundo não carbônico, somente a graça do Guru Supremo pode guiá-los para o Objetivo Supremo.
Portanto, já foi dito corretamente: Guru krpáhi kevalam (A graça do Guru é tudo). Esta é a única Verdade Suprema. Este é o começo e fim da vida.
P.R. Sarkkar - Madhu Karnika, Kalikáta 26/3/87
Published in:
A Few Problems Solved Part 8
Microvitum in a Nutshell [a compilation]
Prout in a Nutshell Volume 2 Part 9 [a compilation]
2. (maiúscula Ω e minúscula ω) é a vigésima quarta e última letra do alfabeto grego. No sistema numérico grego vale 800. No modo matemático do LaTeX, é representada por:
e
. (fonte: Babylon).
05/10/2014
Tantra e Seus Efeitos na Sociedade
Shrii Shrii Anandamurti Discurso de RU (Renaissance Universal) Bhagalpur, Shrávańii Púrńimá, 1959.
O que é Tantra? O processo de transformar [a divindade latente] em Divindade Suprema é conhecido como a sádhaná do Tantra {ou Tantra sádhaná}. A divindade adormecida na animalidade é chamada, na linguagem dos aspirantes espirituais, de kulakuńdalinii. Assim notamos que, efetivamente, o espírito da sádhaná do Tantra consiste em infundir uma [vibração] na kulakuńdalinii e puxá-la em direção à meta espiritual.1
A significância do termo tantra é “liberação das limitações [as amarras da obtusidade ou da estaticidade]”. A letra ta é a semente [sonora] da obtusidade. E o verbo raiz trae sufixado por d a torna-se tra, que significa “aquilo que libera” – assim, a prática espiritual que libera o aspirante da obtusidade ou da animalidade da força estática e expande o eu do aspirante [espiritual] é a sádhaná do Tantra. Portanto, não pode haver qualquer prática espiritual sem o Tantra. Tantra é sádhaná.
Prática espiritual significa uma prática para a expansão, e essa expansão não é nada mais que uma liberação do aprisionamento de todos os tipos de obtusidade [ou estaticidade]. Uma pessoa que, independentemente de casta, crença ou religião, aspira à expansão espiritual ou faz alguma coisa concreta {a esse respeito} é um tântrico. Tantra em si mesmo não é nem uma religião nem um ismo. Tantra é uma ciência espiritual fundamental. Assim, onde quer que haja alguma prática espiritual, pode-se dar por certo que ela se baseia no culto tântrico.2 Onde não há prática espiritual, onde as pessoas rezam para Deus pela satisfação de desejos mundanos mesquinhos, onde o único lema das pessoas é “Dê-nos isto e dê-nos aquilo” – somente ali veremos que o Tantra é desencorajado. Assim, somente opõe-se ao culto do Tantra quem não compreende o Tantra ou que, mesmo após compreender o Tantra, não quer fazer nenhuma prática espiritual.
Os fatores por trás de sua repulsão pela sádhaná são dois em número. O primeiro é aquilo que é conhecido como a psicologia da inércia espiritual, e o segundo é um tipo de fobia. A fobia espiritual é o maior inimigo da sociedade humana. Essa fobia é o principal fator desencorajante.
Como eu estava dizendo, a [raíz acústica] ta representa a obtusidade, e o esforço para liberar o próprio eu dessa obtusidade é conhecido como Tantra sádhaná.
A esta altura eu gostaria de dizer umas poucas palavras sobre os biija mantras [sons-semente, raízes acústicas] do Tantra. Neste âmbito universal, toda e cada ação possui uma certa implicação acústica. O som fundamental que opera por trás de certa ação é conhecido como a semente daquela ação. Se as diferentes expressões do Eu Cósmico ou do Macrocosmo são denominados de devatás, então na raiz de cada devatá encontra-se uma semente ou som particular. Essa semente ou som particular é conhecido como o biija mantra do devatá em questão. O poder de vontade (biija bindu ou kámabiija) do Eu Cósmico, [em] sua primeira expressão, assume a forma do náda (a primeira expressão, movendo-se em uma linha reta). Depois disso o náda é convertido em kalá [curvatura criada sob influência da Prakrti mutativa] e as manifestações sensíveis ou perceptíveis dessa kalá são conhecidas como o jagat ou “mundo”. O espírito do termo jagat é “exibição em andamento”.
Assim, reconhecemos que o mundo, que é uma expressão de kalá, origina-se do náda, e o náda surge do kámabiija, ou força de vontade (Shambhúliunga), do Grande. [Náda tem a forma acústica de onm.] Esse onm é a forma coletiva de três letras-semente: a, u e ma, respectivamente representando a criação, a preservação e a destruição. Portanto, a palavra on m pode apropriadamente representar este universo manifesto. Através de uma análise apropriada, nós obtemos cinquenta sons fundamentais, ou raízes acústicas, a partir do onm – ou seja, o onm é a forma coletiva desses cinquenta sons.
Cada ação mundana é expressada através de ondas ativadoras que têm como seus núcleos as potencialidades daqueles sons fundamentais. A potencialidade de um som particular, ou as potencialidades de mais que um som, podem atuar como um núcleo ou como núcleos, de acordo com a natureza da ação em questão. Esses sons fundamentais são as forças criativas do universo – por isso eles são conhecidos como mátrká varńas [matrizes causais]. O que quer que exista no universo é [sustentado] por um som desse tipo.
Uma das coisas que existem neste universo é contração ou obtusidade. A contração ou obtusidade também é algo mundano. Já que existe, ela certamente tem algum biija mantra. O biija mantra dessa obtusidade é ta, e a sádhaná que libera os aspirantes espirituais da influência desse ta é Tantra.
Existe força espiritual em toda e cada entidade viva. A interpretação prática do Tantra é despertar essa força espiritual e expandí-la, com o único objetivo de unificá-la com a Divindade Suprema. A porção mais inferior da coluna vertebral é conhecida como kula, [a residência de] Svayambhú. Ela é chamada de kula porque ela suporta o peso do tronco físico principal: ku significa “criação” e la significa “sustentáculo” (lá + da = la). [A residência de] Svayambhúliunga, que suporta o peso do tronco físico principal, é corretamente denominada de kula.
A animalidade inconsciente que reside nesta kula em uma forma enrolada não é nada mais do que a força divina latente. Ela retorna à sua condição original tão logo o seu apego por objetividades grosseiras é removido. Por causa da sua forma enrolada, essa força divina adormecida é conhecida como a kulakuńd alinii, ou a “serpente enroscada”.3 Então, a primeira e mais pronunciada fase da sádhaná espiritual consiste em despertar a kulakuńd alinii da sua longa hibernação, com a ajuda de uma onda apropriada vindo de um grande espiritualista [e] com a ajuda de um mantra apropriado. Mas para a marcha espiritual da pessoa, não é suficiente apenas despertá-la. Essa kulakuńd alinii despertada precisa ser puxada para cima e sua existência precisa ser suspensa na existência não-atribuicional de Shiva [Consciência Suprema]. Suspender a kulakuńd alinii em Shiva é o ideal do Tantra.
Dhyáyet kuńd aliniiḿ sukśmáḿ múládháranivásiniiḿ Támiśt́a devatá rupaḿ sárdhatri balayánvitam; Koti saodáminiibhásaḿ Svayambhúliun gavesthitám.
[Deveria-se meditar na kuńd alinii – que reside no múládhára cakra em uma forma sutil e divina – enrolada três vezes e meia – com a efulgência de um milhão de luas – enroscada em torno de Svayambhúliunga.]
Existem várias glândulas de vários tipos na estrutura humana. Toda e cada glândula pode ser tratada como o ponto controlador de uma [propensidade] mental particular, e a intensidade da expressão das [propensidades] mentais depende da secreção apropriada dos hormônios produzidos por essas glândulas. Como regra geral, hormônios secretados pelas glândulas inferiores não conseguem influenciar as glândulas superiores, mas elas podem, direta ou indiretamente, influenciar as glândulas situadas em pontos inferiores. Como o sahasrára cakra [correspondente à glândula pineal] é o cakra ou plexus {plexo} mais elevado, os hormônios secretados por esse plexus podem controlar todas as outras glândulas do corpo humano. Agora há pouco eu disse que a kulakuńd alinii é despertada pela força de ondas espirituais ou de um mantra, e essas glândulas ajudam os aspirantes espirituais criando uma tal força. O sahasrára cakra, sendo o controlador de todas as glândulas, é o ponto central de todas as ondas e mantras.
Em toda e cada glândula ou subglândula importantes encontra-se a semente da sua expressão – quer dizer, uma mátrká varńa. Assim, no sahasrára cakra [encontram-se] as sementes de todas as expressões – ou seja, todas as mátrká varńas estão ali. A forma sintética de todas as mátrká varńas é o on ḿkára [som onm]. Portanto, é claro e cristalino que a potencialidade de expressão de todos os instintos da mente humana está no sahasrára cakra.
A [estaticidade] humana pode ser convertida em espiritualidade ou divindade apenas após chegar-se ao sahasrára cakra. O plexo mais inferior, o múládhára, é a sede da crueza, e o plexo mais elevado, o sahasrára, é justamente o oposto: é a sede da consciência. Portanto, pessoas com instintos animais não têm outra opção – se elas querem libertar-se das ilusões mundanas – do que levar a kulakuńd alinii do múládhára até o sahasrára. O espírito interno da elevação da kulakuńd alinii é que a pessoa controle as [propensidades] e os sons-semente das diferentes glândulas e suspenda o seu eu em Paramashiva [o Núcleo da Consciência], cuja posição está além da abrangência de todos os instintos e sons-sementes. É um processo de estilhaçar os páshas [amarras] de todas as fraquezas mentais; e, depois de conquistar essas fraquezas e outros ripus [inimigos] mentais, transformar a animalidade em divindade. Esta sádhaná da kulakuńd alinii é uma grande luta. Depois de estabelecer-se acima da abrangência de todo e cada instinto, idéia e som-semente, um sádhaka {ou uma sádhiká} deve prosseguir com a sua luta, com a intenção de fundir-se na Entidade Suprema que está além do âmbito do mundo da ideação. Assim, a sádhaná do Tantra é uma grande batalha – é uma sádhanásamara.
A principal característica do Tantra é que ele representa o vigor humano. Ele representa um luta sem tréguas. Onde não houver luta, não há sádhaná. Sob tais circunstâncias, o Tantra não pode estar ali – onde não há sádhaná; onde não há luta. É uma impossibilidade conquistar uma idéia grosseira e substituí-la por uma idéia sutil sem luta. E isso não é de forma alguma possível sem sádhaná. Portanto, Tantra não é somente uma luta: é uma luta plena. Não é somente uma luta externa ou interna, é ambas simultaneamente. A luta interna é uma prática da parte mais sutil do Tantra. A luta externa é uma luta da parte mais grosseira do Tantra. E a luta, tanto externa quanto interna, é uma luta em ambos os modos ao mesmo tempo.
Assim, a prática em todo e cada nível da vida recebe a devida consideração no Tantra, e a coordenação e cooperação das práticas em todos os estratos representa o Tantra em sua perspectiva apropriada. A prática de erguer a kulakuńd alinii é a sádhaná interna do Tantra, enquanto que o estilhaçamento das amarras do ódio, da desconfiança, medo, timidez etc. pela ação direta é a sádhaná externa. Quando aqueles que têm pouco conhecimento de sádhaná vêem o estilo dessa luta externa, eles pensam que os tântricos andando no campo de cremação são um tipo de criatura antinatural. Na verdade, o público em geral não tem compreensão desses tântricos. Na luta direta contra os ripus e páshas, eles podem parecer antinaturais naquela ocasião, mas não se pode ignorar o fato de que em tempos de guerra cada pessoa se torna, em alguma medida, antinatural em suas atividades.
As pessoas que não entenderam o espírito interno da sádhaná sutil do Tantra 4, ou aquelas que não entenderam ou não conseguiram entender a essência das práticas [tântricas], ou não conseguiram seguir essas práticas em suas vidas, interpretaram erroneamente a verdadeira idéia e fizeram o que quer que elas quisessem de acordo com suas doces vontades, com a intenção de promover seus interesses individuais estreitos e de satisfazer seus desejos mundanos. Uma parte da intelligentsia refinada, por causa de sua mediocridade e de seus gostos degradados, interpretou erroneamente o Tantra e foi contra a sua idéia. Aqueles que não conseguiram entender o espírito interno em termos de madya, máḿsa, miina [matsya] etc. (coletivamente conhecidos como Paincamakára) 5, aceitaram as interpretações mundanas grosseiras desses aspectos, e a Tantra sádhaná deles não era mais do que uma atividade antissocial e imoral.
O processo da sádhaná do Tantra é gradual. Mas até mesmo com um progresso preliminar nessa sádhaná, os sádhakas alcançam certos poderes mentais e ocultos que os tornam mais fortes do que uma pessoa mediana, em termos de desenvolvimento mental e espiritual. Mas se nesse processo os sádhakas esquecem-se de Parama Brahma, o ponto culminante de todas as nossas expressões vitais, e utilizam os seus poderes mentais e ocultos para explorar as pessoas simples e satisfazerem suas cobiças, então o demérito recai sobre esses indivíduos, e não sobre o Tantra. Se os sádhakas permanecem vigilantes e alertas com respeito aos princípios de Yama e Niyama – isto é, os princípios morais cardinais –, então existe pouca chance de eles degradarem-se. Ao invés disso, com suas forças mentais e ocultas desenvolvidas, eles estarão em posição de prestarem um melhor serviço à humanidade e a utilizarem seus intelectos de um modo melhor.
As pessoas podem utilizar quaisquer dos seus poderes ou conquistas tanto para a virtude quanto para o pecado. Se qualquer pessoa utilizar as potencialidades dela em objetivos malévolos ou destrutivos, ao invés de em objetivos benevolentes, então não se deve culpar esses poderes ou potencialidades: todas as falhas são falhas da pessoa. Pode-se usar o dinheiro em variados projetos para o bem-estar público; não obstante, ele também pode acarretar vários males na sociedade. Espadas podem ser usadas para suprimir os brutos, mas também os gentis. Então, será que a espada ou o dinheiro são responsáveis pelo bom ou mau uso que se faz dos mesmos? Certamente não. É altamente impróprio permitir que os poderes adquiridos através da sádhaná do Tantra tornem-se extrovertidos; é apropriado exercitar todos essas aquisições em uma sádhaná mais complexa, em buscas mais sutis, de modo que as obstruções espirituais sejam expelidas da mente humana. Essa realização espiritual ajudará a kulakuńd alinii a ascender e a fundir-se com, ou a unificar-se com, a Consciência Suprema.
O Tantra deveria ser utilizado somente na esfera sutil; se for aplicado extroversivamente, ele gera tanto impacto grosseiro dos assuntos mundanos que a degeneração de um sádhaka torna-se inevitável. O poder aplicado por tântricos degenerados no sát karma 6 do Tantra – ou seja: matar psiquicamente, dominar ou controlar psiquicamente, deixar atônito, hipnotizar etc. – na realidade não tem nada a ver com espiritualidade. Todos esses poderes são simplesmente poderes mentais adquiridos através da sádhaná do Tantra. Eles podem ser adquiridos mesmo sem praticar-se a sádhaná do Tantra – praticando-se certos processos mentais. Mas então tais poderes podem ser aplicados com sucesso apenas contra pessoas mentalmente fracas. Nenhuma empreitada desse tipo terá qualquer efeito sobre pessoas mentalmente fortes. E nenhuma dessas ações possui qualquer valor para um sádhaka espiritual.
Para obter-se poderes tântricos, a pessoa precisa praticar tanto a sádhaná externa quanto a interna – ela tem de empreender uma luta de ambos os tipos. Como parte da luta externa, a pessoa tem que aplicar uma força ou controle vigorosos sobre a sua conduta e expressão mundanos, ao passo que na luta interna a pessoa tem que despertar e elevar a sua kulakuńd alinii contra os seus pensamentos grosseiros, com toda a força da sua intuição.
A ascensão da kulakuńd alinii é alcançada através da prática de certos processos. No sahasrára, ou glândula pineal, a kulakuńd alinii bebe o hormônio secretado por esse plexo. A explicação biológica disto é que o sádhaka alcança controle sobre o fluxo do néctar secretado no sahasrára (ou seja, sobre um certo hormônio secretado pela glândula pineal). Esse fluxo de néctar é a principal base da vida divina. Durante esse período da sádhaná da kuńd alinii {kuńd alinii sádhaná} (a sádhaná que estabelece o controle sobre a “serpente enroscada”), os sádhakas atingem ou adquirem controle sobre a subida e a descida do fluido da [suśumná]. As tendências mentais dos sádhakas são vitalizadas pelo néctar do sahasrára – por esse hormônio – e pelo movimento bem-controlado do fluido da [suśumná], trazendo aos sádhakas uma sagacidade e um vigor incomuns. A combinação dessa sagacidade e desse vigor adorna um sádhaka com uma personalidade atraente, com inteligência aguçada e com um espírito sem igual. Somente sob a liderança apropriada de tais tântricos é que se pode viver uma vida social e nacional dhármica {i.e., conforme ao dharma}.
Nesse caminho do progresso humano que vai da animalidade à divindade, todas as pessoas têm uma posição particular e exercem certa influência na sociedade de acordo com essa posição. Como questão de princípio, cada ser humano, em virtude de ser um Homo sapiens, certamente tem direitos iguais aos demais em todos os âmbitos da vida, mas o Tantra admite tratamentos especiais para certos indivíduos em proporção às suas posições nos níveis metafísicos. O Tantra não reconhece quaisquer diferenças raciais, genealógicas, políticas, nacionais ou econômicas entre os seres humanos, mas dá reconhecimento ao vigor individual. A diferença fundamental entre os ideais arianos védicos e os ideais tântricos é que entre os ideais védicos é dada muita importância às diferenças raciais e de grupo social, ao passo que no Tantra somente o ideal humano é honrado. Existe muito pouca margem para o desenvolvimento espiritual na religião ariana – cheia de orações –, e é por isso que os arianos que se estabeleceram na Índia gradualmente foram influenciados pelo Tantra.7 A efetividade do Tantra no desenvolvimento da personalidade e do vigor em um curto período de tempo tornou o Tantra atrativo para os arianos. Assim, no início eles começaram a praticar a sádhaná do Tantra, mas em estrito segredo. Durante o período diurno eles permaneciam arianos com os seus emblemas usuais – shikhá [cabelo sagrado] e sútra [cordão sagrado] – mas de noite eles jogavam fora seus upaviita [cordões sagrados] e suas diferenças de casta e praticavam a sádhaná do Tantra dentro do Bhaeravii cakra 8.
Pravrtte Bhaeraviicakre sarva varná dvijátayah; Nivrtte Bhaeraviicakre sarve varńah prthak-prthak.
[Quando eles sentam-se no Bhaeravii cakra, eles distinguem somente entre aqueles que são sádhakas e aqueles que não são; mas quando eles saem do cakra, eles renovam as suas tradicionais distinções entre castas.]
Através de seus rituais de sacrifício, o Veda encoraja o materialismo, enquanto que o culto tântrico, através de sua prática mental e espiritual, ajuda os sádhakas a progredirem em direção ao eu intuicional – em direção à Realidade Não-atribuicional Suprema.9
O espírito da sádhaná é controlar as tendências extroversivas da mente – guiar a si mesmo de uma maneira apropriada –; por isso, sádhaná e culto tântrico são sinônimos. Sacrifícios cerimoniais, orações e outros rituais extroversivos não são nem Tantra e nem sádhaná. Toda sádhaná que visa atingir o Supremo, independentemente de sua afiliação religiosa, definitivamente é Tantra; pois Tantra não é uma religião: o Tantra é simplesmente a ciência da sádhaná – ele é um princípio. Em verdade, será que alguém consegue erguer-se em qualquer esfera da vida sem [sádhaná]? Será que podemos obter honra, status e as outras comodidades que desejamos neste mundo material sem esforço? E quando consideramos nossa aspiração por desenvolvimento e progresso no mundo mental – isso tampouco pode ser realizado sem luta. Assim, em toda parte, seja na esfera densa ou na esfera sutil, luta é a essência da vida. O papel próprio dos seres humano está no [controle] e na mobilização de todos os tipos de forças ou tendências densas. Portanto, o Tantra não é apenas um patrimônio no mundo espiritual; pois até mesmo nas esferas mais materiais e densas da vida, não há outra alternativa que aceitar os ideais tântricos.
Aqueles que são ativos e desenvolvem o seu vigor nos mundos físico e mental travando uma luta contra as tendências grosseiras tornam-se pessoas super-humanas em estruturas humanas. Tais personalidades, adornadas com vigor e vitalidade, recebem ovações em todos os lugares. Como questão de fato, qualquer que seja o [sistema] social ou administrativo [de um país] – quer seja uma república democrática, uma burocracia ou uma ditatura –, somente aquelas pessoas que infundiram vigor e personalidade em si mesmas é que governam. Personalidades vigorosas sempre dirigem as pessoas fracas. Se indivíduos que têm grandes personalidades e grande vigor entram na política, elas tornam-se [líderes fortes ou autocráticos], enquanto as outras inclinam-se ao seu comando.
Personalidades de categoria intermediária [com relação ao seu vigor] não gostam de arcar com as responsabilidades de um [líder forte]. Elas conduzem a sua [liderança autocrática] sob o abrigo seguro de um governo monárquico ou republicano (fazendo com que a coroa ou o parlamento sejam fantoches em suas mãos); mesmo assim, não se pode afirmar categoricamente que a democracia somente é bem-sucedida em países no quais as pessoas carecem de vigor. Existem muitos países em que as pessoas não carecem de vigor, e nos quais, mesmo assim, a democracia pretendeu ter tido sucesso. É claro, isto também tem um lado político. [A autocracia] somente surge naqueles países em que as pessoas têm um amplo acúmulo de vigor e nos quais, ao mesmo tempo, o governo ficou tomado por um alto grau de corrupção. Na Inglaterra e nos Estados Unidos da América não existe deficiência de vigor, mas ainda assim, devido a formas eficientes de governo, a democracia jamais falhou. Mas no Paquistão e no Egito, por causa de tipos de governo lamentáveis e falidos, as pessoas em geral aceitaram [a autocracia] de todo o coração.
Neste mundo existem também muitos países em que não há líderes honestos e sinceros na esfera política, e cujos corpos governamentais estão cheios de corrupção, mas nos quais, não obstante, a democracia não sofreu nenhum revés. De qualquer forma, a essência dos meus comentários está no fato de que mesmo em assuntos mundanos a personalidade de uma pessoa é desenvolvida através da sádhaná do Tantra, e a sádhaná obtém sucesso em qualquer lugar.
A este respeito, pode-se perguntar se os [líderes fortes] do mundo praticam alguma sádhaná do Tantra ou não. Minha resposta a isto será que, talvez inconscientemente, eles sempre seguiram princípios tântricos. Talvez vocês saibam que o grande herói da independência indiana, Subhash [Chandra Bose], era um ardente seguidor do culto tântrico.
O sistema de castas baseia-se no princípio de distinções e diferenças. Esse sistema constituiu o maior dos impecilhos à formação de um sociedade forte, bem-organizada e bem-articulada. Esse sistema não fornece nenhuma pista ou semente da possibilidade de unidade na diversidade. O sistema de castas é reconhecido somente pelos Vedas, não pelo Tantra. No culto tântrico, ainda que haja cem por cento de espaço para o desenvolvimento integral de uma pessoa, mesmo assim, como seres humanos, todos permanecem em uma condição de igualdade. É por isso que não pode haver nenhum meio-termo entre o Tantra e o sistema de castas.
Varńáshramábhimánena shrutidásye bhavennarah; Varńáshramabihiinashca var*ate shrutimúrdhani.
–Ajin ánabodhinii Tantra
Isto significa – como o Tantra expressou em linguagem clara – que “Aqueles que orgulhosamente adotam o sistema de castas são escravos dos Vedas, enquanto aqueles que elevaram-se acima dele ou que o descartaram atingem um lugar no topo dos Vedas ou acima dos Vedas.”
O atual sistema de castas da sociedade indiana é criação daqueles arianos védicos oportunistas que entraram no culto tântrico mas que, por causa da sua falta de sinceridade, não conseguiram atingir o status desejado. Desse modo, as deficiências da sociedade védica causaram grande dano ao Tantra.
Tântricos verdadeiros certamente concederão honra e reconhecimento especiais para as potencialidades e o vigor individuais, mas enquanto seres humanos, todos serão iguais a eles próprios. Também na Era budista os tântricos seguiram esse princípio. Em tempos antigos, Bengal e Mithila foram grandes bases do Tantra. Naquela época, aquelas pessoas que haviam avançado na sádhaná do Tantra – aqueles brahmans, kayasthas, vaidyas etc. que eram adeptos da sádhaná de elevação da kulakuńd alinii – eram identificados como kuliinas. Aqueles que eram defensores dos Vedas (também conhecidos como shruti) eram reconhecidos como shrotriyas. Ainda que, como seres humanos, os kuliinas e os shrotriyas desfrutassem todos de status igual na sociedade de então, os kuliinas costumavam receber uma honra especial como sádhakas. Ballal Sen, o rei de Bengal, era originalmente um tântrico budista, mas depois ele tornou-se um tântrico hindu.
Os tântricos devem empreender uma luta contra todos as forças densas, um combate sem pausas contra a desigualdade e a covardia. A igualdade na sociedade não pode ser alcançada se a [base do poder] for somente quantitativa, sem qualquer consideração do valor qualitativo – pois hoje em dia aquelas pessoas que não se esforçam para instilar vigor em si mesmas através da sádhaná estão em número muito maior do que aquelas que o fazem. Portanto, não é através da democracia, mas confiando o poder aos verdadeiros tântricos, que a igualdade nas esferas econômica e social deverá ser estabelecida neste mundo material. O estabelecimento da igualdade somente é possível pelos tântricos, e não pelos não-tântricos. É claro que não somente nos âmbitos mental e espiritual como também na esfera material, a igualdade completa – cem por cento de igualdade – é uma impossibilidade. Assim, os tântricos terão de continuar a sua luta indefinidamente. Para eles, onde está a oportunidade de descansarem?
Tântricos verdadeiros certamente concederão honra e reconhecimento especiais para as potencialidades e o vigor individuais, mas enquanto seres humanos, todos serão iguais a eles próprios. Também na Era budista os tântricos seguiram esse princípio. Em tempos antigos, Bengal e Mithila foram grandes bases do Tantra. Naquela época, aquelas pessoas que haviam avançado na sádhaná do Tantra – aqueles brahmans, kayasthas, vaidyas etc. que eram adeptos da sádhaná de elevação da kulakuńd alinii – eram identificados como kuliinas. Aqueles que eram defensores dos Vedas (também conhecidos como shruti) eram reconhecidos como shrotriyas. Ainda que, como seres humanos, os kuliinas e os shrotriyas desfrutassem todos de status igual na sociedade de então, os kuliinas costumavam receber uma honra especial como sádhakas. Ballal Sen, o rei de Bengal, era originalmente um tântrico budista, mas depois ele tornou-se um tântrico hindu.
Os tântricos devem empreender uma luta contra todos as forças densas, um combate sem pausas contra a desigualdade e a covardia. A igualdade na sociedade não pode ser alcançada se a [base do poder] for somente quantitativa, sem qualquer consideração do valor qualitativo – pois hoje em dia aquelas pessoas que não se esforçam para instilar vigor em si mesmas através da sádhaná estão em número muito maior do que aquelas que o fazem. Portanto, não é através da democracia, mas confiando o poder aos verdadeiros tântricos, que a igualdade nas esferas econômica e social deverá ser estabelecida neste mundo material. O estabelecimento da igualdade somente é possível pelos tântricos, e não pelos não-tântricos. É claro que não somente nos âmbitos mental e espiritual como também na esfera material, a igualdade completa – cem por cento de igualdade – é uma impossibilidade. Assim, os tântricos terão de continuar a sua luta indefinidamente. Para eles, onde está a oportunidade de descansarem?
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1 N.T.: (Adaptado do texto “Mantra Caetanya”?) Sádhaná espiritual é o esforço para alcançar-se a bem-aventurança. Sádhaná é o processo de voltar para casa, de onde nós viemos. Nós todos viemos de Parama Purusa – a Entidade Suprema – e de prána-kendra, o núcleo do universo; ou seja, Purusottama.
2 N.T.: A palavra “culto” é sinônima de “prática”.
3 N.T.: A expressão em inglês é coiled serpentine. O termo serpentine teria aqui a função de substantivo, mas em relação ao presente contexto o significado coerente encontrado para o mesmo é apenas na forma de adjetivo, a saber: “relativo a serpente ou assemelhando-se a uma, seja em forma ou em movimento; sinuoso”. Em português há vários termos com função de adjetivo e com significado equivalente ao acima, incluindo: “serpentino”, “serpentil” e “serpentiforme”. Entretanto, por coerência com a função do termo em inglês no presente contexto, a opção é pelo substantivo “serpente”.
4 N.E.: Veja em “Tantra e Sádhaná” a seção sobre “O Pain camakára Sutil e Grosseiro”.
5 N.T.: Mesma nota que a anterior.
6 N.E.: Para mais sobre as “seis ações” ou “seis ramos” do Avidyá Tantra, veja o capítulo “Vidyá Tantra e Avidyá Tantra”.
7 N.T.: Veja-se sobre isto o discurso do autor entitulado “Tantra e a Civilização Indo-ariana”.
8 N.T.: O Bhaeravii cakra é simbolizado por uma estrela de seis pontas, formada por dois triângulos equiláteros sobrepostos, um invertido em relação ao outro.
9 N.T.: Ou seja, a Realidade que está além de todas as limitações, qualidades, formas – ou seja, além de quaisquer atributos em geral, também denominada de Nirguna Brahma pelo autor – onde nirguna significa “não-atribuicional”: livre da influência das gunas ou princípios qualificadores (atributivos) de Prakrti.
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Observação: Colchetes [ ] indicam inserções da versão em inglês, e chaves { } indicam inserções da presente tradução.
Fonte: Edição Eletrônica das Obras de P. R. Sarkar – versão 7.5
Publicado em: Discourses on Tantra Volume Two [a compilation] Supreme Expression Volume 1 [a compilation] The Great Universe: Discourses on Society [a compilation] (obras ainda não publicadas em português)
Tradução: Mahesh – Florianópolis (< setembro/2010; 26/fevereiro – 03/março/2012)
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