Discurso de Shrii Shrii Anandamurti
25 de Janeiro de 1986, Calcutá
Kali
Kal + i = kali. O significado etimológico da palavra é “aquilo que é principalmente som” – mais conversa do que ação.Mukhena máritaḿ jagat. O significado coloquial da palavra kali é “a quarta yuga, ou yuga final, do kalpa”. O outro significado etimológico da palavra kali é “mover-se ao mesmo tempo em que se mede” – ou seja, é aquela época em que as pessoas medem e compreendem tudo, fazendo as coisas cuidadosamente, devido à magnanimidade das suas mentes.
Na opinião de muitas pessoas, existem quatro yugas em uma kalpa: satya, tretá, dvápara e kali. Na satya yuga tem-se jiňána-bhakti-karma [conhecimento, devoção e ação] – uma harmonia auspiciosa entre esses três aspectos. Ao mesmo tempo, na Satya yuga tem-se a predominância de sádhaná [prática espiritual]. As pessoas aceitam a renúncia pelo propósito da sádhaná; elas praticam austeridades. Por essa razão, a Satya yuga também é chamada de Krta yuga [krta significa “realizado, feito”].
Uttiśt́han tretá bhavati, krtam' sampadyate caran'.
“Na Tretá yuga tem-se a predominância da devoção; contudo, as austeridades da jiňána-karma sádhaná também são praticadas.”
Na Dvápara yuga tem-se a predominância da ação; contudo, as austeridades da jiňána-bhakti sádhaná também são praticadas.
Na Kali yuga tem-se a predominância da conversa. Na Kali yuga os seres vivos têm vida curta – eles desperdiçam seu curto tempo de vida em conversas supérfluas e em artifícios verbais.
Kalpa
Kalp + ac = kalpa. O significado etimológico da palavra kalpa é “o estado da imaginação”; coloquialmente kalpa significa:
1) A medição mental da motividade da ação, ou divisão do tempo.
2) O nome coletivo de Kali, Dvápara, Tretá e Satya Yugas. O término de um ciclo das quatro yugas é chamado de kalpánta. De acordo com a crença popular, se uma pessoa possui devoção, então ela irá obter a liberação nesta mesma kalpánta, independentemente de ela ter ou não quaisquer outras qualidades. Uma pessoa devota normalmente tem paciência e, portanto, não mistura outras coisas com a sua devoção. Ela permanece absorta na sua devoção, com a crença de que, se não hoje, então na kalpánta ela irá obter a liberação.
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Tradução: Mahesh, Florianópolis, 20 de janeiro de 2010.
Publicado em: The Electronic Edition of the Works of P. R. Sarkar – versão 7 (EE7)
Shabda Cayaniká Part 3 [ainda não publicado em português]
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