14/08/2009

DEUS E SUA CRIAÇÃO

Diz-se que há uma diferença entre Deus e o homem, entre o Criador e Sua criação. A diferença básica é que Deus está livre de todas as limitações, enquanto o homem está acorrentado a limitações. A diferença entre um objeto material e outro é conhecida por suas respectivas qualidades. Uma manga é uma manga pela virtude de suas qualidades; uma maçã é uma maçã por causa de suas características. Se as características e qualidades da manga se transferirem para a maçã, esta, então, não será uma maçã, mas se tornará uma manga.A diferença entre as características do Criador e as da criatura é que os conserva distintamente separados. Se através da sádhana , a criatura desenvolve as características do Supremo Progenitor, então , ele se torna o próprio Supremo.
Deixe-me dizer uma palavra sobre as qualidades de Deus e suas Criaturas. Etimologicamente Iishvara (um nome sânscrito para Deus) significa “O Controlador”. Deus é o Controlador e o ser vivo é o controlado. Neste mundo, todos os objetos, grandes ou pequenos, desde o átomo até o cosmos, são controlados pelo Supremo Controlador. No reino físico, você não é o controlador das ações. O homem não sabe que pode vir a morrer no momento seguinte. Ele é controlado por Alguém que tem absoluto direito para agir assim e que não pode ser questionado. Quando o proprietário quer que o inquilino deixe sua casa dará ao inquilino um aviso. O que pode o inquilino fazer? O máximo que ele poderia fazer seria recorrer a lei.
Agora, você nem mesmo possui seu corpo. Você pode apenas usá-lo. Deus é o proprietário. Se Ele quiser, Ele toma seu corpo de volta e Ele pode fazê-lo sem mesmo dar um aviso.No reino de Deus não há tribunais. Ele é o Supremo Proprietário e Seu direito é absoluto, eternamente absoluto. Deus é o controlador e os seres controlados não podem dizer coisa alguma, eles terão que se render a Ele.
Portanto, você viu a relação entre Deus e as criaturas. Deus tem o controle em Suas mãos e os seres vivos não são livres. É claro que você pode dizer que no reino de Deus há uma certa medida de liberdade. Se você se rebaixa a condenar Deus, Ele não irá dizer coisa alguma. Mas você percebe que é capaz de aviltar Deus, através de Seu poder? Você toma o poder de Deus para O aviltar! Agora, o que você fará quando Deus é controlador? Este poder de controle de Deus é admirável e mesmo mágico. O mágico transforma uma pedra em um pombo, e as pessoas apenas assistem à transformação. Como a pedra transformou-se em pombo, isto as pessoas não compreendem. Será que ela realmente se transformou ou não? Isto não se sabe. O mistério atrás disto é conhecido pelo mágico e os poucos de seu grupo que estão no palco com Ele.
Deus está controlando todos por Seu poder mágico. O que fará a pessoa que quer descobrir os íntimos segredos de seu mágico poder de Deus? Para saber o que, por que e como da influencia mágica de Deus, você terá que penetrar no grupo do Mágico-Mestre e desenvolver amor por Ele. Amando e não discutindo com o Supremo, e participando de Seu grupo, você conhecerá a técnica secreta de Seu controle. Como pode o Homem evoluir no caminho do progresso? Desenvolvendo amor por Deus.
Maharishi Kanad, um grande santo, costumava perguntar o que é este cosmos. O universo é a combinação de átomos. Um átomo é uma força material, uma força crua, uma força física. Se as atividades do mundo fossem entregues ao átomo o que aconteceria? Haveria choque e luta. Se o átomo fosse tudo, este mundo belo, evoluído e sistemático que funciona sob certas normas e princípios, não teria sido fundado. Maharishi Kanad disse que a matéria elementar existe, mas a matéria não controla a matéria. O que controla é a faculdade cognitiva – Deus. A força cega não pode criar um mundo sistematizado. Você tem que salvar se do laço da serpente do materialismo, e você pode salvar se a si mesmo entregando se a Deus. O homem que prontamente se entrega a Deus é um sábio, e seu progresso será extremamente rápido.
O homem não é meramente o corpo físico com mãos e pernas; o homem é maior , é mais grandioso que isto. O corpo físico não é controlado pelo corpo, mas pela mente, que, por sua vez, é controlada pela consciência Cósmica (Deus). Assim o homem sábio deverá se conduzir de acordo com o desejo de Deus. Motivado de acordo com o desejo de Deus, o homem irá se engajar nas atividades do mundo.
Qual é a outra característica de Deus.? Ele permanece infenso ou indiferente à angústia, ação, reação e dependência. Todas as criaturas deste mundo não têm o mesmo nível de elevação. Se o homem continua a elevar sua mente até atingir além da periferia destes quatros fatores, então ele se torna Deus.
Agora, o que é angústia? Aquilo que prejudica a naturalidade da mente – aquele estado que o homem quer evitar – é chamado angústia. Suponha que você cheire alguma coisa fedida. Sua mente não permanecerá firme e você perderá logo o senso de julgamento. Você vai querer ficar longe daquela coisa mal cheirosa, porque ela é causa de sua angústia.Você vai querer ir onde haja alguma coisa fragrante, porque aquilo aumenta seu bom humor e jovialidade. Se, antes de meditar, você queima um pouco de incenso, você naturalmente se sentirá mentalmente bem.
Os seres vivos são afetados pela angústia. Considerando se os diferentes tipos de angústia, existem quatro tipos de ações que os seres humanos executam. Devido à ignorância e à atração pelas coisas físicas, o homem comete muitas ações que trazem dor e sofrimento enquanto as executa e que deixam dor e sofrimento depois da execução. Suponha que haja uma competição de rasagula (doce delicioso) entre alguns homens, e alguém devora cinco kilos deste doce. Enquanto está comendo, o individuo sofre, no sentido de que ele está sendo forçado a comer por causa da competição, de que ele está comendo contra sua vontade, apenas para se sobressair como herói. Você também conhece as conseqüências dolorosas de comer uma grande quantidade de doces! Tal ação traz sofrimento enquanto executada e depois de concluída.
O segundo tipo de ação traz sofrimento e depois prazer. Suponha que seus amigos começaram a seguir caminhos tortuosos acumulando bens e aceitando subornos e você continua a viver a vida dura, mas honesta, cheia de pobreza e problemas. Você está sofrendo, é verdade, mas as conseqüências de seu sofrimento vão ser premiadas no sentido de que você viverá com honra e respeito. Neste segundo tipo de ação houve sofrimento no início, mas as conseqüências vão ser felizes.
O terceiro tipo de ação trazer prazer e depois dor. No terceiro tipo de ação há muito prazer em fazer a ação, mas seus efeitos são muito ruins. Considere quatro pessoas: Sr.A, Sr. B, Sr.C e Sr. D, viajando de Magpur a Bombain, Sr. A, Sr.B e Sr.C estão viajando sem passagens, de 1º classe, num vagão com ar condicionado. O Sr. D, entretanto, tem uma passagem de 3º classe e está viajando num compartimento cheio de gente onde está passando por muita privação. Sr. A, Sr. B e Sr. C estão instalados confortavelmente e se divertindo. Durante a fiscalização das passagens, Sr. A, Sr.B e Sr. C são levados sob custodia policial e o Sr. D felizmente chega a seu destino. O comportamento do Sr. D trouxe dor e prazer, enquanto o comportamento dos outros trouxe prazer e depois dor. Lembre-se que Deus está além do âmbito das três ações mencionadas.
O quarto tipo de ação traz prazer. Aqui não há dor, nem enquanto a ação está sendo executada, nem em suas conseqüências. Este tipo de ação é de Deus e é também possível ao homem. O que Deus faz traz prazer. E para os homens a sádhana espiritual traz prazer. Sim, no reino espiritual, o homem e Deus chegam ao mesmo nível ou ponto comum. Quanto maior sua sádhana, tanto mais próximo você estará de Deus.
Quando a ação é executada, tanto no plano físico como no psíquico, é chamada karma. Deus não faz nada no plano físico. Para Deus tudo é interno. Para Ele não há mundo externo. Tudo é Sua projeção psíquica interna, nada é externo. Para os seres humanos há projeção psíquica interna e projeção psíquica externa. O homem que projeta um fantasma em sua mente e pensa nele continuamente irá projetar sua mente externamente e verá o fantasma no mundo externo. Quem não pensa no fantasma não o verá, mesmo durante a noite. Assim, para o homem há um “interno” e um “externo”. Se os pensamentos do fantasma se tornam dominantes na mente e se a projeção restante da mente subconsciente é suspensa ou unida à aquela projeção interna, aí a personalidade está perdida. Se a mente naquele momento pensar que se tornou um fantasma, a pessoa agirá como se fosse um fantasma. Esta é uma doença associada à histeria. E as pessoas erroneamente dizem que o fantasma entrou em seu corpo. Tudo isso é psicológico.
Você age pela sua mente e por suas mãos e pernas. Algumas vezes pode agir mentalmente, mas não pode agir fisicamente por causa do medo da sociedade e por outras causas. O homem que diminuiu a diferença entre ações internas e externas é um homem verdadeiro. O homem interior e o exterior devem ser um. Se uma dupla personalidade se desenvolve lado a lado, e se a diferença entre as duas personalidades se torna muito grande, então o homem morre. Esta dupla personalidade é muito perigosa para o desenvolvimento humano. Unifique-as.

O sábio considerará se a civilização moderna é uma civilização verdadeira ou não. Eu não sou um intelectual, mas sei que o maior defeito desta civilização é que nela uma dupla personalidade está se desenvolvendo. A distancia entre o homem interior e o homem exterior esta aumentando continuamente. Esta distancia é menor, mesmo agora, nos habitantes ignorantes dos vilarejos.
Entretanto, em Paramapurusa, não há oportunidade para uma existência dupla. Em Deus tudo é interno; nada é externo. Tudo está dentro, nada está fora. Portanto, esta é a diferença entre as ações de um ser humano e as de Deus, a Criatura e o Criador.
Quando um homem faz qualquer ação, há uma reação. Onde há ação há reação igual e oposta, contanto que o tempo, espaço e as pessoas permaneçam imutáveis. Se um dos três fatores mudar, então a reação não será igual e oposta. A reação será um pouco maior ou um pouco menor. Suponha que numa noite, às 19:00 horas, o Sr. X pede emprestado 20.000 rúpias ao Sr. Y. Se o dinheiro não for devolvido no mesmo instante ele terá que ser devolvido com juros. Você terá que devolver uma quantia maior do que a que você recebeu.
A reação não ocorre no mesmo local e nem logo após as ações. A reação pode ocorrer depois de algum tempo – depois de poucas horas, dias, meses, anos ou mesmo, algumas décadas. Se você comete uma ação má, você terá que sofrer suas conseqüências, e você terá que pagar juros sobre a ação. Daí, a reação que você terá que suportar será maior que a ação. A reação não está em Deus, apenas no homem. Já foi dito que Deus não executa a ação no mundo externo, mas o homem o faz. Se o homem executa uma ação indébita em sua mente, a mente terá que sentir a reação. Ainda que seja dito nos Shástras ( escrituras ) que em Káli Yuga ( a atual era das trevas ) o pecado mental não é pecado, isto significa, na realidade, que o pecado mental não é punido mas deveria ser evitado, e o pecado externo é punido e deveria ser indubitavelmente evitado.
Se alguém comete um furto, terá que receber uma punição como reação. O furto é punível e deve ser evitado. Alguém que comete um furto em sua mente não prejudica ninguém neste mundo; assim, seu pecado não é punido. É claro, ele deveria ser evitado, porque se a mente pensa continuamente “eu roubarei, eu roubarei”, então o homem cometerá um furto fisicamente.
A uma ação benevolente corresponde uma reação benevolente, a uma má ação corresponde uma má reação. Uma ação boa prende como uma corrente de ouro, uma má ação prende como uma corrente de ferro. Deus não sofre qualquer reação porque não há nada externo a Deus. Tudo está Nele e tudo é Ele. O que quer que Deus faça está dentro de Si próprio, e não é nem bom nem ruim. Se você batesse num cavalheiro seria uma ação errada, mas bater em si mesmo não é censurável. Ninguém lhe dirá coisa alguma. Ninguém irá mover uma ação de difamação contra você, por qualquer coisa que você tenha feito com você mesmo. Assim, o que quer que Deus faça é com Ele mesmo, portanto, não há reação. Esta é a diferença entre o homem e Deus.
Todas as coisas criadas, todos os seres vivos precisam de proteção. Por exemplo, a cidade de Nagpur está sob os cuidados de algum distrito. O distrito está sob a administração de algum estado, e o estado está em alguma nação, a nação num continente, e assim por diante.
Mesmo a sustentação desta terra está no sistema solar, onde o sol é o núcleo. O sistema solar tem seu lar na galáxia, no cosmos. E o que é o núcleo dos Cosmos? É Paramapurus'a. Mas Paramapurusá não tem proteção. Ele não depende de coisa nenhuma. Por outro lado, o homem tem de depender de alguma coisa, de alguma proteção, de algum recurso. Se o homem quer se salvar da angustia, ele terá que absorver e adotar as qualidades de Deus. Lembre-se, a ação que traz prazer é comum tanto ao homem como a Deus. Assim, o homem deve encorajar este tipo de ação e isto implica em que ele deve fazer tanto mais sadhána quanto for possível. Mesmo as atividades mundanas devem ser encaradas como se elas fossem uma parte da sadhána. Atribua divindade a todas as ações que faz. Aí, então, você estará salvo da angústia. Antes de fazer qualquer coisa, você deve usar seu Guru Mantra (uma prática que atribui divindade a todas as ações mundanas). Toda a ação passa a ser então parte da sadhána, e não mais uma ação acorrentadora. Não haverá reação se você fizer todas as ações considerando todos seu Ser. Pratique madhuvidya!-(a doce ideação de que o Supremo está em todo lugar).
Com relação à proteção, o homem não deve pensar em termos de vila, cidade, distrito. Somente Deus deve ser sua proteção, e ele deve pensar que está sob a proteção de Deus apenas. Apenas Sua proteção, apenas Seu barco pode nos levar através do rio da vida. O homem se torna Deus, refugiando-se Nele. E você deve refugiar-se Nele agora; será difícil mais tarde.
Deus é inexplicável, indefinível. Ele é a própria personificação do amor. Considerando as conexões e relacionamentos mundanos, todas as coisas são mútuas, nada é unilateral. Você paga ao comerciante algum dinheiro e ele lhe dá o que você quer. O relacionamento é mútuo. Você não pode obter nada do comerciante se não pagar pelo que deseja. Também você não dá dinheiro ao comerciante sem obter alguma coisa em troca. O relacionamento é mútuo. Isto é negócio. Quando a conexão é unilateral, quando você dá sem receber algo de volta, isto é chamado seva ( serviço). O homem de negocio anuncia que ele tem “servido à sociedade nos últimos anos”. Na realidade, ele não faz serviço algum, ele negocia. Ele recebe dinheiro para fornecer algum bem em troca. Similarmente, o homem faz ações mundanas para comer, falar, etc. para seu prazer. Qualquer coisa que o homem faça para sua felicidade e satisfação de Deus é chamado prema ( amor). Amor é unilateral; todo o trabalho mundano é mutuo.
VOCÊ NUNCA ESTÁ SÓ OU ABANDONADO.
A FORÇA QUE GUIA AS ESTRELAS GUIA VOCÊ TAMBEM.
Deus não faz nada para Si mesmo. Deus é amor personificado, porque o que Ele faz é para servir os seres vivos. Ele é a morada do amor. Seu amor é inefável. Ele é inexplicável. O homem é impelido pelo egoísmo e guiado por seu limitado intelecto nos assuntos do mundo. Eu me lembro de ter ouvido em algum lugar que se pediu a um senhor que risse. Ele, sendo um homem de negócios, replicou: “Qual é o lucro que eu terei por meu riso?”. Antes de fazer alguma coisa, o homem vê se lhe será lucrativo fazer aquilo. Este não é o caso de Deus. Ele pertence a todos. Ele é para todos.
Enquanto Deus é inexplicável, podemos dizer alguma coisa sobre a natureza do homem. Por exemplo, diremos que esta pessoa é excêntrica; este senhor é puro de coração; este homem é bom, exceto por seu temperamento apaixonado e assim por diante. Em uma palavra, o homem é explicável, mas Deus é inexplicável. Vyasa, um poeta da antiga Índia, escreveu os Puranas (escritas antigas) para a educação pública e para elogiar as características divinas de Deus, assim ele elaborou acerca de Deus. Mas isto não deveria ter sido feito, porque Deus é inexplicável, Ele é indescritível. Ele está além dela. Ele não pode ser expressado; Ele está alem até mesmo da mente. Assim, não é possível para as escrituras escrever sobre Ele. E você sabe, Vyasa depois de ter escrito as escrituras, desculpou-se a Deus e procurou ser perdoado com estas palavras:
“Tu estás alem da forma, e ainda assim, eu Te descrevi. Esta é a minha primeira falta e crime. Tu estás alem de todas as qualidades, ainda assim, descrevi Tuas qualidades como compaixão, misericórdia, etc...Esta é a minha segunda falta e crime. Tu és onipresente, ainda assim, eu reforcei e propaguei a importância das peregrinações. Ao dizer que as peregrinações a um local ou um mergulho em algum rio sagrado seria algo virtuoso e capaz de produzir certos benefícios materiais, eu Te afrontei a Tua onisciência. Este é o meu terceiro crime. Ó Deus, eu cometi conscientemente estes três crimes. Perdoa-me Senhor”.
Sim, Deus é infinito. O homem pode ser descrito: Tom é deste tipo, Dick é daquele tipo. O homem deve contemplar Deus. Aí, então, ele também será inexplicável; Ele também será a personificação do amor.
Você trabalha com um cérebro, mas Deus trabalho com milhões de cérebros. Você se considera erudito depois de ter lido alguns livros e diz:” Onde está Deus? Mostre-me” Ah! Você tem o olho para Vê-lo? Se for pedido para um cego para ver um elefante, o que poderá ele ver? Para ver o elefante você precisa de olhos. O homem tem dois olhos, ambos na frente. Um olho atrás e outro na frente poderia ter servido a este propósito. Os dois olhos estão na frente e o homem não pode nem mesmo ver o que está acontecendo atrás de si. Mas Deus “vê” com um número infinito de olhos. Ele vê mesmo o que você faz clandestinamente . Ele “vê” o que você está pensando em sua mente. Você ( apontando para um sadhaka de Hyderrabad) pensa que lhe teria sido conveniente se Nagpur estivesse mais perto de Hiderabad, mas para Deus não existe isto que chamamos distância. Ele não tem que ir a lugar algum. Ele tem um pé aqui na tenda e Seu outro pé talvez esteja em sua casa de Hiderabad. Você deve se lembrar que no caso de absoluta cognição existe velocidade absoluta ou pausa absoluta, mas no domínio de relatividade não pode nunca haver velocidade absoluta ou pausa absoluta; em todo o lugar há velocidade relativa e pausa relativa.
Ele está neste mundo de cinco fatores fundamentais. E neste mundo psíquico, nas esferas das mente, Ele existe em Sua onipresença. Ele criou todas as esferas da mente, e Ele existe em todo lugar.
Mas o ser limitado existe numa região limitada deste mundo material. Se alguém diz que Ele é um especialista em Geografia, e se eu lhe pergunto o número de casas de Nagpur ou o numero de tijolos das casas, ele não estará apto a responder. Quantos tijolos há em Nagpur é certamente uma questão de Geografia, mas eu não encontrei nenhum especialista em Geografia que pudesse responder minha pergunta.
A inferência é que o conhecimento humano é imperfeito e nunca se pode pretender ser perfeito em qualquer conhecimento humano. O orgulho do saber é, portanto, sem sentido. O homem nada tem de que possa se orgulhar. Se há alguma coisa de que possa se orgulhar, é Deus. Você pode certamente se orgulhar do Pai que é perfeito e divino. “Eu sou o filho de Deus.” Este é o tipo correto de orgulho. Fora disso, nada há de que se possa orgulhar.
O homem sabe apenas algumas coisas do passado recente. Ele nem mesmo pode saber o que acontecerá no próximo momento. Mas Deus sabe de tudo. Ele é onisciente porque o mundo de relatividade está dentro Dele. Ele é o conhecedor do passado e do futuro. O conhecimento do homem é muito limitado. Se aqueles que passaram no exame de bacharelato tivessem que prestar um exame neste momento, penso que nenhum passaria. Mesmo se lhes fossem dadas agora as mesmas questões do exame anterior, não passariam, porque teriam esquecido muito do que aprenderam antes.
Os homens são guiados pelos complexos de superioridade ou pelos de inferioridade. Suponha que alguém passe no exame de bacharelato e as pessoas de sua vilas sejam todas analfabetas.
Quando ele for a sua vila terá tal ar de orgulho que não irá se misturar espontaneamente com o povo e não falará livremente com eles. Poderá também sentir inferioridade de pertencer a uma vila atrasada enquanto está entre os habitantes da cidade. No homem, os sentimentos de grande e pequeno brotam. O homem não tem perspectiva desapaixonada.
Deus, pelo contrario, olha para os tolos e os sábios, os pretos e os brancos, os altos e os baixos, e para todos – com os mesmos olhos. O homem, porém, pensa sobre o grande e o pequeno. Ele adula os grandes e desdenha ou negligencia os pequenos. Para Deus não há diferenciação, Deus é para todos. Em tempos de tristeza você diz: “Ó, Deus, salva-me!” e o homem perverso diz: “Ó, Deus, salva-me!”. Deus ouve mesmo o perverso, mas você despreza o perverso. Eu disse uma vez que Deus não pode fazer duas coisas. Ele não pode criar outro Deus como Ele, embora possa criar todas as outras coisas, e Ele não pode odiar ninguém. Mesmo que Deus deseje odiar alguém, Ele não pode fazer isso. Os que estão no paraíso e os que queimam no fogo do inferno são ambos igualmente queridos de Deus. Deus tem compaixão por todos. Ninguém está sem seu apoio. Se uma criança vil chora no inferno e diz:
“ Ó, Deus, agora eu não posso suportar o tormento. Salva-me!” Deus o ouvirá e o protegerá como protegeria qualquer outro. Mas você não tem esta característica. Quando você vê uma pessoa perversa sofrendo, você diz: “Ah, é bem feito!” Você tem intenso ódio por aquele homem perverso.
Você pode responder ordens de outros, mas Deus não pode receber ordens de ninguém. Esta é a diferença fundamental entre você e Deus. A despeito disso , Deus o abençoou com uma coisa maravilhosa – a mente. A natureza desta coisa, a mente, é que, assim como ela pensa, assim se torna. O que pode você fazer muito convenientemente? Unir sua mente a Deus. Tendo a ideação de Deus, você mesmo vai se tornar Deus, e todas as qualidades e características de Deus lhe advirão. Deus não pode ser dois. Você vai se fundir com Deus e se tornar aquele Deus uno. Você se estabelece assim em benção eternamente.!
As pessoas que dedicam tudo de si ao pensamento do Grande e à inspiração do Supremo são verdadeiramente os grandes heróis. Tais heróis na verdade, são os virtuosos e somente eles são capazes de levar a história da humanidade das trevas para a luz.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

01/08/2009

A MISSÃO DE SE TORNAR PERFEITO

Neste mundo nada existe sem uma causa. Tudo tem uma causa. O fato de você ter nascido como um ser humano também tem uma causa e um propósito. Você pode não conhece-la, mas o Ser Supremo a conhece.
A vida é movimento da imperfeição para a perfeição. Quando os objetos inanimados se tornam animados, há progresso. Há mais progresso quando os seres animados se tornam organismos multicelulares, estruturas cada vez mais complexas. O homem é o ser mais elevado, o ser mais perfeito em estrutura. O homem é, assim, um animal aperfeiçoado. Mas isso é o começo do progresso do homem. Ele ainda tem que alcançar mais perfeição física, intelectual e espiritual.
O movimento em direção à perfeição – Deus – é Dharma. O movimento em direção à imperfeição é adharma. O primeiro é vida, o ultimo é morte. O movimento do homem em direção à animalidade não é, portanto, vida, é morte.

Nenhum movimento está livre de fricção ou obstáculos. Mesmo quando você anda, a força da gravidade o estorva. O movimento em direção à perfeição é estorvado por todas as forças da imperfeição, do mal. O pecaminoso, o mundano, o limitado, dificultam todo movimento para a expansão da mente do homem. Mas sendo a perfeição um movimento em direção a Deus, não tema – vá em frente. Os obstáculos irão para o esgoto, ao qual eles pertencem. Você progredirá.
A missão da vida do homem é mover-se em direção à perfeição, em direção a Deus. Isto é Dharma, seu dever. Nesta luta, as forças do mal estão destinadas a serem derrotadas. Isto tem sido um fato ao longo dos anos, e a historia se repetirá.
Você não tem direito algum de descansar até que complete sua missão de ser perfeito, de ser divino, de estabelecer-se na perfeição. O descanso é um pecado, desde que coloca uma parada no movimento. Não descanse até alcançar a meta.

A graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

14/07/2009

RETORNANDO A CASA

Simplificando, o que nós temos que fazer é voltar ao lar, de onde viemos. Nós todos viemos da Entidade Suprema, o Núcleo do Universo. Temos que voltar ao mesmo destino. O menino brincou o dia todo nos campos e agora que a noite chegou, ele volta ao lar. Sádhana é, portanto, o processo de volta ao lar.
A criança brincou fora todo o dia. Quando a noite se aproxima, ela pensa que seu pai já deve ter voltado para casa. “Deixe-me voltar para casa e sentar-me perto dele”, ela pensa. Quando alguém está cansado deste mundo e das coisas mundanas, procura voltar à espiritualidade – seu lar. E qual é nossa morada permanente? É o Pai Supremo, a Consciência Suprema. Portanto, a volta ao lar é uma tarefa simples. Não requer erudição, nem conhecimento, nem faculdade intelectual, nem longo e tedioso aprendizado. As pessoas dizem que há três pontos a serem lembrados para voltar para casa; ouvir o nome do Senhor, pensar somente em Deus e em mais ninguém e oferecer a mente a Deus.
A importância de se ouvir o nome de Deus no desenvolvimento espiritual é grande. Ouvir a respeito de Deus é muito mais importante na espiritualidade que os estudos, uma vez que o som é muito mais sutil. Portanto, sempre que houver uma oportunidade, ouça Seu nome e repita-o para que os outros também possam ouvi-lo. Sempre que você diz Seu nome a outros, você também o ouve. Este duplo gozo de recitação de Seu nome é chamado Kiirtan ( cânticos do nome do Senhor ). Bhajan (cantos devocionais), por outro lado, é ouvir Seu nome sozinho. Você deve fazer ambos – bhajan bem como kiirtan. Isto é shravana ( ouvir ).
Logo após vem manana, isto é, pensar somente em Deus e em mais ninguém. Se qualquer outra pessoa ou mesmo coisa vier a sua mente, atribua divindade àquela pessoa ou coisa. Este processo é manana.
Agora o que sobra é o sentimento do eu, o ego. Temos que eliminar este sentimento. Todas as cargas, todas as confusões, todas as considerações de respeito ou desrespeito estão ligadas ao ego. Quando alguém discorda de você, você abre um processo contra ele. Porque você tem este trabalho? Somente para defender o seu ego.
Todos os problemas e frustrações são devidos somente ao ego unitário. O fato é que, mesmo depois de entregar-se totalmente a Deus, o arqui-inimigo, o sentimento do eu permanece. Você dirá: “Eu entreguei tudo a Deus”. Eu, eu,eu! Meu amigo, entregue este “eu” também a Deus e só assim sua entrega será total. Todo o problema é devido a este “Eu”.
Realmente, a única tarefa a ser feita é entregar tudo a Deus. Tudo o que você possui – seu corpo, seu nome, fama, riqueza, tudo – você recebeu de Deus. Então, o que você Lhe dará e como fará? Até agora só tem devolvido a Deus Suas coisas. O que você tem que Lhe dar é algo seu mesmo. Este é o ponto essencial do problema. Alguém lhe dará uma flor de presente e você lhe devolve a mesma flor. Isto não é correto. Porque não lhe dar o seu “Eu” que é a fonte de todos os seus problemas, de todas as suas confusões, de todas as suas complicações? Não há nada mais caro para você do que este seu “Eu”.
É muito difícil renunciar a ele. Portanto , o devoto exclama: “Ó Deus, o universo é Tua morada. Esta cheio de jóias preciosas. O que há de valioso neste mundo te pertence. Então, que presente precioso poderei Te dar? Tu não necessitas nada disto. Qual é a utilidade de se oferecer algo a alguém cuja casa está cheia de jóias preciosas? Prakrti ( a Energia Cósmica) com todo o seu poder é Tua própria consorte. À Tua vontade, Ela fará inúmeras jóias num momento: a mão habilidosa deste Poder Criativo está sempre pronta a Te ouvir. Ó Senhor dos Senhores, embora eu deseje oferecer-Te algo, não sei o que. Embora eu queira oferecer, Tu não tens desejo ou vontade. Se a Ti nada falta, o que posso oferecer? Se eu pudesse saber de algo que tu não possuis, eu te ofereceria” .
“Ó Senhor dos Senhores, ouvimos que teus grandes devotos Te arrebataram a mente. Deus se torna escravo de seus devotos. O devoto rouba o coração de Deus – quase à força. Isto é feito abertamente e não em segredo.Então, Ó Senhor, falta-Te uma coisa – Tu não tens mente.” O devoto diz: “Não desesperes, Ó Senhor, eu te ofereço minha mente. Este oferenda da própria mente a Deus é a completa entrega. A entrega total torna possível a fusão na Suprema Entidade. Isto é a realização de Deus.
Quando se entra em contato íntimo com a Entidade Suprema, conclui-se que não há riqueza superior à devoção. Todas as outras possessões terrenas mostram-se sem valor. Somente a devoção propicia-nos um contato íntimo com Ele. Esta é a meta da vida humana. Isto é o verdadeiro progresso. Você vem vagando através do labirinto de miríades de vidas e avançando para alcançar este estágio. Sabendo ou não, você é atraído para Ele. Aqui está o ápice da vida. Enquanto você não O realiza, não há sucesso em sua vida.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

05/07/2009

A GRAÇA DO SENHOR É TUDO

O homem deve sempre ser grato a Deus. É Ele quem, por Sua Graça, tem provido os seres humanos com os requisitos para a sádhana. Ele, constantemente, derrama a chuva de Sua Graça, sem reservas, mesmo naquela pessoas que se degradam, gradualmente, em direção à imperfeição. Ainda que você condene Deus e negue Sua existência, Ele não ficara descontente com você. Ele não o lançará no caminho da destruição. Seu semblante imponente de perdão permanecerá sempre imutável. Ele estará sempre orientando você como corrigir-se. Quem mais é seu amigo genuíno e companheiro do que Ele?


Você é minha mãe, Você é meu pai,

Você é meu amigo, Você é meu companheiro,

Você é meu conhecimento, Você é minha riqueza,

Você é tudo, meu Senhor dos Senhores.

Ó homem! Não despreze este amor vivificante de seu Amigo supremo. Não deixe nenhuma de Suas dádivas ficar sem uso. Preste atenção a Suas palavras com a mente firme. Ó homem! Não se esqueça do quanto Ele tem feito por você, do quanto Ele está fazendo, e de quão pronto Ele está para fazer qualquer coisa por você.

Quando um aspirante avança um pouco no caminho da sádhana, a Graça do Senhor se torna, então, mais e mais fulgurante em sua mente. Sua mente se torna espargida com esse sentimento de amor. As ondas de bem aventurança começam a se ativar em sua mente. Sua voz se torna abafada pela emoção. E, através de seus lábios, com o corpo balançando e os olhos cheios de lagrimas, a voz inaudível do devoto recita com fervor um sentimento de entrega solitária a Ele – de completa dependência Dele.

BRAHMA KRPÁHI KEVALAM

A Graça do Senhor é tudo.


A Graça de BáBá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

25/06/2009

A FONTE E O POTE

Então, agora você entende que enquanto você ansiar somente por sua felicidade egoísta, a felicidade do toque Cósmico continuará a lhe faltar. Leve o seu “Eu” insignificante, com toda sua insignificância na direção do Grande. Faça-o crescer e alargar-se. Seja um com aquela Entidade Sublime e só assim você realmente poderá alcança-La. Quando toda sua Entidade estiver completamente saturada com o néctar da Benção Cósmica, poderá sua existência permanecer separada?

Agora surge uma questão: O homem desistirá de todas as suas ocupações seculares depois de conseguir a felicidade Brâhmica ? Porque deveria? O homem cuja vida estiver saturada do néctar da Benção Cósmica continuará fazendo mais eficientemente e com mais beleza todos os trabalhos seculares como a tarefa carinhosa dada pelo próprio Deus. Ele não se preocupará com sua felicidade ou prazer em qualquer trabalho. Para a felicidade coletiva do Universo ele seguirá fazendo e impecavelmente qualquer trabalho, a coletividade universal é a Vida de sua vida, a Alma de sua alma, Deus. Ele usará seu ego insignificante como uma ajuda para a felicidade do Grande Ego. E qual o resultado? Um aspirante espiritual, esquecendo sua própria felicidade e dor, prossegue fazendo os desejados trabalhos de Brahma. Ele nada quer para si, ele quer apenas dar-Lhe felicidade. Mas, estranhos são os caminhos de Deus! Como resultado de tão desprendido amor, o próprio sadhaka desfruta uma incansável felicidade e se sente afortunado. Ele sente em seu coração dos corações qual valioso é mesmo seu insignificante ego como um instrumento de Sua graça.

Para realizar a Suprema perfeição, o homem terá que renunciar a seu “Eu”, quer dizer, ele terá que unir seu insignificante “Eu-sentimento” ao “Supremo Eu-sentimento”. O que é este insignificante “Eu”? É como um pote de água numa fonte. Se a água do pote for juntada à da fonte, as duas águas se tornarão intrinsicamente uma só. O pote que separa as duas águas deve ser retirado. Depois de removido o pote, não haverá mais distinção entre a água do pote e a água da fonte – ambas se tornarão uma.

A causa desta aparente distinção entre Deus e a unidade é este pote – a mente individual.

Em resumo, Ele é infinito. Se você quer realizar Seu Eu característico, você terá que conquistar ilimitadamente a si mesmo.

A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

15/06/2009

A ESSÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE

A essência da Espiritualidade - Dharma, está escondida em guhá. Há muitos significados para a palavra guhá em sânscrito. Um deles é caverna onde Deus reside. É insensato deixar o mundo, deixar o serviço à humanidade e ir para os Himalaias para realizar Paramapurus'a (Deus). Bem!... O próprio universo é Deus!... – onde você irá ao deixa-Lo? Pensa-se que no mundo não se é capaz de concentrar a mente por causa do ruído e da confusão, mas nas cavernas dos Himalaias a pessoa se preocupará porque não poderá conseguir frutas numa determinada floresta, e assim, no dia seguinte terá que colher ameixas maduras duas ou três milhas adiante, numa outra floresta. Em nenhum dos lugares se está livre. Se Paramapurus'a não quer que você O conheça, então você não será capaz de realiza-Lo em lugar algum. Se Ele desejar que você O realize, você O realizará aqui e agora. O que Ele vê é sua aspiração por Ele. Lembre-se disso – que em cada passo de sua vida Ele está testando se você tem sido capaz de despertar amor por Ele em sua mente. Ele está testando se você O deseja ou aos objetos mundanos.

Outro significado de guhá é “Eu Sou!, isto é, a essência de dharma, Paramapurus'a (Deus), está escondido em seu próprio “Eu”. É essencial para você ir aos Himalaias à procura daquilo que está escondido em seu próprio “Eu”? Você precisa da ajuda de um espelho para ver seu relógio de pulso em seu próprio braço ? Não, jamais você fará isso! Da mesma forma, você não precisa ir aos Himalaias à procura de Deus, que está escondido em seu próprio “Eu”. Vivendo no mundo, manifeste totalmente seu “Eu” a serviço da sociedade e, então, você realizará Deus!

Por que falar em alcança-Lo no futuro? Você já O alcançou; simplesmente não é capaz de vê-Lo.

“Oh! tranqüilo sádhaka! A Sádhana é seu grande arco. Ponha a seta de sua mente, afiada pela meditação, nesse arco. Agora inclinando sua mente em direção a Ele, puxe e vibre a corda do arco e atinja seu alvo – a indestrutível Alma Suprema”

A Consciência Suprema está em você como o óleo está na semente oleaginosa. Esmague a semente por meio da prática espiritual (sádhana) e você O realizará; separe a mente da Consciência e você verá que a resplandescência da Consciência Suprema ilumina todo o seu interior. Ele está ali como a manteiga no creme; agite-o, Ela aparecerá do interior. Agite sua mente através da sádhana e Deus aparecerá como a manteiga no creme. Ele é como um rio subterrâneo em você. Remova as areias da mente, você encontrará as claras e frescas aguas lá dentro.

A Graça de BáBá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

23/05/2009

THE MICROCOSM AND ITS OBJECT OF IDEATION - Part III - td pt

THE MICROCOSM AND ITS OBJECT OF IDEATION - Part II - td pt

THE MICROCOSM AND ITS OBJECT OF IDEATION - Part I - td pt

THE MICROCOSM AND ITS OBJECT OF IDEATION -12 May 1979, Fiesch, Switzerland
official source: Subha's'ita Sam'graha Part 12cross-references: also published in Ba'ba' in Fieschthis version: is the printed Subha's'ita Sam'graha Part 12, 1st edition, version(spelling mistakes only may have been corrected). The last paragraph didnot originally appear in the printed book, but was later pasted in as acorrection slip. I.e., this is the most up-to-date version as of thepresent Electronic Edition.Today's discourse is, 'Microcosm and its object of Ideation.'

* Esta versão da tradução foi baseada em uma tradução anteriormente já feita. Foi feita a revisão da tradução anterior em comparação com o texto da versão oficial em inglês, e também traduziu-se para o português comparando-se o texto da versão oficial em inglês com o arquivo original de áudio do discurso do autor em inglês. Modificações foram introduzidas em relação ao texto da versão oficial para que pudesse haver reprodução mais fiel do discurso em áudio. Isto incluiu até mesmo a inserção de algumas poucas frases inteiras do discurso que haviam sido omitidas na versão oficial. Também incluiu o acréscimo de algumas ênfases no texto (indicadas em itálico), indicando ênfases (no tom ou padrão de voz) do autor no discurso. Palavras em sânscrito também foram colocadas em itálico - mas não como indicação de ênfase no discurso. Algumas poucas pequenas partes do discurso não pareceram claras o suficiente para que as palavras do autor pudessem ser integralmente reproduzidas no texto. Na versão oficial do texto, algumas poucas partes do discurso foram omitidas ou modificadas sem ser por razão de dificuldade de transcrição do discurso - ou seja, provavelmente por razões editoriais. (Mahesh, Florianópolis, 20 e 21 de março de 2009.)

14/05/2009

PSEUDO-ESPIRITUALIDADE E NEO-HUMANISMO

O tópico do discurso de hoje é Pseudo-espiritualidade e neo-humanismo. Por um lado existe a pseudo-espiritualidade. Não podemos chamá-la de “espiritualidade mais elevada”, porque isto significa o movimento da imperfeição para a perfeição, e, no processo desse movimento, obtém-se momentos de exaltação; mas estes momentos de exaltação não são o estágio final. É por isso que eu prefiro chamá-los de pseudo-espiritualidade. O que é pseudo-espiritualidade? Não é a espiritualidade pura, mas, até certo ponto uma espiritualidade que tem algo a ver com a espiritualidade verdadeira.
                        Por outro lado, há o neo-humanismo. A existência humana – não apenas a existência humana, mas também a dos outros seres vivos – está dividida em quatro níveis. O primeiro nível é o nível físico, o segundo é o físico-psíquico, o terceiro é o psíquico e o último é o psico-espiritual. Nestes quatro níveis há movimento; todas as coisas se movem, nada está parado. No último estágio, o qual eu não mencionei, isto é, o estágio final da espiritualidade pura, também existe movimento, porque tudo neste universo se move; porém não podemos tê-lo sob o domínio da velocidade, já que esse movimento não está sujeito às limitações da relatividade. Agora, devemos considerar o quanto essa pseudo-espiritualidade pode nos ajudar em todos esses níveis.

            Neste mundo físico, cada objeto tem a sua própria característica. Cada coisa se move com o seu ritmo característico, porém esse ritmo individual é uma parte inseparável do Ritmo Cósmico. Assim, para os seres humanos, não é relevante o valor existencial ou utilitário de uma entidade. O fato é que todos os seres criados neste universo estão movendo-se nesse cosmos harmonioso. Inumeráveis entidade estão partindo, e o seu movimento na direção da Realização Suprema, para o estágio final, de nenhuma forma depende de seu valor utilitário ou existencial.

            Agora, no caso do neo-humanismo, temos que considerar em que grau os ritmos individuais dos seres humanos e das outras criaturas estão mantendo um ajuste com o Ritmo Cósmico, e nisso consiste a maior das aplicações do intelecto humano. Porém, devido à deficiência do intelecto humano, as pessoas nunca consideram as coisas na sua perspectiva apropriada; elas não pensam no bem-estar coletivo de seus semelhantes, muito menos no bem-estar da fauna e da flora. Elas pesam somente em seus interesses de grupo e individuais. Quer dizer, elas não são guiadas pelo Ritmo Cósmico; elas são guiadas pelos interesses de grupo e individuais e, portanto, ocorre um choque entre o interesse pelo grupo e o ritmo do movimento cósmico. Por que as pessoas pensam sobre os seus interesses mesquinhos? Porque elas são guiadas por dogmas, e esses domas certamente afetam o Ritmo Cósmico do universo, tanto quanto o do mundo humano. Logo, onde que haja a pseudo-espiritualidade, há a semente do dogma. A pseudo-espiritualidade afeta o movimento rítmico do mundo físico; ela não promove a causa do bem-estar humano.

            O segundo nível é o físico-psíquico. Este nível geralmente mantém um ajuste com o ritmo do mundo físico. Mas freqüentemente os altos e baixos psíquicos, as ondas psíquicas, as vibrações psíquicas, são afetadas pelas vibrações físicas devido aos interesses individuais e de grupo. Por causa dos pensamentos extremamente mesquinhos e egoístas, os processos de pensamentos degeneram e as pessoas perdem o ritmo no mundo psíquico. Portanto, elas se desviam da corrente principal do Ritmo Cósmico do universo. Assim, no domínio no mundo físico-psíquico, a pseudo-espiritualidade não possui nenhum significado. Não queremos a pseudo-espiritualidade, queremos a espiritualidade perfeita.

            A pseudo-espiritualidade também não pode nos ajudar a pensar, pois o nosso pensamento fica muito afetado pelo dogma. Quando os seres humanos, num momento de introspeção, pensam no interesse coletivo, então, tais pensamentos são úteis, mas geralmente as pessoas não pensam assim. Usualmente elas se lamentam sobre os esqueletos do passado: “Isto foi imposto por nossos antepassados – eles ditaram isso dessa maneira, por que, então, eu devo romper com as tradições antigas?” - “Está escrito dessa forma nas escrituras e, além disso, que mal pode haver em seguir estas convenções e tradições antigas?” – Estes tipos de dogmas e de pensamentos dogmáticos naturalmente obstruirão o fluxo livre do pensamento humano. É por isso que, onde quer que haja dogma, o pensamento humano não poderá ser claro e, por falta de clareza no pensamento, não poderá haver também nenhum progresso psico-espiritual adequado. A pseudo-espiritualidade não pode promover a causa do bem-estar humano; a semente desse bem-estar não está nela. A semente do bem-estar não pode permanecer onde está a semente do dogma.

            Também na esfera psico-espiritual, onde a velocidade do progresso é máxima, essa velocidade fica impedida por causa do dogma, pois existe uma imperfeição na fase inicial. Se os próprios pensamentos são imperfeitos, então, como poderão as pessoas, sob o peso desses pensamentos imperfeitos, progredir na direção na espiritualidade perfeita? Assim, a pseudo-espiritualidade, cheia de dogmas, não leva ao bem-estar coletivo nem no mundo físico, nem nos físico-psíquico, psíquico e espiritual. O que queremos realmente é a espiritualidade perfeita, não a pseudo-espiritualidade.

            Todas as coisas neste universo se movem, e esse movimento é da imperfeição para a perfeição. Logo, a espiritualidade perfeita é o nosso objetivo e o neo-humanismo é a nossa abordagem. O que é neo-humanismo? O conjunto de todas as expressões naturais humanas, de todas as expressões da flora e de fauna; todos os movimentos dos sentimentos humanos e de toda a flora e da fauna na direção da espiritualidade perfeita. E essa espiritualidade perfeita não pode ser o culto, ela é o objetivo – é o desideratum, o ponto culminante de todos os movimentos. E qual é esse culto? O culto é o movimento do neo-humanismo. Quer dizer, o culto é o movimento de todas as expressões humanas, de todas as manifestações humanas – e não apenas das expressões ou manifestações humanas – mas de todas as expressões e manifestações de todos os seres vivos, incluindo a flora e a fauna. Este é o culto, isto é o neo-humanismo.

            Portanto, a nossa bordagem, o nosso culto é o neo-humanismo, e o nosso objetivo é a espiritualidade perfeita. E, essa abordagem Neo-Humanística é um legado humano, é a graça da existência humana e fascínio da sociedade humana.

                           P.R. SARKAR  (Abhimata, 5/88 – Ánanda Nagar, 31/12/1982)

21/04/2009

7 Secrets of Success Pt 3-13 - Overcoming Obstacles - By Dada Madhuvidyananda yoga meditation

The 7 Secrets of Success are yogic practices for being successful and fulfilled. Dada Madhuvidyananda explains these ancient 'secrets'. Dada is a yogic monk and teacher who has written the acclaimed book SEVEN SECRETS OF SUCCESS - A guide for living a successful and fulfilling life. Dada teaches classes and seminars at the Ananda Liina spiritual center in Urbana, USA, where he currently lives. If you would like more info on his book, visit www.nhsuccess.org

10/04/2009

REALIDADE E INTELECTUALIDADE

O tópico do discurso de hoje é Realidade e intelectualidade. Enquanto falamos ou discutimos, geralmente dizemos, “Isto é uma realidade”, ou “Isto é fato consumado”, ou “Isto é abstrato”. Usamos vários termos para expressar uma idéia da realidade. Consideremos agora o conceito de realidade, e depois iremos examiná-lo intelectualmente. Os seres humanos afirmam que são altamente intelectuais e dizem muitas coisas sobre si mesmos. Mas o que é a intelectualidade? Antes de iniciarmos nossa discussão sobre a intelectualidade vamos primeiro compreender o conceito de realidade.

Para os seres humanos, a realidade é aquilo que eles podem perceber com seus órgãos sensoriais. Qualquer coisa percebida diretamente é real. Como pode uma pessoa conceber um objeto? Através de um processo pelo qual o objeto alcança as portas de nossos órgãos sensoriais por meio de várias ondas aferentes, sejam elas ondas de som, tato, forma, cheiro ou gosto.

Estas ondas de expressões vibratórias nunca são lineares ou retas, mas sempre sistálticas por natureza. Em cada fase de tais ondas, há pulsação e sístole. Cada expressão vibratória é pulsativa. O que quer que emanemos ou expressemos através de nosso órgãos sensoriais ou motores se processa por meio do movimento sistáltico. As ondas aparecem por uma fração de segundo e, no momento seguinte, desaparecem. Portanto, quando uma onda surge, nós podemos percebê-la. Por exemplo, quando dizemos que estamos vendo um elefante ou um camelo, não os vemos ininterruptamente – ora eles aparecem, ora desaparecem. A soma total de todas essas aparições constitui o objeto que vemos.

A tendência natural da psicologia humana é conseguir algo. Ela sempre tem uma tendência positiva para conseguir, pegar ou provar algum objeto. É por isso que, no processo da expansão mental, sintetizamos em nossa mente qualquer objeto do qual nos aproximamos e dizemos que vimos esse ou aquele objeto – que tocamos ou cheiramos isso ou aquilo.

Se a mente estiver absorta no estado negativo, então, mesmo depois de ver um elefante ou um camelo, a pessoa alegará que não viu coisa alguma. Isto indica quais as idéias que são positivas e quais as que são negativas. Geralmente, vemos alguma coisa quando as tendências positivas dominam a mente e, nesse estado, tocamos ou percebemos essa coisa. Por qualquer razão, se a mente estiver absorta no estado negativo, ela não poderá perceber nada.

Portanto, aquilo que chamamos de realidade possui duas condições – positiva e negativa. De fato, a dualidade sempre existe. Devido à existência dessa dualidade, a realidade não pode ser uma entidade absoluta. A realidade não se consubstancia em tal estado de dualidade. Obviamente, o estado que chamamos de realidade não é real de maneira alguma – temos tendências positivas na mente e assim podemos perceber as coisas.

Um ponto a mais deve ser mencionado em relação a isso. Qual é ele? O processo de percepção por meio dos órgãos sensoriais poderá ser imperfeito. Suponhamos que vocês estejam olhando para as areias de um deserto, à noite, de uma longa distância. Na escuridão as areias podem parecer para vocês como um oceano ou como folhas onduladas de metal. Tais alucinações ocorrem devido a uma função defeituosa dos seus órgãos visuais. Os órgãos sensoriais têm sua capacidade limitada a um ponto além do qual eles não podem funcionar apropriadamente. Além disso, há objetos que podemos ver com a ajuda de um microscópio, mas que não podem ser percebidos a olho nu. Percebermos o objeto com a ajuda de ondas eletromagnéticas. Poderíamos, então, denominar tal percepção de percepção dos órgãos visuais? Não, não podemos chamá-la assim. É por isso que o que chamamos de realidade ou de realidade material, na qual todo o conceito do materialismo se baseia, de nenhuma forma é real. Assim, de onde e como o materialismo pode extrair a sua base? O materialismo, ou o assim-chamado materialismo, se baseia na realidade, mas essa realidade é defeituosa e está distorcida pela ambigüidade.

Agora, o que existe na intelectualidade?

Neste domínio, as ondas do “eu-objetivado” [citta] se movem. Tais ondas são sistálticas, com altos e baixos, e estão sempre em movimento. Devido a todas essas ondas, a intelectualidade algumas vezes parece verdadeira e outras vezes não. Quando a mente humana se mantém em movimento positivo, ela sintetiza todas as coisas que recebe como reais e alega que viu o objeto – seja um elefante seja um camelo. Agora, suponhamos que a mente esteja absorta no estado negativo, o que acontecerá? Neste caso, mesmo que a mente projete um elefante internamente, ela não poderá percebê-lo. Mesmo quando a mente pensa sobre ele, ela não pode ver esse objeto. Devido a esse defeito ou desordem psíquica, a mente sofre alucinações positivas ou negativas. Da mesma forma, nos pensamentos de vocês, algumas vezes tais alucinações positivas ou negativas podem ocorrer. Obviamente, o que quer que um intelectual pense no domínio de seu intelecto é completamente imperfeito. Sempre existirá espaço para a dúvida na esfera intelectual. Portanto, a intelectualidade não possui nenhuma base no verdadeiro sentido.

Os intelectuais pensam que não são pessoas comuns. Eles pesam que podem fazer muitas coisas e que conhecem muitas coisas. Mas eles devem ter em mente que os seus pensamentos podem ser imperfeitos, porque nas suas ondas de pensamentos há altos e baixos sempre operando. Algumas vezes a mente humana pensa e outras não, permanecendo num estado de pausa psíquica. Se a soma de todas as pausas psíquicas for considerada como uma única, então, a intelectualidade corresponde a zero.

A intelectualidade não depende das ondas de pensamento. Aqui o ponto crucial não é saber se as ondas de pensamento são defeituosas ou não, mas se elas se tornam defeituosas devido à mente objetivada [citta, ou placa mental]. Como resultado, a mente pensa que um objeto não existe embora ele esteja lá. Da mesma forma, algumas vezes para a mente, um objeto parece existir embora a sua existência não ocorra. Este tipo de intelectualidade está tomado pela dúvida e a possibilidade de tal dúvida permanece, já que os movimentos positivos da mente são sistálticos.

Agora, qual deve ser a nossa conclusão final? Nem a intelectualidade nem a realidade possui qualquer existência. Por isso, podemos dizer com segurança que neste mundo nenhuma delas existe. Dessa foram, qual a direção que as pessoas inteligentes e sábias devem tomar neste mundo? Elas devem procurar uma entidade que esteja além dos movimentos sistálticos e dos diferentes estados de mobilidade. E essa entidade não é nada mais do que a espiritualidade.

O movimento da espiritualidade, por natureza nunca, é pulsativo mas linear, ele flui por uma linha reta. Devido a esse movimento retilíneo, ela não tem curvatura, nem positiva nem negativa. Mesmo assim, podemos dizer que a existência humana reside no ponto extremo da positividade. Seja a pessoa inteligente ou não, o ponto inicial do progresso individual é na Negatividade Extrema. Portanto, o movimento de um ser vivo se inicia na Negatividade Extrema e, gradualmente, o curso de seu movimento se torna linear à proporção que ele flui na direção da Positividade Extrema, isto é, para a espiritualidade. Este é o caminho verdadeiro. No final, nada existe, nem a intelectualidade nem a realidade – somente a espiritualidade, que permeia todas as coisas. Nenhuma entidade no mundo externo pode reivindicar a condição de entidade absoluta. Somente a espiritualidade é a entidade absoluta, e sua busca consiste na verdadeira intelectualidade. Qualquer outra coisa que as pessoas façam não passará de uma expressão de suas propensões distorcidas. 

P.R. SARKAR  (Abhimata, 5/37)

A EXPRESSÃO TRÍPLICE


  
Vocês sabem, todas as expressões deste universo estão divididas em três níveis; e nenhum único nível tem importância nula ou desprezível. Para o desenvolvimento integrado deste mundo, queremos que todos esses três níveis sejam desenvolvidos apropriadamente e que suas velocidades sejam aceleradas. Nenhum nível deixa de ter importância – nem o nível físico, nem o psíquico nem o espiritual.
            Para o desenvolvimento físico, vocês devem trabalhar, vocês devem criar certos meios físicos que sejam controlados pelas faculdades psíquicas. Vocês sabem, em relação ao desenvolvimento no mundo psíquico, o nível psíquico é a faculdade que controla o mundo físico. Logo, com o desenvolvimento do mundo psíquico, automaticamente existirão certos processos que também desenvolverão o mundo físico. E o mundo espiritual é o ponto máximo do mundo psíquico. Assim, no mundo psíquico deve haver o desenvolvimento espiritual ou o progresso espiritual. Para o desenvolvimento integrado do universo, não apenas do mundo humano ou do animal, mas para o desenvolvimento de todo o universo animado e inanimado, deve haver progresso nesses três níveis.

            

O mundo psíquico mantém controle parcial do mundo físico, tanto direta como indiretamente. Da mesma forma, o mundo espiritual também controla o mundo psíquico. O mundo psíquico é o ápice do mundo físico. A mente é a matéria pulverizada. Não podemos negligenciar ou ignorar o desenvolvimento psíquico. E, uma vez que o mundo espiritual é o ápice do mundo psíquico, para o desenvolvimento psíquico, para o desenvolvimento nas diferentes áreas da intelectualidade, não podemos negligenciar o mundo espiritual; e essa tem sido a nossa falha: negligenciamos as faculdades espirituais da vida humana, os princípios cardeais e espirituais da vida. Agora, se almejamos o desenvolvimento deste universo maravilhoso, devemos cada vez mais tentar acelerar a velocidade do progresso espiritual. Se esse progresso, esse progresso espiritual, essa velocidade, essa aceleração, se tornarem extraordinárias, então, haverá um progresso extraordinário, não apenas nos mundos físico, psíquico e espiritual dos seres humanos, mas também no mundo inanimado. Nós estamos ansiosamente esperando a aurora carmim do sol nascente.

 P.R.SARKAR (Abhimata, Parte V, Calcutá, 02/02/1985)

27/03/2009

O QUE É UM DOGMA?

                 O tópico de nossa discussão anterior foi sobre a ação, a reação e o autor da ação (karma, karmaphala e karttrtva). Em relação a isso, eu falei sobre o que Parama Purusá pode fazer e quais são as ações que Ele realiza diretamente e quais as que Ele efetua através de Seus próprios agentes. Nesse contexto, surge uma pergunta fundamental: Que passos toma Parama Purusá para resgatar os assim-chamados pecadores? As pessoas dizem que quando os pecadores e malfeitores ficam sob a proteção de Parama Purusá eles alcançam a salvação. Agora, se essas pessoas podem ser redimidas do pecado, os intelectuais naturalmente podem perguntar: Como conseguir a salvação? Vocês sabem que a coisa mais prejudicial, tanto para a sociedade humana quanto para o progresso humano, é o dogma.

            

             O que é um dogma? Aquela situação onde não existe nenhuma lógica, onde não há apoio do intelecto, onde não existe nenhum debate e discussões livres, mas somente imposições severas, que forçam as pessoas a aceitarem alguma coisa, aí está o dogma. Que tipo de pessoas pregam este tipo de dogma? A resposta é: os seguidores cegos da religião pregam dessa forma. É muito natural para a religião pregar todos os tipos de coisas dogmáticas. É por isso que as pessoas dizem – não há espaço para a lógica na religião. Mas o Dharma genuíno é completamente baseado na lógica e apoiado pelo intelecto. Na morada do Dharma, as pessoas se convencem pela lógica; elas o analisam e o aceitam após uma discussão livre e franca e, de acordo com isso, começam a se conduzir pelo caminho da vida. A pergunta é: como as pessoas podem seguir alguma coisa da qual elas não possuem uma compreensão adequada? Daí surge outra pergunta: As pessoas conseguem ou não a redenção de seus pecados? É dito:

 

            Na’bhukttam’ `K’siiyate Karma Kalpakot’i Shataerapi

            Avashyameva Bhoktavyam’ Krtam’ Krma Shubh’ashubham

 

            A não ser que haja expressão das reações em potencial, a pessoa não poderá alcançar a salvação. Em relação a isto, a regra é que as boas ações trazem bons resultados e más ações trazem maus resultados. E esses Sam’skaras não resolvidos ou reações em potencial devem ser expressados. Então, se alguém está destinado a passar pela reação má de uma má ação, como pode esperar ser redimido do pecado, já que sabemos que os pecados acarretam reações correspondentes que devem ser sofridas? Mas, por outro lado, o Senhor Krs’n’a, para consolar os seres humanos, declarou: “Não importa o quão pecador (Dura’ca’ra) uma pessoa possa ser, se ela ficar sob minha proteção, eu certamente a salvarei de todos os pecados, eu a ajudarei a alcançar a liberação ou a salvação.” 

          Aqui Dura’ca’ra significa uma pessoa cujas ações são opostas à ideologia, cujos pensamentos e atividades são contrários à da moralidade, justiça, consciência e ao espírito do Dharma. E Sudura’ca’ra significa uma pessoa que é considerada pecador mesmo entre os pecadores, que é chamada de pecador pelos próprios pecadores e que, dessa maneira, é evitada por eles. Então não seriam essas duas coisas contraditórias? Por um lado, diz-se que a pessoa deve colher o fruto das suas ações, e por outro, ela é aconselhada a se abrigar em Parama Purusá para alcançar a salvação. Isto também é um dogma.

            De fato, é uma questão complicada. Agora, a pergunta é: Quem realiza a ação? A mente humana é quem realiza a ação.

             Mana eba Manus’ya’nam’ Ka’ran’am’ Bandhamoks’ayoh,

Bandhasya Vis’aya’sangii Mukto Nirvis’yam’ Tatha’.

Manokaroti Karma’ni Man Lipyate Pa’toko

Manashca T’anmona’ Buddhaya’ na Pun’yam’ na Pa’tako.

                   A mente humana é a causa da escravidão ou da liberação. Se a mente estiver sob limitações, então, a pessoa também estará. Da mesma forma, se a mente estiver liberada, a pessoa também estará. Afinal, é a mente humana que se engaja em ações auspiciosas. Agora, se essa mente se mantiver absorvida na ideação de Parama Purusá, então, ela se unirá totalmente à Consciência. Neste caso, para tal pessoa, que condições haverá para o vício ou a virtude? Se um pecador comum, ou reconhecido como tal, permanecer absorto no pensamento de Parama Purusá, excluindo todos os outros pensamentos, então, a sua mente se tornará direcionada a um único ponto. Isto, em sânscrito, é chamado de Agrya Buddhi ou intelecto unidirecional. Neste estado concentrado da mente, o aspirante espiritual fica firmemente estabelecido nesse intelecto unidirecional. A não ser que e até que o intelecto humano comum seja elevado ao seu mais alto grau; ao seu ápice, os altos e baixos contínuos das inumeráveis vibrações dentro do corpo humano continuarão. Estas vibrações psíquicas são algumas vezes vibrações de virtude, outras de vício, vibrações de reações às ações pecaminosas ou às ações virtuosas. A não ser que a mente humana seja unidirecional, os altos e baixos das vibrações psíquicas continuarão em uma sucessão. No momento em que a mente estiver unidirecional, no momento em que a mente estiver centrada em Parama Purusá, então, essa mente naturalmente irá ao seu ponto culminante. Neste estado, não existem condições para altos e baixos de quaisquer ondas – nem das ondas da virtude nem das do vício. Portanto, se diz que, quando o intelecto do aspirante espiritual for unidirecional, não existirá a questão de vício ou virtude. Assim, uma pessoa que se protegeu no abrigo cósmico vai além do domínio do vício ou da virtude. Isto é algo muito natural. E, por isso, os assim-chamados pecadores e malfeitores não devem, de forma alguma, se preocupar. Portanto, Krs’n’a corretamente disse: “Mesmo que um criminoso obstinado busque a minha proteção, eu o salvarei de todos os pecados, eu cuidarei para que ele alcance a liberação ou a salvação. Assim, ninguém, nenhum aspirante espiritual, não importa quão negra ou desprezível tenha sido a sua vida passada, deve se preocupar com qualquer coisa.” Esta afirmação de Parama Purusá é inalterável. Ela não é uma afirmação filosófica nem um dogma. Então, que tipo de afirmação é essa? Isto é claro e simples. Ela contém a idéia de que os seres humanos não devem se preocupar sob nenhum circunstância. Parama Purusá está sempre com todas as pessoas. Se existe amor por Parama Purusá a porta da liberação ou da salvação para os seres humanos imediatamente estará aberta.

                                                    P.R.SARKAR (Abhimata, 05/43)

 

Quem sou eu ?