20/08/2010

OS CINCO TIPOS DE CONSCIÊNCIA - VIVEKA




Shrii Shrii Ánandamúrti
DMC, 16 de Dezembro de 1957, Begusarai.
Viveka (consciência) é um gênero especial de deliberação. A deliberação (vicára) é o empenho de selecionar-se uma idéia particular dentre várias idéias. Se uma pessoa em particular for apresentada a você como sendo um criminoso, então existem duas idéias opostas perante você: a culpa do homem ou a sua inocência. O processo pelo qual chega-se a uma conclusão após deliberar sobre essas duas idéias opostas é chamado de vicára. Quando você finalmente toma a sua decisão, isto é chamado de siddhánta(conclusão).


A consciência (viveka) é definida como um tipo especial de vicára (deliberação). A denotação devicára é mais ampla do que a de viveka. Um ladrão, ao entrar na casa da sua vítima, considera se seria melhor começar roubando a sala de jantar ou a sala de estar. Isto é um tipo de deliberação – após o qual o ladrão chega à sua conclusão. Esta deliberação é vicára, mas não viveka.
Viveka é aquele gênero de deliberação em que há um empenho consciente de tomar-se uma decisão em favor de shreya (benevolência) quando se está confrontado com as duas idéias opostas de shreya e preya(malevolência). Existem cinco tipos de viveka, e o nome coletivo deles é viveka paiňcaka.
Nityánitya viveka
O primeiro tipo é nityánitya viveka (a discriminação entre o permanente e o impermanente). Sempre que uma pessoa inteligente pondera sobre alguma coisa, ele ou ela discerne os seus dois aspectos: o permanente e o impermanente. A tentativa de aceitar o aspecto permanente depois de uma deliberação apropriada é chamada de nityánitya viveka. O permanente não depende dos fatores relativos de tempo, espaço e pessoa, enquanto que o impermanente é a coletividade desses fatores relativos. A melhor maneira de reconhecer algo impermanente é que, se um dos três fatores relativos for mudado, aquilo irá sofrer uma transformação imediata. Nityánitya viveka capacita os seres humanos a entenderem a necessidade de seguirem o Dharma. Ela os ajuda a compreenderem as diferenças fundamentais entre Dharma e religião, ou doutrina.
Religião é algo inteiramente relativo, enquanto que Dharma é uma verdade permanente.
A primeira característica da religião é que ela dá importância excessiva a um único indivíduo. Diferentes religiões afirmam que tal e tal grande personalidade (mahápuruśa) é um filho de Deus, um profeta, ou até o próprio Deus. Não importa quão grandes essas pessoas possam ter sido – mesmo assim elas são mortais. Existem também algumas pessoas que afirmam que os proponentes de outras religiões não chegaram tão próximo de Deus quanto o proponente da religião delas. Essas palavras não são apenas irracionais, mas contêm uma tentativa oculta de fazer com que o impermanente pareça ou torne-se permanente. Dharma é uma verdade eterna que se pode conceber, e que não depende de qualquer indivíduo, profeta ou avatára (descendente direto de Deus) para a sua consolidação. O objetivo do Dharma é atingir-se Brahma; a sua base e o seu movimento são centrados em Brahma. Brahma é a Entidade Absoluta – a qual independe de tempo, espaço e pessoa. Ela é permanente. A sádhaná deBrahma é, portanto, a sádhaná para alcançar-se a entidade permanente.
Através de nityánitya viveka os seres humanos ficam cientes da natureza fugaz dos objetos transitórios. Eles observam que com mudanças de tempo, espaço e pessoa ocorrem mudanças correspondentes na sociedade, na política, na economia e em todas as outras esferas da vida, às quais eles têm de se adaptar. Aqueles que relutam em adaptar-se às circunstâncias modificadas estão fadados à destruição. Uma religião ou um “ismo” é criado em uma certa época, sendo em si mesma um produto dos três fatores de tempo, lugar e pessoa. Contudo, a religião não reconhece a necessidade de ajustamento com as mudanças na vida social. Ela se recusa a entender que as velhas regras e regulações da época anterior são agora apenas registros históricos que perderam a sua relevância na sociedade dinâmica atual.
Para enrijecer o progresso da humanidade, os seguidores dessas religiões mexem com os sentimentos humanos e outras fraquezas. Eles almejam perpetuar o domínio de interesses escusos pela infusão de complexos de inferioridade na mente humana. Enquanto pregam suas idéias religiosas, alguns afirmam que os seus sistemas sociais, econômicos e políticos foram criações diretas de Deus – e que, portanto, estão destinadas a serem seguidas em todas as épocas e em todos os tempos com igual veneração. Eles asseveram que aqueles que recusarem-se a seguir esse decreto divino serão condenados a queimarem no calor ardente da ira de Deus, ou serão amaldiçoados a sofrerem no fogo do inferno pela eternidade. Para impedir que as pessoas tenham a chance de verificarem a racionalidade de diferentes escrituras, eles declaram que tais e tais escrituras são infalíveis e que, portanto, ninguém tem o direito de questionar a sua veracidade. Se os textos filosóficos contradisserem as escrituras, então os proponentes dos mesmos serão declarados como ateístas.
Vê-se assim que, na ausência de nityánitya viveka, os proponentes das religiões querem deter o progresso intelectual da sociedade humana em geral. Eles conscientemente recusam-se a entender que qualquer observação com relação aos fatores espacial, temporal e pessoal, de qualquer pessoa que seja, está fadada a perder sua relevância em uma situação diferente.
Através de nityánitya viveka, tentem entender o que é permanente e o que é impermanente. Vocês certamente irão compreender que nenhuma escritura é uma revelação de Deus; pois tudo neste mundo criado por tempo, espaço e individualidade é um fenômeno transitório. Não se pode negar a necessidade de objetos mundanos transitórios para um corpo transitório e para uma mente transitória. Mas, mesmo que essas coisas sejam necessárias, ainda assim elas são transitórias.
Na fase introversiva da imaginação cósmica (1), o progresso intelectual dos seres humanos está fadado a acontecer e, consequentemente, o controle deles sobre a matéria gradualmente irá aumentar. No processo de ampliar o desenvolvimento intelectual, as velhas idéias e valores da vida subdesenvolvida ficarão ultrapassados. Você já devem ter notado que pessoas com idéias velhas, obsoletas, muito comumente lamentam-se de que a presente geração mais jovem não tem nenhuma inclinação espiritual. “Tudo está perdido”, elas lamentam. Talvez elas não compreendam, ou talvez conscientemente recusem-se a acreditar que o conhecimento científico esteja aumentando, e dramaticamente. A juventude moderna está se familiarizando com invenções e descobertas mais novas. Esses jovens estão aprendendo muitas coisas novas e aceitando-as do fundo dos seus corações. Como resultado, o atraso intelectual do passado parece totalmente absurdo para eles. Quanto mais conhecimento científico eles adquirem (no movimento de Pratisaiňcara do ciclo cósmico, eles certamente irão avançar), tanto mais eles irão tentar libertar-se do garrote da religião e de “ismos”, e assim avançarão mais adiante no caminho do Dharma – diretamente e cientificamente apoiados pelo julgamento racional. Será que os proponentes de ismos não estão cientes desse fato? Eles sabem muito bem, e é por isso que eles deliberadamente criticam a ciência material sempre que podem. Mas esse tipo de criticismo não impressiona as pessoas intelectuais.
Não é suficiente igualar as escrituras assim-chamadas religiosas com a filosofia transitória. Em vez disso, essas escrituras são [até mesmo inferiores que] a ciência material. Mesmo que as ciências materiais ainda sejam imperfeitas dos pontos-de-vista ideológico e prático, elas não impedem o progresso científico da humanidade – apesar de que engessam o progresso intelectual sutil e espiritual. Mas as [coniventes] teologias religiosas [conspiradoras/em conluio] querem prender os pés das pessoas, fazendo-as ficarem tão estáticas quanto pássaros sentados em um poleiro numa gaiola. Com excessiva frequência tais pessoas [religiosas] ficam satisfeitas com a quantidade de progresso científico que elas herdaram, e não se preocupam com seu desenvolvimento posterior. Para elas, melado é sagrado, enquanto que o açúcar feito numa usina é profano porque é um produto da ciência. Para elas, carros de boi e botes a remo são sagrados, enquanto trens e barcos a vapor são profanos também porque são produtos da ciência. Mas mesmo assim, se esses proponentes da religião pensarem um pouco mais profundamente, eles vão entender que tanto o melado quanto o açúcar [industrializado] são produtos da ciência. A época do melado foi uma época de ciência subdesenvolvida. O açúcar [industrializado] foi produto de uma época comparativamente mais desenvolvida (2).
Não podemos aconselhar os seres humanos de hoje em dia a voltarem à idade das velas e dos lampiões a óleo e negligenciarem a luz elétrica. Mas algumas religiões difundem tais ensinamentos. Os seres humanos terão de entender o espírito correto de nityánitya viveka e ajustarem-se à era prevalecente. Eles terão de aceitar sem reservas a situação da época particular na qual nasceram. Não servirá de nada desperdiçar o próprio tempo debochando do passado.
Nityánitya viveka é uma parte inseparável da prática do Dharma. O Dharma estabelece diretrizes claras para que se avance em perfeito ajustamento com a situação prevalecente. O Dharma é a faculdade vital pulsante dos seres vivos. No Dharma, não há lugar para inércias acumuladas da estaticidade.
Somente Brahma é uma Entidade Eterna, e a sádhanáde Brahma é a prática verdadeira do Dharma. As regulações ritualísticas centradas em torno dos fatores espacial e temporal não podem ajudar na realização da Entidade Eterna, Parama Brahma. O esforço continuado de purificação psíquica é a única maneira de se tornar uno com Ele. Pessoas que seguem rituais ostentatórios depois de indulgirem em atividades antisociais variadas podem ser vistas como pessoas corretas do ponto-de-vista religioso, mas se elas forem testadas pelo padrão de medida do Dharma, as suas naturezas pecaminosas serão reveladas.
Como as religiões dependem de vários fatores que passam por mudanças, elas diferem amplamente umas das outras. Elas criticam e zombam umas das outras, exagerando os defeitos das outras e recusando-se a reconhecer as qualidades positivas delas. Como elas não têm uma Entidade Eterna como a meta delas, elas são influenciadas mais pelas alianças entre os membros da sua própria seita do que por qualquer amor pela humanidade. Mas o verdadeiro Dharma ensina que todos os seres vivos do universo pertencem a uma única família; todos estão ligados pelo toque comum da fraternidade. O universo inteiro é o lar de cada um, e todas as entidades animadas e inanimadas são as expressões diversas de um único e mesmo Ser Supremo.

Hararme Pitá Gaorii Mátá svadesha bhuvanatrayam.
[Parama Puruśa é o meu Pai, Parama Prakrti é a minha Mãe, e o universo inteiro é o meu lar.]
Mas, muito estranhamente, muitas religiões ensinam o oposto. Elas proclamam a grandeza exclusiva de um país, raça, montanha ou rio particulares. Mas no Dharma não há espaço para intolerância, pois o Dharma baseia-se na fundação sólida do vigor que deriva do amor universal. A meta da religião é uma entidade não-integral, e portanto resulta uma perspectiva estreita. A meta do Dharma, entretanto, é o Brahma infinito. Portanto, ao seguir-se o Dharma, a visão da pessoa progressivamente se amplia. Algumas vezes nota-se um tipo de aliança entre as religiões, mas trata-se de uma aliança inteiramente externa. A conversa de síntese das religiões é totalmente absurda; trata-se meramente de uma demonstração aparente de honestidade e de grandiloquência para ludibriar as pessoas comuns.

O Dharma sempre é singular em número, jamais plural. Portanto, não surge a questão de síntese religiosa no Dharma. As religiões são sempre em número plural – jamais singular.

A síntese das religiões significa a aniquilação delas. Onde quer que entidades impermanentes sejam adoradas como meta através de parafernálias ritualísticas variadas, não há espaço para síntese.
A religião é praticada para a satisfação de aspirações mundanas. Essa é a razão de por que uma classe de clérigos formou-se em torno da religião. Por fim, os adeptos dessas religiões tornam-se meros instrumentos nas mãos de interesses escusos. Como o despertar de nityánitya viveka nas mentes humanas, e com a abertura da porta do conhecimento científico, não será possível enganar as pessoas em nome da religião ou lançando-se a isca da felicidade no mundo do além. Os interesses escusos estão bem cientes deste fato e portanto esforçam-se para manter as massas perdidas na escuridão da ignorância. Como parasitas, eles movimentam-se para apropriarem-se indevidamente – injetando complexos de medo e de inferioridade – da fatia do leão daquilo que as massas ignorantes adquirem com seu suor e sangue
Exploradores religiosos mantêm uma aliança profana com os exploradores capitalistas. Com as mãos erguidas, um preceptor religioso abençoa os ricos mercadores para terem prosperidade no futuro, mas recusa-se a olhar para os rostos dos seus discípulos pobres que não conseguem dar-lhe um generoso prańámii (um tributo para a benção do padre). Vocês irão perceber que em muitas religiões dá-se mais importância a estórias e fábulas mitológicas do que à ciência e a idéias racionais, porque elas contém amplo espaço para a exploração das fraquezas humanas.
Mas nas análises científicas e racionais, não há espaço para exploração. Se você se considera como sendo da casta brâmane, então você terá de admitir, indiretamente, que os brâmanes originaram-se da boca de um deus chamado Brahma. Mas será que o seu intelecto científico irá concordar com esse tipo de interpretação irracional? Analogamente, se você se considera como um guerreiro (kśatriya) ou um mercador (vaeshya) ou um trabalhador (shúdra), então você terá de aceitar que você nasceu das mãos, coxas ou pernas de Brahma. A antropologia, a arqueologia e a história humana não podem aceitar tais noções absurdas. Mas os adeptos de tantas e tantas religiões têm de se conformar, mais ou menos, com algumas estórias mitológicas, que são totalmente contrárias à ciência. Ao desenvolver nityánitya viveka você será capaz de limpar a sua mente do lixo causado por tais superstições com pouco esforço. Nityánitya viveka ensina que as entidades que dependem de tempo, espaço e pessoa são todas transitórias. A única entidade além do escopo de tempo, espaço e pessoa é Paramátma, e portanto Ele é o Eterno, Nityaḿ Vastrekaḿ Brahma.
Dvaetádvaeta viveka
O segundo tipo de viveka paiňcaka é dvaetádvaeta viveka. Através de dvaetádvaeta viveka a pessoa adquire a capacidade de analisar se a entidade eterna é uma ou mais de uma, e chegar a uma conclusão correspondente (dvaeta significa dualístico e advaeta significa não-dualístico). Não pode haver nenhuma diferenciação de svagata, svajátiiya e vijátiiya na entidade que está além detempo, espaço e pessoa (3). Portanto, não é possível que a Entidade Eterna seja mais que uma. Diferentes crenças sobre os assim-chamados deuses – de que um deus derrotou outro em uma batalha, mas depois foi profundamente ferido pela vingança irada do seu adversário; que um certo deus espalha ou cura uma certa doença; e que outro deus distribui riqueza ou ensinamentos – são contrários advaetádvaeta viveka.
Na prática espiritual, nityánitya viveka não é suficiente: dvaetádvaeta viveka também é necessária. Para obter-se sucesso na prática espiritual, tanto nityánitya viveka quantodvaetádvaeta viveka são indispensáveis. Elas capacitam as pessoas a perceberem que todos os objetos circunscritos a tempo, espaço e individualidade são transitórios, enquanto que a Entidade que está além da periferia de tempo, espaço e individualidade é permanente. Ela é única sem haver outra [una sem uma segunda].
Átmánátma viveka
O terceiro tipo de consciência é átmánátma viveka (literalmente consciência de eu e não-eu). O papel desse tipo de consciência é analisar se a Entidade Permanente, Não-dualística, é Consciência (Átmabháva) ou não-consciência (anátmabháva).
Tudo neste universo é uma forma metamorfoseada da Consciência. Essa metamorfose ocorre devido à influência do princípio estático. A criação do mundo das formas pelo princípio estático continua como resultado das mudanças no fluxo de ondas infindáveis. As formas são expressões daquilo que não tem forma devido à influência da Prakrti estática (4). Portanto, a Consciência, no processo de crudificação, transforma-se em matéria sólida e assume a forma de um objetivo perceptível, ficando desprovida da sua qualidade original de entidade testemunhal. Ou seja, a Consciência (Átmabháva) torna-se metamorfoseada em não-consciência (anátmabháva). Da mente até a matéria sólida há a dominação da não-consciência e consequentemente a existência de três fatores: o conhecedor, o conhecimento e o que pode ser conhecido. Quando aspirantes espirituais aplicam átmánátma viveka, eles podem facilmente discernir esses três fatores e chegar ao entendimento de que todos os três são mutáveis e perceptíveis, e consequentemente que são por natureza não-consciência. E a entidade que está acima desses três fatores, que é Una sem uma segunda, que é a Entidade Testemunhal, não é outra que não a Consciência.
Na realidade mundana as pessoas correm atrás de dinheiro. Qual é a natureza desse dinheiro? Dinheiro é importante para se comprar objetos físicos grosseiros. Ele não é uma entidade consciente; ele é não-consciência. A sua falta é sentida pela mente unitária. O dinheiro pode ser conhecido e desfrutado, e o prazer derivado do dinheiro é o desfrute. Mas, sendo não-consciência, ele não pode ser a causa de felicidade ilimitada. Mesmo assim, as pessoas farão quase qualquer coisa para conseguir dinheiro: suborno, assassinato, adulteração, contrabando, hipocrisia e assim por diante. Tais pessoas são adoradoras da não-consciência, investindo toda a sua energia vital na busca de matéria.
Apliquem átmánátma viveka em todas as ações e em todos os pensamentos. No campo da ação, átmánátma viveka tem uma importância maior do que dvaetádvaeta viveka. Se vocês a utilizarem como uma parte indispensável da sua vida diária, a verdadeira forma do universo irá aparecer diante de vocês. É claro que isto jamais acontecerá se uma pessoa mantiver pensamentos pecaminosos enquanto finge ser correta. Átmánátma viveka irá lhes ensinar que a Entidade Eterna Singular na forma da Consciência deveria ser o seu único objeto de ideação. Vocês verão as cores da religião desvanecerem diante dos seus olhos, na medida em que a pura efulgência branca do Dharma reluzir com brilho cada vez maior.
Todos os ismos prevalecentes no mundo hoje em dia podem facilmente ser incluídos na categoria das religiões. Todos os defeitos das religiões também encontram-se nos “ismos”. Nenhum dos “ismos” políticos, sociais ou econômicos está livre de superstições – nenhum possui retidão; todos estão cheios de excessiva hipocrisia. Em todos os “ismos”, doutrinas e religiões, a autoridade das escrituras é suprema. Não há espaço para o funcionamento dos cinco tipo de consciência, não há lugar para serviço, amor ou devoção. Com o apoio da falsidade e da imoralidade, esses “ismos”, doutrinas e religiões caluniam e fazem acusações umas contra as outras. Elas fazem promessas atraentes para as pessoas enquanto escondem os seus próprios pecados internos. Na verdade, falsa piedade não é o caminho do Dharma, o qual leva ao bem-estar, mas o oposto do Dharma, a negação do bem-estar. Elas podem ser comparadas a asnos em peles de leão: tire as peles de leão e a verdadeira forma delas será revelada. Elas não têm outro propósito do que o de conseguirem votos e usurparem o poder. A mentalidade de primeiro conseguir os votos e depois servir as pessoas não é o verdadeiro espírito do serviço social desinteressado; em vez disso, é a mentalidade de materialistas sedentos de poder.
Vocês terão de avançar com o verdadeiro espírito do serviço social genuíno, porque a característica intrínseca do Dharma é de promover a causa do bem-estar. Dharma e bem-estar são inseparáveis. A religião e a intolerância causaram enorme dano ao mundo; fizeram com que correntes de sangue manchassem os rios de vermelho. No século vinte, as religiões assumiram a forma de “ismos” (5).
As pessoas dos tempos medievais faziam lutas entre seus clãs e comunidades, e as pessoas de hoje em dia estão lutando por seus “ismos”. Assim como as religiões no passado, os “ismos” estão criticando uns aos outros, revelando o seu espírito de intolerância ao tentarem calar as vozes uns dos outros. Parece que eles não têm outro objetivo além de reclamar, criticar e caluniar uns aos outros. Eles estão enganando as massas ignorantes ao pintarem um quadro cor-de-rosa de serviço, paz e felicidade. Por outro lado, eles mesmos estão rapidamente se afastando do caminho do serviço altruísta e do bem-estar. Para emancipar as massas da influência doentia dos “ismos” não há alternativa além do universalismo. Somente o universalismo está isento dos defeitos de quaisquer estreitismos, porque toda e cada coisa deste universo inteiro encontra um lugar dentro da sua vasta periferia.
Somente com a ajuda de átmánátma viveka é que os seres humanos conseguirão sair do atoleiro desse século vinte e mover-se em direção ao universalismo com passos firmes. Por mérito de átmánátma viveka, as pessoas poderão compreender que Brahma é a Entidade Singular Eterna, pura Consciência.
Paiňcakośa viveka
O quarto tipo de consciência é paiňcakośa viveka (a consciência dos paiňcakośas ou cinco camadas da existência). Algumas vezes as pessoas confudem as diferentes camadas da sua existência com a consciência unitária. Com o auxílio de paiňcakośa viveka as pessoas conseguem facilmente discernir que a annamaya kośa (o corpo físico), kamamaya kośa(a mente grosseira), manomaya kośa (a mente sutil),atimanas, vijiňánamaya e hiranyamaya kośas([coletivamente denominadas de] mente causal) são camadas separadas, e que a Consciência está acima de todas as cinco kośas (6). Sádhaná espiritual significa a ideação na própria consciência da pessoa, além dessas kośas, e não a ideação em qualquer uma dessas kośas em si mesmas. Através do conhecimento uma pessoa precisa analisar e parar de adorar essas kośas. O movimento em direção à consciência é o verdadeiro espírito da sádhaná. Não é possível seguir o culto espiritual sem cultivar apropriadamente paiňcakośa viveka.
Pegue por exemplo o caso de um grande problema na sociedade: o problema de comida e roupas. Comidas e roupas são essenciais para a preservação da existência humana (7), mas elas não são o objetivo da vida. Elas são necessárias para o corpo físico (annamaya kośa), e em alguma medida para as outras kośas também, mas não são tudo. Com elas não é possível alcançar-se satisfação mundana completa. Para alcançar-se a benevolência suprema, a entidade microcósmica que consiste das cinco kośas é uma necessidade, e para isso é preciso comida e roupas. Mas a luta em busca de comida e roupas é apenas um estágio grosseiro da sádhaná, e não o estágio final e absoluto. As pessoas cuja sádhaná inteira é aplicada somente na procura de comida e roupas dificilmente podem ser chamadas de seres humanos; elas são melhor descritas como animais subdesenvolvidos.
Mahávákya viveka
Mahávákya viveka, o quinto estágio da consciência, é o resultado dos outros quatro. Os primeiros quatro tipos de consciência ajudam um sadhaka a compreender que a Entidade Eterna, Brahma, é Una sem uma segunda, a Consciência personificada, e conhecedora das cinco kośas. Mahávákya vivekaensina aos seres humanos que Ela não pode ser atingida meramente pelo conhecimento. Para liberar a consciência dessas cinco kośas, a ação e a devoção são indispensáveis. Aqueles que pensam que Ela pode ser alcançada somente através do culto do conhecimento estão enganados. Cultivando os primeiros quatro tipos de consciência, uma pessoa de conhecimento pode vir a estabelecer-se emmahávákya viveka. Nesse estágio, ele ou ela compreendem que uma mera busca do conhecimento não podem propiciar paramártha (o meio de alcançar-se a meta suprema). Ele ou ela então entendem que o conhecimento já adquirido não é conhecimento verdadeiro porque leva à vaidade.
Se pessoas ignorantes desejarem adquirir mais conhecimento, elas deveriam ser encorajadas a fazê-lo. Mas se os assim-chamados intelectuais (jiňániis), inflados com a vaidade do conhecimento, desejarem obter mais conhecimento, eles deveriam ser aconselhados a primeiro aperfeiçoarem o culto da ação e da devoção, esmagando assim a vaidade deles. Assim, deixe que um jiňánii diga às massas que Brahma somente pode ser alcançado através da auto-entrega, do questionamento apropriado e do serviço altruísta.
Pránipátena, pariprashnena, sevayá. Continue servindo as pessoas, e enquanto você está prestando serviço, atribua a qualidade de Brahma àquelas a quem você estiver servindo. Tente fazê-las felizes com toda a doçura do seu coração. Ajude os outros com o verdadeiro espírito de serviço, e não com a intenção de propagar os seus interesses ou do seu grupo, ou de qualquer outro “ismo” ao qual você possa aderir. Pense que a Entidade Suprema veio até você na forma de pessoas necessitadas para testar o seu senso de dever. Esse tipo de serviço altruísta é karma yoga. A sua única motivação no serviço deveria ser a promoção do bem-estar das pessoas sofredoras. Aqueles que servem os pobres para convertê-los de alguma maneira, ou aqueles políticos oportunistas que os servem para conseguirem os seus votos e tornarem-se ministros, não são os verdadeiros benfeitores da sociedade humana, mas mercadores tendenciosos.
Junto com o serviço, os aspirantes espirituais também deveriam cultivar pariprashnena (o questionamento apropriado). Quando um aspirante espiritual segue o caminho da espiritualidade, surgem muitas questões, dúvidas e confusões na mente. Pariprashnena significa fazer perguntas às pessoas certas que vão fornecer respostas apropriadas para ajudar a pessoa a resolver qualquer problema que ela possa encontrar no caminho espiritual. Isto permite que a pessoa avance mais rapidamente em direção à meta espiritual. Através do cultivo dos cinco estágios da consciência, todas as questões serão facilmente respondidas. Quem não segue o caminho espiritual, ou quem não desenvolve a consciência quíntupla, permanece constantemente preocupado com os objetivos materiais de desfrute.
Juntamente com o serviço altruísta e com o questionamento apropriado, prańipátena, ou entrega completa, também é essencial. Cultive o conhecimento e preste serviço a outros com o melhor da sua capacidade, mas não pense que isto irá bastar; pois o seu pequeno eu ainda continua existindo. Você precisa entregar o seu pequeno eu para o Eu Cósmico: este é o espírito deprańipátena.
É por isso que se diz que os cinco tipos de consciência alcançam a sua culminação através de jiňána yoga, karma yoga e bhakti yoga.
Então, os cinco tipos de consciência começam comnityánitya viveka e terminam na devoção. A esfera do conhecimento é vasta, mas, mesmo assim, é árida como um deserto. A esfera da ação começa em um ponto em que não há o tempo, mas, ainda assim, ela não pode transcender as barreiras do tempo. A devoção traz abundância, enriquecimento, efulgência e dinamismo. A devoção é o mais valioso tesouro da vida humana, porque ela fornece vitalidade infinita.
Bhaktirbhagavato sevá bhaktih premasvarúpińiih,
Bhaktirándarúpá ca bhaktih bhaktasya jiivanam (8).
Devoção é serviço a Deus, Devoção é amor personificado, Devoção é felicidade personificada e Devoção é a vida do devoto.
* * *
Tradução: Mahesh – Florianópolis; julho - agosto de 2010.
Fonte: Edição Eletrônica das Obras de P. R. Sarkar – versão 7; Ananda Marga Ideology and Way of Life in a Nutshell Part 7; Subháśita Saḿgraha Part 6.
[1] Denominada em sânscrito como pratisaiňcara, e que sucede-se à primeira fase, extroversiva, ou saiňcara.
[2] Não obstante não ser este o ponto que o autor está destacando neste parágrafo, pode-se mencionar que o uso de açúcar refinado é bastante criticado. Entre outros motivos, isto é porque, com o processo de refino do qual resulta, o açúcar refinado fica desprovido dos nutrientes presentes nas formas menos refinadas do produto – como o açúcar mascavo e o próprio melado –, fazendo com que se torne um produto químico altamente concentrado (como 99,5% de sacarose) e de valor basicamente calórico, questionável para a saúde humana.
[3] Em outro discurso, o autor diz o seguinte: “Quais são os critérios da relatividade? Sempre que houver svajátiiya, vijátiiya e svagata bheda (diferenças intraespecíficas, interespecíficas e intraestruturais), diremos que a entidade em questão é relativa. No momento em que essas diferenças são removidas, a entidade relativa funde-se no Absoluto.” Depois desse trecho ele passa a explicar resumidamente cada uma das três diferenças citadas. [“Abhedajiṋána and Daeshika Vyavadhána Vilopa”. Ánanda Vacanámrtam Part 33. 1969.]
[4] Prakrti designa o princípio operativo pré-existente à criação do universo, que encontra-se latente na Consciência (Puruśa), ou princípio cognitivo, e passa a atuar sobre parte dessa Consciência e a transformá-la através de seus três princípios qualificadores: sutil, mutativo e estático. Prakrti é o nome coletivo para esses três princípios.
[5] No discurso, o autor refere-se ao “presente século vinte”.
[6] As cinco kośas referem-se às cinco camadas da mente, excluindo aannamaya kośa ou corpo físico.
[7] Esta é uma afirmação de caráter geral, pois naturalmente que as roupas não são essenciais em alguns lugares de clima quente, ainda que sejam em outros.

[8] Traduzido por Ramesh, não incluída no texto original.


The Five Kinds of Conscience (Viveka)
16 December 1957 DMC, Begusarai

Viveka (conscience) is a special kind of deliberation. Deliberation (vicára) is the endeavour to select a particular idea from several ideas. If a particular person is presented to you as a criminal, then there are two opposing ideas before you: the guilt of the man or his innocence. The process whereby one comes to a conclusion after deliberating upon these two opposing ideas is called vicára. When you finally make your decision it is called siddhánta (conclusion).
Conscience (viveka) is defined as a special type of vicára (deliberation). The denotation of vicára is broader than that of viveka. A thief, on entering his victim’s house, considers whether it would be better to start stealing in the dining room or the sitting room. This is a kind of deliberation after which the thief reaches his conclusion. This deliberation is vicára and not viveka.
Viveka is that kind of deliberation where there is a conscious endeavour to decide in favour of shreya (benevolence) when confronted with the two opposing ideas of shreya and preya (malevolence). Viveka is of five types, and their collective name is viveka paiṋcaka.
The first type is nityánitya viveka (discrimination between permanent and impermanent). Whenever an intelligent person ponders over something, he or she discerns its two aspects – the permanent and the impermanent. The attempt to accept the permanent aspect after due deliberation is called nityánitya viveka. The permanent is not dependent on the relative factors of time, space and person, whereas the impermanent is the collectivity of the relative factors. The best way to recognize the impermanent is that if one of the three relative factors is changed it will undergo an immediate transformation. Nityánitya viveka enables human beings to realize the necessity of observing dharma. It helps them to understand the fundamental differences between dharma and religion, or doctrine. Religion is something entirely relative whereas dharma is a permanent truth.
The first characteristic of religion is that it gives excessive importance to a single individual. Different regions claim that such-and-such great personality (mahápuruśa) is a son of God, a prophet, or even God himself. However wise these great persons might be, they are nevertheless mortal. Some also claim that the propounders of other religions could not come as close to God as their own propounder did. These words are not only irrational, but contain a concealed attempt to make the impermanent permanent. Dharma is an eternal truth credible and does not depend on any individual, prophet or avatára (direct descent of God) for its substantiation. The goal of dharma is the attainment of Brahma; its base and its movement are Brahma-centered. Brahma is the Absolute Entity independent of time, space and person; He is permanent. Brahma sádhaná, therefore, is the sádhaná for the attainment of the permanent entity.
Through nityánitya viveka, human beings become aware of the fleeting nature of transient objects. They observe that with change in time, place and person, corresponding changes occur in social, political, economic, and all other spheres of life take to which they have to adapt themselves. Those who are reluctant to adapt themselves to the changed circumstances are doomed to destruction. A religion or an “ism” is created in a certain age which itself is a product of the three factors of time, place and person. However, the religion does not recognize the necessity of adjustment with the change in social life. It refuses to realize that the old rules and regulations of the previous age are now only mere historical records, having lost their relevance in the present dynamic society.
To stifle the progress of humanity, the followers of these religions play on human sentiments and other weaknesses. They want to perpetuate the hold of the vested interests by infusing an inferiority complex into the human mind. While preaching their religious ideas, some claim that the social, economic and political systems were direct creations of God and hence destined to be observed in all ages and all times with equal veneration. They pronounce that those who refuse to follow this divine decree will be doomed to burn in the scorching heat of God’s wrath, or dammed to suffer eternal hell-fire. To deny people the scope of verifying the rationality of different scriptures they declare that such-and-such scriptures are infallible and so nobody has the right to question their veracity. If the philosophical texts contradict the scriptures, then their propounders will be declared as atheists.
So it is seen that in the absence of nityánitya viveka the propounders of religion want to thwart the intellectual progress of human society at large. They knowingly refuse to understand that any observation regarding the spatial, temporal and personal factors, from whatever person it might come, is bound to lose its relevance in a transformed situation.
Through nityánitya viveka try to understand what is permanent and what is impermanent. You will certainly realize that no scripture is a revelation of God; that everything in this world created by time, space and individuality is transient phenomenon. For the transient body and the transient mind one cannot deny the necessity of transient mundane objects. Though these things are necessary, they are still transient.
In the introversive phase of the cosmic imagination, intellectual progress of human beings is bound to take place and consequently their control over matter will gradually increase. In the process of further intellectual development, the old ideas and values of the undeveloped life will become outdated. You must have noticed that people with old, outdated ideas very often lament that the present younger generation has no spiritual inclination whatsoever. “Everything is lost,” they lament. Perhaps they do not understand, or maybe knowingly refuse to believe that scientific knowledge is increasing, dramatically. Modern youth is becoming acquainted with newer inventions and discoveries. They are learning about many new things and accepting them from the core of their hearts. As a result, the intellectual backwardness of the past seems to be totally absurd to them. The more scientific knowledge they acquire (in the Pratisaiṋcara movement of the Cosmic cycle they will certainly advance) the more they will try to liberate themselves from the noose of religion and “isms”, and the further they will advance along the path of dharma directly, scientifically and supported by rational judgment. Are the proponents of isms not aware of this fact? They are well aware and that is why they deliberately criticize material science at every opportunity. But this sort of criticism does not impress intellectual people.
It is not enough to equate the so-called religious scriptures with transient philosophy. Rather, these scriptures are [even inferior to the] material science. Although the material sciences are still imperfect from the ideological and practical point of view, they do not stifle the scientific progress of humanity; though they do stifle subtle intellectual and spiritual progress. But the conniving religious theologies seek to shackle peoples’ feet, making them as static as static as birds sitting on a perch in a cage. Too often they are satisfied with the amount of scientific progress they inherit and do not care for further development. To them molasses is sacred whereas sugar made at the mill is unholy because it is a product of science. To them bullock carts and rowing boats are sacred whereas trains and steamers are unholy because they, too, are the products of science. And yet, if these proponents of religion think a little deeper, they will realize that both molasses and sugar are products of science. The age of molasses was an age of undeveloped science. Sugar was a product of a comparatively developed age.
We cannot advise today’s human beings to go back to the age of candles and oil lamps neglecting the electric light. But some religions impart such teachings. Human beings will have to understand the proper spirit of nityánitya viveka and adjust themselves with the prevailing age. They will have to accept without reservation the situation of the particular age they are born into. It would not do to waste one’s time in unnecessarily gloating over the past.
Nityánitya viveka is an inseparable part of the practice of dharma. Dharma lays down clear guidelines for moving ahead in perfect adjustment with the prevalent situation. Dharma is the throbbing vital faculty of living beings. In dharma there is no scope for the accumulated inertness of staticity.
Brahma alone is an Eternal Entity, and the sádhaná of Brahma is the real practice of dharma. The ritualistic observances centred around the spatial and temporal factors cannot help in attaining the Eternal Entity, Parama Brahma. The sustained effort for psychic purification is the only means to become one with Him. People who observe ostentatious rituals after indulging in various antisocial activities may be seen as righteous people from the religious point of view, but if they are tested in the touchstone of dharma their sinful nature will be revealed.
As religions are dependent upon various changing factors, they differ widely from one another. They criticize and mock each other, exaggerating the other’s defects and refusing to acknowledge the other’s positive qualities. As they have no Eternal Entity as their goal, they are influenced more by allegiance to their own sect than by any love for humanity. But real dharma teaches that all living beings of the universe belong to one family; all are bound by the common touch of fraternity. The entire universe is everyone’s homeland, and all the animate and inanimate entities are the various expressions of one and the same Supreme being.
Hararme Pitá Gaorii Mátá svadesha bhuvanatrayam.
[Parama Puruśa is my Father, Parama Prakrti is my Mother, and the entire universe is my home.]
But strangely enough, many religions teach the opposite. They proclaim the exclusive greatness of a particular country, race, mountain or river. But in dharma there is no scope for intolerance, for Dharma is based on the solid foundation of vigour derived from universal love. The goal of religion is a non-integral entity and as such there remains a narrow outlook. The goal of dharma, however, is infinite Brahma. So the pursuit of dharma increasingly expands one’s vision. Sometimes a kind of alliance is noticed between religions but that is entirely an external alliance. The talk of synthesis of religions is totally absurd; it is merely an apparent show of honesty and grandiloquence to hoodwink the common people. Dharma is always singular in number, and never plural. So there is no question of religious synthesis in dharma. Religion is always plural in number – never singular. The synthesis of religions means their annihilation. Where impermanent entities are worshipped as the goal through various ritualistic paraphernalia, there is no scope for synthesis.
Religion is practiced for the fulfilment of mundane aspirations. This is the reason why a class of clergymen emerged centring around the religion. Ultimately the adherents of these religions become mere tools in the hands of vested interests. With the awakening of nityánitya viveka in human minds and the opening of the door of scientific knowledge, it will not be possible to deceive the people in the name of religion or by holding out the lure of happiness in the next world. The vested interests are quite aware of this fact and hence strive to keep the masses lost in the darkness of ignorance. Like parasites, they manoeuvre themselves to misappropriate, by injecting fear and inferiority complexes, a lion’s share of what the ignorant masses earn with their sweat and blood.
Religious exploiters maintain an unholy alliance with the capitalistic exploiters. With hands upraised, a religious preceptor blesses the wealthy merchants for their future prosperity but refuses to see the faces of his poor disciples who fail to provide handsome prańámii (a fee for the priest’s blessing). You will notice that in many religions mythological stories and fables are given more importance than science and rational ideas because they contain ample scope for exploitation of human weaknesses.
But in scientific and rational analyses, there is no scope for exploitation. If you consider yourself a Bráhmin by caste, then you will have to admit indirectly that the Bráhmins had their origin from the mouth of a god named Brahma. But will your scientific intellect agree to this sort of irrational interpretation? Likewise, if you consider your self as a warrior (kśatriya) or a merchant (vaeshya) or a labourer (shúdra), then you will have to accept that you were born of Brahma’s hands, thighs or legs. Anthropology, archaeology and human history can not accept these absurd notions. But the adherents of so many religions have to conform, more or less, to some mythological stories, which are totally contrary to science. By developing nityánitya viveka you will be able to clean your mind of the garbage caused by such superstitions with little effort. Nityánitya viveka teaches that the entities which are dependent on time, place and person are all transient. The only entity beyond the scope of time, place and person, is Paramátma, so He is the Eternal one, Nityaḿ Vastrekaḿ Brahma.
The second type of viveka paiṋcaka is dvaetádvaeta viveka. Through dvaetádvaeta viveka one gains the capacity to analyse whether the eternal entity is one or more than one and come to a conclusion accordingly (dvaeta means dualistic and advaeta means non-dualistic). There cannot remain any svagata, svajátiiya and vijátiiya differentiation in the entity which is beyond time, space and person. So it is not possible for the Eternal Entity to be more than one. Various beliefs about the so-called gods – that one god defeated another in battle, but was later harmed enormously by his adversary’s wrathful vengeance; that a certain god spreads or cures a certain disease; and that another god distributes wealth or learning – are contrary to Dvaetádvaeta Viveka.
In spiritual practice nityánitya viveka is not enough, Dvaetádvaeta viveka is also necessary. For success in spiritual practice both nityánitya viveka and dvaetádvaeta viveka are indispensable. They enable people to realize that all the objects bound by time, space and individuality are transient while the Entity beyond the periphery of time, space and individuality is permanent; It is one without a second.
The third type of conscience is átmánátma viveka (literally self-non-self conscience). The role of this type of conscience is to analyse whether the Permanent, Non-dualistic Entity is Consciousness (Átmabháva) or non-consciousness (anátmabháva).
Everything in this universe is a metamorphosed form of Consciousness. This metamorphosis takes place due to the influence of static principle. The creation of the world of forms by the static principle continues as a result of the changes in the flow of endless waves. Forms are the expressions of the formless due to the influence of the static Prakrti. So Consciousness, in the process of crudification, is turned into solid matter and takes the form of a perceptible object, relinquishing its original quality of witness-ship. That is, Consciousness (Átmabháva) becomes metamorphosed into non-consciousness (anátmabháva). From mind to solid matter there is the domination of non-consciousness and hence the existence of the three factors: knower, knowledge, and knowable. When spiritual aspirants apply átmánátma viveka they can easily discern these three factors and come to the realization that all the three are changeable and perceptible and hence non-consciousness by nature. And the entity which is above these three factors, which is One without a second, which is the Witnessing Entity, is nothing but Consciousness.
In the mundane world people run after money. What is the nature of this money? Money is important to buy crude physical objects. It is not a conscious entity; it is non-consciousness. Its necessity is felt by the unit mind. Money is knowable and enjoyable, and the pleasure derived from money is enjoyment. But, being non-consciousness, it cannot be the cause of unlimited happiness. Yet people will do almost anything to attain money: bribery, murder, adulteration, black marketing, hypocrisy and so on. Such people are the worshipers of non-consciousness, investing all their vital energy in the pursuit of matter.
Apply átmánátman viveka in all action and all thoughts. Atmánátma viveka has a greater importance in the field of action than dvaetádvaeta viveka. If you utilize it as an indispensable part of your daily life, the true form of the universe will appear before you. Of course, this will never happen if one harbours sinful thoughts while pretending to be righteous. Átmánátman viveka will teach you that the Singular Eternal Entity in the form of Consciousness should be your only object of ideation. You will see the colours of religion fade before your eyes as the pure white effulgence of dharma shines with ever-increasing brilliance.
All the “isms” prevalent in today’s world can easily be included in the category of religions. All the defects of religions exist in the “isms” too. None of the political, social or economic “isms” are free from superstition none are straightforward; all are full of rampant hypocrisy. In all “isms”, doctrines and religions, the scriptural authority is supreme. There is no scope for the functioning of the five types of conscience, no place for service, love or devotion. With the help of falsehood and immorality, these “isms,” doctrines and religions slander and make accusations against each other. They make attractive promises to the people while hiding their own internal sins. In fact, false piety is not the path of dharma, leading to welfare, but the opposite of dharma, the negation of welfare. They can be likened to asses wearing lion skins: take away the lion skins and their their true form will be revealed. They have no other purpose than to grab votes and usurp power. The mentality to grab the votes first and then serve the people is not the true spirit of selfless social service; rather, it is the mentality of power craving materialists.
You will have to advance with the true spirit of genuine social service, because the very characteristic of dharma is to promote the cause of welfare. Dharma and welfare are inseparable. Religion and intolerance have created enormous harm in the world, have caused torrents of blood to stain the rivers red. In the present twentieth century, religions have assumed the form of “isms”.
The people of medieval times fought among the clans and communities, and the people of today are fighting over their “isms”. Just as religions did in the past, the “isms” are criticizing each other today, betraying their spirit of intolerance as they try to gag each other’s voices. It seems that they have no other goal than carping, criticizing, and slandering each other. They are befooling the ignorant masses by painting rosy pictures of service, peace and happiness. On the other hand they themselves are going far away from the path of selfless service and welfare. To emancipate the masses from the unhealthy influence of “isms” there is no other way than universalism. Only universalism is free from the defects of any narrowisms because every thing of this entire universe comes within its vast periphery.
It is only with the help of átmánátma viveka that the human beings can emerge from the mire of the present century and move towards universalism with firm steps. By virtue of átmánátma viveka people can realize that Brahma is the Eternal Singular Entity, pure Consciousness.
The fourth type of conscience is paiṋcakośa viveka (the conscience of paiṋcakośas or five layers of existence). People sometimes mistake the different layers of their existence to be unit consciousness. With the help of paiṋcakośa viveka people can easily discern that the annamaya kośa (physical body), kamamaya kośa (crude mind) manomaya kośa (subtle mind), atimanas, vijiṋánamaya, and hiranyamaya kośas(causal mind) are separate layers, and that Consciousness is above all five kośas. Spiritual sádhaná means ideation on one’s own consciousness beyond these kośas and not ideation on any of the kośas themselves. Through knowledge one must analyse and stop worshipping these kośas. Movement towards consciousness is the real spirit of sádhaná. It is not possible to follow the spiritual cult without properly cultivating paiṋcakośa viveka.
Take for example the case of a major problem in society – the problem of food and clothes. Food and clothes are essential for the preservation of human existence, but they are not the goal of life. They are necessary for the physical body (annamaya kośa), and to some extent for other kośas too, but they are not everything. With them it is not possible to achieve complete mundane fulfilment. To attain supreme benevolence the microcosmic entity consisting of the five kośas is a necessity, and for that there is the need of food and clothes. But the struggle for procuring food and clothes is only a crude stage of sádhaná not the final and absolute one. Those whose entire sádhaná is employed only for procuring food and clothes can hardly be called human beings; they are better described as undeveloped animals.
Mahávákya viveka, the fifth stage of conscience, is the resultant of the other four. The first four types of conscience help a sadhaka to realize that the Eternal Entity, Brahma, is One without a second, Consciousness personified, and the knower of the five kośas. Mahávákya viveka teaches human beings that He is not attainable through mere knowledge. To liberate the consciousness from these five kośas, action and devotion are indispensable. Those who think that He is attainable through the cult of knowledge alone are mistaken. By cultivating the first four types of conscience a person of knowledge may become established in mahávákya viveka. At that stage he or she realizes that the mere pursuit of knowledge cannot bring paramártha (the means of attaining the supreme goal). He or she then understands that the knowledge already acquired is not true knowledge because it leads to vanity.
If ignorant people want to acquire more knowledge they should be encouraged to do so. But if so-called intellectuals (jiṋániis), puffed up with the vanity of knowledge, want to attain more knowledge they should be told to perfect the cult of action and devotion first, thereby smashing their vanity. So let the jiṋánii tell the masses that Brahma is attainable only through self surrender, proper questioning and selfless service.
Pránipátena, pariprashnena, sevayá. Keep serving the people, and as you render service ascribe Brahmahood to those you are serving. Try to make them happy with all the sweetness of your heart. Help others with the true spirit of service, not with the intention of propagating your self or group interests or any “ism” you may adhere to. Think that the Supreme Entity has come to you in the form of needy people to test your sense of duty. This sort of selfless service is karma yoga. Your only motivation for service should be to promote the welfare of suffering people. Those who serve the poor in order to convert them in some way, or those political opportunists who serve them to get their votes with a view to becoming ministers, are not the true benefactors of human society, but the devious traders.
Along with service, spiritual aspirants should also cultivate pariprashnena (proper questioning). When a spiritual aspirant follows the path of the spirituality, so many questions, doubts, and confusions arise in the mind. Pariprashnena is asking questions to the right people who will provide appropriate answers to help one solve any problem one may encounter on the spiritual path. This permits one to advance more rapidly towards the spiritual goal. Through the cultivation of the five stages of conscience all questions are easily answered. One who does not follow the spiritual path, or one who does not develop the five-fold conscience, remains constantly preoccupied with the material objects of enjoyment.
Together with selfless service and proper questioning, prańipátena, or complete surrender, is also essential. Cultivate knowledge and render service unto others to the best of your capacity, but do not think that this will suffice; for your small-I still exists. You must surrender your small I to the Cosmic I: this is the spirit of pranipátena. That is why it is said that the five types of conscience attain their consummation through jiṋána yoga, karma yoga and bhakta yoga.
So, the five types of conscience begin with nityánitya viveka and terminate in devotion. The sphere of knowledge is vast, yet it is as arid as a desert: the sphere of action starts from a point of timelessness, yet it cannot transcend the barriers of time. Devotion brings abundance, enrichment, effulgence and dynamism. Devotion is the most valuable treasure of human life because it supplies endless vitality.
Bhaktirbhagavato sevá bhaktih premasvarúpińiih,
Bhaktirándarúpá ca bhaktih bhaktasya jiivanam.
Shrii Shrii Ánandamúrti
16 December 1957 DMC, Begusarai

12/06/2010

Uma breve biografia de Shrii Shrii Anandamurtijii

Shrii Shrii Anandamurtijii, também conhecido como Shrii Prabhat R. Sarkar (1921-1990), foi filósofo, reformista social, humanista e mestre espiritual. Através de seus ensinamentos e trabalhos, inspirou milhares de pessoas a transformarem-se em neo-humanistas – pessoas que assumem a responsabilidade de salvaguardar o bem-estar de toda a Humanidade. Além disso, foi autor de vários livros, poeta e compositor.
Sua Vida
Shrii Shrii Anandamurti, nasceu em 1921, em Jamalpur, uma pequena cidade do estado de Bihar, na região Leste da Índia. Entre uma família de cinco crianças, ele foi o filho mais velho. Uma de suas irmãs morreu ainda nova; e seus dois irmãos mais novos ainda estão vivos. Após a conclusão do segundo grau em Calcutá, em 1944, tornou-se funcionário do Departamento de Contabilidade da Rede Ferroviária, em Jamalpur. Nesse período também atuou em vários jornais e periódicos. Simultaneamente, empreendeu sua missão como mestre de práticas espirituais baseadas no Tantra Yoga. Passou a ser conhecido como fomentador de projetos sociais e líder espiritualista e ético. Em 9 de janeiro de 1955, estabeleceu a organização Ananda Marga, que depois se propagou por todo o mundo.
Anandamurtii foi um grande defensor da justiça social. Em 1959, formulou uma teoria político-socioeconômica, que combina conceitos espirituais com libertação social e econômica, a qual chamou de Teoria da Utilização Progressiva (PROUT). Ele propôs a criação de Prout para resolver as dificuldades econômicas dos seres humanos. Em 1965, aposentou-se de seu emprego para dar total atenção à Ananda Marga.
Anandamurti adotou uma posição inflexível contra a corrupção e desafiou o status quo. Na medida em que sua ideologia se espalhou entre as massas, o governo indiano tentou bloquear sua influência. Em 1971, foi acusado falsamente de vários crimes e encarcerado sem direito a julgamento ou fiança. Em 12 de fevereiro de 1973, por ordens de agentes do governo, o médico da prisão envenenou-o. Anandamurti exigiu que fosse aberto um inquérito de tentativa do envenenamento. Como o governo se recusou a atendê-lo, em 1 de abril de 1973, iniciou um protesto por meio de jejum, fazendo a promessa estendê-lo até que fosse aberto um inquérito ou que ele fosse inocentado. Em julho de 1975, quando a Índia estava sob o Período de Emergência (suspensão de todas as regras democráticas), foi processado sob falsas acusações, teve negado seus direitos de defesa e foi sentenciado à prisão perpétua.
Após Indira Gandhi perder a sua candidatura à reeleição, os advogados de Anandamurti transferiram seu caso para a Corte Suprema. Em julho de 1978, alterando a decisão do tribunal de primeira instância, a Corte Suprema inocentou Anandamurti de todas as acusações e expressou profundo pesar pelo que considerou uma das “grandes barbaridades do sistema judiciário” da Índia moderna.
Em 2 de agosto de 1978, Anandamurti quebrou seu jejum após ser liberado da prisão pela Corte Suprema. Usando uma técnica iogue antiga de Kaya Kalpa, sobreviveu por 5 anos com uma dieta de um copo do iogurte ligeiramente salgado, com água, o qual era ingerido duas vezes ao dia. Nos anos seguintes, ele explicou o processo como sobreviveu durante a prisão. Durante toda a sua vida, Anandamurti continuou a trabalhar incansavelmente em prol dos seres humanos injustiçados do mundo, e escreveu tratados filosóficos e científicos. Seus ensinamentos são tão vastos que seriam necessárias várias décadas para avaliar sua contribuição para o conhecimento humano. Foi o autor mais prolífico – tendo o maior número de livros e poemas da história da Humanidade. Além de uma extensa lista de livros adiante citados, mais de outros 100 títulos esperam para ser traduzidos e publicados.
Um Renascentista
Anandamurti possuiu vários talentos – filósofo, reformista social e mestre espiritual dedicado à missão de fazer uma transformação planetária. Combinou sensibilidade mística com dedicação profunda à vida. Com seus ensinamentos e ações, inspirou outras pessoas a desenvolverem-se até o ápice de sua potencialidade, para assumirem a responsabilidade de salvaguardar o bem-estar da Humanidade.
Anandamurti se contrapôs aos dogmas que impedem a expansão do espírito humano e encorajou uma luta ferrenha e incessante contra as forças da tirania. Sua motivação por justiça social estava fundamentada na inspiração espiritual e na compaixão ilimitada pelo sofrimento humano. Trabalhou para servir às pessoas pobres, sofridas, famintas e descamisadas deste mundo. Asseverou que os seres humanos devem se desenvolver de forma holística e se autorrealizar plenamente. Ensinou que o serviço à humanidade sofrida é serviço a Deus e que a realização humana plena é a união mística com Deus.
Citar os talentos e as realizações de Anandamurti significa pouco para expressar a grandeza por trás de suas realizações. Mesmo sendo difícil de entender sua vida, isso não quer dizer que ele era uma pessoa complexa – ele impressionou as pessoas por seu estilo simples, direto e consistente. O contrário se sucedia porque a profundidade de sua visão e a amplitude de sua sabedoria são incompreensíveis. Teve um intelecto surpreendente e uma personalidade atraente. Era motivado por um profundo sentimento missionário de promover a libertação no sentido mais amplo. Mesmo na idade avançada e com a saúde debilitada, trabalhava 20 horas por dia, sete dias por semana, para promover o bem-estar dos outros. Seu compromisso e seu amor pela Humanidade atraíram milhares de discípulos.
Anandamurti redefiniu o humanismo em uma filosofia que chamou de "Neo-humanismo”, a qual propõe que o bem-estar da Humanidade seja construído pelos ‘novos’ humanos: (1) que acreditam que a Humanidade é una e indivisível; (2) que amam todos os outros seres humanos como irmãos e irmãs; e (3) que consideram todos os animais, plantas e objetos inanimados como membros de uma extensa família universal e que, assim, merecem seu amor e cuidado. Acreditou que a crença religiosa, o status social e a riqueza pessoal possuem valor somente quando servem para manter o corpo, expandir o intelecto e elevar a alma.
Anandamurti acreditava que a Humanidade vive um momento crucial, entre a intensificação do caos, por um lado, e o renascimento planetário emergente, por outro. Incitou todas as pessoas boas a se oporem às forças negativas atuais, que fragmentam, oprimem e exploram a Humanidade. Incitou esses neo-humanistas inspirados no amor universal a esforçarem-se vigorosamente para acabar com a degradação da Humanidade, e para desencadear seu potencial físico, intelectual e espiritual mais elevado.
No século XXI
Hoje a economia global está no limiar de uma grande crise. Mais do que nunca, está claro que nem o modelo econômico capitalista nem o comunista podem materializar os sonhos da Humanidade. O que o mundo precisa é de uma filosofia que unifique todos os povos. Atualmente, a visão unificadora de Anandamurti para a libertação socioeconômico-política tem maior apelo do que quando foi proposta originalmente. Sua visão se refere a poderosos sentimentos arquétipos: viver uma vida plena de significado e compromisso, lutar por ideais elevados, atuar com profunda compaixão pelo povo sofrido e injustiçado, proteger a vida das comunidades e livrar a mente de dogmas constritivos. Esses são sentimentos que elevam a vida para além do trabalho do dia-a-dia e do vazio existencial, impregnando-a de espiritualidade, significado, propósito, profundidade e – acima de tudo – amor.
Anandamurti viveu sua vida cultivando a moral e o amor entre as pessoas dedicadas a essa tarefa nobre – exemplos vivos da grandeza humana. Com suas canções, escritos, poesias, ensinamentos, conduta pessoal e dedicação integral, procurou capacitar os outros com vigor, espiritualidade e pureza de intenção necessária para se criar um mundo melhor. Inspirou seus seguidores a trabalharem incessantemente pela criação de uma revolução política, econômica, cultural, social e espiritual. Seu modelo de liderança – focada no serviço compassivo e competente, que promova o bem-estar de todos – foi abraçado por milhares de pessoas que reconhecem sua sabedoria. Ele era um otimista incorrigível e infundiu esse espírito em seus seguidores. Mesmo nas épocas mais obscuras, inspirou coragem e esperança.
Contribuições de Anandamurti
As contribuições de Anandamurti abrangem uma gama de assuntos e atividades. No campo da botânica, para ajudar na preservação da diversidade genética ameaçada da Terra, estabeleceu uma rede de jardins botânicos que contêm mais de 50.000 espécies vegetais – mais do que qualquer outra coletânea botânica do planeta. No campo da zoologia, por sua solicitação, alguns santuários de animais foram estabelecidos em Bengala Ocidental, Índia, nos Estados Unidos e em outros países. Falou de forma enfática contra a destruição imprudente do habitat de animais selvagens para a utilização da terra por humanos e foi contrário à crueldade perpetrada contra animais utilizados para o consumo humano e práticas esportivas.
Como músico, Anandamurti compôs em apenas 8 anos, de 1982 a 1990, mais de 5.000 canções (chamadas Prabhat Samgiit). Seus poemas líricos expressam os mais nobres sentimentos humanos em uma linguagem que toca as pessoas de todas as classes sociais. Esses versos atraentes e tocantes combinam estilos tradicionais de diversas culturas, uma mistura perfeita da música clássica oriental com os estilos musicais da Antiga Pérsia, da Escandinávia, do Oriente Médio, da China e de outras regiões. Compôs canções para diferentes ocasiões: canções de devoção, do despertar espiritual, da natureza, da renascença social, canções populares, canções das crianças, e assim por diante. A cada ano, Prabhat Samgiit alcança novos índices de popularidade, e muitos luminares do mundo musical estão gravando suas músicas.
Anandamurti falou fluentemente cerca de 200 idiomas e teve a aptidão em escrever na maioria dos idiomas. Diversas universidades usam seus discursos sobre linguagem como textos de estudos linguísticos. Muitos lingüistas bengalis proeminentes aclamaram seu conhecimento de etimologia, pronúncia, gramática e filologia. Ele acrescentou ao vocabulário da língua bengali mais de 18.000 palavras, e tornou sua escrita mais sistemática, adicionando diversas letras a seu alfabeto. Também escreveu textos de gramática para o inglês e o híndi. Um dos projetos principais nos momentos finais de sua vida foi ditar uma enciclopédia de 26 volumes da língua bengali, chamada Shabda Chayaniiká, traduzida como “Antologia de Palavras.”
No campo da medicina, Anandamurti foi autor de livros sobre tratamentos fitoterápicos, terapia iogue, ayurveda e naturopatia, para as doenças mais comuns. Introduziu muitas práticas iogues que, se praticadas corretamente, previnem e curam vários problemas de saúde. Também formulou uma nova teoria chamada microvita, utilizada para explicar sistemas sutis de cura, tais como a homeopatia. As pesquisas que ele orientou sobre o microvita, esse novo campo da medicina, prenunciam a cura de doenças crônicas e agudas.
O sistema de educação que Anandamurti desenvolveu está sendo utilizado em quase 900 escolas da África e do Sul da Ásia. O último projeto que empreendeu antes de sua morte foi um novo sistema educativo bem detalhado, chamado Gurukul, que desenvolve o ensino desde o pré-escolar até os níveis de pós-graduação universitária. Como parte disso, criou as bases organizacionais para uma universidade, incorporando esse programa curricular em Bengala Ocidental.
A organização socioeconômica e política global, chamada Proutista Universal, foi inspirada pela filosofia social progressista de Anandamurti. Proutista Universal se engajou no desenvolvimento econômico das comunidades e em particular na criação de empresas cooperativas. Na Índia, diversos movimentos regionais proutistas estão engajados na disputa política popular. Planos de desenvolvimento regionais de Prout foram esboçados para o Togo, uma nação africana, e para uma pequena nação no Extremo Oriente da Rússia, revitalizando suas economias, que se encontravam em depressão. Além disso, Prout participou em debates internacionais entre ONGs para defender o desenvolvimento sustentável. Prout propõe que as populações busquem uma filosofia socioeconômica que promova uma sociedade sustentável, próspera e justa – uma sociedade baseada em valores humanos e princípios cardinais.
A vida pessoal de Anandamurti foi isenta de autopromoção, exploração espiritual ou defeitos morais, que muitos falsos líderes espirituais costumam demonstrar. Viveu uma vida de simplicidade e conduziu sua vida pessoal com virtude e decoro, comportando-se de uma maneira condizente com suas crenças.
Anandamurti foi um mestre incomparável de Yoga e Tantra, uma ciência espiritual mística. Modificou essas práticas espirituais milenares para se ajustarem à psique contemporânea, e treinou quase 2000 professores missionários com as técnicas de meditação, confiando-lhes a tarefa de oferecer práticas intuitivas, no mundo inteiro, a todas as pessoas que procuram o desenvolvimento espiritual. Consequentemente, suas técnicas iogues para o desenvolvimento espiritual, ético e físico são ensinadas pelo mundo inteiro gratuitamente. Milhões de pessoas em todo o mundo foram beneficiadas por tal sistema de meditação.
Juntamente com a modernização das práticas espirituais, revigorou os conceitos que sustentam a experiência espiritual real. Em seus discursos, apresentou temas filosóficos centrais de nossos tempos, resolvendo as aparentes contradições entre ciência e misticismo, idealismo e materialismo, ação e desapego, concepções imanentes e transcendentes de Deus, ideias relativas e absolutas de éticas, e deu uma abordagem pessoal e política à libertação.
Durante sua vida Anandamurti, deu extensos discursos sobre uma grande variedade de assuntos, que agora estão sendo traduzidos e publicados. É autor de mais de 260 livros, que apresentam tópicos de história, economia, sociologia, política, ética, linguística, cultura, civilização, agricultura, medicina, psicologia, filosofia, práticas espirituais, cosmologia e Tantra. Seu tratado filosófico básico, chamado Ánanda Sútram, esboça a filosofia social e espiritual sob a forma de aforismos em sânscrito, acompanhados de um breve comentário. Outros trabalhos filosóficos incluem Ideia e Ideologia, mais de 30 volumes do Subhás'ita Sam'graha (uma coletânea de discursos espirituais), mais de 45 volumes do Ánanda Vacanámrtam (palestras devocionais), Namámi Krs'n'a Sundaram (a vida e os ensinamentos de Krishna sob a luz das filosofias indianas antigas) e Namah Shiva'ya Sha'nta'ya (a vida e os ensinamentos de Shiva, que viveu 7.000 anos atrás, nas montanhas do Himalaia, à luz da evolução de filosofias e culturas espirituais). No livro A libertação do intelecto – Neo-humanismo, o autor expôs uma nova visão para o progresso humano, baseada em valores universais e princípios éticos. O neo-humanismo expande os limites do humanismo contemporâneo, incluindo os animais, as plantas e o mundo inanimado – na verdade, toda a criação. Em Um guia para a conduta humana discute os códigos morais para o século XXI, que são um pré-requisito para aquelas pessoas que desejam dedicar suas vidas ao serviço altruísta à Humanidade. Os trabalhos do autor sobre sociologia incluem o compêndio Sociedade Humana, em dois volumes, Discursos sobre Prout e Problemas do mundo atual. Esses livros e muitos outros discursos estão inseridos na coletânea PROUT in a Nutshell, de 21 volumes. Igualmente, deu diversos discursos sobre agricultura, que foram editados no livro Cultivo Ideal. Publicou diversos livros para crianças, incluindo: O lótus dourado do mar azul, Nas profundezas do mar azul, Na terra de Hattamala, Tara Bandha Chara e Nutan Varna Parichaya. Também publicou uma coletânea de 14 volumes de histórias chamadas Galpa Sainchaya (breves narrações educativas e divertidas) assim como diversas peças teatrais. Esboçou uma nova teoria baseada nas mais minúsculas entidades da criação, que está editado no livro chamado Microvitum in a Nutshell, e deu vários discursos sobre psicologia e sobre o potencial da mente humana, alguns dos quais estão incluídos no volume Psicologia do Yoga. Deu um novo tratado sobre o tratamento iogue, chamado Tratamento iogue e medicina natural.
Os discursos de Anandamurti sobre o idioma bengali e outras línguas indianas foram incorporados aos 26 volumes de Shabda Chayaniika, chamada Enciclopédia, enquanto diversos livros adicionais sobre filologia incluem Varn'a Vijina'na, Varn'a Vicitra', assim como um dicionário bengali chamado Laghu Nirukta. Igualmente, publicou um livro sobre gramática inglesa, intitulado Sarkar's English Grammar.
Esses múltiplos discursos serviram para fundamentar o que Anandamurti chamou de revolução nuclear, que significa não somente uma revolução socioeconômica, mas também uma revolução espiritual e cultural – uma total e holística transformação da sociedade humana.

23/05/2010

Sadvipra, Táraka Brahma, Sadáshiva and Shrii Krśńa

Tanto na vida individual como coletiva, as mudanças estão acontecendo constantemente: pequenas mudanças ocorrem frequentemente e as mudanças mais importantes surgem de forma intermitente. Os seres humanos primitivos surgiram na Terra há cerca de l milhão de anos, mas os seres humanos atuais tiveram a sua origem há cerca de apenas 100 mil anos. O ritmo do progresso humano nesse último milhão de anos têm sido muito lento: os seres humanos progrediram em ritmo de lesma. Foram precisos centenas de anos para que os seres primitivos descobrissem o fogo, e centenas de milhares de anos para inventarem o carro de boi. Muitas civilizações antigas desapareceram dos anais da história simplesmente porque não conseguiram inventar a roda. Elas foram capazes de inventar o barco, mas como não tinham inventado a roda, não conseguiram fazer carroças e charretes. Por essa razão, a civilização maia, na América Latina, sofreu seu declínio. A velocidade do progresso social naqueles tempos era muito lenta e só começou a acelerar durante os últimos 15.000 anos, após a composição do Rk Veda. A história destes 15 mil anos de progresso pode ser considerada como a verdadeira história da civilização humana.
Geralmente, os seres humanos se adaptam às mudanças menores através do esforço individual ou coletivo. Às vezes, se necessário, podem causar pequenas alterações e progridem ordenadamente. Sempre que uma ou ambas dessas duas situações ocorre, isto é, quando as pessoas sentem a necessidade de introduzir pequenas alterações para se adaptar às novas condições, vários líderes surgem para guiar a sociedade. Nos tempos antigos, esses líderes eram chamados de "rs’is". Muitos líderes desse tipo viveram no passado, muitos estão vivendo no presente, e muitos vão viver no futuro, porque as mudanças sempre vão acontecer na sociedade humana. O que quer que seja criado, certamente vai progredir de acordo com as mudanças. Tudo o que existe no universo, certamente, terá de sofrer alterações. Quando a diferença entre estas duas formas – passado e presente – torna-se muito grande, nós dizemos que o passado está morto e enterrado.
A morte constitui também um tipo de mudança em que o presente parece perder sua ligação com o passado. Suponha que haja um bebê pequeno. Quando ele cresce e se torna um garoto, uma nítida mudança ocorre, mas entendemos que o mesmo bebê se transformou em um menino. No decorrer da vida, o mesmo garoto se transforma em um jovem; o jovem, em um homem de meia-idade; e, após um certo período, o homem de meia-idade se torna um homem idoso. Podemos dividir a vida de uma pessoa em diferentes fases de crescimento conforme vimos. Mas quando a pessoa idosa renasce como uma criança, a diferença torna-se tão grande que nós não conseguimos descobrir a ligação entre as duas vidas. Assim, a morte é uma mudança; e o renascimento é também uma mudança.
Um estudo da história mostra que pequenas mudanças ocorrem continuamente, e grandes mudanças ocorrem em intervalos mais longos.Antes da descoberta do fogo, os seres humanos antigos costumavam aquecer seus utensílios com os raios escaldantes do sol. Muito mais tarde, quando o fogo foi descoberto, isto foi considerado uma grande mudança na história humana. Quando os seres humanos antigos inventaram o primeiro carro de boi, isto foi considerado como um sinal de grande avanço no progresso científico.
Podemos dizer que a civilização começou a surgir após a pré-história da raça humana, isto é, a partir do dia da primeira composição do Rk Veda, cerca de 15 mil anos atrás. Uma mudança maior ainda ocorreu durante a era do Senhor Shiva, no final do período Rk Vedian (que durou 10 mil anos).

A vida humana é caracterizada por vários tipos de expressões - as pessoas comem e bebem, usam roupas, cantam e dançam, constroem casas, submetem-se a tratamento médico, e assim por diante – e isto é conhecido coletivamente como cultura. Isoladamente, qualquer uma dessas expressões não é cultura; cultura é a soma de todas elas. Sadashiva queria sistematizar todas as expressões da vida humana - dança, música, medicina, civilização, de fato, cada aspecto da vida. Esta foi uma grande mudança, uma mudança revolucionária. Nada semelhante tinha acontecido antes. Tais mudanças profundas não são facilmente trazidas pelos líderes comuns, ou rs’is. Aqueles que ajudam as pessoas a adaptarem-se à nova situação, eu os denomino de "sadvipras". Mas aquele que realmente inicia a principal mudança é chamado de “mahasadvipra". Os sadvipras sabem como conduzir as pessoas em perfeito ajuste com as novas circunstâncias, e orientá-los no caminho certo.

Assim, o início de uma mudança revolucionária não é o trabalho de um sadvipra, mas o trabalho de um mahasadvipra. Mahasadvipra é o termo filosófico, nas escrituras, ele é chamado de "Taraka Brahma". Sadashiva foi um Taraka Brahma - um guia versátil em todos os aspectos da vida humana. No período pós-Shiva, porém, a velocidade do progresso social diminuiu. Ela perdeu seu impulso, e a degeneração se estabeleceu. As diferentes partes da máquina social tornaram-se enferrujadas. A situação exigiu o advento de outra grande personalidade, que foi capaz de impulsionar a sociedade em frente e liderar o povo no caminho certo. Assim, cerca de 3500 anos atrás surgiu outro grande líder – Sri Krsna. Ele também causou uma grande mudança na sociedade e infundiu uma grande onda de progresso social.

Pode-se perguntar se somente Sadashiva trouxe essas mudanças importantes na sociedade. Não, certamente que não! Ele foi ajudado por inúmeros sadhakas devotos – intelectuais e pessoas comuns. Nas escrituras, eles são conhecidos como “gan’a” de Shiva. Diz-se que outros deuses e deusas foram decorados com vários tipos de ornamentos - alguns usavam brincos e coroas, outros eram enfeitados com búzios e flores de lótus e armas, tais como discos e cassetetes -, mas no caso de Shiva, seu ornamentos foram seus devotos, que trabalharam incansavelmente para construir a sociedade, de acordo com suas instruções.

O que aconteceu durante a era de Sri Krishna? Ele também criou uma mudança revolucionária na sociedade. Aqueles que o ajudaram nessa tarefa revolucionária não eram necessariamente sábios e intelectuais, nem todos eles eram versados nas Escrituras. Muitos deles eram membros comuns da sociedade. Mas é um fato que eles eram devotos fervorosos e sinceramente trabalharam para o bem-estar da Humanidade sob a direção de Sri Krishna (Vraja). Sua riqueza era o amor pela Ista (meta) – sua devoção a Krishna. E por causa de sua devoção alcançaram o sucesso em suas vidas. As pessoas conseguem mais com a sua sinceridade do que com o seu conhecimento.

A presente era também sofreu mudanças significativas. Vários tipos de problemas surgiram na sociedade atual. Novos tipos de preparações - mental, física e preparações completas - são necessárias para lidar com a situação atual. A corrupção e a degeneração entraram nos poros do corpo social. As pessoas honestas terão de trabalhar para efetuar uma grande mudança, lutando unidas contra esta situação adversa. No entanto, para ter sucesso nessa tarefa, as pessoas vão ter de fazer uma preparação cuidadosa. Assim como é preciso se preparar antes de fazer uma má ação, é preciso também preparar-se antes de fazer uma boa ação. As pessoas boas vão fazer boas ações.

Há uma fase preparatória, antes de cada ação. Na verdade, longos preparativos têm acontecido; e hoje, a mudança tornou-se inevitável. A situação não tolera mais demora. Cerca de 3300 anos se passaram desde a época do Senhor Krishna, e cerca de 7000 anos se passaram desde a era de Shiva. A população de hoje terá de se preparar da mesma forma como se fez no passado. As pessoas terão que se lançar em uma nova batalha, com uma nova ideologia, para gerar o bem-estar total da raça humana.

Quando uma grande mudança aconteceu no passado, como nos tempos de Shiva e Krishna, uma nova filosofia, uma nova forma de vida, uma nova luz inspirou as pessoas a se mover; e é por isso que elas puderam realizar suas tarefas em curtíssimo espaço de tempo. Para provocar uma grande mudança, a luta é inevitável, seja ela curta ou prolongada. Quando as pessoas lutam sob a inspiração de uma personalidade forte, a tarefa é realizada dentro de um curto período. Então, o povo decide, após profunda reflexão, quais são os principais problemas que a sociedade enfrenta, em seguida, faz os preparativos necessários para resolver esses problemas. Uma vez que eles estão preparados, eles podem alcançar o sucesso rapidamente.

A sociedade humana de hoje deve ser vista sob uma perspectiva universalista e não de forma sectária. Temos de resolver todos os problemas, grandes ou pequenos. Temos de começar o trabalho de resolver os principais problemas, de imediato; porque a necessidade de trazer uma mudança para a sociedade já chegou. Quanto mais se demora, maior fica a escuridão. Hoje, uma nova filosofia, uma nova forma de humanismo, uma nova forma de pensamento socioeconômico é constituída, com a única intenção de promover o bem-estar social coletivo.

É por isso que eu aconselho a não desperdiçar seu tempo. Utilize o seu tempo em atividades de valor. Diz-se "Shubhasya kalaharanam ashubhasya shiighram". Antes de iniciar uma tarefa nobre não é preciso consultar os dados de astrologia e a posição das estrelas; faça-a imediatamente. Mas quando você quiser fazer algo nocivo, tente adiá-lo o quanto puder. Pode ser que, com o passar do tempo e com uma mudança de mentalidade, você decida não fazer mais nada.

Enquanto você está executando a sua nobre tarefa, não perca seu tempo. Neste mundo prático, neste mundo relativo, o fator relativo mais importante é o tempo. Uma vez que o tempo passou, não volta mais, por isso, não utilize seu tempo de forma errada. Que você possa prosperar. Que a vitória esteja com você.

P.R.SARKAR - 17 de janeiro de 1979, Bangaon

Publicado em:
Ananda Vacanamrtam Parte 8


Sadvipra, Táraka Brahma, Sadáshiva and Shrii Krśńa


In individual and collective life, changes are constantly taking place: minor changes frequently and major changes intermittently. Primitive human beings came onto this Earth about 1 million years ago, but the present human beings had their origin only about 100,000 years ago. The pace of human progress these last million years has been very slow: humans advanced at barely a snail’s pace. It took those primitive people hundreds of thousands of years to discover fire; and hundreds of thousands of years more to invent the bullock cart. Many ancient civilizations have disappeared from the annals of history simply because they could not invent the wheel. They were able to invent the boat, but as they had not invented the wheel, they could not make carts and chariots. For this reason, the Mayan civilization of South America had its downfall. The speed of social progress in those days was very slow and only began to accelerate during the last 15,000 years, after the composition of the Rk Veda. The history of these 15,000 years of progress can be considered as the real history of human civilization.
Generally, humans adapt themselves to minor changes through individual or collective endeavour. Sometimes, if the need arises, they cause minor changes themselves and progress accordingly. Whenever one or both of these two situations occurs, that is, when people feel the necessity to introduce minor changes to adapt themselves to the changed conditions, various leaders emerge who guide the society. In ancient times, these leaders were called “rśis”. Many such leaders lived in past, many are living in the present, and many will live in the future, because changes are sure to come in human society. Whatever is created, will certainly move ahead through changes. Everything which exists in the universe will certainly have to undergo change. When the difference between the two forms, past and present, becomes too vast, we say that the past is dead and gone.
Death is also a type of change in which the present form seems to lose its link with the past. Suppose there is a small baby. When it grows into a boy a distinct change occurs, but we understand nevertheless that the same baby has grown up into a boy. In due course, the same boy becomes a youth, the youth a middle-aged man and, after a certain period, the middle-aged man becomes an old man. We can divide a person’s life into different stages of growth in this way. But when the same old man is reborn as a child, the difference becomes so vast that one fails to discover the link between the two lives. Thus, death is a change, and rebirth is also a change.
A study of history reveals that minor changes take place continuously, and major changes occur at longer intervals. Before the discovery of fire, the ancient human beings used to heat things with the scorching rays of the sun. Much later, when fire was discovered, it was considered a major change in human history. When the ancient humans first invented the bullock cart it was considered as a sign of far-reaching scientific progress.
We can roughly say that civilization first started sprouting after the prehistoric age of the human race, that is, from the days of the first composition of the Rk Veda, about 15,000 years ago. A major change took place during the days of Lord Shiva towards the end of the Rk Vedian period (which lasted 10,000 years).
Human life is characterized by various kinds of expressions – people eat and drink, wear clothes, sing and dance, build houses, undergo medical treatment, and so on – which are collectively known as culture. Any one of these expressions is not culture; culture is the sum total of them all. Sadashiva wanted to systematise all those expressions of human life – dance, music, medicine, civilization, in fact, every aspect of life. This was a big change, a revolutionary change. Nothing like it had ever taken place before. Such far-reaching changes are not easily brought about by ordinary leaders or rśis. Those who help people adapt themselves to the changed situation, I have called “sadvipras”. But the one who actually initiates the major change is called a “mahasadvipra”. Sadvipras know how to lead people in perfect adjustment with the changed circumstances, and guide them along the right path.
So, the initiation of a revolutionary change is not the work of a sadvipra, but the work of a mahasadvipra. Mahasadvipra is the philosophical term; in the scriptures he is called “Táraka Brahma”. Sadashiva was one such Táraka Brahma – a versatile guide in all aspects of human life. In the post-Shiva period, however, the speed of social progress eventually slackened. It lost its momentum, and degeneration set in. The various parts of the social machinery became rusty. The situation demanded the advent of another great personality who was capable of pushing the society ahead and leading the people along the right path. Thus, about 3,500 years ago another great leader emerged – Sri Krśńa. He also caused a big change in the society and infused a tremendous wave of social progress.
One may ask whether Sadashiva alone brought about these major changes in the society. No, certainly not! He was assisted by numerous sádhakas, devotees, intellectuals and ordinary people. In the scriptures, they are known as Shiva’s “gańa”. It is said that other gods and goddesses were decorated with various kinds of ornaments – some wore ear-rings and crowns, others carried conches and lotuses and weapons such as discs and clubs – but in the case of Shiva, His ornaments were His devotees who worked tirelessly to build the society according to his instructions.
What happened during the days of Sri Krśńa? He, too, brought about a revolutionary change in the society. Those who assisted Him in the revolutionary task were not necessarily wise and intellectual people; nor were they all well-versed in all the scriptures. Many of them were ordinary members of society. But it is a fact that they were ardent devotees and sincerely worked for the welfare of humanity under the directions of Sri Krśńa (Vraja). Their wealth was their love for their Iśt́a (goal); their devotion to Krśńa. And because of their devotion they became successful in their lives. People achieve more with their sincerity than with their knowledge.
This age, too, has undergone a marked change. Various kinds of problems have arisen in the society of today. New types of preparations – mental, physical and all-round preparations – are necessary to cope with the present situation. Corruption and degeneration have entered the minutest pores of the social body. The honest people will have to work towards a major change by fighting unitedly against this adverse situation. To succeed in this task, however, people will have to make thorough preparations. Just as one needs to make preparations before doing a bad action, one must also make preparations before doing a good deed. Good people will do good deeds.
There is a preparatory stage before each action. In fact, long preparations have been going on, and today, change has become inevitable. The situation brooks no further delay. About 3,300 years have passed since the days of Lord Krśńa, and about 7,000 years have passed since the days of Shiva. The people of today will have to become prepared just as they were in the past. They will have to plunge themselves into a new battle with a new ideology to bring about the total well-being of the human race.
When a major change took place in the past, such as in the days of Shiva and Krśńa, a new philosophy, a new way of life, a new light inspired people to move along, and that is why they could accomplish their task in an incredibly short time. To bring about a major change, fight is inevitable, be it short or protracted. When people fight under the inspiration of a mighty personality the task is accomplished within a short period. The people then decide, after deep thought, what the main problems confronting society are, and then make necessary preparations to solve those problems. Once they are prepared, they can attain success very quickly.
Human society today must be viewed with a universal outlook and not in a sectarian way. We must resolve all problems, major or minor. We must start the work of solving the major problems immediately because the need to bring a change in the society has already come. The more we delay the more the darkness will linger. Today a new philosophy, a new form of humanism, a new form of socio-economic thought has already come, with the sole intention of promoting collective social welfare.
That is why I advise you not to waste your time any longer. Utilize your time in worthwhile pursuits. It is said, “Shubhasya shiighram ashubhasya kálaharańam”. Before starting a noble task you need not consult the almanacs or the positions of the stars; start it immediately. But when you want to do something harmful, try to delay it for as long as you can. With the passing of time, and a change in mentality, you may decide not to do it any more.
While you are executing your noble task do not waste your time. In this practical world, in this relative world, the most valuable relative factor is time. Once the time has passed and gone, it does not return again, so never misuse time. May you prosper. May victory be with you.
P.R.SARKAR - 17 January 1979, Bangaon
Published in: Ánanda Vacanámrtam Part 8

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