14/05/2009

PSEUDO-ESPIRITUALIDADE E NEO-HUMANISMO

O tópico do discurso de hoje é Pseudo-espiritualidade e neo-humanismo. Por um lado existe a pseudo-espiritualidade. Não podemos chamá-la de “espiritualidade mais elevada”, porque isto significa o movimento da imperfeição para a perfeição, e, no processo desse movimento, obtém-se momentos de exaltação; mas estes momentos de exaltação não são o estágio final. É por isso que eu prefiro chamá-los de pseudo-espiritualidade. O que é pseudo-espiritualidade? Não é a espiritualidade pura, mas, até certo ponto uma espiritualidade que tem algo a ver com a espiritualidade verdadeira.
                        Por outro lado, há o neo-humanismo. A existência humana – não apenas a existência humana, mas também a dos outros seres vivos – está dividida em quatro níveis. O primeiro nível é o nível físico, o segundo é o físico-psíquico, o terceiro é o psíquico e o último é o psico-espiritual. Nestes quatro níveis há movimento; todas as coisas se movem, nada está parado. No último estágio, o qual eu não mencionei, isto é, o estágio final da espiritualidade pura, também existe movimento, porque tudo neste universo se move; porém não podemos tê-lo sob o domínio da velocidade, já que esse movimento não está sujeito às limitações da relatividade. Agora, devemos considerar o quanto essa pseudo-espiritualidade pode nos ajudar em todos esses níveis.

            Neste mundo físico, cada objeto tem a sua própria característica. Cada coisa se move com o seu ritmo característico, porém esse ritmo individual é uma parte inseparável do Ritmo Cósmico. Assim, para os seres humanos, não é relevante o valor existencial ou utilitário de uma entidade. O fato é que todos os seres criados neste universo estão movendo-se nesse cosmos harmonioso. Inumeráveis entidade estão partindo, e o seu movimento na direção da Realização Suprema, para o estágio final, de nenhuma forma depende de seu valor utilitário ou existencial.

            Agora, no caso do neo-humanismo, temos que considerar em que grau os ritmos individuais dos seres humanos e das outras criaturas estão mantendo um ajuste com o Ritmo Cósmico, e nisso consiste a maior das aplicações do intelecto humano. Porém, devido à deficiência do intelecto humano, as pessoas nunca consideram as coisas na sua perspectiva apropriada; elas não pensam no bem-estar coletivo de seus semelhantes, muito menos no bem-estar da fauna e da flora. Elas pesam somente em seus interesses de grupo e individuais. Quer dizer, elas não são guiadas pelo Ritmo Cósmico; elas são guiadas pelos interesses de grupo e individuais e, portanto, ocorre um choque entre o interesse pelo grupo e o ritmo do movimento cósmico. Por que as pessoas pensam sobre os seus interesses mesquinhos? Porque elas são guiadas por dogmas, e esses domas certamente afetam o Ritmo Cósmico do universo, tanto quanto o do mundo humano. Logo, onde que haja a pseudo-espiritualidade, há a semente do dogma. A pseudo-espiritualidade afeta o movimento rítmico do mundo físico; ela não promove a causa do bem-estar humano.

            O segundo nível é o físico-psíquico. Este nível geralmente mantém um ajuste com o ritmo do mundo físico. Mas freqüentemente os altos e baixos psíquicos, as ondas psíquicas, as vibrações psíquicas, são afetadas pelas vibrações físicas devido aos interesses individuais e de grupo. Por causa dos pensamentos extremamente mesquinhos e egoístas, os processos de pensamentos degeneram e as pessoas perdem o ritmo no mundo psíquico. Portanto, elas se desviam da corrente principal do Ritmo Cósmico do universo. Assim, no domínio no mundo físico-psíquico, a pseudo-espiritualidade não possui nenhum significado. Não queremos a pseudo-espiritualidade, queremos a espiritualidade perfeita.

            A pseudo-espiritualidade também não pode nos ajudar a pensar, pois o nosso pensamento fica muito afetado pelo dogma. Quando os seres humanos, num momento de introspeção, pensam no interesse coletivo, então, tais pensamentos são úteis, mas geralmente as pessoas não pensam assim. Usualmente elas se lamentam sobre os esqueletos do passado: “Isto foi imposto por nossos antepassados – eles ditaram isso dessa maneira, por que, então, eu devo romper com as tradições antigas?” - “Está escrito dessa forma nas escrituras e, além disso, que mal pode haver em seguir estas convenções e tradições antigas?” – Estes tipos de dogmas e de pensamentos dogmáticos naturalmente obstruirão o fluxo livre do pensamento humano. É por isso que, onde quer que haja dogma, o pensamento humano não poderá ser claro e, por falta de clareza no pensamento, não poderá haver também nenhum progresso psico-espiritual adequado. A pseudo-espiritualidade não pode promover a causa do bem-estar humano; a semente desse bem-estar não está nela. A semente do bem-estar não pode permanecer onde está a semente do dogma.

            Também na esfera psico-espiritual, onde a velocidade do progresso é máxima, essa velocidade fica impedida por causa do dogma, pois existe uma imperfeição na fase inicial. Se os próprios pensamentos são imperfeitos, então, como poderão as pessoas, sob o peso desses pensamentos imperfeitos, progredir na direção na espiritualidade perfeita? Assim, a pseudo-espiritualidade, cheia de dogmas, não leva ao bem-estar coletivo nem no mundo físico, nem nos físico-psíquico, psíquico e espiritual. O que queremos realmente é a espiritualidade perfeita, não a pseudo-espiritualidade.

            Todas as coisas neste universo se movem, e esse movimento é da imperfeição para a perfeição. Logo, a espiritualidade perfeita é o nosso objetivo e o neo-humanismo é a nossa abordagem. O que é neo-humanismo? O conjunto de todas as expressões naturais humanas, de todas as expressões da flora e de fauna; todos os movimentos dos sentimentos humanos e de toda a flora e da fauna na direção da espiritualidade perfeita. E essa espiritualidade perfeita não pode ser o culto, ela é o objetivo – é o desideratum, o ponto culminante de todos os movimentos. E qual é esse culto? O culto é o movimento do neo-humanismo. Quer dizer, o culto é o movimento de todas as expressões humanas, de todas as manifestações humanas – e não apenas das expressões ou manifestações humanas – mas de todas as expressões e manifestações de todos os seres vivos, incluindo a flora e a fauna. Este é o culto, isto é o neo-humanismo.

            Portanto, a nossa bordagem, o nosso culto é o neo-humanismo, e o nosso objetivo é a espiritualidade perfeita. E, essa abordagem Neo-Humanística é um legado humano, é a graça da existência humana e fascínio da sociedade humana.

                           P.R. SARKAR  (Abhimata, 5/88 – Ánanda Nagar, 31/12/1982)

21/04/2009

7 Secrets of Success Pt 3-13 - Overcoming Obstacles - By Dada Madhuvidyananda yoga meditation

The 7 Secrets of Success are yogic practices for being successful and fulfilled. Dada Madhuvidyananda explains these ancient 'secrets'. Dada is a yogic monk and teacher who has written the acclaimed book SEVEN SECRETS OF SUCCESS - A guide for living a successful and fulfilling life. Dada teaches classes and seminars at the Ananda Liina spiritual center in Urbana, USA, where he currently lives. If you would like more info on his book, visit www.nhsuccess.org

10/04/2009

REALIDADE E INTELECTUALIDADE

O tópico do discurso de hoje é Realidade e intelectualidade. Enquanto falamos ou discutimos, geralmente dizemos, “Isto é uma realidade”, ou “Isto é fato consumado”, ou “Isto é abstrato”. Usamos vários termos para expressar uma idéia da realidade. Consideremos agora o conceito de realidade, e depois iremos examiná-lo intelectualmente. Os seres humanos afirmam que são altamente intelectuais e dizem muitas coisas sobre si mesmos. Mas o que é a intelectualidade? Antes de iniciarmos nossa discussão sobre a intelectualidade vamos primeiro compreender o conceito de realidade.

Para os seres humanos, a realidade é aquilo que eles podem perceber com seus órgãos sensoriais. Qualquer coisa percebida diretamente é real. Como pode uma pessoa conceber um objeto? Através de um processo pelo qual o objeto alcança as portas de nossos órgãos sensoriais por meio de várias ondas aferentes, sejam elas ondas de som, tato, forma, cheiro ou gosto.

Estas ondas de expressões vibratórias nunca são lineares ou retas, mas sempre sistálticas por natureza. Em cada fase de tais ondas, há pulsação e sístole. Cada expressão vibratória é pulsativa. O que quer que emanemos ou expressemos através de nosso órgãos sensoriais ou motores se processa por meio do movimento sistáltico. As ondas aparecem por uma fração de segundo e, no momento seguinte, desaparecem. Portanto, quando uma onda surge, nós podemos percebê-la. Por exemplo, quando dizemos que estamos vendo um elefante ou um camelo, não os vemos ininterruptamente – ora eles aparecem, ora desaparecem. A soma total de todas essas aparições constitui o objeto que vemos.

A tendência natural da psicologia humana é conseguir algo. Ela sempre tem uma tendência positiva para conseguir, pegar ou provar algum objeto. É por isso que, no processo da expansão mental, sintetizamos em nossa mente qualquer objeto do qual nos aproximamos e dizemos que vimos esse ou aquele objeto – que tocamos ou cheiramos isso ou aquilo.

Se a mente estiver absorta no estado negativo, então, mesmo depois de ver um elefante ou um camelo, a pessoa alegará que não viu coisa alguma. Isto indica quais as idéias que são positivas e quais as que são negativas. Geralmente, vemos alguma coisa quando as tendências positivas dominam a mente e, nesse estado, tocamos ou percebemos essa coisa. Por qualquer razão, se a mente estiver absorta no estado negativo, ela não poderá perceber nada.

Portanto, aquilo que chamamos de realidade possui duas condições – positiva e negativa. De fato, a dualidade sempre existe. Devido à existência dessa dualidade, a realidade não pode ser uma entidade absoluta. A realidade não se consubstancia em tal estado de dualidade. Obviamente, o estado que chamamos de realidade não é real de maneira alguma – temos tendências positivas na mente e assim podemos perceber as coisas.

Um ponto a mais deve ser mencionado em relação a isso. Qual é ele? O processo de percepção por meio dos órgãos sensoriais poderá ser imperfeito. Suponhamos que vocês estejam olhando para as areias de um deserto, à noite, de uma longa distância. Na escuridão as areias podem parecer para vocês como um oceano ou como folhas onduladas de metal. Tais alucinações ocorrem devido a uma função defeituosa dos seus órgãos visuais. Os órgãos sensoriais têm sua capacidade limitada a um ponto além do qual eles não podem funcionar apropriadamente. Além disso, há objetos que podemos ver com a ajuda de um microscópio, mas que não podem ser percebidos a olho nu. Percebermos o objeto com a ajuda de ondas eletromagnéticas. Poderíamos, então, denominar tal percepção de percepção dos órgãos visuais? Não, não podemos chamá-la assim. É por isso que o que chamamos de realidade ou de realidade material, na qual todo o conceito do materialismo se baseia, de nenhuma forma é real. Assim, de onde e como o materialismo pode extrair a sua base? O materialismo, ou o assim-chamado materialismo, se baseia na realidade, mas essa realidade é defeituosa e está distorcida pela ambigüidade.

Agora, o que existe na intelectualidade?

Neste domínio, as ondas do “eu-objetivado” [citta] se movem. Tais ondas são sistálticas, com altos e baixos, e estão sempre em movimento. Devido a todas essas ondas, a intelectualidade algumas vezes parece verdadeira e outras vezes não. Quando a mente humana se mantém em movimento positivo, ela sintetiza todas as coisas que recebe como reais e alega que viu o objeto – seja um elefante seja um camelo. Agora, suponhamos que a mente esteja absorta no estado negativo, o que acontecerá? Neste caso, mesmo que a mente projete um elefante internamente, ela não poderá percebê-lo. Mesmo quando a mente pensa sobre ele, ela não pode ver esse objeto. Devido a esse defeito ou desordem psíquica, a mente sofre alucinações positivas ou negativas. Da mesma forma, nos pensamentos de vocês, algumas vezes tais alucinações positivas ou negativas podem ocorrer. Obviamente, o que quer que um intelectual pense no domínio de seu intelecto é completamente imperfeito. Sempre existirá espaço para a dúvida na esfera intelectual. Portanto, a intelectualidade não possui nenhuma base no verdadeiro sentido.

Os intelectuais pensam que não são pessoas comuns. Eles pesam que podem fazer muitas coisas e que conhecem muitas coisas. Mas eles devem ter em mente que os seus pensamentos podem ser imperfeitos, porque nas suas ondas de pensamentos há altos e baixos sempre operando. Algumas vezes a mente humana pensa e outras não, permanecendo num estado de pausa psíquica. Se a soma de todas as pausas psíquicas for considerada como uma única, então, a intelectualidade corresponde a zero.

A intelectualidade não depende das ondas de pensamento. Aqui o ponto crucial não é saber se as ondas de pensamento são defeituosas ou não, mas se elas se tornam defeituosas devido à mente objetivada [citta, ou placa mental]. Como resultado, a mente pensa que um objeto não existe embora ele esteja lá. Da mesma forma, algumas vezes para a mente, um objeto parece existir embora a sua existência não ocorra. Este tipo de intelectualidade está tomado pela dúvida e a possibilidade de tal dúvida permanece, já que os movimentos positivos da mente são sistálticos.

Agora, qual deve ser a nossa conclusão final? Nem a intelectualidade nem a realidade possui qualquer existência. Por isso, podemos dizer com segurança que neste mundo nenhuma delas existe. Dessa foram, qual a direção que as pessoas inteligentes e sábias devem tomar neste mundo? Elas devem procurar uma entidade que esteja além dos movimentos sistálticos e dos diferentes estados de mobilidade. E essa entidade não é nada mais do que a espiritualidade.

O movimento da espiritualidade, por natureza nunca, é pulsativo mas linear, ele flui por uma linha reta. Devido a esse movimento retilíneo, ela não tem curvatura, nem positiva nem negativa. Mesmo assim, podemos dizer que a existência humana reside no ponto extremo da positividade. Seja a pessoa inteligente ou não, o ponto inicial do progresso individual é na Negatividade Extrema. Portanto, o movimento de um ser vivo se inicia na Negatividade Extrema e, gradualmente, o curso de seu movimento se torna linear à proporção que ele flui na direção da Positividade Extrema, isto é, para a espiritualidade. Este é o caminho verdadeiro. No final, nada existe, nem a intelectualidade nem a realidade – somente a espiritualidade, que permeia todas as coisas. Nenhuma entidade no mundo externo pode reivindicar a condição de entidade absoluta. Somente a espiritualidade é a entidade absoluta, e sua busca consiste na verdadeira intelectualidade. Qualquer outra coisa que as pessoas façam não passará de uma expressão de suas propensões distorcidas. 

P.R. SARKAR  (Abhimata, 5/37)

A EXPRESSÃO TRÍPLICE


  
Vocês sabem, todas as expressões deste universo estão divididas em três níveis; e nenhum único nível tem importância nula ou desprezível. Para o desenvolvimento integrado deste mundo, queremos que todos esses três níveis sejam desenvolvidos apropriadamente e que suas velocidades sejam aceleradas. Nenhum nível deixa de ter importância – nem o nível físico, nem o psíquico nem o espiritual.
            Para o desenvolvimento físico, vocês devem trabalhar, vocês devem criar certos meios físicos que sejam controlados pelas faculdades psíquicas. Vocês sabem, em relação ao desenvolvimento no mundo psíquico, o nível psíquico é a faculdade que controla o mundo físico. Logo, com o desenvolvimento do mundo psíquico, automaticamente existirão certos processos que também desenvolverão o mundo físico. E o mundo espiritual é o ponto máximo do mundo psíquico. Assim, no mundo psíquico deve haver o desenvolvimento espiritual ou o progresso espiritual. Para o desenvolvimento integrado do universo, não apenas do mundo humano ou do animal, mas para o desenvolvimento de todo o universo animado e inanimado, deve haver progresso nesses três níveis.

            

O mundo psíquico mantém controle parcial do mundo físico, tanto direta como indiretamente. Da mesma forma, o mundo espiritual também controla o mundo psíquico. O mundo psíquico é o ápice do mundo físico. A mente é a matéria pulverizada. Não podemos negligenciar ou ignorar o desenvolvimento psíquico. E, uma vez que o mundo espiritual é o ápice do mundo psíquico, para o desenvolvimento psíquico, para o desenvolvimento nas diferentes áreas da intelectualidade, não podemos negligenciar o mundo espiritual; e essa tem sido a nossa falha: negligenciamos as faculdades espirituais da vida humana, os princípios cardeais e espirituais da vida. Agora, se almejamos o desenvolvimento deste universo maravilhoso, devemos cada vez mais tentar acelerar a velocidade do progresso espiritual. Se esse progresso, esse progresso espiritual, essa velocidade, essa aceleração, se tornarem extraordinárias, então, haverá um progresso extraordinário, não apenas nos mundos físico, psíquico e espiritual dos seres humanos, mas também no mundo inanimado. Nós estamos ansiosamente esperando a aurora carmim do sol nascente.

 P.R.SARKAR (Abhimata, Parte V, Calcutá, 02/02/1985)

27/03/2009

O QUE É UM DOGMA?

                 O tópico de nossa discussão anterior foi sobre a ação, a reação e o autor da ação (karma, karmaphala e karttrtva). Em relação a isso, eu falei sobre o que Parama Purusá pode fazer e quais são as ações que Ele realiza diretamente e quais as que Ele efetua através de Seus próprios agentes. Nesse contexto, surge uma pergunta fundamental: Que passos toma Parama Purusá para resgatar os assim-chamados pecadores? As pessoas dizem que quando os pecadores e malfeitores ficam sob a proteção de Parama Purusá eles alcançam a salvação. Agora, se essas pessoas podem ser redimidas do pecado, os intelectuais naturalmente podem perguntar: Como conseguir a salvação? Vocês sabem que a coisa mais prejudicial, tanto para a sociedade humana quanto para o progresso humano, é o dogma.

            

             O que é um dogma? Aquela situação onde não existe nenhuma lógica, onde não há apoio do intelecto, onde não existe nenhum debate e discussões livres, mas somente imposições severas, que forçam as pessoas a aceitarem alguma coisa, aí está o dogma. Que tipo de pessoas pregam este tipo de dogma? A resposta é: os seguidores cegos da religião pregam dessa forma. É muito natural para a religião pregar todos os tipos de coisas dogmáticas. É por isso que as pessoas dizem – não há espaço para a lógica na religião. Mas o Dharma genuíno é completamente baseado na lógica e apoiado pelo intelecto. Na morada do Dharma, as pessoas se convencem pela lógica; elas o analisam e o aceitam após uma discussão livre e franca e, de acordo com isso, começam a se conduzir pelo caminho da vida. A pergunta é: como as pessoas podem seguir alguma coisa da qual elas não possuem uma compreensão adequada? Daí surge outra pergunta: As pessoas conseguem ou não a redenção de seus pecados? É dito:

 

            Na’bhukttam’ `K’siiyate Karma Kalpakot’i Shataerapi

            Avashyameva Bhoktavyam’ Krtam’ Krma Shubh’ashubham

 

            A não ser que haja expressão das reações em potencial, a pessoa não poderá alcançar a salvação. Em relação a isto, a regra é que as boas ações trazem bons resultados e más ações trazem maus resultados. E esses Sam’skaras não resolvidos ou reações em potencial devem ser expressados. Então, se alguém está destinado a passar pela reação má de uma má ação, como pode esperar ser redimido do pecado, já que sabemos que os pecados acarretam reações correspondentes que devem ser sofridas? Mas, por outro lado, o Senhor Krs’n’a, para consolar os seres humanos, declarou: “Não importa o quão pecador (Dura’ca’ra) uma pessoa possa ser, se ela ficar sob minha proteção, eu certamente a salvarei de todos os pecados, eu a ajudarei a alcançar a liberação ou a salvação.” 

          Aqui Dura’ca’ra significa uma pessoa cujas ações são opostas à ideologia, cujos pensamentos e atividades são contrários à da moralidade, justiça, consciência e ao espírito do Dharma. E Sudura’ca’ra significa uma pessoa que é considerada pecador mesmo entre os pecadores, que é chamada de pecador pelos próprios pecadores e que, dessa maneira, é evitada por eles. Então não seriam essas duas coisas contraditórias? Por um lado, diz-se que a pessoa deve colher o fruto das suas ações, e por outro, ela é aconselhada a se abrigar em Parama Purusá para alcançar a salvação. Isto também é um dogma.

            De fato, é uma questão complicada. Agora, a pergunta é: Quem realiza a ação? A mente humana é quem realiza a ação.

             Mana eba Manus’ya’nam’ Ka’ran’am’ Bandhamoks’ayoh,

Bandhasya Vis’aya’sangii Mukto Nirvis’yam’ Tatha’.

Manokaroti Karma’ni Man Lipyate Pa’toko

Manashca T’anmona’ Buddhaya’ na Pun’yam’ na Pa’tako.

                   A mente humana é a causa da escravidão ou da liberação. Se a mente estiver sob limitações, então, a pessoa também estará. Da mesma forma, se a mente estiver liberada, a pessoa também estará. Afinal, é a mente humana que se engaja em ações auspiciosas. Agora, se essa mente se mantiver absorvida na ideação de Parama Purusá, então, ela se unirá totalmente à Consciência. Neste caso, para tal pessoa, que condições haverá para o vício ou a virtude? Se um pecador comum, ou reconhecido como tal, permanecer absorto no pensamento de Parama Purusá, excluindo todos os outros pensamentos, então, a sua mente se tornará direcionada a um único ponto. Isto, em sânscrito, é chamado de Agrya Buddhi ou intelecto unidirecional. Neste estado concentrado da mente, o aspirante espiritual fica firmemente estabelecido nesse intelecto unidirecional. A não ser que e até que o intelecto humano comum seja elevado ao seu mais alto grau; ao seu ápice, os altos e baixos contínuos das inumeráveis vibrações dentro do corpo humano continuarão. Estas vibrações psíquicas são algumas vezes vibrações de virtude, outras de vício, vibrações de reações às ações pecaminosas ou às ações virtuosas. A não ser que a mente humana seja unidirecional, os altos e baixos das vibrações psíquicas continuarão em uma sucessão. No momento em que a mente estiver unidirecional, no momento em que a mente estiver centrada em Parama Purusá, então, essa mente naturalmente irá ao seu ponto culminante. Neste estado, não existem condições para altos e baixos de quaisquer ondas – nem das ondas da virtude nem das do vício. Portanto, se diz que, quando o intelecto do aspirante espiritual for unidirecional, não existirá a questão de vício ou virtude. Assim, uma pessoa que se protegeu no abrigo cósmico vai além do domínio do vício ou da virtude. Isto é algo muito natural. E, por isso, os assim-chamados pecadores e malfeitores não devem, de forma alguma, se preocupar. Portanto, Krs’n’a corretamente disse: “Mesmo que um criminoso obstinado busque a minha proteção, eu o salvarei de todos os pecados, eu cuidarei para que ele alcance a liberação ou a salvação. Assim, ninguém, nenhum aspirante espiritual, não importa quão negra ou desprezível tenha sido a sua vida passada, deve se preocupar com qualquer coisa.” Esta afirmação de Parama Purusá é inalterável. Ela não é uma afirmação filosófica nem um dogma. Então, que tipo de afirmação é essa? Isto é claro e simples. Ela contém a idéia de que os seres humanos não devem se preocupar sob nenhum circunstância. Parama Purusá está sempre com todas as pessoas. Se existe amor por Parama Purusá a porta da liberação ou da salvação para os seres humanos imediatamente estará aberta.

                                                    P.R.SARKAR (Abhimata, 05/43)

 

05/03/2009

LIBERAÇÃO DA FORÇA ESTÁTICA

            Anteontem, o tópico do discurso no Clube de Renascença Universal (RU) foi A liberação do intelecto. Uma questão poderá surgir em suas mentes: o que significa a liberação do intelecto? O intelecto é, essencialmente, um idéia impessoal ou uma idéia abstrata. Agora, como pode surgir a questão da liberação de uma coisa que seja impessoal, um conceito abstrato? A este respeito, a minha opinião ponderada é: sim, de fato existe a necessidade da liberação do intelecto. De fato, o que quer que exista neste universo – matéria densa, idéia sutil ou consciência – tudo precisa de liberação. Na ausência de liberação, não pode haver a expressão natural de um objeto ou de um indivíduo. Isto é, se queremos ver a expressão total do objeto ou o desdobramento completo das qualidades e capacidades que estão latentes em um indivíduo, a liberação do objeto ou desse indivíduo é indispensável.

            Os seres humanos anseiam pela liberação do domínio da força estática. Agora, qual é a natureza dessa liberação? Não é possível alcançar a liberação desse corpo físico denso. A liberação do corpo físico significa a morte. Para alcançar a liberação das restrições da força estática, o indivíduo terá que empreender esforços persistentes. Os esforços combinados para alcançar a liberação das restrições econômicas, submissão política e todos os tipos de dependência social, no mundo físico, é a liberação da força estática no mundo material. Para obter a liberação desses tipos de restrições do mundo físico, os seres humanos terão que fazer esforços conscientes. Se um país estiver subjugado por outro país, então, este país subjugado terá que empreender uma guerra para alcançar a liberação das correntes da servidão. É por isso que a liberação das limitações do mundo físico é essencial para os seres humanos. Notamos que onde existe subserviência neste mundo – seja econômica, política ou social – o desenvolvimento apropriado das qualidades subjacentes ou da genialidade dos seres humanos permanece um sonho distante. É por isso que em todas as esferas da vida existe a necessidade de liberação. A liberação das limitações da força estática é imprescindível.

            Mais sutil do que a matéria é a mente. A mente também deve ser liberada da escravidão psíquica. Notamos na sociedade várias formas de pressão psíquica, inúmeras formas de exploração. Para alcançar a liberação desta forma exploração e tirania, os seres humanos devem esforçar-se para se liberarem das limitações psíquicas. O anseio interno para alcançar a liberação é uma necessidade natural de cada ser humano. A essência da mente humana é conhecida como intelecto. A intuição não pode ser chamada precisamente de essência da mente. Na verdade, a intuição é mais sutil do que a mente; é um aspecto muito especial da existência humana. Melhor seria chamar a intuição de décimo primeiro órgão ou sexto sentido. A chamada discriminação entre o sagrado e profano, o permanente e o transitório, o puro e o impuro possui uma medida própria. Esta medida deve permanecer necessariamente imaculada. Devido às limitações dos vários tipos de exploração e tirania contra o intelecto, na esfera física, o espírito humano se debate em agonia reprimida. De maneira semelhante, a capacidade humana de pensar, no mundo psíquico, é também arrebatada. Na esfera intelectual, quando os seres humanos tentam agir de forma a alcançarem seu desenvolvimento espiritual e intelectual, vários tipos de dogmas surgem e criam obstáculos.

            O que é um dogma? A resposta é a seguinte: dogma é uma idéia preconcebida que proíbe os seres humanos de irem além dos limites dessa idéia ou objeto. Nessa situação o intelecto humano não pode funcionar livremente. Algumas pessoas dizem: “Está bem, nós podemos não obter a máxima utilização de nosso intelecto, mesmo assim podemos dispor de dez ou vinte por cento de sua capacidade.” Minha opinião ponderada é que, com o dogma, não se pode utilizar apropriadamente nem mesmo dez ou vinte por cento do intelecto humano. A utilização de uma mísera quantidade do intelecto é inadmissível. O maior tesouro dos seres humanos é a sua faculdade psíquica, o seu intelecto. Este intelecto não pode ser utilizado para o seu proveito máximo. Que situação mais trágica do que esta poderia existir?! Portanto, precisamos da liberação do intelecto humano. Deixem-me explicar um pouco mais o que é dogma. Suponhamos que o intelecto queira seguir um determinado caminho. Entrementes, o dogma vem por todos os lados e proíbe: “Oh! Não! Não! Dê mais um único passo e irá para o inferno eterno. Se você for, você será queimado no fogo eterno do inferno. Você estará condenado ao inferno pela eternidade.” Quando o intelecto deseja a utilização máxima dos recursos materiais, o dogma interfere e diz o seguinte: “Oh! Não! Você não deve fazer isso! É perigoso para os seres humanos, é um ultraje absurdo. Isto levará a humanidade à ruína.

            Quando o intelecto humano fica ardentemente estimulado a se aventurar em um novo empreendimento, na esfera psíquica, o dogma aparece novamente e determina: “Oh! Não! Você não deve fazer isso. Isto trará a sua ruína.” Assim, em cada esfera, a cada passo, os dogmas colocam obstáculos na mente humana, no intelecto humano. Para servir à humanidade, o intelecto terá que se libertar de todos os tipos de limitações, de todos os tipos de dogmas, de todas as formas de influências profanas. A não ser que isso seja alcançado, a raça humana não poderá ter um futuro radiante. Se a humanidade atual quiser anunciar o advento de uma alvorada dourada, ela terá que alcançar a emancipação completa do intelecto humano através de uma luta implacável contra o dogma, apoiada por uma coragem ilimitada e desinibida. Esta é a razão pela qual, em todos os cantos e direções do mundo, somente um slogan, vindo de todas as vozes, deve ecoar, Dogma – nunca mais, nunca mais!

 P.R.SARKAR(Abhimata, Parte 4)

10/02/2009

A LIBERAÇÃO DO INTELECTO

O tópico de discurso de hoje é A liberação do intelecto. Cada ser vivo, cada entidade deseja a liberação. A não ser que e até que uma entidade alcance a liberação, seja na esfera física densa ou na esfera sutil, o seu desenvolvimento natural não ocorrerá. A não ser que esse desenvolvimento ocorra, não poderemos obter um conhecimento aprofundado sobre essa entidade e, por essa razão, não poderemos extrair a máxima utilização desse objeto.

Um dos tesouros valiosos dos seres humanos é o seu intelecto. É claro, vocês podem dizer que a intuição é mais valiosa do que o intelecto. De fato, isto é verdade. Mas o fato é que essa intuição é geralmente um atributo do mundo espiritual. E o domínio do intelecto ocorre tanto no mundo denso quanto no sutil. No mundo espiritual também, a inspiração do intelecto é um fator muito importante. É por isso que não podemos ignorar a contribuição do intelecto. Portanto, se ignorarmos o intelecto, teremos que nos negar a aceitar a diferença entre os seres humanos e os não-humanos na esfera mundana.

O que é o intelecto? No processo da evolução, quando Ahamtattva (o ego), a forma mais sutil do “Citta”, tem uma área maior do que a do Citta mais denso, então, essa área ampliada do Ahamtattva é chamada de “Buddhi” ou intelecto. “Boddhi” ou intuição é outra coisa. Quando o sentimento do “eu” existencial ou “Mahat Tattva” ocupa uma área mais ampla do que a do “Aham Tattva”, então, essa área ampliada do sentimento existencial do “eu” é chamada de “Boddhi” ou intuição. Essa intuição determina o elo entre os mundos denso e sutil. E como resultado de uma ligação mais íntima entre os mundos sutil e espiritual, e como resultado do conhecimento mais íntimo da beleza do mundo espiritual, essa intuição guia os seres humanos pelo caminho da espiritualidade. E para aqueles que combinam o intelecto e a intuição, sendo neste caso a intuição mais radiante e mais suave, o intelecto se torna de alguma forma ofuscado ou sem brilho. É por isso que algumas pessoas são de opinião que aqueles que estão no mundo espiritual são menos inteligentes. Mas, a realidade é diferente. Não é verdade que as pessoas espirituais são menos inteligentes. Mas para elas, o intelecto, comparado à intuição, é menos radiante. É por isso que elas não se utilizam completamente do intelecto. Elas sempre permanecem ocupadas com a intuição.

O tópico do discurso de hoje é A liberação do intelecto. A intuição é algo tão singular que permanece como uma faculdade humana inata. É por isso que nenhum esforço é necessário para a liberação da intuição. A liberação da intuição vem automaticamente, sem nenhum esforço. Mas com o intelecto é diferente. Diferentes tipos de golpes surgem de todos os lados sobre o intelecto humano, sobre o intelecto natural dos seres humanos. E devido a esses constantes golpes, o desenvolvimento espontâneo do intelecto fica obstruído, e consequentemente, ele começa a degenerar. Os seres humanos devem ser salvos da degeneração do espírito humano de várias formas. Se não protegermos o intelecto humano dos ataques violentos indesejáveis, vindos de diferentes lugares, então, o futuro da raça humana será encoberto pela escuridão atroz. Salvar a raça humana da escuridão atroz é uma obrigação sagrada de cada indivíduo.

Aqui surge uma pergunta: Qual a verdadeira natureza do intelecto? Quando os seres individuais desenvolvem algum tipo de sentimento de “eu”, após entrarem em contato com a matéria, então, este estágio inicial da mente primária é chamado de “Citta”. E quando surge no “Citta” um sentimento do “eu” mais sutil, o qual faz algo mais além de estabelecer um elo com a matéria, isto é, aquilo que adquire a capacidade de guiar a matéria, de acordo com o seu próprio desejo, é chamado de “Buddhi” ou intelecto. Esta é a especialidade do intelecto. Os seres humanos atuais estão utilizando o universo qüinqüelementar de uma forma melhor do que os antigos humanos o utilizavam. Com esse intelecto, os seres humanos fizeram centenas de descobertas cientificas; aprenderam muitas coisas sobre o mundo prático. Também no futuro eles aprenderão muito mais e executarão muitas outras coisas com esse intelecto. Porém, se o desenvolvimento seguir a fórmula de em alguns países do planeta, o bem-estar individual e coletivo da humanidade ficará bem distante. Neste mundo, existiram no passado, existem no presente e ainda continuará a existir no futuro pessoas que não desejam que a raça humana alcance o progresso intelectual.

Por que isso se passa dessa maneira? Eu já disse que o papel do intelecto é o de utilizar corretamente todos os recursos do universo – efetuar a utilização adequada do mundo expresso. Mas existem algumas pessoas egoístas no mundo que não apoiam a máxima utilização das riquezas do mundo. Porque elas temem a forma como o intelecto desenvolvido controla as forças materiais; as pessoas egoístas não gostam disso. Elas não querem que mais ninguém, a não ser elas mesmas, ou um grupo de seguidores, alcancem qualquer progresso. Muito pelo contrário, elas ficam felizes em ver o progresso dos outros, individual ou coletivo, ser ameaçado.

Os seres humanos também são uma espécie dos seres vivos. Da mesma forma como eles possuem características psíquicas especiais; eles possuem certas disposições especiais com relação aos alimentos. Agora, se esses instintos especiais, refinados e sutis dos seres humanos forem desenvolvidos adequadamente, então, gradualmente eles serão elevados ao nível da divindade. De acordo com as características especiais dos seres humanos, desenvolvem-se comportamentos especiais em comunidades de alguns países, em eras específicas. As pessoas egocêntricas não querem que o intelecto da humanidade seja utilizado para o bem-estar de toda a raça humana; pelo contrário, elas querem perpetuar as tendências que propiciam a divisão da sociedade, em nome do melhoramento da raça humana. Porque, quando conseguem criar desarmonia na sociedade humana, isto abre caminho para os seus benefícios pessoais ou seu auto-engrandecimento. Com esse intuito, elas preparam várias pseudo-escrituras e formulam todos os tipos de lógica. Elas colocam a questão de que as raças deste mundo não são iguais. Portanto, em vez de considerarem o interesse de toda a sociedade humana, elas dão preferência ao interesse de uma comunidade em particular. Esta propaganda em alto brado em favor de uma determinada comunidade, a ostentação da lógica ilógica, este tipo de argumento falso, tudo isso se combina para suprimir o crescimento espontâneo do intelecto humano. Este tipo de mentalidade é chamado de dogma. A pessoa que quer promover o bem-estar dos outros seres humanos, a pessoa que quer servir à humanidade deve afastar-se dos dogmas. Além disso, ela terá que mobilizar uma resistência firme contra os dogmas. Não é o suficiente afastar-se de uma coisa que é considerada como um verdadeiro pecado, não é o suficiente apresentar somente protestos verbais contra o pecado. É preciso empreender uma luta incondicional contra ele. Este é o critério mais fundamental para uma pessoa verdadeiramente correta.

A mesma coisa se aplica à vida econômica. Todos os cinco fatores fundamentais deste mundo, incluindo a riqueza monetária, foram criados por Parama Purusá para o benefício de toda a raça humana. Permanecer sob a proteção de Parama Purusá, viver e crescer em um ritmo adequado e tornar a existência bem-sucedida em todos os aspectos é um direito inato de cada indivíduo. É claro que existem uns poucos oportunista que têm o hábito de explorar os seus semelhantes. Mas eles não confessam isso abertamente. Pelo contrário, recorrendo à lógica ilógica, dizem que é por decreto da providência que uma porcentagem de pessoas deve permanecer desamparada para sempre. Essas pessoas estão destinadas a continuar suas existências nessa tortura desumana; e uns pouco estão destinados a nadar na riqueza e a viver na abundância e na prosperidade. Isto também é dogma. Aqueles que são inteligentes e vivem na retidão certamente devem protestar e promover uma luta sem tréguas contra os dogmas, porque aquilo que suprime o intelecto livre dos seres humanos, por certo frustrará a liberação do intelecto humano.

Uma coisa semelhante ocorre também na esfera social. Por exemplo, algumas pessoas proclamam que as mulheres não estão habilitadas à salvação espiritual. Se as mulheres quiserem atingir a emancipação espiritual, elas terão que renascer como homens. Que proposição absurda! Todas as pessoas são a prole de Parama Purusá, algumas delas são filhos e outras são filhas.

Parama Purusá poderá alguma vez fazer um decreto para que somente os Seus filhos homens estejam habilitados à liberação e à salvação? E que as suas filhas não possam alcançá-la? Na verdade, isto é uma proposição estranha e antinatural. É uma vilania absoluta. De qualquer forma, este tipo de lógica repulsiva foi injetada nos cérebros humanos, pela repetição constante do mesmo tema, de que as mulheres não possuem nenhum direito à salvação espiritual; o crescimento intelectual espontâneo das mulheres foi impedido. A liberação de seus intelectos foi refreada. Dessa forma, o progresso espiritual e o avanço social das mulheres em muitos países foi severamente obstruído. Por um lado, as forças malévolas são potentes em estabelecer os seus dogmas ostensivos e, por outro, Parama Purusá quer o desenvolvimento total do intelecto humano. Portanto, eu apelo para que vocês conduzam uma luta sem tréguas e incondicional contra o dogma. Vocês certamente serão coroados com a vitória.

P.R. SARKAR(Abhimata, Parte 4)

29/01/2009

DOGMA – NUNCA MAIS


Eu lhes disse que nada neste mundo é insignificante. Cada som tem o seu significado. Podemos ou não conhecer seu significado, mas ele existe. Da mesma forma, cada sílaba tem um significado. Cada palavra tem o seu significado. E, o que é uma sentença? É um conjunto de palavras. Cada sentença tem a sua própria importância. Se dizemos “Deus é isto”, “Parama Purusá é uno”, este “uno” define um determinado ponto. Se dizemos “dois”, embora dois denote dois pontos, mesmo assim a psicologia é a mesma. Se dizemos, “Ele é finito”, isso também é uma projeção psíquica. Mas na filosofia ou na ideologia existe pouca diferença entre finito e infinito, porque ambas são projeções de uma mesma mente. Mesmo assim, dizemos que Parama Purusá é uno, e também dizemos que Ele é infinito. Dizemos que Ele é uno porque podemos entrar em contato com Ele. Podemos nos abrigar n’Ele somente quando a nossa mente se torna una. É por isso que dizemos, somente para satisfazer o nosso sentimento, que Ele é uno, que Ele é um Entidade Singular. Dizemos que Ele é Infinito porque os seus movimentos são insondáveis. Não podemos contá-los. Há tantas qualificações e atribuições n’Ele que somos incapazes de contá-las. É por isso que o chamamos de infinito. Ele não tem origem. Ele não tem causa. Todas as coisas no universo têm causa. Todas elas são guiadas, controladas pela teoria de causa e efeito. Esta teoria de causa e efeito foi proposta por Mahars’i Kan’ada há muito tempo atrás. De acordo com a sua teoria, o efeito de uma causa específica se torna a causa do próximo estágio, isto é, um efeito é a causa do estágio subseqüente. A causa é o efeito de um estágio anterior. Neste mundo, todas as coisas têm causa. Se formos à raiz, se pudermos tocar a entidade rudimentar, encontraremos a causa, conseguiremos a entidade mais sutil. A causa, em geral, é mais sutil do que o efeito. E, nesse estágio, chegamos a um ponto em particular, do qual não podemos ir adiante, não podemos seguir. Não podemos conseguir a entidade ainda mais sutil, não podemos conseguir a entidade causal. Há um estágio no qual a nossa mente fica sem existência. Partindo do plano físico sutil para as entidades psíquicas, se seguirmos para dentro, alcançaremos as mentes mais sutis. Se formos mais para dentro, chegaremos à mente mais sutil. Porém, quando chegamos ao estágio primordial da mente, não podemos prosseguir para dentro, isto é, não podemos chegar à entidade causal. Portanto, se alguém tentar ir além das sementes da mente não o conseguirá, porque todas essas medições são feitas pela mente.
O que é o tempo? O tempo é uma medição psíquica da mobilidade das ações. Portanto, em todos os lugares, o psíquico ou a mente deve existir. Em relação a Parama Purusá, a nossa mente é incapaz de tocá-Lo no estágio rudimentar, por isso, nós o chamamos de não-causal. Ele não tem causa. Quando alguém entrar em contato com Ele, quando alguém O amar sinceramente, poderá Lhe perguntar: “Oh, Parama Purusá! Qual a Sua causa?” Antes disso ninguém pode saber. Portanto, a Sua causa é conhecida apenas por Seus devotos e por ninguém mais. Esta Entidade Suprema, que está além da periferia do microcosmo, é a criadora do próprio microcosmo. Assim, quando o microcosmo chega a conhecê-Lo, ele se torna um com o Macrocosmo. Este Macrocosmo cria tantas coisas, tantas variedades dentro da jurisdição dessa potencialidade infinita. E este universo de variedades é somente o Sam’vedana – as densificações psíquicas de Sua Posição Suprema. A unidade existe dentro de Sua jurisdição, e Ele se encontra dentro de cada poro da unidade. É por isso que Ele é todo-abrangente. E Ele não se encontra apenas dentro, mas também fora. É por isso que Ele está dentro e fora de você. Ele é todo-abrangente e onisciente. Quando alguém expande a jurisdição do microcosmo, quando o seu núcleo coincide com o núcleo do Supremo, ele se torna um com Supremo. E para chegar a isso, o que a pessoa deve fazer? Ela deve aumentar a periferia de sua mente. E como aumentar a periferia da mente? Através de uma luta constante contra todas as limitações, contra todas as limitações físicas! Vocês sabem, este mundo físico, embora seja muito grande, não é infinito, porque ele é uma projeção limitada do Macrocosmo. Os limites não são infinitos. Portanto, o nosso universo com tantos planetas e tantas galáxias é muito grande, mas não é infinito. Da mesma forma, na esfera psíquica, se houver uma idéia, essa idéia é chamada de dogma. Os dogmas selam o futuro do intelecto humano. Portanto, uma pessoa, um aspirante espiritual que deseja se estabelecer na Posição Suprema, deve lutar contra os dogmas. No campo da filosofia, da economia, da história, da arqueologia, sociologia e de todas as ciências, o dogma é um fator perigoso.
Vocês, rapazes e moças, vocês, aspirantes espirituais, devem sempre se lembrar de que nunca devem se entregar no altar do dogma. No passado, os dogmas causaram muitos danos, criaram muitas tendências fissíparas na sociedade humana. O seu slogan deve ser: “Dogma – nunca mais, Dogma – nunca mais!” Estabeleçam-se além dos limites do dogma que estarão estabelecidos na excelência da glória humana.

P.R. Sarkar(A.V.M. Parte XII – 21/09/1979 – Kingston, Jamaica)

18/01/2009

PARAMA PURUS'A E NÃO DOGMAS OU ESCRITURAS

Palestra de Prabhát R. Sarkar sobre um sloka de Yudhisthira abordando o significado de DHARMA - Espiritualidade Pura.


Ananda Marga: "Path of Bliss"
Ananda means "bliss" and Marga means "path."
So Ananda Marga means "Path of Bliss."


Bliss is infinite happiness. It is the fundamental desire of human beings. "There is in the living being a thirst for limitlessness." We can never be satisfied with limited things. They may give us pleasure for a while, but not long-lasting satisfaction. A limited object can only give a temporary and limited amount of happiness. But only infinite happiness will satisfy us. So how are we to attain it? By expanding our awareness to infinity; by transforming our individual limited experience into the cosmic experience of the unlimited: infinite happiness; perfect peace and contentment bliss.

Ananda Marga is the name of the system which allows us to do that. It is an optimal selection of those techniques and practices that lead to the total experience of infinite peace and happiness what we call "self-realization." It is an ideology and way of life; a systematic and scientific process for the fulfillment of all human needs: physical, mental and spiritual. It is introversial, intuitional practice; with techniques ranging from personal hygiene to yoga postures; from social service to meditation. Its goal is the all-round elevation of human beings, both individually and collectively, in all spheres of human existence: individual, social, economic, intellectual and spiritual. It is a total response to human longing and aspiration.

As an organization, Ananda Marga has a global network of centers in virtually every country of the world. Its activities encompass a wide range of projects for the welfare of humanity, animals, plants and the whole planet. These include yoga and meditation centers, schools, childrens homes, food distribution centers, disaster relief, medical centers and community development projects. Emphasis is placed on meeting the needs of the local people and assisting them in developing their personal and social resources for the prosperity of all.

The philosophy of Ananda Marga is one of universalism. It is an all-embracing outlook, recognizing God as the one limitless supreme consciousness, with all beings of the universe part of the one cosmic family.

It recognizes that a balance is needed between the spiritual and mundane aspects of existence, and that neither one should be neglected at the expense of the other. Hence the goal of Ananda Marga is "Self-realization and the welfare of the universe."

Ananda Marga is a global spiritual and social service organization founded in 1955 by Shrii Shrii Anandamurti (Prabhat Ranjan Sarkar). The mission of Ananda Marga is self-realization (individual emancipation) and service to humanity (collective welfare): the fulfillment of the physical, mental and spiritual needs of all people. Through its meditation centers and service projects around the world, Ananda Marga offers instruction in meditation, yoga and other self-development practices on a non-commercial basis, and responds to social emergencies and long-term social needs

La Organización ANANDA MARGA PRACHARAKA SAMGHA (Sociedad para la Difusión de Ananda Marga) fue fundada en India en 1955 por Shrii Prabhat Ranjan Sarkar para difundir las antiguas enseñanzas del Tantra Místico de Shiva y el Rajadhiraja Yoga. En la actualidad, ANANDA MARGA es una gran comunidad internacional de practicantes de Yoga y Meditación que cuenta con sedes en más de 160 países. El lema fundamental de Ananda Marga es: "Atma moksartham jagat hitaya ca", frase en sánscrito que significa: Autoconocimiento y servicio a la humanidad". Esto quiere decir que mientras se trabaja para lograr el desarrollo individual físico, mental y espiritual, también se ayuda al resto de la sociedad para que todos puedan lograr esos mismos objetivos.

16/01/2009

THE PERSONIFICATION OF ÁNANDA V-1.0

Prabhat Ranjan Sarkar
(Shrii Shrii Anandamurti)

Modern writer, philosopher, scientist, social theorist, and spiritual leader, Prabhat Ranjan Sarkar has attracted a following in more than 130 countries. His books have been translated into all the world's major languages, and his unique blend of historical perspective and social commentary has been the inspiration for social activists seeking progressive alternatives to capitalism and communism. 

From his early childhood in Bihar, India, where he was born in 1921, Prabhat Ranjan Sarkar has been attracting others by his deep love for humanity and guiding them along the path of self-realization. Adjusting the ancient science of Tantra Yoga to meet the needs of this age, he developed a scientific and rational philosophy (based on the immanence and transcendence of God) and taught a system of practical spiritual disciplines for physical, mental and spiritual development. Recognizing him as a spiritually realized master, his followers called him Shrii Shrii Anandamurti, which means, "He who attracts others as the embodiment of bliss", or simply "Baba" (father). 
Those who followed his teachings found their lives transformed as they overcame the weaknesses and negative tendencies of the mind to experience a deep peace and bliss within. Inspired by his selfless example, they focused their efforts on serving the society and elevating the oppressed.]

ÁNANDA MÁRGA: "Path of Bliss"
Ananda means "bliss" and Marga means "path."
So Ananda Marga means "Path of Bliss."

Bliss is infinite happiness. It is the fundamental desire of human beings. "There is in the living being a thirst for limitlessness." We can never be satisfied with limited things. They may give us pleasure for a while, but not long-lasting satisfaction. A limited object can only give a temporary and limited amount of happiness. But only infinite happiness will satisfy us. So how are we to attain it? By expanding our awareness to infinity; by transforming our individual limited experience into the cosmic experience of the unlimited: infinite happiness; perfect peace and contentment bliss.

Ananda Marga is the name of the system which allows us to do that. It is an optimal selection of those techniques and practices that lead to the total experience of infinite peace and happiness what we call "self-realization." It is an ideology and way of life; a systematic and scientific process for the fulfillment of all human needs: physical, mental and spiritual. It is introversial, intuitional practice; with techniques ranging from personal hygiene to yoga postures; from social service to meditation. Its goal is the all-round elevation of human beings, both individually and collectively, in all spheres of human existence: individual, social, economic, intellectual and spiritual. It is a total response to human longing and aspiration.

As an organization, Ananda Marga has a global network of centers in virtually every country of the world. Its activities encompass a wide range of projects for the welfare of humanity, animals, plants and the whole planet. These include yoga and meditation centers, schools, childrens homes, food distribution centers, disaster relief, medical centers and community development projects. Emphasis is placed on meeting the needs of the local people and assisting them in developing their personal and social resources for the prosperity of all.

The philosophy of Ananda Marga is one of universalism. It is an all-embracing outlook, recognizing God as the one limitless supreme consciousness, with all beings of the universe part of the one cosmic family.

It recognizes that a balance is needed between the spiritual and mundane aspects of existence, and that neither one should be neglected at the expense of the other. Hence the goal of Ananda Marga is "Self-realization and the welfare of the universe."

Ananda Marga is a global spiritual and social service organization founded in 1955 by Shrii Shrii Anandamurti (Prabhat Ranjan Sarkar). The mission of Ananda Marga is self-realization (individual emancipation) and service to humanity (collective welfare): the fulfillment of the physical, mental and spiritual needs of all people. Through its meditation centers and service projects around the world, Ananda Marga offers instruction in meditation, yoga and other self-development practices on a non-commercial basis, and responds to social emergencies and long-term social needs

28/12/2008

A ESPIRITUALIDADE PERFEITA E O NEO-HUMANISMO

            O tópico do discurso de hoje é A espiritualidade perfeita e o neo-humanismo. O espírito interno do caminho da Sádhaná é expresso no verso abaixo:

            Yacchet Va’un Manasi Pra’jinas’

Tad Yacchet Jina’nama’tmani

Jina’nama’tmani Mahati Niyacchate

Tad Yacchet Cha’ntamatmani

A fase completa do culto divino está dividida em diferentes subfases. Na primeira fase, a pessoa retrai sua mente do mundo físico externo e se estabelece no domínio do “eu-objetivado” (Citta[1]), isto é, no sentimento do “eu” objetivado (o “eu” objetivado externo-interno e não o “eu” objetivado intro-externo). E, sob tais circunstâncias, o que acontece? Certamente ela estabelece controle total ou parcial sobre o mundo físico, ficando assim na posição de poder ajudar o mundo nessa área, senão totalmente por certo parcialmente. Porém, quando a mente é guiada por certos dogmas, ela não pode ter uma idéia clara do mundo físico. Assim chegará o dia em que ela falhará no cumprimento de sua obrigação na esfera do movimento extro-interno.

Da mesma forma, na segunda fase, o “eu-objetivado”, os sentimentos do eu-objetivado da mente são retraídos da esfera da ação e estabelecidos no sentimento puro do “eu-realizador” (Ahamtattva). Sob tais circunstâncias, é natural que as pessoas sintam todas as agonias e sofrimentos, todos os prazeres e alegrias da mente humana e ajudem o mundo de acordo com as necessidades – ajudem o mundo inteiro, não apenas o mundo vivo, mas também o inanimado, tornando-se assim legados para toda a sociedade humana. Quer dizer, a sua abordagem deve ser neo-humanista. Porém, se a mente não estiver pura, se estiver influenciada por dogmas, então, certamente, mesmo que as pessoas sejam aspirantes espirituais, não poderão se tornar um legado para a sociedade humana. Mesmo que façam Sádhaná 20 horas por dia, podem estar certos de que a Sádhaná delas não será a do caminho correto, porque o seu caminho não será o do neo-humanismo. Será um caminho imperfeito – um caminho dividido pelos dogmas.

E a terceira fase é quando o ego (Ahamtattva) se une ao sentimento do “eu” puro (Mahatattva). Aqui a pessoa experimenta o encanto não somente de todas as mentes humanas, mas o encanto de todas as criaturas vivas – na verdade, o encanto da vida em todo o universo.

 Pra’na’n’h Yatha’tmano’bhiist’ah

Bhu’ta’na’m Api te Tatha’

A’tmaopamyena Bhu’ta’na’m

Dayam’ Kurvanti Sa'dhavah.

 “Da mesma forma que a vida de uma pessoa é preciosa para ela, a vida das outras criaturas é igualmente preciosa para elas. Aqueles que percebem esta verdade são os verdadeiros Sádhakas.”

 Nesta fase da Sádhaná, os Sádhakas adquirem a consciência de que os seres vivos são semelhantes a eles. Participando da dor e da alegria de todos os seres vivos, eles ajudam todas as criaturas.

E vocês sabem, este charme da vida não está associado apenas à flora e à fauna, mas também a todas as entidades, mesmo os objetos inanimados – o ouro, o ferro, a água e todas as coisas – porque todas essas coisas vivem neste universo, tudo está dançando no ritmo de Parama Purusá.

Mas onde essa mentalidade está ausente, quando as pessoas são guiadas mais por Ahamtattva (ego), elas dizem “Eu faço, eu dou. Isto foi feito por mim, aquilo foi feito por mim etc.” No final, isto culminará no sentimento puro do eu (Mahatattva), o qual não é afetado por nenhum senso de ego ou vaidade. Mas, embora as pessoas neste estágio estejam se movendo no caminho da Sádhaná, mesmo assim ainda existe alguma imperfeição nelas. Suas mentes não inspiram e nem sensibilizam as mentes dos outros. Elas não despertam sentimentos de sublimação do “eu” nos outros, porque estão muito preocupadas consigo mesmas. A sua abordagem é defeituosa; o seu caminho não é o caminho do neo-humanismo.

Quando os aspirantes espirituais entrarem na fase final e se tornarem um com Parama Purusá, por certo não permanecerá nenhuma dualidade neles. Eles irão para Ele, todas as coisas virão d’Ele, permanecerão n’Ele e retornarão a Ele. Não haverá qualquer dualidade para eles. Todas as coisas serão deles, e eles serão de todos os seres.

Assim, sob tais circunstâncias, as pessoas não podem afirmar: “Eu sou o mensageiro de Deus, e o que eu digo é a verdade. Aqueles que me seguem são abençoados e os outros são amaldiçoados.” Aqueles que pensam assim não são guiados pelo espírito do universalismo, e, deve-se compreender que eles nunca alcançarão o Objetivo Supremo da vida. Eles não são nem apóstolos, nem profetas, nem almas realizadas. Eles mesmos estão seguindo um caminho imperfeito – não um caminho do neo-humanismo – e explicam as coisas de uma forma errada para os outros. Até agora, as pessoas os têm obedecido por medo, mas, na realidade, eles apenas as confundem.

Agora, a questão final é que aqueles que estão estabelecidos no Conhecimento Cósmico, no Principio Cognitivo Cósmico, certamente fazem alguma coisa pelo universo, tanto através de seus atos como de seus pensamentos. Aqueles que nada fazem estão distantes dessa Posição Suprema ou a perderão no último momento, exatamente antes de alcançarem a salvação.

Porém, aqueles que de fato alcançaram a salvação, a emancipação final, devem se estabelecer no neo-humanismo no momento exato de sua união com Parama Purusá – nem que seja por alguns momentos. De outra forma, será impossível para eles se estabelecerem na espiritualidade perfeita e alcançarem Parama Purusá. O neo-humanismo é a última palavra para alcançar Parama Purusá.

Aqueles que não aceitaram o neo-humanismo desde o princípio – que só o aceitaram no estágio final – também seguiam um caminho imperfeito. Talvez, pessoalmente, eles não tenham perdido nada, mas certamente houve perda coletiva para toda a humanidade, pois o mundo foi privado de seus serviços. Se eles realmente tivessem aceito o neo-humanismo desde o primeiro passo de seu movimento espiritual, então, as árvores, as plantas e os animais e as outras criaturas – todo o mundo animado e inanimado teriam sido muito beneficiados. Mas como eles não aceitaram isso na sua jornada inicial, o mundo saiu perdendo.

E aqueles que declaram estar estabelecidos na espiritualidade pura, na espiritualidade perfeita, mas não mostram nenhum reflexo do neo-humanismo ao lidar com o mundo material – aqueles que têm as suas mentes tomadas por tendências que propiciam a divisão, que querem manter uma comunidade separada da outra e criar confusão na mente dos outros, em nome das escrituras – é preciso que fique bem claro que, o quer que tenha sido dito sobre essas pessoas, não é verdadeiro. Se o caminho que alguém segue não é verdadeiro, então, é impossível chegar ao objetivo. O neo-humanismo é o único caminho – os seres humanos terão que aceitá-lo mais dia, menos dia.

 

P.R.SARKAR (S.S. Parte XVI – D.M.C., Ánanda Nagar, 01/01/1983)


[1] N.T.: A mente humana possui três estados: 1) o estado mais denso é Citta¸ ou placa mental, que é onde se formam as imagens captadas pelos sentidos; 2) Ahamttava, ou ego, representa o sentimento de “eu faço” – é parte que julga o que é ouvido, visto ou sentido, determinando se é bom ou ruim e se aquilo deve ser desejado ou evitado; 3) Boddhi, ou Mahattatva, é o sentimento de “eu existo” – a parte que leva a pessoa a se questionar se sua existência está relacionada como Cosmo, com o Todo. Além desses, existe Atma, ou alma, que é a contraparte da Consciência Cósmica no indivíduo, dando uma razão divina para sua existência.

 

Quem sou eu ?