16/12/2010
09/12/2010
05/12/2010
A Missão de Vocês
Shrii Prabhat Ranjan Sarkar
Dezembro de 1966.
Os seres humanos não são capazes de propagarem uma grande ideologia somente com seu conhecimento, seus intelectos ou através de suas posições sociais. A conduta humana torna-se purificada através de práticas intuicionais [1]. Não é necessário que a pessoa provenha de uma família assim-chamada distinta, ou que ela tenha completado um estudo universitário. Em vez disso, esses fatores podem criar uma falsa vaidade na mente da pessoa, que ao final irá colocar-se como obstáculo no caminho da reforma da sua própria conduta.
Neste nosso universo, duas forças estão operando lado a lado: a sutil e a estática. Algumas vezes a força sutil domina, e em outros momentos, a força estática domina. Não há espaço para um pacto entre essas forças. Os seres humanos terão de marchar adiante em meio à batalha incessante entre essas forças opositoras. Na sociedade, por um lado vemos as hordas de elementos antissociais, e por outro lado, percebemos um sentimento de frustração entre os moralistas [2]. Esses moralistas desenvolveram, assim, uma tendência a saírem da sociedade. Com mais riqueza e força, os elementos antissociais estão em um posição vantajosa, e os moralistas parecem ser os culpados. Esse estado de coisas não é nem desejável, nem apropriado, e não se deve permitir que continue.

Portanto, o dever de vocês é triplo.
[1] O seu primeiro dever é seguir a moralidade e fazer práticas intuicionais. Sem isso, vocês não conseguirão ter determinação mental.
[2] O seu próximo dever é unir os moralistas do mundo – pois, de outro modo, o Dharma não sobreviverá. As massas exploradas que não seguem Yama e Niyama – os princípios morais fundamentais – não têm capacidade para lutar contra o seu próprio sentimento de frustração. Portanto, é necessário unir os moralistas. Esse será o verdadeiro Dharma de vocês. Vocês se tornarão grandes fazendo isso, porque a ideação no Grande torna uma pessoa grande.
[3] E no terceiro estágio, vocês terão de lutar impiedosamente contra o pecado, onde quer que ele esteja enraizado neste mundo.
Você precisam propagar essa missão de porta em porta. Nenhum partido político, ou nenhuma instituição assim-chamada religiosa, poderão trazer a salvação. Louvar Deus em concertos com tambores e címbalos tampouco irá trazer a salvação, porque isto não fará com que os pecadores se curvem. Para conter o ataque maciço dos imoralistas hoje em dia, armas são mais necessárias do que tambores e címbalos.[4]
Não é possível lutar contra o pecado enquanto houver alguma fraqueza na mente de vocês. Nessa luta, o objetivo de vocês não é o pecado ou o pecador: o objetivo de vocês é a Consciência Suprema. Qualquer coisa que se interponha no caminho rumo a isso terá de ser removida sem piedade. Quando nuvens se adensam em torno da estrela polar e a cobrem, o dever de vocês é remover as nuvens e seguir a estrela polar sem se importar em olhar aonde as nuvens foram parar.[5] Se vocês sempre pensarem no seu inimigo, as suas mentes irão adotar as más qualidades do seu objeto de ideação – mas se o Ser Supremo for a meta de vocês, as suas mentes serão metamorfoseadas no próprio Ser Supremo.
Lembrem-se: vocês têm que servir a humanidade. Vocês têm que dedicar-se à causa da humanidade como um todo. A vida de vocês é valiosa; o tempo de vocês é ainda muito mais valioso. Vocês não deveriam desperdiçar nenhum momento. A tarefa é gloriosa. A tarefa é nova. Levem uma vida de guerreiros e lutem constantemente contra todos os males. Vocês serão vitoriosos. Portanto, marchem avante!
* * *
Título Original: “Your Mission”
Tradução: Mahesh – Florianópolis: 30 de novembro; 04 de dezembro de 2010.
Fonte: Edição Eletrônica das Obras de P. R. Sarkar – versão 7.5 (em inglês).
Publicado em:
Prout in a Nutshell Volume 4 Part 18 [uma compilação]
Supreme Expression Volume 2 [uma compilação]
(Obras ainda não publicadas no Brasil.)
[1] Práticas intuicionais (também denominadas coletivamente de sádhaná) são aquelas que propiciam o desenvolvimento da intuição de cada indivíduo – ou, dito de outra forma mais ampla, o seu desenvolvimento espiritual; subentende-se pelo termo “práticas” que isto se dá através de uma abordagem prática e sistemática. A meditação, ou um sistema de meditação, são exemplos disso.
[2] “Moralistas” são, neste contexto, aquelas pessoas que seguem princípios éticos universais (sintetizados na forma dos dez princípios de Yama e Niyama) – ou, também, que estão comprometidas com o seu dharma (e portanto empenhadas em desenvolvê-lo).
[3] Esta é uma referência indireta à batalha de Kurukshetra no Mahabharata, em que o exército dos cinco pandavas (liderados por Krishna) derrotou o exército dos cem kaoravas.
[4] Vendo os horrores de guerras motivadas por interesses escusos e justificadas com mentiras, muitas pessoas que buscam a paz acabam pregando a não-violência como alternativa à violência irracional. A personalidade de Mahatma Gandhi e o movimento liderado por ele aparecem como exemplos ou mesmo ícones desse suposto método de resolução de injustiças sociais. O autor procurou expôr e demonstrar, argumentando abundantemente, as falhas dessa abordagem.
[5] Um exemplo disso – com uma boa dose de imaginação, ou exercício de futurologia – pode ser o esforço para se implementar ou construir uma democracia econômica. A descentralização econômica que inevitavelmente acompanhará esse esforço necessariamente implicará na redução e eventual eliminação do poder econômico dos grandes capitalistas, pois tenderá a solapar a concentração ou centralização econômica na qual o poder deles se baseia. Naturalmente eles irão sentir isso, e tenderão a buscar as causas dessa oposição e lutar para eliminá-las, para prolongarem seu poder. Nisto eles poderão enfrentar dificuldades e, caso não tenham sucesso, podemos supor que sofrerão com suas perdas. Mas que razão temos para nos preocupar com a perda das suas fortunas acumuladas, e dos seus impérios econômicos, e de toda a rede de dominação social que encabeçam, quando comparamos o sofrimento dessas pessoas com o das pessoas que sofrem por não terem o que comer, ou onde morar?
02/12/2010
Karpat́a a Karśú
Discurso de Shrii Shrii Anandamurti
25 de Janeiro de 1986, Calcutá
Kali
Kal + i = kali. O significado etimológico da palavra é “aquilo que é principalmente som” – mais conversa do que ação.Mukhena máritaḿ jagat. O significado coloquial da palavra kali é “a quarta yuga, ou yuga final, do kalpa”. O outro significado etimológico da palavra kali é “mover-se ao mesmo tempo em que se mede” – ou seja, é aquela época em que as pessoas medem e compreendem tudo, fazendo as coisas cuidadosamente, devido à magnanimidade das suas mentes.

Na opinião de muitas pessoas, existem quatro yugas em uma kalpa: satya, tretá, dvápara e kali. Na satya yuga tem-se jiňána-bhakti-karma [conhecimento, devoção e ação] – uma harmonia auspiciosa entre esses três aspectos. Ao mesmo tempo, na Satya yuga tem-se a predominância de sádhaná [prática espiritual]. As pessoas aceitam a renúncia pelo propósito da sádhaná; elas praticam austeridades. Por essa razão, a Satya yuga também é chamada de Krta yuga [krta significa “realizado, feito”].
Uttiśt́han tretá bhavati, krtam' sampadyate caran'.
“Na Tretá yuga tem-se a predominância da devoção; contudo, as austeridades da jiňána-karma sádhaná também são praticadas.”
Na Dvápara yuga tem-se a predominância da ação; contudo, as austeridades da jiňána-bhakti sádhaná também são praticadas.
Na Kali yuga tem-se a predominância da conversa. Na Kali yuga os seres vivos têm vida curta – eles desperdiçam seu curto tempo de vida em conversas supérfluas e em artifícios verbais.
Kalpa
Kalp + ac = kalpa. O significado etimológico da palavra kalpa é “o estado da imaginação”; coloquialmente kalpa significa:
1) A medição mental da motividade da ação, ou divisão do tempo.
2) O nome coletivo de Kali, Dvápara, Tretá e Satya Yugas. O término de um ciclo das quatro yugas é chamado de kalpánta. De acordo com a crença popular, se uma pessoa possui devoção, então ela irá obter a liberação nesta mesma kalpánta, independentemente de ela ter ou não quaisquer outras qualidades. Uma pessoa devota normalmente tem paciência e, portanto, não mistura outras coisas com a sua devoção. Ela permanece absorta na sua devoção, com a crença de que, se não hoje, então na kalpánta ela irá obter a liberação.
* * *
Tradução: Mahesh, Florianópolis, 20 de janeiro de 2010.
Publicado em: The Electronic Edition of the Works of P. R. Sarkar – versão 7 (EE7)
Shabda Cayaniká Part 3 [ainda não publicado em português]
Na Kali Yuga, a Força está em um Coletivo Organizado
Discurso de Shrii Shrii Anandamurti
30 de Dezembro de 1978, Patna
Diz-se que Saḿghe shaktih Kalao Yuge. [O significado disto é que] Na Kali Yuga, quer dizer, na assim-chamada “Era de Ferro”, a força real está em um coletivo [1] organizado. Isto equivale a dizer que as pessoas deveriam viver unidas.
Por quê?
No início da história humana, na assim chamada “Era de Ouro” ou Satya Yuga – no alvorecer da civilização humana –, as pessoas aceitaram o dharma [2] com sinceridade completa. Atingir o átman ou alma era o único objetivo querido dessas pessoas antigas. Eles iriam viver pelo átman delas e morrer pelo átman delas. Com relação ao direito de se fazer práticas espirituais, elas não iriam discriminar ninguém, nem mesmo amigos ou inimigos. Elas tinham tolerância com qualquer pessoa. Elas iriam até mesmo dar oportunidades especiais para seus inimigos declarados, para que aprendessem práticas espirituais. Com relação a isto, elas jamais perderam o seu espírito coletivo.

Contudo, com a passagem do tempo, as diferenças de opinião entre os membros da sociedade aumentou. Vocês todos sabem que entre as pessoas educadas são comuns diferenças de opinião.
Shrutayo vibhinnáh smrtayo vibhinnáh
Naekamuniryasya mataḿ na bhinnam
Dharmasaya tattvaḿ nihitaḿ guháyám
Mahájano jena datah sa panthá.
[As escrituras variam, os códigos sociais diferem. Cada sábio tem uma opinião diferente. A essência do dharma está nas profundezas da mente. A pessoa realizada segue o caminho verdadeiro.]
Devido a essas diferenças, houve ainda mais degeneração e a humanidade entrou na Dvápara Yuga: a assim-chamada “Era de Cobre”. As pessoas ficaram mais focadas no corpo. À menor provocação, elas aniquilariam seus inimigos. É evidente que criaturas focadas no corpo são mais degeneradas do que criaturas focadas na mente.
Então veio Kali Yuga, a era atual. As pessoas desta era são focadas na comidas, e são grosseiramente materialistas. Comer é uma parte tão importante das suas vidas que, se houver falta de comida, elas pensam que certamente irão morrer. A existência delas é tão dependente de comida que elas ficam frágeis e perdem a vitalidade delas para continuar fazendo práticas espirituais vigorosas.
Vocês não deveriam depender tanto de comida. É por isso que eu prescrevi o jejum quatro dias por mês para algumas pessoas, e dois dias por mês para outras, e pessoalmente eu demonstrei, ao jejuar por cinco anos e oito meses de uma só vez, que se as pessoas tentarem, elas podem ficar sem comida. Se a dependência de uma pessoa em relação à comida diminuir, ela vai adquirir mais liberdade em algum aspecto particular da vida.
Na Kali Yuga, como eu disse, as pessoas estão obcecadas demais com comida e com outros objetos materiais. É por isso que se disse: Saḿghe shaktih kalao yuge.
É impossível resolver sozinho os problemas agudos de alimentação, cuidados médicos, habitação e educação com os quais nós nos confrontamos hoje em dia. Isto requer um esforço coletivo, organizado, seguindo o espírito de devábhágaḿ yathá púrve[nos dias antigos, os deuses costumavam compartilhar seu alimento].[3] Tendo este objetivo em vista, eu formulei uma filosofia sócio-econômica.[4] Quanto mais cedo vocês forem capazes de implementar coletivamente essa filosofia, melhor será para a sociedade. Ao mesmo tempo vocês devem sempre lembrar-se de manterem controle sobre a comida. Não dependam tanto de comida.
Pessoalmente eu não acredito que nessa divisão de tempo em Satya, Tretá, Dvápara e Kali Yugas, ainda que eu admita que há alguma verdade no seu espírito subjacente.[5] Vocês devem sempre lembrar-se que Kali Yuga – quando as pessoas estão continuamente obcecadas por comida – também é uma fase transitória e será seguida por uma nova Satya Yuga, quando as pessoas novamente ficarem mais focadas na alma. A Satya Yuga irá começar assim que vocês implementarem a ideologia sócio-econômica. Através dos seus esforços coletivos, que Satya Yuga seja estabelecida nesta terra poeirenta o quanto antes. Que vocês sejam vitoriosos!
* * *
Tradução: Mahesh, Florianópolis, 13 de janeiro de 2010.
Publicado em: The Electronic Edition of the Works of P. R. Sarkar – versão 7 (EE7)
Ánanda Vacanámrtam Part 7 [ainda não publicado em português]
[1] O autor usa o termo body, que pode significar “corpo”, ou também ter o sentido de “grupo”, “conjunto de partes” ou “coletivo”. Pelo contexto, fica claro que este segundo sentido é especialmente visado pelo autor.
[2] Dharma significa, aproximadamente, a natureza humana, implicando também o objetivo visado com o desenvolvimento ou prática dessa natureza.
[3] O autor cita um trecho do mantra “Samgacchadvam”, normalmente entoado nos encontros de dharmachakra.
[4] O autor refere-se à Teoria da Utilização Progressiva (PROUT), que foi apresentada como uma parte – o quinto e último capítulo – de seu tratado filosófico Ananda Sutram.
[5] Isto significa que as fases temporais das várias yugas não correspondem a fases históricas de desenvolvimento da humanidade. A este respeito, o autor propôs a teoria dos ciclos sociais – uma teoria sobre a dinâmica dos coletivos humanos, apresentada como uma parte de sua teoria PROUT (especificamente os primeiros 7 princípios, dentre os 16 princípios de PROUT). Por outro lado, em outras ocasiões o autor deu à divisão das yugas um sentido mais individual e psicológico – eventualmente também com um sentido mais coletivo.
26/11/2010
A Ação Leva ao Progresso
Discurso de Shrii Shrii Anandamurti
11 de Julho de 1979, Patna
“Karma Brahmeti, karma bahu kurviita”. O trabalho é Brahma e, portanto, faça mais, mais e cada vez mais trabalho. Nos Vedas está dito que neste mundo visível, os seres humanos atingem Parama Puruśa na forma de ações. Então, uma pessoa deveria fazer cada vez mais trabalho. Uma pessoa que é indolente, que teme o trabalho, e que está completamente dominada pela letargia torna-se um fardo para o planeta. Nos Vedas, há uma menção a um personagem especial chamado Rohit. Rohit era um grande estudioso mas, devido à constante leitura atenta das escrituras, ele acabou tornando-se uma pessoa muito indolente, ao final do seu estudo. Ele parou até mesmo de se mexer. Um tipo de pessoa inativa como essa não pode fazer nenhum bom trabalho para a sociedade: em vez disso, elas tornam-se um fardo para a sociedade.

O pai de Rohit não era um homem estudado, mas ele era sábio. Ele aconselhou o seu filho:
“Veja, Rohit, tudo neste mundo originou-se da ação. O que é ação? Ação é a mudança da posição de um objeto. Tudo o que aconteceu neste universo, aconteceu pela mudança de posição dos vários objetos. Qualquer beleza e atração que hajam neste mundo devem-se somente à mudança de posição de diferentes objetos. Quando os seres humanos forem embora deste mundo, isto continuará sendo verdade. A razão é que os seres humanos não ficam por muito tempo em um mesmo estado – eles não são capazes disso. Uma pessoa que ficou velha pensa: ‘Bem, eu estou velho, então é melhor eu ir embora deste mundo.’ Entretanto, depois disto, quando alguma coisa deste mundo atrai ela novamente, ela diz: ‘Bem, eu vou continuar vivendo neste mundo por mais alguns dias.’ Por trás dessa atração do mundo, a ciência da ação está trabalhando. Portanto, uma pessoa que teme o trabalho e que quer ficar longe dele é uma entidade inanimada e inativa. Quer essas pessoas continuem ou não nesta Terra, pouco importa.”
Então o pai de Rohit disse para ele: “Quando uma pessoa trabalha incansavelmente, tanto que ela fique suando da cabeça aos pés, o corpo inteiro dela torna-se bonito. Não há igual a essas pessoa, no mundo. Até mesmo Indra, o rei dos deuses, anseia pela amizade de um tal pessoa.”
Uma pessoa que perdeu o dharma do movimento está virtualmente morta. A natureza real de um ser vivo é a dinamicidade. A estaticidade é um sinal da morte. Portanto, quando uma pessoa perdeu a dinamicidade, o ritmo do movimento de progresso dela degenera, fazendo com que ela gradualmente perca suas qualidades humanas. Por fim, tais pessoas regressam em direção à animalidade, imersas no vício. Então, não seja como Jada-Bharata – como um objeto inanimado. A única meta da sua vida deveria ser mover-se adiante. Assim, continue trabalhando, cumpra as suas responsabilidades trabalhando, e continue trabalhando, até mesmo enquanto estiver morrendo.
A boa sorte de uma pessoa que está dormindo também dorme. Aqui, “dormir” não significa dormir no sentido mundano. O significado real é ficar mergulhado na escuridão – ou seja: o corpo físico é o de um ser humano, mas as suas atividades não são como as de um ser humano. Até mesmo os pensamentos psíquicos não são como os de um ser humano. Quando uma pessoa sai do sono, a boa sorte dele ou dela também se levanta. Uma pessoa que se levantou vai notar que a boa sorte dela também se levantou. E quando uma pessoa começa a se mover com propósito em direção à sua meta, o destino da pessoa também começa a se mover. Portanto, não se comporto como um tolo, Rohit. Siga em frente, siga em frente, siga em frente. O único mantra da sua vida deveria ser “siga em frente”.
Kalih shayáno bhavati saiňjihánastu Dvápara;
Uttiśt́han Tretá bhavati Krtaḿ sampadyate carań.
O que são essas “Yugas” – Kali Yuga, Dvápara Yuga, Tretá Yuga e Satya Yuga? Em sânscrito, o sufixo “ghaiň” é adicionado à raiz verbal “Yuj”, formando a palavra “Yuga”. Yuga significa um período particular de tempo. Se um objeto aproxima-se de outro objeto, isto é conhecido como uma yuga. A palavra “yuga” origina-se da raiz verbal “yunj”, que significa “conjuntura crítica” – ou seja, uma mudança especial de tempo, [pela qual passa-se] de um período especial para outro período. Em sânscrito, isto é conhecido como “Yugasandhi”.
A história humana revela que a humanidade move-se adiante desta forma. O primeiro capítulo da história humana era a era obscura dos shúdras; depois veio a Era Kśatriya, seguida pela Era Vipra, e finalmente veio a Era Vaeshya. Cada uma dessas transições, de uma era para a seguinte, foi uma “yugasandhi”. Da mesma forma, estes quatro estágios da vida humana – Kali,Dvápara, Tretá e Satya – são conjunturas críticas.
A Kali Yuga é descrita nas escrituras como a condição humana na qual a vida humana, os pensamentos humanos e a existência humana permanecem envoltas pela escuridão – de tal forma que se perde todo o senso de julgamento cuidadoso. Descreve-se a pessoa que está neste estado como adormecida. Todavia, quando a consciência dela é despertada, de modo que ela comece a sentir o que ela deve fazer, o que é apropriado, o que as pessoas devem fazer pela sociedade humana – isto é conhecido nas escrituras como Dvápara Yuga. Após haverem despertado do sono e aberto os seus olhos, quando as pessoas olham para si mesmas e pensam que devem levantar-se, que não devem permanecer inativas, que elas possuem grandes responsabilidades que devem ser cumpridas apropriadamente, então isto, na linguagem das escrituras, é conhecido como Tretá Yuga. E quando elas realmente começam a mover-se adiante, isto é conhecido como Satya Yuga.
Esta é a explicação de Kali, Dvápara, Tretá e Satya Yugas. Há também outras explicações, mas elas não são aceitáveis pois são mitológicas e desconectadas da lógica e da racionalidade.
Então o pai de Rohit disse: “Rohit, siga em frente”. Da mesma forma eu digo a vocês: “Sigam em frente com o seu trabalho – é nisto que está o bem de vocês e também o bem da sociedade. Não a partir de hoje, mas a partir deste exato momento, pulem para o mundo da ação e pavimentem o caminho do seu bem-estar.”
* * *
Tradução: Mahesh, Florianópolis, 20 de janeiro de 2010.
Publicado em: The Electronic Edition of the Works of P. R. Sarkar – versão 7 (EE7)
Ananda Marga Karma Sannyása in a Nutshell [uma compilação – ainda não publicada em português]
Ánanda Vacanámrtam Part 13 [ainda não publicado em inglês]
23/11/2010
Existe Óleo no Gergelim
E o sentimento inteiro de “eu” é chamado de guhá. Ele é guháyita tattva [a entidade dentro do sentimento de “eu”]. Ele reside dentro do seu sentimento de “eu”, mas você não pode sentir a Sua existência. Para sentir a Sua existência, a pessoa tem que fazersádhaná, a pessoa tem que praticar sádhaná. Porque Ele está oculto dentro do seu sentimento de “eu”.
Tileśu taelaḿ dadhiniiva sarpirápah srotahsvarańiiśu cágnih;
Evamátmátmani grhyate’sao satyenaenaḿ tapasá yo’nupashyati.
[Ele está escondido em tudo, como o óleo nas sementes de gergelim, como o ghee na coalhada [curd, em inglês], como a água no fundo do leito de um curso d’água, como o fogo na madeira. Apenas aquelas pessoas que aderem estritamente a satya, e que realizam práticas espirituais, podem bater [churn, em inglês] a mente e realizar a Entidade Suprema de dentro dela.]
Existe óleo no gergelim, mas se você quiser obter óleo, o que você terá de fazer? Você terá de esmagá-lo com a ajuda de uma máquina para prensar, e o óleo sairá. Agora a parte essencial será o óleo, e a outra parte, a parte remanescente, será o resíduo.Tileśu taelaḿ [“Como o óleo nas sementes de gergelim”]. Similarmente, batendo o seu sentimento de “eu”, você irá obter dois fatores: a essência, ou seja, Parama Puruśa, e o resíduo, ou seja, a sua mente depravada.
Brhacca taddivyam acintyarúpam sukśmácca sukśmataraḿ vibháti;Dúrát sudúre tadihántike ca pashyatsvihaeva nihitaḿ guháyám.
[A Entidade Suprema é a entidade mais vasta, a fonte última de todas as emanações cósmicas. A Entidade Suprema, que é difícil de ser concebida, é a mais sutil do sutil. Ele está mais distante do que qualquer outra entidade, mas Ele também está mais próximo do que o mais próximo. Apenas a pessoa que procurar nos recônditos mais internos de si mesma pode realizar a Entidade Suprema.]
Shrii Shriii Ánandamúrtijii
Publicado em: Ánanda Vacanámrtam Part 34

