09/10/2011
29/09/2011
21/09/2011
20/09/2011
O Advento de Mahásambhúti
Yadá yadá hi dharmasya glánirbhavati Bhárata;
Cábhyutthánamadharmasya tadátmánam srjámyáham.
[Ó Bhárata, no momento em que o dharma fica distorcido
e o adharma está em ascensão, Eu crio a mim mesmo
a partir dos meus próprios fatores fundamentais.]
Qual é o significado de yadá yadá? Qual é o significado de yadá? Yadá significa “no momento apropriado”, “no momento mais oportuno”. O que é o momento apropriado? O que é o momento mais oportuno? Vocês sabe, para a realização de toda e cada tarefa, para a realização de todo e cada dever, existe um período melhor, e este é o momento mais oportuno. Existe uma hora específica para o plantio de mudas de arroz, e uma hora específica para a colheita. E essa hora, ou essas horas, são os momentos mais oportunos para essas tarefas específicas.
Aqui o Senhor diz:
Yadá yadá hi dharmasya glánirbhavati Bhárata;
Cábhyutthánamadharmasya tadátmánam srjámyáham.
Ele diz que “Sempre que houver degradação do dharma e desenvolvimento do adharma, o domínio de adharma, o governo de adharma, então, nesse momento em especial, Eu recrio a Mim mesmo.”
Agora, qual é o momento apropriado, qual é o momento mais oportuno? Como vocês sabem, nada neste nosso universo – nenhuma força, nenhuma expressão, nenhuma manifestação – se move em linha reta. O movimento sempre é pulsativo; o movimento sempre é de natureza sistáltica, com pausas e recomeços. Tem de haver um estágio de pausa, e também outro estágio que vem logo após o estágio de pausa: um estágio de movimento. Em todo e cada âmbito de nosso movimento individual e coletivo, todas as impurezas, todos os elementos degradantes, todas as sujeiras, acumulam-se na fase de pausa; e elas são destruídas na fase do movimento.
Na nossa vida coletiva, existem similarmente pequenas pausas e pequenos períodos de velocidade. Mas, na nossa vida coletiva, às vezes depois um longo período, após um longo período de milhares de anos, ou de milhões de anos, surge um certo tipo especial de pausa e de velocidade. Geralmente as pausas e velocidades que encontramos, e as sujeiras acumuladas com que nos deparamos na fase de pausa, são apropriadamente removidas, e a velocidade apropriada é dada à sociedade pelas grandes pessoas da sociedade, pelas grandes personalidades. Na nossa filosofia, eu usei a palavra sadvipra para tais grandes personalidades. Mas após um longo período, quando vem essa fase de pausa, e acumulam-se sujeiras em demasia, acumulam-se impurezas em demasia, torna-se difícil para os sadvipras darem conta do problema. Vai além da capacidade deles resolver o problema. Sob tais circunstâncias, requer-se o serviço de uma personalidade ainda maior. E justamente para dar a dose apropriada de remédio para essa sociedade – essa sociedade que tornou-se como uma poça de água parada –, Parama Purusa1 diz nesse shloka: “Eu venho.” Quando?
Yadá yadá hi dharmasya glánirbhavati Bhárata.
[“Ó Bhárata, quando o dharma estiver distorcido e adharma estiver em ascensão”.]
Dirigindo-se a Arjuna, Ele diz “Bhárata”. “Bhárata” aqui quer dizer Arjuna. A palavra bhárata vem de duas raízes verbais do sânscrito: bhr e ta. Bhr significa “alimentar”, bharana. Ta significa “expandir”, “desenvolver”. Bhr + al = bhara, que significa “entidade que alimenta”. E tan + d a = ta. Ta significa uma “entidade expansiva” que ajuda você na sua expansão todo-abrangente. Então, bharata significa “entidade que alimenta você e que lhe ajuda em seu desenvolvimento todo-abrangente”. Bha, ra, ta. E bharata mais sna, bhárata, significa “referente a bharata”.
Esta nossa terra [a Índia] é conhecida como Bháratavarsa. Em sânscrito, a palavra varsa tem três significações: Um significado de varsa é estação chuvosa; outro significado de varsa é “ano”. 1979 é uma varsa. E o terceiro significado de varsa é um desha [país] que pode ser identificado, que pode ser propriamente mostrado ou apontado. Este é o significado em “Bháratavarsa”. “Bháratavarsa” é “o país que alimenta você e que também lhe ajuda em seu desenvolvimento todo-abrangente”.
Aqui, “Bhárata” significa um rei. Arjuna era um rei. Então ele é “Bhárata”, porque era dever dele alimentar o seu povo e ajudar o seu povo em seu desenvolvimento todo-abrangente. Ao dirigir-se a Bhárata, ao dirigir-se ao representante, o Senhor Krsna diz que: “Sempre que houver degradação do dharma e sempre que adharma ficar proeminente, tornar-se o fator dominante, e sob tais circunstâncias tornar-se difícil para os sadvipras, para as personalidades desenvolvidas, enfrentarem a situação, e sob tais circunstâncias Eu não tive outra alternativa que vir até aqui – tadátmánam srjámyáham – ‘sob tais circunstâncias Eu crio a mim mesmo’ ”.
Agora, o que é dharma? Krsna diz: “Sempre que houver degradação do dharma, depravação do dharma, degeneração do dharma...” Então primeiro temos que saber o que é dharma. Existem palavras sinônimas em sânscrito: dhrti, dháranam, dháraná and dharma. Dhrti (dhr + ktin = dhrti) significa “que sustenta um objeto”, ou seja: “sustentáculo”, “entidade que sustenta”. Todas as atividades de vocês, todas as suas manifestações físicas ou psíquicas, são mantidas ou controladas pelo dharma, são controladas por uma qualidade específica, por uma característica específica; e essa qualidade específica, esse atributo específico, é conhecido como dharma. Para os animais, existe um certo dharma. Para os seres humanos existe um certo dharma. E toda e cada entidade terá de se ater aos códigos do dharma, ao seu próprio código de dharma. E sob nenhuma circunstância um ser humano ou um ser vivo ou um ser inanimado deveriam desviar-se do caminho do dharma2.
Shreyán svadharmo vigun'ah paradharmát svanusthitát;
Svadharme nidhanam' shreyah paradharmo bhayávahah.
[É melhor seguir o seu próprio dharma humano, mesmo
que lhe faltem algumas qualidades, do que seguir
os dharmas de outros seres. É melhor morrer como
ser humano do que viver como um animal.]
“Um ser humano deveria morrer como ser humano, e não encorajar as propensidades da animalidade.”
Svadharme nidhanam shreyah
“É melhor morrer como ser humano do que viver como um animal”.
Paradharmo bhayávahah
Paradharma significa “Aquilo que não é o dharma dos seres humanos”3.
1 Nota do Tradutor (N.T.): Isto é, a “Consciência Suprema”
2 N.T.: Em geral, no caso de outros seres que não os humanos, a questão de não seguir o dharma não se coloca; o surgimento do chamado livre arbítrio está em geral associado com os seres humanos.
3 Nota do Tradutor da versão em inglês (N.T.i.): A segunda metade deste discurso, a qual tem menos relevância para os assuntos de Krsna e a Giitá, aparece como “The Ten Characteristics of Dharma” em Ánanda Vacanámrtam Part 8.
Título original:
The Advent of Mahásambhúti
Publicado em:
(ainda não publicados em português)
Ánanda Vacanámrtam Part 8
Discourses on Krsna and the Giitá [uma compilação]
Tradução, revisão e notas:
Mahesh (Florianópolis)
Traduzido em 11 de setembro de 2009; 7-8 de outubro de 2010.
Revisão:
Revisão:
Mahesh (Florianópolis) e Ramesh (Rio Branco/AC)
18/09/2011
17/09/2011
EDUCAÇÃO E NEO-HUMANISMO
Vocês sabem, a natureza de todos os seres vivos é buscar a expansão na esfera física, e, para isso, ou melhor, devido a essa característica — que não passa de uma característica entre outras — eles exploram os outros, eles esquecem os interesses dos outros seres vivos. Eu afirmei que esta é uma natureza comum a todos os seres vivos, tanto os seres humanos como os animais. No caso dos seres humanos, existe um outro hábito, outro instinto inato, que simplesmente é o de se expandir na esfera psíquica. Assim, ao contrário dos outros animais, os seres humanos possuem uma capacidade que é a de dirigir os seus anseios físicos para os espirituais, para as aspirações espirituais. Os outros animais não possuem isso. Porém, devido a esse hábito psíquico, eles exploram os outros, tanto no nível psíquico quanto no nível físico, e esta exploração no nível psíquico é mais perigosa do que no nível físico.
Portanto, para que não haja nenhuma extravagância intelectual ou nenhuma subjugação física, os seres humanos necessitam de um treinamento apropriado, tanto fisicamente quanto mentalmente. E isto é o que é chamado de educação – o treinamento apropriado da existência física e também do mundo psíquico. Se não houver treinamento na ocasião certa, não haverá nenhuma coordenação, nenhum ajuste entre o ser interno e o ser externo. Algumas vezes, as pessoas são muito sinceras no que dizem, mas não existe nenhum pouco de sinceridade no seu íntimo, no seu mundo interior. E isto é o que acontece no mundo moderno. A existência tanto individual como coletiva se tornou unilateral, isto é, perdeu o seu equilíbrio. Devido a isso, o que mais precisamos é de um sistema apropriado de educação. Apenas para demonstrar sinceridade em seus objetivos ou o quanto são desenvolvidas, algumas pessoas, às vezes, falam sobre desarmamento. Elas dizem: deve haver uma parada, um controle sobre a fabricação de armamentos, sobre as armas letais. Elas dizem isto da boca para fora. Elas expressam essa idéia apenas para manter os outros sob sua servidão no plano físico, mas internamente permanecem prontas para produzir armas piores ou mais letais. Isto não passa de um tipo de brutalidade estúpida. Certa pessoa, que foi líder, disse: “Mantenham as expectativas de paz, mas conservem também as armas prontas.” É isso o que acontece hoje em dia. Podemos dizer que este anseio material, ou melhor, esta ansiedade pelo mundo físico dever ser dirigida para os anseios psíquicos. Porém, não será o suficiente dirigi-la para os anseios psíquicos através de uma educação mundana apropriada. Neste caso, ainda permanecerá o medo da subjugação psíquica. Portanto, o remédio está em outra esfera. Sim, eles devem ser guiados pelos sentimentos humanos, pelas idéias humanas. Sem dúvida será bom que os sentimentos humanos atuem no controle moral dessa disputa bélica, mas isso não será a última palavra; os sentimentos humanos não podem controlar a luta interna, o tipo de luta que prevalece entre os seres humanos. Para isso devemos ter um enfoque com duas variantes. O que deve ser feito para treinar essa mente turbulenta? A primeira coisa é prover educação apropriada. As pessoas devem receber uma educação específica. Não uma educação genérica, mas uma educação sobre as verdades, sobre as idéias do neo-humanismo. Isto ajudará os seres humanos a treinarem suas mentes. E, ao mesmo tempo, a prática espiritual deve continuar, para promover a remodelação psíquica adequada. Isto é o que mais necessitamos. Não há outra alternativa.
P.R.Sarkar(Calcutá, 25/05/1985)
07/09/2011
Princípios da Educação Neo-Humanista
“Quando o espírito inerente ao humanismo é estendido a tudo, animado e inanimado, neste universo – eu chamei a isto Neo-Humanismo. Este Neo-Humanismo vai elevar o humanismo a universalismo: amor por todos os seres criados deste universo”. P.R. Sarkar
A filosofia da educação reconhece, sobretudo a importância da aprendizagem do repeito e do amor. Isto se chama Neo-Humanimo. O Neo-Humanismo expande a filosofia implícita no humanismo para abranger com amor toda a criação e compreender a inter-relação de todas as coisas. |
As crianças são estimuladas para que aprofundem e estendam sua preocupação não somente para o bem estar dos seres humanos, mas também para de outros seres vivos, por exemplo as plantas e os animais.As crianças veêm o universo como um todo integrado com todos os fenômenos correlacionados e interdependentes.
A educação Neo-Humanista baseia-se em 10 princípios que norteiam todo trabalho:
1.Despertar a sede pelo conhecimento e o desenvolvimento de toda a personalidade humana:A Educação Neo-Humanista se baseia na premissa de que as crianças possuem um desejo inato de aprender a desenvolver-se. O objetivo é despertar a sede de conhecimento que se encontra no interior delas. Reconhece que existe em cada criança uma gama enorme de potencialidades e crê que ela pode esforçar-se para alcançar algo de grandioso.
A educação Neo-Humanista facilita o desenvolvimento de todos os níveis da personalidade humana: físico mental e espiritual. Reconhece que cada criança evolui em seu própro rítmo, e procura satisfazer suas necessidades individuais.
2. A educação baseada na ética:
A ética é a essência do desenvolvimento moral da criança.Os valores morais são a base de indivíduo equilibrado e de uma sociedade harmoniosa. O Neo-Humanismo tem 10 conceitos éticos universais que são permanentemente incentivados:2. A educação baseada na ética:
- Não cometer danos;
- Veracidade;
- Não roubar;
- Amor Universal;
- Vida simples;
- Limpeza;
- Coração contente;
- Solidariedade;
- Leitura inspiradora;
O processo de aprendizagem se enraíza na convicção de que o Universo é um todo integrado, dentro do qual se concebem as coisas. Isto fomenta um profundo sentimento de conecção consigo mesmo,e com os demais.Criando uma mudança de postura de vida mecânica e materialista para a totalidade e interdependência.
A apreciação espiritual significa um compromisso de cuidar toda a criação e de estimulr o desejo inato de saber "quem sou e qual é meu destino".
4. Enfoque integrador da aprendizagem
Em lugar de dividir o conhecimento em disciplinas acadêmicas separadas, a educação Neo-humanista estimula a multidisciplinariedade. Educação significa muito mais do que acumulação de dados, é a experiência viva do mundo como uma totalidade dinâmica e interrelacionada.4. Enfoque integrador da aprendizagem
5. Cultivo da estética em todas as disciplinas:
Na educação Neo-humanista a apreciação e a experiência estética se difundem em todos os aspectos da aprendizagem. O currículo inclui a exploração organizada para desenvolver a imaginação criativa. A sutil expressão de beleza na música, arte, literatura e outros eleva a vida humana e nutre uma consciência maior.
6. Valorização da cultura própria e a de outros lugares:
O Neo-humanismo reconhece a importância da cultura na formação da cidadania de uma pessoa .Enfatiza o ensino da língua e as tradições locais, mas também reconhece a beleza e a importância de todas as culturas. As crianças aprendem a valorizar as semelhanças e diversidades culturais.
7. Uma nova consciência do meio ambiente:
A educação ambiental desenvolve as habilidades e valores necessários para a administração responsável dos recuros do nosso planeta. Desta forma ajuda as crianças a desenvolverem uma íntima e viva relação com a rede viva que os rodeia.
8. O educador como exemplo
O papel do educador é de suma importância. Já que o ensino pelo exemplo é primordial, os professores devem personificar as qualidades mais nobres da humanidade.
9. O espírito de serviço
A educação Neo-humanista não considera a educação como passaporte ao prestígio, ao previlégio, mas como uma responsabilidade de servir aos demais. A arte, ciência e o conhecimento estão dedicados ao serviço e ao bem estar de todos.
10. Expansão da consciência e sentido de justiça:
A educação Neo-humanista estimula a participação ativa nas mudanças sociais positivas. Os estudantes necessitam desenvolver uma consciência social e um sentido de justiça, para dessa forma discernir as estratégias de manipulação e os sentimentos discriminatórios que causam sofrimento a todos os seres.
"O professor deve possuir qualidades tais como: força de caráter, retidão, espírito de serviço social, uma personalidade inspiradora, desinteresse e habilidades de liderança".(P.R.Sarkar)
Texto fundamentado nos ensinamentos de P.R.Sarkar
31/08/2011
24/08/2011
18/08/2011
Yama e Niyama - Princípios Morais Universais
Os princípios de moralidade são a base de um sistema de vida apropriado. Mas eles não são o objectivo final. São um instrumento para a criação de uma estrutura mental, para executar práticas de concentração superiores e de meditação. Assim, como uma planta jovem deve ser protegida à medida que cresce, também o novo praticante espiritual, nos seus esforços, deve ser protegido por orientações morais. Em épocas distantes, os gurus exigiam aos discípulos, como primeira prova, a moralidade e o altruísmo, antes de aprofundarem o ensinamento das práticas espirituais.
"Sem Yama e Niyama, sádhana (meditação) é uma impossibilidade"
Shrii Shrii Anandamurti

Há uma história de um discípulo que conseguiu convencer o seu guru a ensiná-lo quando estava prestes a afogar-se ao tentar bloquear um buraco com o seu próprio corpo numa pequena barragem, evitando assim a destruição desta e consequente inundação da aldeia mais próxima. De facto, os princípios de Yama e Niyama ilustram perfeitamente como devemos lidar com o mundo exterior à nossa volta.
Para tratar todas as coisas e pessoas de uma forma adequada é requerido um certo controlo sobre as propensões da mente, sendo este objectivo alcançado por Yama – conduta apropriada com os outros – e Nyama – directrizes para os nossos hábitos. Por outras palavras, Yama é o nosso auto controlo em relação ao ambiente externo e Niyama refere-se ao nosso ambiente interno. Yama é a moralidade social; Niyama é a individual.
Yama está dividido em cinco partes:
1. Ahimsa: Não magoar em pensamento, palavra ou acção. Isto significa um esforço para minimizar a nossa capacidade de ferir o ambiente exterior, em qualquer circunstância. Contudo, isto não exclui a possibilidade de usarmos a força física para nossa própria segurança e dos outros, se necessário. Esta é a primeira área importante em que o Rajadhiraja Yoga difere do entendimento mais tradicional do Raja Yoga. Quando Mahatma Gandhi foi inquirido se existia alguma circunstância em que ele poderia matar uma cobra, ele respondeu que não. Uma interpretação prática de Ahimsa deverá sugerir que em determinadas circunstâncias poderá ser necessário usar a força, de forma a proteger os outros ou nós próprios. A intenção do sujeito é o importante. Enquanto caminhamos na rua podemos esmagar um insecto, mas não era a nossa intenção causar-lhe ferimento.
2. Satya: Verdade Benevolente. Isto é o uso da mente e palavras para o bem estar geral. O enfâse deve ser dado à verdade que ajuda. Buda disse que a primeira prioridade das palavras deveria ser a sua utilidade aos outros. A segunda prioridade é que elas deveriam ser verdadeiras. E a terceira prioridade é que deveriam ser doces. Então, o espírito deste princípio é promover a maximização do bem estar, através dos nossos pensamentos e palavras.
3. Asteya: Não roubar. Não retirar aos outros os seus pertences sem o seu consentimento. Também significa não privar outros daquilo que devemos. Por exemplo, pagar menos a um empregado(a) em relação ao que nós julgamos ser o seu merecimento ou entrar num comboio sem pagar bilhete, são acções contra o espírito de asteya.
4. Brahmacarya: Pensamento Universal. Considerar tudo como uma expressão da Consciência Cósmica. Isto desenvolve a nossa capacidade de amor pelos outros, independentemente da raça, nacionalidade ou grupo étnico, pela promoção do sentimento de que todos nós somos parte da mesma família cósmica. Os benefícios para a sociedade podem ser rapidamente apreciados. Existe uma história divertida que ilustra este princípio: Um homem costumava dizer sempre que tudo era Deus. Tudo o que acontecia, ele dizia que era Deus. Os seus amigos estavam familiarizados em ouvi-lo dizer isso, e bricavam entre si sobre essa frase. Um dia viram-no ser perseguido por um touro, e gritaram-lhe, “ Se tudo é Deus, então o touro também é Deus, então porque estás a fugir dele?” Como ele estava a correr pela sua vida, ele respondeu “A minha fuga é também Deus!” É importante cultivar este sentimento. No Raja Yoga isto é feito sem a ajuda de uma técnica científica, mas no Rajadhiraja Yoga existe um mantra especial que aumenta a eficiência de alcançar este sentimento no dia a dia da nossa vida. A ideação cósmica, enquanto desempenhamos qualquer acção, assegura o sucesso dessa acção, bem como a prepararação da mente para a meditação.
5. Aparigraha: Modo de vida simples. Não acumular mais do que precisamos para um nível de vida razoável. Isto tem consequências pessoais e sociais. Nós nunca poderemos estar satisfeitos com o que temos enquanto acumulamos coisas desnecessariamente, porque a mente estará sempre distraída pelas posses e processos de acumulação de bens materiais. Do ponto de vista social, a riqueza física deste mundo é limitada, por isso a acumulação excessiva de riqueza física de alguém irá impedir que outros possam satisfazer as suas próprias necessidades básicas.
Niyama também tem cinco partes:
1. Shaoca: Pureza da mente e limpeza do corpo. Deve-se manter o corpo limpo não apenas externamente. A limpeza interna também depende do que comemos.
2. Santosa: Contentamento e relaxamento mental. Apenas quando a mente está num estado de relaxamento é possível estarmos satisfeitos com a vida e infundir nos outros o nosso entusiasmo. Isto depende em larga medida do princípio de Aparigraha.
3. Tapah: Serviço Social. Trabalhar para o bem estar dos outros. Isto significa ajudar os necessitados sem esperar alguma recompensa por essa acção. Existe um fluxo de amor dentro de nós, que apenas pode ser expresso quando damos algo desinteressadamente aos outros. Notar que isto significa que os ajudados devem estar em estado de necessidade. Dar dinheiro a uma pessoa rica não é um serviço!
4. Svadhyaya: Leitura inspiracional. Ler livros inspiradores, entendendo o seu significado. Isto é melhor conseguido após a meditação, quando a mente está mais receptiva a ideias profundas e a pensamentos mais elevados. Na nossa sociedade moderna, “livros” pode significar também outros meios de educação, como a Internet, CDs, gravações audio, etc. Mas o ponto importante é o seu poder de elevar a mente humana, qualquer que seja a fonte material, através das mensagens aí armazenadas.
5. Iishvara Pranidhana: Meditar na Consciência Cósmica. Isto leva-nos à percepção de que somos Um com a Consciência Infinita, e é esta tomada de consciência que nos dá a maior realização durante a nossa vida, enquanto seres humanos. No Rajadhiraja Yoga, existe um mantra específico e um ponto de concentração para cada pessoa – dependendo da vibração mental individual – que é um instrumento para atingir a ideação.
Texto fundamentado nos ensinamentos de Shrii Shrii Ánandamúrtijii
01/08/2011
20/07/2011
BENEFÍCIOS DO YOGA E DA MEDITAÇÃO
Hoje em dia, o mundo está cheio de nervosismo e a tensão mental. As pessoas estão todo o tempo correndo, e nunca acham tempo para fazer todas as coisas que planejaram. A velocidade e atividade do mundo moderno é algo muito espantoso. Um foco incorreto pode danificar nossa mente sensitiva e o sistema nervoso. Para combater efetivamente o nervosismo e a tensão causandos pela vida nesse ambiente cada vez mais exigente, é necessário que as pessoas adquiram um entendimento e um controle mais profundos sobre a mente humana. A meditação é o processo pelo qual nós podemos controlar o fluxo inquieto de nossas mentes. É comum se pensar que seja só sentar quieto, refletindo, analisando ou apenas pensando sobre um argumento, um verso ou oração em particular; ou contemplando e sentindo a natureza; ou estar consciente nas ações e no presente; mas nenhum desses sentidos condiz com o verdadeiro significado iogue da meditação.
Na terminologia iogue, a meditação é chamada de “dhyana”, o que quer dizer “fluxo da mente”. É um estado puro em que a mente da pessoa está fluindo suavemente em direção ao pensamento da Consciência Cósmica. É um método de acalmar a mente e fazer o indivíduo mais consciente de sua natureza interior. Ele dá à pessoa um relacionamento seguro consigo mesma, que proporciona uma base sólida para se lidar com qualquer coisa na vida, problemas ou o que seja. Ele dá à pessoa uma paz interior, o que é um recurso muito precioso nesta era agitada. E, mais importante, a meditação é um caminho para a realização espiritual.
Experimentos científicos mostraram que a resposta do organismo humano à meditação é exatamente o oposto de sua reação ao estresse: ela acalma o sistema nervoso central, diminui os batimentos cardíacos, diminui a pressão do sangue em até 20%, e diminui a respiração para menos da metade de sua frequência normal. Houveram alguns estudos até mesmo em ambientes de trabalho. Em uma grande empresa ocidental, as pessoas praticaram técnicas de meditação duas vezes por dia. Isto resultou em benefícios tremendos – a meditação influenciou todos os aspectos de suas vidas. Depois de apenas cinco meses e meio de meditação, elas relataram uma diminuição de depressão, hostilidade e estresse, menos irritabilidade, e o desaparecimento de disfunções psicossomáticas como resfriados, dores de cabeça e sonolência. Devido a isso, as faltas no trabalho foram muito reduzidas. O benefício mais frequentemente relatado foi a habilidade de pensar com clareza. Aqueles que praticaram meditação profunda falaram que se sentiram mais alertas, mais sociáveis e empáticos, e desfrutaram mais a vida do que antes que aprenderam a meditação.
Uma das razões para o aumento na atenção e da habilidade de pensar claramente é que durante a meditação há um aumento de 35% no fluxo de sangue para o cérebro. O fornecimento de sangue para o cérebro está intimamente relacionado com nossas habilidades mentais, --- e com o aumento de fluxo sanguíneo, e o correspondente aumento de oxigênio, o funcionamento geral do cérebro melhora. Uma das causas da senilidade que ocorre em muitas pessoas mais velhas é a diminuição do fluxo de sangue para o cérebro.
O maior benefício para muitas das pessoas que meditam regularmente tem sido o aumento da força de vontade. A meditação regular treina a capacidade de prestar atenção e ignorar distrações. Experimentos com estudantes mostraram que aqueles que praticavam técnicas de meditação constantemente, obtinham resultados excelentes em suas provas, devido ao aumento da habilidade de se concentrarem e à total falta da “ansiedade perante as provas”.
Além desses benefícios mencionados, aqui vão alguns benefícios práticos que a pessoa pode experimentar ao praticar meditação:
· uma direção e um propósito verdadeiros na vida
· incremento da saúde e da vitalidade
· glândulas e órgãos internos fortalecidos
· emoções equilibradas e serenas
· aumento de memória e de habilidade intelectual
· tolerância e compreensão
· libertação de dogmas, superstições e medo
· personalidade equilibrada e integrada
Com a prática regular da meditação, nós nos tornamos mestres de nós mesmos, livres de doenças desnecessárias, nos sentindo joviais, relaxados, cheios de energia alegre, fluindo em harmonia com o universo. Com as mentes funcionando maravilhosamente, estaremos preparados para prestar serviço incansável e realizador no mundo, para o benefício de toda a humanidade.
Texto inspirado nos ensinamentos de Shrii Shrii Ánandamúrti.
12/07/2011
10/07/2011
A CONSCIÊNCIA SUPREMA
Vocês sabem, não há nada desordenado nesse Universo. Tudo se move de acordo com certas regras. Nesse nosso sistema solar, o Sol é o núcleo, e tantos planetas movem-se ao redor desse Sol. Nesse sistema planetário, a Terra é o núcleo, e a Lua move-se ao seu redor. Similarmente, no sistema atômico, também existe um núcleo, e os elétrons movem-se ao seu redor. Na nossa ordem cosmológica, a Consciência Suprema é o núcleo e tantos objetos animados e inanimados estão se movendo ao Seu redor, consciente ou inconscientemente Os seres humanos movem-se conscientemente, e outros animais, outros seres vivos menos evoluídos, bem como objetos inanimados – até mesmo alguns seres humanos – movem-se inconscientemente. O raio daqueles que se movem inconscientemente permanece inalte-rado, ou, até mesmo devido as suas propensões baixas, esse raio pode até aumentar. Mas os aspirantes espirituais sempre tentam diminuir a extensão dos seus raios. Eles se aproximam mais e mais do Supremo e, quando ficam o mais próximo possível, eles se tornam um com o Núcleo; esse é o estágio da Salvação.
Agora, são tantas entidades, tantos indivíduos que se movem ao Seu redor; eles têm tantas estruturas físicas – altas, baixas, brancas, escuras, educadas, analfabetas – mas a meta comum é o Núcleo, a Consciência Suprema. Não deveria haver nenhuma timidez, nenhum ódio, nenhum complexo mental nos seres humanos, porque aquele Núcleo é o "EU" maior de todos – aquele Núcleo é o Progenitor Supremo de todos.
(Baba em Fiesch)
Neste universo nada está além da Consciência Suprema. Você permanece sempre dentro do Seu círculo, do seu alcance. Imagine que uma vaca esteja atada a uma estaca, com uma corda. A corda pode ser curta ou longa, mas a vaca tem que se mover ao redor da estaca. Da mesma forma, os seres humanos estão se movendo em torno do Núcleo Cósmico. Eles dão voltas sem saber que estão atados a uma estaca, sem saber QUEM está no centro. Eles pensam que são tudo, que sabem muito. Acreditam que não são criaturas comuns; e isso cria orgulho neles. Então, enquanto se movem, de repente uma pergunta lhes vem à mente. Eles perguntam para onde estão indo, e de onde vem a inspiração para se moverem. Quando se dão conta disso, quando essa pergunta surge em suas mentes, aí então eles sabem que estão se movendo em volta de uma estaca, e que devem ir em direção ao centro, para o Núcleo Supremo. No dia em que essa realização surge, eles se tornam aspirantes espirituais, e o raio começa a diminuir. Quando o raio se torna zero, então eles se fundem com a Consciência Suprema.
Os seres humanos têm que continuar a se mover enquanto sentirem que eles e a Entidade que os criou, a Consciência Suprema no Núcleo, são duas entidades diferentes. Quando, chegando próximos da estaca, eles subitamente se dão conta de que eles e a Entidade que os criou não são diferentes, então a distância entre os dois desaparecerá, e ambos se tornarão UM – eles irão se fundir no néctar da Consciência Cósmica. Essa é a meta final de todos os seres, das plantas, de qualquer coisa que tenha vida. Por isso, a pessoa que ingressa no caminho da prática espiritual cedo é sábia – e afortunada também.
("Prajina Bharati", Junho 1980)
Bem, a Consciência Suprema é a Suprema Entidade Testemunhal. Seja o que a sua cons-ciência individual esteja vendo ou sentindo – tudo está sendo testemunhado pela Entidade Suprema. Suponha que você está imaginando um rinoceronte na sua mente, e que esse rinoceronte se move dentro da sua mente. Seja o que o rinoceronte esteja fazendo, você está vendo; seja o que o rinoceronte esteja pensando, você está ouvindo. Seja o que o rinoceronte faça, instantaneamente está sendo testemunhado por você. Nenhuma atividade, nenhuma onda mental desse rinoceronte é segredo para você – você sabe de tudo.
Portanto, o que quer que esteja sendo feito no universo, isso nada mais é do que a criação mental da Consciência Suprema; tudo está dentro da mente dele. Ele é o Macrocosmo, e tudo é microcosmo. Toda e qualquer pessoa está se movendo na mente dele. Tudo está dentro dele, nada está fora. Logo, seja o que estiver sendo feito, Ele vê. Ele sabe, Ele sente. Este universo não é nada mais do que uma projeção mental dessa Consciência Suprema. Por isso, uma vez que tudo é Sua criação mental, então tudo e todos são Seus filhos. Ele não é o governante, Ele não é o administrador, Ele não é o chefe. Ele é o criador, Ele é o gerador, Ele é o operador, Ele é o destruidor. Quando Ele retira Suas ondas mentais para dentro de si mesmo, então nada permanecerá. Você veio dele, você está se movendo dentro de Sua mente, e, finalmente, se tornará um com Ele. É por isso que eu disse, Ele sendo o gerador é representado por "G"; Ele sendo o operador é representado por "O", e Ele sendo o destruidor é representado por "D" – "G –O –D" [Deus em inglês]. Ele é Deus.
(Baba em Fiesch)
A Consciência Cósmica é a controladora da força vital que mantém os organismos vivos. Ela é a nossa amiga que nos salva das mandíbulas das calamidades pelo toque afetuoso e delicado. Ela existe em toda parte. Está presente ao nosso redor, às vezes como expressão sonora, às vezes como pensamento ou emoção e, ainda, às vezes, como entidades individuais. Não há lugar algum no universo onde sua Entidade não esteja manifesta. O que nós aparentemente consi-deramos ser um vazio está também pleno de Sua Entidade. Essa Consciência Infinita está até mesmo onde o intelecto humano não consegue alcançar, e vai até onde a imaginação ricocheteia, perplexa e deslumbrada. No mundo planetário, é Sua glória que brilha como sol. A coluna vertebral do sistema nervoso, o louvor aos ancestrais, a verdade dos sábios, o controlador, o amigo, o sol – serão todas essas, entidades separadas? Não, tudo é Ela, tudo é Ela, tudo é Ela.
(Subhásíta Samgraha II)
Existe apenas uma lua, mas os seus reflexos em incontáveis poças d’água, parecem como inumeráveis luas. Nenhuma outra lua nasceu. A mesma lua está sendo refletida em muitos receptáculos. Similarmente, a única e mesma Consciência Suprema está sendo manifestada como infindáveis entidades individuais, em incontáveis receptáculos mentais, em incontáveis mentes.
(A Graça de Baba)
Ele está se movendo? Não, não, Ele não está. Ele jaz imóvel, como um tronco de árvore. Ele está longe? Não, não - não está. Ele está muito perto. Ele é a Vida da minha vida. Ele está em você, e em mim. Ele está dentro e fora, e em todos os lugares. Quando um aspirante espiritual se familiariza com Sua Entidade Bem-Aventurada, dizemos que ele está estabelecido na Consciência Suprema. Nesse estágio, tanto interna quanto externamente se atinge a unidade. A mente então se mantém além da atração por insignificâncias, e um relacionamento verdadeiro é estabelecido com o Ser Supremo. Enquanto o corpo permanece no mundo mortal, a alma é absorvida na Alma Suprema.
(Subhásita Samgraha II)
Qualquer energia é invisível. Nós vemos a operação e a ação da energia elétrica através da lâmpadas, ventiladores, etc. Similarmente, ninguém jamais viu o sol – somente a sua ação. Ele parece redondo, mas a uma distância pequena é simplesmente algo queimando. Logo, a eletricidade e o sol são para serem apenas sentidos. É o mesmo com a mente. Ninguém pode mostrá-la, nem vê-la. Só se pode sentí-la. Similarmente, a Consciência Suprema só pode ser sentida e realizada. Quando toda a mente é preenchida com o sentimento da Consciência Suprema, você quase não consegue agüentar – nem pode tão pouco expressar a bem-aventurança. Você a sente – você pode apenas desfrutá-la!
(Ánanda Vacanámrtam)
O conceito de Deus e Satanás é equivocado. Se aceitarmos a existência de Satanás isso significa que existem dois Deuses, um Deus positivo, e um Deus negativo, Satanás. E isso desafia a autoridade da Consciência Suprema – isso não pode ser. Logo, não existe Satanás. Em todos os lugares há o comando da Consciência Suprema; em lugar algum há o comando de Satanás. Satanás é a força centrífuga que afasta o aspirante, um ser humano, para longe do Núcleo Supremo.
(Ánanda Vacanámrtam)
A Consciência Suprema é o abrigo de todas as entidades, é a única entidade que não requer qualquer abrigo para manter a Sua existência.
Esta cidade de Patna está abrigada dentro do estado de Bihar. Bihar está dentro da Índia. A Índia está dentro da Ásia. A Ásia está dentro deste planeta. Este planeta está dentro deste sistema solar. Este sistema solar está dentro da Consciência Infinita. Logo, ninguém A abriga. Ela não depende de nenhum abrigo. A existência dela não depende da compaixão de qualquer segunda entidade.
(Ánanda Vacanámrtam)
A Consciência Suprema está em você como óleo está na semente. Esmague a semente através da prática espiritual (sádhana) e você O realizará; separe a mente da Consciência e você verá que a resplandecência da Consciência Suprema ilumina todo o seu ser interior. Ela está lá como a manteiga no creme: agite-o e Ela aparecerá do interior. Mexa a sua mente através da prática espiritual e Deus aparecerá como a manteiga no creme. Ela é como um rio subterrâneo em você. Remova as areias da mente, e você encontrará as águas claras e frescas dentro de si.
(Subhásita Samgraha IV)
A Consciência Suprema ocultou-se dentro da sua mente. Ele está escondido atrás da cortina do seu “eu”. Você não precisa ir para as montanhas dos Himalaias para descobrir aquilo que está oculto no seu próprio “eu”. Será que alguém precisa de um espelho para ver um bracelete na sua própria mão? Então o Supremo está dentro de você. Há apenas a necessidade de remover o véu do ego.
("Nitti and Dharma")
Temos que remover completamente este ego, este “sentimento de eu”. Todos os fardos, toda confusão, todas as considerações de respeito ou desrespeito estão conectadas a esse “eu”.
Quando alguém discorda de você, você o processa no tribunal. Por que você se preocupa tanto? Só para vingar seu ego. Todos os problemas e frustrações são somente devidos ao ego unitário. O fato é que mesmo após entregar tudo a Deus, o arqui-inimigo “eu” permanece. Você dirá, “Eu entreguei tudo a Deus”. –Eu, eu, eu! Meu amigo, entregue esse “eu” também a Deus e somente aí a sua entrega será completa. Todos os problemas se devem a esse “eu”.
("Mantra Caetanya")
Ora, quando é que uma pessoa sente que ela deve amar o Supremo? É quando ela se liberta dos sentimentos egoístas. Mas alguém dirá, “Dizem que Deus é misericordioso, mas eu sou um desafortunado, não estou recebendo a Sua graça”. Existem muitas pessoas que falam assim. Mas vocês sabem, meus filhos, vocês sabem, minhas filhas, não há parcialidade Nele. Ele despeja a Sua graça divina para todos. Ele existe para toda e qualquer criatura, mas uns sentem a sua graça, enquanto outros não. Qual é a razão? Há uma chuva celestial de graça. Mas suponha que você esteja segurando um guarda-chuva acima da sua cabeça. Será que você vai ser encharcado pela chuva? Ah, não. Aquele que quer desfrutar dessa chuva de graça deve remover o guarda-chuva do ego acima da sua cabeça, e será então encharcado pela chuva di-vina. Assim, um aspirante espiritual, um Yogue, deve livrar-se de todos os sentimentos egoístas. E, no momento seguinte, ele estará na proximidade da Entidade Suprema.
("Man and His God") Os Pensamentos de P.R.Sarkar
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