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23/05/2013
18/05/2013
01/05/2013
17/04/2013
16/04/2013
Lutando a Todo e Cada Passo
Shrii Shrii Anandamurti
(discurso gravado em data e local desconhecidos)
Na sessão anterior, enquanto eu estava explicando o significado básico da palavra “Bhárata” [1], eu disse que a raiz verbal tan significa “expandir”. Agora, a abordagem prática, ou seja, o esforço espiritual de fato, a prática espiritual de fato, é chamada de Tantra. Aqui também a raiz verbal é tan. Tan significa “expandir”, e tra significa “libertador”. O culto [2] que libera o aspirante espiritual, ajudando-o na expansão da sua mente e do seu espírito, é Tantra: “liberação através da expansão”. Ao menos e até que a mente torne-se grande, uma pessoa não conseguirá obter a liberação, ela não conseguirá alcançar a salvação espiritual. É por isso que o culto espiritual é chamado de Tantra.
Agora, essa expansão – essa expansão da mente, expansão de idéias, expansão do espírito humano – é a [3] única sádhaná.[4] E quando um sádhaka, um aspirante espiritual, tenta alargar sua mente, é natural que forças degradantes tornem-se muito ativas. As forças depravadoras, as forças degradantes, ficam muito ativas, e o sádhaka tem que alargar a sua mente lutando a cada passo, em toda e cada etapa da vida. Na mente dele estarão essas duas forças inimigas – quer dizer: a força espiritual e a força material degradante [5] irão começar a lutar uma contra a outra dentro da mente. Também na vida familiar, [...] na vida social, na vida nacional, em todo e cada âmbito da vida, haverá luta. Ou seja: essas duas forças inimigas fundamentais irão ficar ativas. Uma força tentará elevar você em direção ao Eu Supremo, e a outra força vai querer te degradar, te guiar em direção ao materialismo grosseiro.
Agora, um tântrico, um sádhaka, é chamado de soldado. [Sádhanásamara] [“a batalha da sádhaná”]. Samara significa “guerra”, “batalha”, “luta”. O sádhakaestá metido na luta. Ela [essa luta] é para as pessoas destemidas, para as pessoas corajosas. Sádhanásamara. E esse culto é o culto do Tantra. A pessoa que quer se manter longe da luta está, sem se dar conta, cometendo suicídio – suicídio mental e espiritual. Toda e cada pessoa deveria estar preparada para a luta – luta no âmbito mental, luta no âmbito familiar, luta em todo e cada âmbito da vida. Isto é Tantra.
Agora, no reino da espiritualidade, existe pouco espaço para teóricos. Ele é 99% prático. Sádhaka significa uma pessoa prática. Sádhaná é um culto, não uma teoria. Agora, o que é esse culto? Agora, esse culto é o do movimento subjetivo através do ajustamento objetivo. Vemos aqui, com relação aos indriyasde vocês – quer dizer, os órgãos sensores e motores –, que este mundo é o objeto e eles são os sujeitos. Mas quando se considera a relação entre osindriyas e a citta [a mente objetiva, a substância mental], os indriyas são os objetos e citta é o sujeito. E quando se considera a relação entre citta e [...] o ego, ou aham, citta é o objeto e aham é o sujeito. Agora, no caso de aham e mahat (aham significa o “eu” agente {que faz ou realiza ações} e mahatsignifica o “eu” puro, “eu existo”), aham é o objeto e mahat – “eu sou”, “eu existo”, aham asmi – é o sujeito. E no caso deste “eu” puro e do átman [alma], este “eu” – “eu existo”, “eu sou” – é o objeto e átman é o sujeito.
“Eu existo”: este sentimento encontra-se dentro de todo e cada ser vivo. Em cada ser há um “eu existo” – “Eu sou Narayanaswami, eu sou de Salem, eu existo.” Então, esse “eu”, esse “eu” de “eu existo”, é mahat. E vocês sabem – vocês sabem – que existe um sentimento de “eu existo” em vocês. E eu sei que existe um sentimento de “eu existo” em mim. Esse “eu sei” – o “eu” de “eu sei” – é o átman. O “eu” de “eu sei” é o átman, e “eu” de “eu existo”, é mahat, o mahattattva, o “eu” mental puro, o “eu” mental supremo, a parte mais sutil da mente. Mas “eu sei que eu existo” – o “eu” de “eu sei” – é o átman. Ele não é da mente, ele é o conhecedor da mente, o conhecedor – de quê? Do sentimento de que “eu existo”. Então o átman é o sujeito dentro da estrutura de vocês, dentro da sua existência. Dentro do reino do microcosmo, o átman é o sujeito, e todos os outros objetos ou são o objeto direto dele, ou os seus objetos indiretos.
Agora, considerando a relação do átman com Paramátman [6], o átman é objeto e Paramátman é o sujeito. Portanto, Paramátman é a Subjetividade Suprema. Ele é o Sujeito Supremo de todos os outros objetos. Ele é o múltiplo supremo de todas as outras multiplicidades manifestas. Como Ele é o supremo – em sânscrito, “supremo” é parama –, Ele é conhecido como Paramátmá. Ele é o Sujeito Supremo.
Eu disse: “O que é [esse] culto?” Ele é uma abordagem subjetiva – quer dizer: o movimento de vocês é em direção àquele Sujeito Supremo, não em direção ao conhecimento livresco. Não para auto-engrandecimento, mas para guiar a vocês mesmos no caminho da beatitude, em direção ao Sujeito Supremo. Portanto, a abordagem do culto é uma abordagem subjetiva. A abordagem de vocês é subjetiva. Mas enquanto estão se movendo em direção ao Sujeito Supremo, enquanto se movem em direção ao Ponto Final [7] das suas vidas, enquanto se movem em direção ao ponto culminante das suas vidas, vocês têm de atravessar o mundo das objetividades. Assim, tem de haver um equilíbrio em vocês, um balanço, uma equiparação entre abordagem subjetiva e ajustamento objetivo. Vocês têm que atravessar este mundo dos objetos mantendo um contato próximo e um equilíbrio [...] com este mundo objetivo; vocês não devem ignorar este mundo.
Vocês não devem ignorar este mundo; vocês não devem se iludir dizendo que todas as coisas são ilusórias, que não são coisa nenhuma. Não, elas não são coisa nenhuma; elas são alguma coisa. Quando vocês dizem essas palavras com ajuda da energia física, então essa energia física também é nada; e quando vocês dizem “Elas não são coisa nenhuma”, então essa frase também é coisa nenhuma.[8] Porque vocês estão falando com ajuda da energia. Mas [se] a energia é nada, [se] as cordas vocais são nada, [se] o som é nada, então a fala de vocês também é nada. Portanto, um sádhaka não deveria se iludir dizendo esse tipo de coisa. Um sádhaka não deveria se meter num esquema de auto-enganação. A abordagem dele deveria ser muito clara: uma abordagem subjetiva através de ajustamento objetivo. Então, esse é o caminho supremo. Esse é o caminho adequado. Esse é o caminho. Vocês não têm nada que ver com a extravagância intelectual de assim-chamados lógicos e filósofos.
Yudhisthira disse:
Shrutayo vibhinnáh smrtayo vibhinnáh naekamuniryasya mataḿ na bhinnam;
Dharmasya tattvaḿ nihitaḿ guháyáḿ mahájano yena gatah sa pantháh.
[As escrituras divergem, os códigos sociais divergem; cada sábio tem uma opinião diferente. A essência do dharma [9] encontra-se nas profundezas da mente; o caminho percorrido por pessoas realizadas é o verdadeiro caminho.]
“É o caminho.”
Ele disse: Shrut[ayo] vibhinnáh. O que é shruti? Shruti significa “livro espiritual” – os Vedas. Por que “shruti”? Porque em tempos antigos os arianos que chegaram aqui na Índia vindos da Ásia Central eram analfabetos – eles não sabiam escrever. A linguagem deles, a linguagem védica, era uma língua falada, não uma língua escrita. Não havia escrita [naquela época]. [...] A linguagem védica não tinha escrita. Quando eles chegaram aqui eles aprenderam a escrever. [...] E por fim muitas e muitas escritas indianas foram desenvolvidas. [...]
Aqueles que compuseram os hinos védicos eram chamados de rśis. O que quer que os rśis dissessem, os discípulos, os estudantes, aprendiam de ouvido. O ouvido era chamado de shruti em sânscrito. É por isso que os Vedas são conhecidos como shruti.
Agora, shrut[ayo] vibhinnáh. Yudhisthira, o sábio Yudhisthira, disse: Shrut[ayo] vibhinnáh – “Esses shrutis – o Rgveda, o Yajurveda, o Atharvaveda e tantas e tantas outras escrituras espirituais – divergem entre si, divergem umas das outras.” [10] Elas divergem umas das outras. A pessoa comum deve seguir – a quem? A quem seguir?
Shrut[ayo] vibhinnáh smrtayo vibhinnáh. Smrti significa “código social”. Shruti significa “código espiritual” e smrti significa “código social”. Então, os códigos sociais também têm diferenças entre si. Em tempos antigos existia o Vyása Saḿhitá.[11] Existia o Nárada Saḿhitá. Existia o Manu Saḿhitá. No Manu Saḿhitá existem duas escolas principais: Dáyabhága e Mitákśará – Dáyabhága para Bengala, Mitákśará para o resto da Índia. [...] Em alguns lugares existe a ordem patrilinear – quer dizer, a propriedade do pai será herdada pelo filho – e em alguns lugares existe a ordem matrilinear. [...] Em alguns lugares existe uma mistura das ordens patrilinear [...] e matrilinear. [...] E em alguns lugares existe uma fusão das ordens patrilinear e matrilinear. [...] Portanto, os códigos sociais variam entre si. A quem seguir? Até mesmo em Mitákśará existem cinco ou seis escolas [12] – pelo menos cinco escolas. A quem seguir?Smrtayo vibhinnáh. [...] A quem seguir?
Naekamuniryasya mataḿ na bhinnam – “e todo e cada muni difere dos demais munis.” Muni significa “intelectual”. No reino da sádhaná espiritual, Na munirdughdabálakah munih saḿliinamánasah [“Um muni não é uma criança pequena no peito da sua mãe – um muni é alguém que fundiu a sua mente (no Supremo)”]. Se um certo homem diz “Eu sou um muni”, ele não é um muni. Muni significa “aquele que estabeleceu sua personalidade, que estabeleceu o seu tudo, no patamar supremo.” Quer dizer, aquele que se fundiu no Supremo Puruśa é um muni. Munih saḿliinamánasah – “Aquele que fundiu sua mente no Supremo Puruśa é um muni.” Naekamuniryasya mataḿ na bhinnam.
Então, a quem seguir? O que as pessoas comuns devem fazer? O que os aspirantes espirituais devem fazer? A quem seguir? Esse é um problema muito difícil.
Então, Yudhisthira diz: Dharmasya tattvaḿ nihitaḿ guháyáḿ – “O espírito do dharma, a essência do dharma” – [nihitaḿ] – “está oculta em” – nihitaḿ guháyáḿ. Em sânscrito, a palavra guhá tem dois sentidos, dois significados.[13] Um é “caverna” – cavernas dos Himalayas nas quais os rśis costumavam sentar-se em meditação. Outro significado de guhá, que eu acabei de mencionar, é mahatattva, “eu existo”, “eu sou”. Esse sentimento de “eu sou” é chamado de guhá. Então, [Yudhisthira] diz: “A essência do dharma, o espírito supremo do dharma, está escondido no seu próprio sentimento de ‘eu’ ”. Vocês não precisam ir até as cavernas dos Himalayas e para tantos e tantos tiirthas [lugares de peregrinação] à procura do próprio espírito interno de vocês. Ele está escondido dentro de vocês. O coração de vocês é o melhor tiirtha. Ele é o supremo tiirtha. O Senhor Shiva disse:
Idaḿ tiirtham idaḿ tiirthaḿ bhramanti támasáh janáh;
Átmatiirthaḿ na jánanti kathaḿ mokśa varánane.
[Aqui está um lugar de peregrinação, ali está outro. Pessoas de natureza estática vagueiam de um lugar para outro. Mas sem encontrarem o verdadeiro local de peregrinação dentro de si mesmas, como é que elas alcançarão a salvação?]
“Ó Párvatii! As pessoas, os aspirantes espirituais, movem-se em busca de Deus para tantos e tantos tiirthas, mas elas não sabem do tiirtha interno [14] no qual o Senhor está escondido.” Portanto, Dharmasya tattvaḿ nihitaḿ guháyáḿ – “A essência do dharma está escondida no seu sentimento de ‘eu’ dentro de vocês.”
E mahájano yena gatah sa pantháh [“o caminho percorrido por pessoas realizadas é o verdadeiro caminho”]. Mahájana significa uma pessoa prática – quer dizer, não é um teórico mas alguém que realmente tentou materializar, ou melhor, que materializou o conhecimento em ação.[15] Tais pessoas são chamadas de mahájanas. Um sádhaka, um aspirante espiritual, não deve tentar entrar em contato com teóricos, não deve tentar seguir teóricos. Ele deve tentar seguir pessoas práticas, ele deve seguir os mahájanas que experimentaram o Eu supremo, o patamar supremo, em suas vidas práticas. Vocês devem ser pessoas práticas, e vocês devem seguir os aspirantes práticos.
Vocês devem seguir os mahájanas e [...] esses mahájanas são a vanguarda da espiritualidade, eles são os pioneiros da espiritualidade. Vocês têm que se mover ao longo do caminho deles. Esse caminho é a abordagem subjetiva. Nessa abordagem, enquanto estão movendo-se ao longo do caminho da subjetividade suprema, vocês não devem ser negligentes com o mundo. Vocês devem servir a todo e cada objeto do universo atribuindo a condição deNáráyańa [16] aos mesmos. Vocês encontram-se em meio a tantas e tantas diminutas expressões de Náráyańa. Toda e cada expressão é Náráyańa em uma forma particular, é Náráyańa em um formato particular, é Náráyańa em um estilo particular. Vocês devem serví-las, e esse serviço a Náráyańa em forma humana é o ajustamento objetivo de vocês; e o movimento de vocês em direção ao Supremo Puruśa Não-atribuicional [17] é a abordagem subjetiva de vocês.
* * *
Título Original: “Fighting at Each and Every Step”
Fonte: Edição Eletrônica das Obras de P. R. Sarkar – versão 7.5 (em inglês).
Publicado em: Ánanda Vacanámrtam Part 34 (Obra ainda não publicada no Brasil.)
Tradução e Notas: Mahesh – Florianópolis(novembro de 2012; abril de 2013)
[1] Nota dos Editores (N.E.): Um nome popular da Índia; também um nome de Krśńa enquanto rei da Índia.
[2] Nota do Tradutor (N.T.): Culto significa aqui “um processo psíquico prático”.
[3] N.T.: Este discurso foi gravado em fita cassete e o texto em inglês é resultado da transcrição da gravação em fita. Neste ponto, como em diversas outras partes do texto, uma ou mais palavras, e em alguns pontos até mesmo séries de frases inteiras, encontram-se inaudíveis na gravação. Como essas lacunas parecem não ter sido extensas a ponto de prejudicar o sentido geral do discurso, e para poupar os leitores dessas notas em particular, vamos nesta versão em português omitir as notas dos editores da versão inglês indicando o local e extensão dos trechos inaudíveis. No ponto do texto em que estavam situadas a numeração dessas notas vamos colocar a marca “[...]”, mas serão mantidas as notas que têm maior relevância para o conteúdo do texto.
[4] N.T.: Sádhaná significa, neste contexto, o processo de percorrer ou completar o caminho espiritual; de atingir a realização espiritual. Portanto, significa “prática espiritual”.
[5] N.T.: Essas forças são também denominadas pelo autor de Vidyámáyá e Avidyámáyá, respectivamente, significando a força da introversão e a da extroversão. Elas são “inimigas”, estão em oposição, mas não são essencialmente diferentes, pois são ambas diferentes expressões dePrakrti, ou de Máyá, o Princípio Operativo.
[6] N.T.: Paramátman significa a “Alma Suprema”.
[7] N.T.: “Ponto Final” é uma tradução para o termo que o autor usa em latim, Terminus.
[8] N.T.: O autor está sugerindo uma posição filosófica tal como a defendida pelo filósofo Shankaracarya na sua doutrina de Máyáváda (Doutrina da Ilusão), cuja principal proposição, segundo o autor, é:
Brahma satyaḿ jaganmithyá jiivah Brahmaeva náparah – “Somente Brahma é real; jagat [a criação, ou o universo] é falso ou ilusório; todos os jiivas [seres unitários] não são nada mais que Brahma.” [Fonte: “Vraja Krsna and Vishuddha Advaetavada – 1 (Discourse 10)”. Namámi Krśńasundaram.]
É de se salientar aqui que o termo Brahma é usado em sentido bastante diferente do que o usado pelo autor: como um equivalente ou sinônimo do termo Shúnya, conforme usado pela doutrina Shúnyaváda, uma linha filosófica do budismo Maháyána a qual, segundo o autor, “era um tipo de nihilismo”. Ainda conforme o autor, súnya significa literalmente “zero” e designaria também um estado de vacuidade mental ou ainda, conforme certa interpretação, “uma representação simbólica da ausência de quaisquer conceitos”. [Fonte: “Káliká to Káliuṋga (Discourse 24)”. Shabda Cayaniká Part 4.]
[9] N.T.: Dharma significa a essência ou característica básica, aquilo que sustenta a existência de uma entidade. Nesta citação, a referência é ao dharma humano, que tem como sua meta suprema alcançar a realização suprema ou espiritual.
[10] N.E.: Diversas frases aqui, ainda que não estejam plenamente audíveis, claramente dão exemplos de discrepâncias entre as escrituras.
[11] N.E.: Parte da frase seguinte estava inaudível na fita. As palavras “...épocas [times, no original]... Parasara Saḿhitá” podem ser reconhecidas.
[12] N.E.: Uma frase aqui, ainda que não completamente audível, claramente é uma lista das diferentes escolas.
[13] N.E.: Outro significado aqui estava inaudível na fita. (N.T.: Mas é retomado pelo autor logo a seguir.)
[14] N.T.: O autor fala, em inglês, de “I-tiirtha”, que se poderia traduzir literalmente como “eu-tiirtha”.
[15] Uma frase aqui, ainda que não completamente audível, parece dizer que essa materialização do conhecimento em ação não deveria ser entendida como significando poder oculto.
[16] N.T.1: O termo Náráyańa significa a Entidade Suprema. Conforme o autor:
A palavra “Náráyańa” vem do sânscrito. É uma palavra composta: nára + ayanan. Em sânscrito a palavra “nára” tem três significados. Um dos significados de nára é “niira”, “água”; outro significado é Paramá Prakrti [o Princípio Operativo Cósmico]; e o terceiro significado é “devoção” (bhakti). [...] E “ayana” significa ashraya [abrigo]. [...] Náráyańa significa o ayana de nára, o ayana do Princípio Operativo, o ayana de Paramá Prakrti. Quem é o ayana, o abrigo de Nára? Parama Puruśa [Consciência Cósmica] é o abrigo deParamá Prakrti. Portanto, Náráyańa significa Parama Puruśa – a Consciência Cósmica, a Faculdade Cognitiva. [Fonte: “Interpretation of “Ráma” and “Náráyańa”. Ánanda Vacanámrtam Part 2.]
N.T.2: No original em inglês a expressão é “Náráyańa-hood”, que se poderia traduzir ainda como a qualidade, propriedade ou característica deNáráyańa, ou ainda como Náráyańa-lidade – ou talvez com uma formação mais correta, como “Náráyańidade”. Ou seja, no sentido de que todos os objetos são, em essência, Náráyańa ou Consciência Suprema – ainda que pareçam não ser na medida em que a diversidade de objetos deriva de a Faculdade Cognitiva nos mesmos estar sujeita aos atributos de Prakrti. Entretanto, trata-se de uma abordagem psicológica – em realidade, de uma prática espiritual – em que a pessoa busca lidar e entrar em contato com a essência comum a todos os objetos, em vez de lidar com a aparente e costumeira diversidade que se associa ou atribui aos mesmos, o que implicaria reforçar a percepção dessa diversidade em vez do contato com a unidade subjacente à mesma.
[17] N.T.: Na filosofia do autor, o universo criado é resultado da interação do Princípio Operativo (Prakrti) e da Faculdade ou Princípio Cognitivo (Puruśa – a Consciência). Assim, todas as entidades criadas são basicamente constituídas de consciência qualificada ou limitada pelos três princípios qualificadores ou atributos que coletivamente são chamados de Prakrti. Entretanto, afora uma porção da Consciência Cósmica que é assim qualificada, o todo permanece livre da influência do Princípio Operativo; é a essa entidade transcendental que o autor se refere com “Puruśa Não-atribuicional”.
Em consonância com a explicação do autor sobre o termo Náráyańa (vide nota anterior), entende-se que Prakrti (i.e, Nára), apesar de qualificar ou submeter parte da consciência a seus atributos, em verdade está “abrigada” na própria Consciência Cósmica – ou seja, é parte dela e antes de começar a qualificar a consciência não tem influência sobre ela: os atributos de Prakrti estão subordinados à Consciência Cósmica Não-atribuicional.
15/04/2013
09/04/2013
07/04/2013
28/03/2013
21/03/2013
Prańipátena, Pariprashnena e Sevayá
Shrii Shrii Anandamurti
25 de julho de 1980
Udaipur, Índia
Sevá
A própria existência dos seres humanos é uma existência tríplice. O corpo de vocês, que consiste dos cinco fatores primordiais [1], é uma camada. A mente de vocês, que pode ser chamada de ser ectoplásmico de vocês, é outra camada. E então há a alma de vocês – que também é outra camada. Assim, o que quer que vocês venham a expressar estará circunscrito a esses três níveis.

Agora, vamos olhar a estrutura física ou organismo de um ser humano.
O corpo humano é uma máquina.[2] Esse organismo consiste de ossos, carne, glândulas e veias.[3] O corpo humano é realmente uma grande máquina que consiste na combinação desses elementos.
Então, trata-se de uma máquina muito boa – uma máquina de primeira categoria. O corpo humano é uma máquina classe A. Vocês não conseguirão encontrar nenhuma outra máquina como essa no mundo. A habilidade artística sutil revelada nessa máquina é algo único.
Vamos assumir que essa máquina é notável. Mas se nós não a operarmos, ou se óleo e eletricidade não forem fornecidas a ela, então qual será o resultado final? A máquina vai ficar inutilizável; ela irá enferrujar. Similarmente, se alguém dotado com um corpo humano não utilizá-lo apropriadamente, mas desperdiçar o seu tempo comendo e dormindo, então qual será o resultado final? O corpo irá enferrujar. E quando uma máquina enferruja, surgem muitos tipos de doenças.
Além disso, existe outro ponto. O corpo mecânico, com sua natureza quinquelementar, – esse corpo físico composto dos cinco elementos rudimentares – contém um certo número de veias e artérias, células nervosas e fibras nervosas, o cérebro etc. Ainda que esses [elementos] sejam densos, no mundo sutil eles estão relacionados com a mente. O que quer que a mente sinta ou expresse, tudo é realizado pelos nervos. Todos esses nervos, por sua vez, são controlados pelas glândulas mestras, subglândulas, células nervosas e pelo cérebro. Isso, entretanto, não é tudo. Todos os vrttis [propensões] da mente humana (cinquenta propensões primárias e mil propensões secundárias [4]] dependem, em suas atividades, da capacidade do corpo. Os braços e pernas precisam fazer trabalho; todas as partes do corpo devem ser utilizadas adequadamente; vocês deveriam realizar trabalho com elas, trabalho duro – isso é uma necessidade. Do contrário, a secreção hormonal das glândulas e subglândulas [endócrinas] ficará prejudicada. E a hiperatividade ou hipoatividade das propensões são causadas pela secreção hormonal. Na verdade, se a secreção não for apropriada, se ela for excessiva ou escassa, poderá haver uma reação adversa no corpo e na mente humanos. É por isso que vocês deveriam ficar atentos em cuidar para manter o corpo de vocês preparado para trabalho duro. Vocês terão de realizar trabalho com a máquina corpórea de vocês. Essa máquina deveria ser sempre mantida em perfeitas condições de funcionamento.
Nós obtivemos essa estrutura física [humana] para trabalhar, não para o descanso ininterrupto. Mas assim como se deve deixar uma máquina descansar depois de um dia de trabalho duro, também o corpo humano, quando fica exausto após um dia de trabalho duro, precisa descansar para recompôr-se e recomeçar de novo com energia renovada. É apenas por essa razão que o organismo humano precisa de descanso: não para um tempo livre prolongado, mas para que depois se possa de novo trabalhar duro. Além disso, deveria-se manter em mente que as partes mais sutis deste corpo com o qual trabalhamos – tais como as células nervosas, as glândulas e as secreções hormonais –, ainda que sejam densas, estão relacionadas ao sutil.
A mente também está intimamente ligada com essas partes. Portanto, aqueles que dizem que não há necessidade de se fazer trabalho físico e defendem que se faça apenas meditação espiritual, adorações etc. não estão certos. O que acontecerá se o corpo físico não for devidamente utilizado? O corpo irá quebrar; e por conseguinte a mente também será afetada de forma negativa. Agora há pouco eu disse que às vezes as glândulas [endócrinas] não são adequadamente exercitadas e que a secreção hormonal das glândulas e subglândulas [endócrinas] não é correta; nesse caso, que medidas deveríamos tomar?
Bem, nós vamos ter que trabalhar. As pessoas deveriam dedicar-se ao karma yoga. [5]
Por que é que se chama isso de karma yoga?
Façam com que as suas mentes fiquem saudáveis através do trabalho físico. Se vocês direcionarem a mente de vocês para Paramátmá [a Alma Suprema], ela se unificará com Paramátmá. É por isso que se denomina de karma yoga.[6] Com relação a isso as escrituras dizem: Sevayá.
Prańipátena pariprashnena sevayá.[7] Os seres humanos têm que se mover em frente sem parar. Foi indicado que a existência humana é tridimensional ou tridirecional. Por exemplo, um fazendeiro ara a terra – ele faz isso com o corpo físico denso dele. Ou, de novo, um ferreiro bate com um martelo – isso também é trabalho físico. Mas esses tipos de trabalho físico não são parte da dharma sádhaná [prática espiritual]. Somente aquele tipo particular de trabalho físico que é realizado como parte das atividades espirituais pode ser considerado como sevá – quer dizer, satisfazer Parama Puruśa [a Consciência Suprema] usando seu corpo físico para realizar serviço social.
O serviço social é possível de várias formas. Educar, dar assistência à saúde, alimentar os pobres etc. – o serviço pelo bem-estar da sociedade pode ser feito, e é feito, de todas essas formas. Utilizem o seu corpo em tais trabalhos; utilizem a sua mente; utilizem seu corpo e a sua mente ao máximo. Isto é chamado de sevá; isto é chamado de karma yoga. Atualmente temos carência desse tipo de karma yoga. Mas qual é exatamente o benefício do karma yoga? Ele irá nutrir aquela parte da sua mente que está conectada com o seu corpo. Existe um benefício duplo no karma yoga: de que desse modo não somente se presta serviço social ao mundo, mas também o seu desenvolvimento individual é promovido.
Pariprashna
A mente humana nunca pára ou fica estática. Ela sempre está envolvida em pensar numa coisa ou noutra; não é possível esvaziar a mente completamente.Sarvacintá parityágo nishcinto yoga ucyate [“Quando a mente fica completamente livre de pensamentos, quando a mente fica completamente sem pensamentos, esse estado mental é chamado de yoga”] – do ponto de vista da psicologia aplicada, essa idéia é defeituosa. A mente tem de ter ao menos algum conteúdo; sempre tem de haver uma contra-parte objetiva da mente. Então, se uma pessoa não tem a oportunidade de entrar em contato com o mundo sutil, a sua mente naturalmente irá se voltar para o mundo quinquelementar, o mundo material. Pensamentos relacionados ao mundo quinquelementar, entretanto, nem sempre são sutis ou nobres. Nesse caso, o que deveríamos fazer? Motivados por um auto-interesse medíocre, nós nos envolveremos em atividades indesejáveis, e como consequência teremos de passar por uma decadência. Por esse motivo, nossas mentes têm que ser supridas com algum pabulum [8] sutil.
Então, o que as pessoas deveriam fazer? Elas têm que se mover adiante no caminho da síntese, ao invés de no da análise. A fonte do progresso mental não está no esforço de dividir o uno em muitos, e sim em unificar muitos em um. Esse empreendimento, essa abordagem sintética, essa perspectiva integral, é chamada depariprashna nas escrituras.
Prashnas [perguntas] são de dois tipos.
Um tipo é fazer uma pergunta simplesmente para saber. Mas qual é o benefício de simplesmente perguntar para saber? Depois de muito trabalho e pesquisa, vocês ficaram sabendo que neste distrito de Udaipur existe um tal número de formigas. Mas, no fim das contas, como é que esse conhecimento pode beneficiar vocês? Existe algum benefício? Não, não existe nenhum benefício. Qual é a utilidade de as pessoas saberem o número de formigas em Udaipur? Mas, tendo utilidade ou não, certamente isso exigiu um bocado de trabalho.
Isso, entretanto, não é pariprashna. Perguntar “Quantas formigas existem em Udaipur?” apenas para saber não pode ser chamado de pariprashna. Por outro lado, se você disser: “Minha mente está muito agitada; por muito tempo eu quis praticar meditação e concentração, mas não consegui; qual é a técnica certa?” – isto épariprashna. Assim que você conseguir uma resposta a essa pergunta, você começará a trabalhar de acordo.
A Deusa do Sono
Agora que eu vejo que alguns de vocês estão ficando com sono, eu me lembro de uma história. É uma história mitológica. Ela conta que enquanto Rama e Laksmana estavam vivendo exilados na floresta, o dever de Laksmana era ficar todo o tempo vigiando – o que se chama de “dever de segurança”. Mas um dia ele foi vencido pelo sono e seus olhos se fecharam. Ele ficou furioso e, agarrando seu arco, lançou um ataque contra a deusa do sono. Ao recuar, a deusa do sono perguntou a Laksmana: “Que tipo de herói é você, apontando as suas flechas contra uma mulher indefesa? Isso vai te dar mais prestígio? Que vergonha!”
Laksman respondeu: “Eu estou há catorze anos em exílio aqui na floresta e o dever de segurança é a minha tarefa sagrada. Como é que eu posso ficar sonolento? Você pode voltar daqui a catorze anos.”
Por então a deusa do sono concordou, dizendo: “Está bem, que assim seja.”
Por fim o período de exílio de Rama e Laksmana acabou. Eles voltaram para Ayodhya. A cerimônia de coroação de Rama estava em andamento e Laksmana estava de pé ao lado de Rama, com a maior das devoções, abanando-o com um cámara [leque cerimonial]. Então, como os catorze anos estipulados chegaram ao fim, a deusa do sono novamente fez a sua aparição; e as pálpebras de Laksmana se fecharam de sono. Todas as pessoas presentes começaram a rir com essa cena. Visivelmente irritado, Laksmana bradou: “Ó deusa do sono! Você veio justo agora! Você não tem bom senso! A cerimônia de coroação de Ramchandra está acontecendo e eu fiquei confiado com uma tarefa especial – você não consegue ver isso?”
A deusa do sono argumentou: “Você mesmo me disse para vir depois de catorze anos.”
“Mas não agora”, protestou Laksmana.
Entretanto, a deusa do sono continuou insistindo: “Mas eu agora eu vim com toda minha energia. Onde é que eu posso ir agora?”
Laksmana respondeu: “Veja se você não consegue encontrar alguma pessoa pecadora que está assistindo algum discurso religioso, então vá e sente-se nas pálpebras dessa pessoa.”
De qualquer modo, no decorrer da nossa discussão sobre pariprashna, eu estava contando a vocês sobre técnicas de meditação e concentração, e como se pode fazer progresso nas práticas espirituais; essas perguntas não são perguntas sem sentido. As pessoas entram em ação de acordo com as respostas que elas encontram para essas perguntas. Isso explica por que pariprashna é uma necessidade. Ela é necessária para o desenvolvimento mental e para o progresso mental.
Prańipáta
E qual é a terceira coisa? Prańipátena pariprashnena sevayá. Pariprashna, como eu disse, é basicamente uma cultura intelectual. Assim como karma yoga é necessário para a saúde – como eu expliquei –, jiṋána yoga [9] é necessário para a realização intelectual.
Pariprashna irá melhorar a nossa cultura intelectual. Mas que tipo de conhecimento será cultivado assim? Será o tipo de conhecimento que irá ajudar vocês a avançarem no caminho do progresso. Esse conhecimento não é um conhecimento árido e seco – é um conhecimento prático. Através de pariprashna vocês gradualmente conseguirão enriquecer [seu estoque d]esse conhecimento. Vocês estão se movendo em direção a Paramátmá, movendo-se continuamente; a mente de vocês está ficando cada vez mais sutil; mas está faltando a concentração mental necessária para o progresso. É verdade que vocês estão se movendo para cada vez mais perto de Paramátmá; mas se não houver amor profundo e devoção por Paramátmá, como é que vocês conseguirão superar completamente a distância? Vocês terão de ficar a uma certa distância Dele, ou terão de interromper a jornada de vocês. Nessa situação, o que vocês deveriam fazer? A mente já ficou concentrada em certa medida através de pariprashna; agora vocês terão de fazer com que essa mente concentrada mova-se em frente até o destino final, atéParama Puruśa.
E qual é o melhor método de fazer com que a mente se mova em direção a Parama Puruśa?
O melhor método é a entrega completa a Ele [10]. Portanto, entreguem-se completamente com todas as suas capacidades e propensões perante o Ser Supremo; ofereçam o seu eu inteiro a Ele. Isto é prańipáta.
Pra – ni – pat + ghaiṋ = prańipáta. Prańipáta significa oferecer-se aos pés divinos de Parama Puruśa. Prańipáta também é conhecido como bhakti [devoção].
Ananyamamatá Viśńormamatá premasaḿgatáh – “Deveríamos nos mover adiante não em direção a objetos de apego mundano e sim em direção de Parama Puruśa, em direção de Viśńu.[11] ” Quando se conseguir estabelecer um apego completo e de todo coração por Viśńu, isso é chamado de bhakti. Bhaktir Bhagavato sevá bhaktih prema svarúpińii [“Bhakti é serviço a Deus; bhakti é a forma que o amor divino assume”]. Qual é a coisa que é da máxima necessidade para o progresso espiritual? A coisa mais importante requerida para o progresso espiritual, para a unificação do eu individual com Paramátmá, é bhakti.
Portanto, vemos que três coisas são muito preciosas na vida humana. E do que se necessita para que aconteça a unificação com Paramátmá no estágio final? Debhakti. E a respeito de karma yoga e jiṋána yoga? Elas são fases preparatórias necessárias para bhakti. Vocês têm de praticar karma yoga e jiṋána yoga. Através dessa prática vocês por fim irão se estabelecer em bhakti. Assim que vocês estiverem se estabelecido em bhakti, tudo será de vocês; vocês não terão mais nada por alcançar.
* * *
Título Original: “Prańipátena Pariprashnena Sevayá”
Fonte: Edição Eletrônica das Obras de P. R. Sarkar – versão 7.5 (em inglês).
Publicado em:
Ánanda Vacanámrtam Part 20
(Obra ainda não publicada em inglês.)
Discourses on Krśńa and the Giitá [compilação]
(Obra ainda não publicada no Brasil.)
Tradução e Notas: Mahesh – Florianópolis
(5 a 7 de março de 2013)
[1] Nota do Tradutor (N.T.): Que o autor também denomina de cinco fatores fundamentais, ou ainda cinco elementos rudimentares (como o autor falará mais adiante), a saber: os fatores etéreo, gasoso, luminoso, líquido e sólido.
[2] N.T.: Essa comparação ou identificação do corpo com uma máquina pode vir a ser interpretada de modo distinto do pretendido pelo autor – talvez especialmente quando entendida em relação a um pano de fundo filosófico de materialismo ou reducionismo, o qual certamente não corresponde à posição do autor.
[3] N.T.: Sem dúvida o autor está simplificando a exposição a respeito dos elementos componentes do corpo, provavelmente para ser didático e poder chegar mais facilmente ao ponto que visa apresentar.
[4] N.T.: Em outros discursos o autor explica que os 50 vrttis ou propensões mentais podem ser expressados com relação a cada um dos 10 órgãos sensores e motores, e que essa expressão pode ser tanto interna quanto externa, donde tem-se: 50 x 10 x 2 = 1000 propensões secundárias, controladas pelo sahasrara chakra (cujo nome deriva justamente desse número 1000).
[5] Nota do Editor da versão em inglês (N.E.): A prática espiritual que enfatiza a ação altruísta. [N.T.: Explicação originalmente entre colchetes no texto em inglês; colocada aqui como nota de rodapé.]
[6] Nota do Tradutor da versão em inglês (N.T.i).: Karma significa “ação” e yoga significa “unificação” da alma unitária com a Alma Suprema.
[7] N.T.i: [Citação do] Bhagavad Giitá.
[8] N.T.: Termo em latim que significa uma substância ou algo que alimenta e nutre. Ou seja, refere-se a um “alimento” (em sentido literal) para o corpo ou (em sentido figurado) para a mente. O termo deriva do verbo latim pascere, “alimentar”.
[9] N.E.: A prática espiritual que enfatiza a discriminação ou entendimento intelectual. [N.T.: Explicação originalmente entre colchetes no texto em inglês; colocada aqui como nota de rodapé.]
[10] N.T.: Em inglês o pronome é Him, “Ele”. Poderia ser traduzido como “Ela” tendo em vista a concordância com “a Consciência Suprema” (tradução de Parama Puruśa). Mas traduziu-se aqui como “Ele” para manter concordância com “o Ser Supremo”, que aparece logo em seguida no mesmo parágrafo.
[11] N.T.: Em outros discursos o autor explica esse termo:
“O significa derivativo de Viśńu é ‘todo-pervasivo’, i.e., a entidade que permeia tudo, desde moléculas e átomos até o grande criador Brahmá, é Viśńu.”
[“Bhakti and Krpá”, c. 1969.]
“A raiz verbal sânscrita ‘vish’ significa ‘entrar’. Parama Puruśa é chamado de Viśńu em sânscrito (viś + nu) porque Ele é a entidade que se encontra escondida em todas as outras entidades.
[...]
A entidade que permeia o universo inteiro é Viśńu. Portanto, pessoas inteligentes e ponderadas jamais odeiam objeto algum. Elas olham para todo e cada objeto como uma manifestação de Viśńu.”
[“Ideation on Brahma”, 1970.]
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