06/09/2008

O ESTADO INANIMADO NA FILOSOFIA DO NEO-HUMANISMO

            O neo-humanismo abrange não apenas os seres humanos e as criaturas animadas como as plantas e os animais, mas também todas as entidades inanimadas, pois a esfera do neo-humanismo se estende até a menor partícula da matéria subatômica.

            O que é o neo-humanismo? É o humanismo explicado de uma nova forma. “Humanismo” e “Humanidade” têm sido palavras muito populares neste último século, e no seu âmbito encontram-se somente os seres humanos. Mas esta interpretação não é o suficiente – não pode saciar a sede da sociedade humana desenvolvida. Por que o amor deveria se restringir apenas aos seres humanos? Por que não deveria incluir todos os seres vivos, inclusive as plantas? Esta é a nova interpretação do humanismo – o neo-humanismo – pois no âmbito do neo-humanismo todo o mundo animado está incluído.

            Mas qual é a posição do ser inanimado no neo-humanismo? Fundamentalmente quase não há nenhuma diferença entre o mundo animado e o inanimado. Algumas pessoas explicam que quando existe movimento dentro da estrutura, ela é animada. Se for o contrário, ela é inanimada. Porém isso não é o suficiente, porque existe dinamismo dentro dos objetos tanto animados quanto inanimados.

            Outros dizem que o ser é animado quando o movimento interno dinâmico se origina na mente unitária. De outra forma ele é inanimado. Mas esta também não é uma interpretação perfeita.

            Mesmo dentro de objetos inanimados tão minúsculos quanto o átomo ou partículas menores existem partículas ainda menores que mantém a sua unidade estrutural e a sua luta contra as suas tendências fissíparas internas e externas.

            Se dessa maneira a esfera do neo-humanismo for estendida da análise extensiva para a intensiva, então, poderemos ir mais a fundo na matéria. Não apenas nas estruturas inteiras, tanto animadas como inanimadas, mas também dentro das partículas estruturais menores e mais sutis (as partículas subatômicas essenciais). E, dentro dessas partículas aglomeradas, onde o ponto é nada (nadir, em sânscrito) esse corpo estrutural é uma camada perfeita. Porém essa camada perfeita pode ser alcançada apenas teoricamente, nunca na prática.

            Portanto, no neo-humanismo o nosso movimento, o nosso progresso, deve ser não apenas extensivo – isto é, abrangendo em todo o mundo animado – mas também intensivo, um movimento interminável do mundo imperfeito do humanismo para o mundo perfeito do corpo estrutural unitário, para a fase primordial e original da perfeição.

            E, esse dia glorioso por certo chagará, dia em que o estado perfeito da estrutura, quer dizer, o estado da existência unitária dentro do mundo intra-atômico será alcançado, quando a intuição humana compreenderá que a essência do mundo subatômico é Consciência pura.

P.R.SARKAR (Abhimata, 5/95 – Ánanda Nagar, 31/05/1983)