09/11/2008

UMA VIDA IDEAL

Eu já expliquei como um aspirante espiritual deve se conduzir. Um Sádhaka ou aspirante espiritual deve viver com mente corretamente ajustada ao mundo relativo. Ao mesmo tempo ele deve cumprir bem com as suas obrigações relativas ao mundo espiritual. Em outras palavras, deve existir uma abordagem subjetiva através de um ajustamento objetivo.


Os seres humanos não devem esquecer que suas vidas é um fluxo ideológico. Eles têm-se conduzido nessa direção desde a antigüidade e, no processo desse movimento, chegaram ao estágio atual da humanidade. No processo desse movimento eles tiveram que passar através de vidas de inumeráveis vermes e insetos, aves e animais etc. Eles tiveram que sofrer infindáveis provações e tribulações, inumeráveis torturas e humilhações. Tome como exemplo o caso de uma cabra. A cabra passa a sua vida comendo pasto. Um dia um açougueiro se apossa da cabra, a mata, tira sua pele e vende a carne no mercado. Talvez a cabra tivesse que passar por uma vida dolorosa como essa. Mas hoje ela esqueceu esse fato; e, assim, no processo evolutivo gradual, a antiga cabra chegou ao estágio de um ser humano. A vida humana é mais segura do que a vida animal. Um animal passa a sua vida na floresta com medo constante de outros animais poderosos. Ele vive sob a ameaça constante de que, a qualquer momento, outro animal poderoso saltará sobre ele e o matará. Muitos animais silvestres buscaram refúgio com os seres humanos somente para se livrarem dessa psicologia do medo e da falta de segurança. Os seres humanos, por sua vez, fornecem a eles pasto verde e outros tipos de ração. Mas, todo o tempo, aguardam uma oportunidade para matar o animal sob sua custódia. Esta foi a coisa principal em suas vidas. Um animal coloca total confiança nos seres humanos. Até o último momento, antes de sua morte, ele confia nos seres humanos. Mas quando os mesmos seres humanos, em que eles confiaram, se adiantam para abatê-los, eles compreendem que esses seres humanos, a quem aceitaram como amigos, não o são de forma alguma. Pelo contrário, são seus inimigos.
Por todo o tempo, os seres humanos lhes alimentou com todos os tipos de rações apenas para matá-los e, no tempo certo, ter a sua carne. Portanto, a amizade e a afeição que os humanos têm pelos animais é uma coisa puramente externa, uma coisa muito superficial. Não é um amor genuíno, uma atração genuína. Esta é a grande praga da vida animal.
Todo ser humano teve que passar por uma longa série de vida animais. Os seres humanos devem lembrar-se de que eles também tiveram que passar por inumeráveis vidas dolorosas. 
Devemos sempre nos lembrar de não sermos a causa do sofrimento e da miséria daqueles animais que buscaram a nossa proteção. Uma mulher que já sofreu bastante tortura e humilhação de seu sogro deve ser suficientemente cautelosa para que sua nora não venha a receber o mesmo tipo de tratamento severo. As pessoas devem manter uma atitude bondosa em relação aos animais domésticos. Eles devem continuar a realizar as obrigações para eles designadas no mundo e sempre permanecer cautelosos para que não venham a causar problemas e dificuldades desnecessárias aos outros. É dessa maneira que o direito especial dos seres humanos merecerá respeito na esfera mundana. Eles devem providenciar para que os seus semelhantes disponham sempre de alimento, roupa, moradia etc. “Eu não explorarei ninguém nem permitirei que ninguém me explore.” Este é o espírito inerente ao ajustamento objetivo. Em outras palavras, a pessoa deve manter relacionamento apropriado com o mundo externo e, ao mesmo tempo, deve cumprir as obrigações que lhe são atribuídas. E, enquanto mantém esse ajuste no mundo externo, ela deve seguir adiante no caminho da vida. Mas ela não deve se esquecer de que a sua existência não é somente para este mundo físico. Somente a existência animal é apenas para o mundo físico. O animal tem que continuar sua constante luta pela sobrevivência. Um animal que vive na selva está constantemente com medo dos tigres e dos leões, dos ursos e dos elefantes, dos vermes e dos insetos, das cobras e dos répteis e uma hoste de outras criaturas terríveis. Certos animais, como as cabras, as ovelhas, as vacas etc., se entregaram aos seres humanos. Outrora eles viviam com um medo constante dos seres humanos que tentavam matá-los. Naturalmente, era difícil haver qualquer segurança na vida animal. Na vida humana existe mais segurança do que na vida animal.
Agora, em relação ao ajustamento objetivo, as pessoas não devem ficar obcecadas com o fato de que elas ainda não foram capazes de construir um sistema social bem estruturado. Devemos nos esforçar, sem dúvida, para garantir as necessidades materiais relativas a alimento, roupa, moradia, tratamento médico etc. Mas tão logo uma sociedade ideal seja estabelecida, os seus membros não serão indevidamente incomodados. Na medida em que tiverem mais tempo à sua disposição, as pessoas terão maiores oportunidades para alcançar a elevação espiritual.
Com relação à abordagem subjetiva, a sua importância consiste em lentamente retirar a mente densa do mundo externo e imergi-la na mente sutil, e, então, imergir a mente sutil na consciência unitária. Finalmente, quando a mente unitária se unir à Consciência Suprema, então, os seres humanos serão considerados como os que alcançaram o Desideratum Supremo da vida. No mundo atual, os seres humanos estão externamente preocupados com o ajustamento objetivo. Eles dificilmente podem dispor de tempo livre para o seu progresso espiritual. Esta é a maior das tragédias do mundo atual. É por isso que eu os aconselho a construir uma sociedade humana sadia o mais cedo possível, para que assim cada ser humano consiga tempo suficiente e oportunidade para as práticas espirituais.
P.R. Sarkar (Patna, 02/01/1979)