26/12/2009

DEUS ESTÁ COM VOCÊ

Vocês todos sabem que Paramapurus'a é o que há de mais íntimo em vocês. Ele está tão perto que nada pode estar mais perto. Assim como Paramapurus'a está em todo lugar, Ele está também no ponto mais distante de você. Se você sente que Ele está longe de você, Ele fica tão distante que você nem pode medir a distância.
Se você sabe que Paramapurus'a é grande e vasto, Ele aparece tão imenso e enorme que você ficará espantado. Ele aparecerá tão resplandecente que seus olhos fecharão ante Seu olhar. Ele é o Criador deste universo revelado. Mas Ele está também no menor átomo deste universo. Se Ele não fosse tão pequeno, tão sutil, como Ele penetraria numa coisa tão pequena como um átomo? Ele aparece para você de acordo com seus sentimentos em relação a Ele. Se você é sutil, Ele está mais perto de você; se você é materializado, Ele está mais longe de você. Você sente se Paramapurusa está na índia ou na América? Ele está tão próximo, como em seus sentimentos e tão longe como num país distante. Quando você pensa que Ele está próximo Ele está mais perto do que aqui. Ele está tão perto que é difícil medir a distância. Você vai procurando-O nas cavernas do Himalaia e perambula aqui e ali, e Ele não está em lugar algum. Mas quando você se conscientiza de Sua presença, você descobre que Ele estava junto de você durante sua procura. Ele estava localizado em seu coração.

Ele compartilha suas alegrias e dores. Ele está com você em qualquer situação. Jamais Ele deixa você, mesmo quando todos os outros o abandonaram.
Todo ser Vivo é imortal. Você nasceu na eternidade e você está se movendo na imortalidade. Conseqüentemente, não há necessidade de ficar com medo, desesperado ou triste, em condição alguma.
Nunca pense que sua vida se tornou inútil. Está em suas mãos fazer sua vida ser útil ou desperdiçá-la. Se você está consciente de que Paramapurusa está sempre com você, de que Ele é a maior entidade e de que não ha nenhuma outra entidade que ame tão ternamente, você não terá motivos para sentir que sua vida se tornou inútil.
O que importa é a utilização da energia e não a possessão de uma capacidade não utilizada. Muitas pessoas têm complexo de inferioridade de diferentes tipos; elas pensam que não são instruídas. Como realizarão sua meta de vida?
É errado que presumir que por ler volumosos livros ou por proferir belas conferencias, pode-se alcançar Paramapurus'a. Nenhuma erudição, nem mesmo aptidão literária é necessária para se encontrar Deus. O futuro daqueles que não têm instrução também é brilhante.
O relacionamento de Deus com os homens é um relacionamento familiar. Quando os pais alimentam os filhos, não dão quatro fatias de pão ao filho que é Mestre em Artes e apenas uma ao filho seguinte, que está iniciando os estudos. Para os pais, todos os filhos são iguais. Similarmente, para Deus, todas as pessoas são iguais, quando Ele Sá o alimento espiritual. Realmente, o amor dos pais não depende do grau de instrução dos filhos, mas do apego dos filhos aos pais.
Os eruditos ou intelectuais têm uma desvantagem. Eles lêem teorias e filosofias diferentes e essas coisas criam conflito em suas mentes. Não são capazes de decidir se esta ou aquela filosofia é correta. Os não letrados, por outro lado, estão em melhor situação; andam pelo caminho espiritual com firmeza, impertubáveis pelas idéias conflitantes. O intelecto é incapaz de entender Paramapurus'a. Afinal, o intelecto é apenas uma criação do processo de pratisaincara (evolução), no qual a consciência se reconverte em mente, etc. a partir dos cinco fatores fundamentais dos quais ela havia se convertido anteriormente. Essa coisa criada -intelecto- portanto, não pode compreender seu Criador, o Ser Supremo. Os marionetes podem realizar qualquer jogo que o mestre queira que realizem, mas não podem controlar o homem que as manipula.
Da mesma forma, não se alcança a realização de Deus pelo simples ato de escutar. Algumas pessoas gostam de participar de muitas assembléias espirituais, mas o que ouvem entra por um ouvido e sai pelo outro e não leva à salvação. Entretanto, com relação ao Kiirtan e á lembrança de Deus é diferente. Neste campo, quer vocês pratiquem com fé e devoção, quer com aversão, de qualquer maneira os resultados são encorajadores. Mesmo quando vocês pensam em Deus como um inimigo, vocês estão envolvidos por Ele. De fato, nossa mente é mais ativa pela raiva e pelo ódio. Quando discutimos com alguém, continuamos pensando que na próxima vez que encontrarmos esta pessoa diremos isto e aquilo, etc. portanto, Deus será realizado se vocês O amarem ou se O odiarem. Rávana (o inimigo do Deus-rei-mitologico, Rama) estava pensando constantemente em Rama como seu inimigo e conseqüentemente, também alcançou a salvação através de Suas mãos. Mas a mera escuta das escrituras ou de palestras não conduzirá ao resultado desejado.
Outro ponto a lembrar é que a realização de Deus vem apenas para aqueles que Ele agraciou com sua compaixão. Vocês não devem sentir que já fizeram muito e que Deus lhes deve inundar com Sua Graça. Pelo contrário, vocês deveriam sentir que compete ao Senhor agraciar-lhes ou não. “Este meu corpo trabalhará como uma maquina até que Tu me agracies com amor”; este deveria ser seu sentimento. Se vocês se orgulham de suas ações, esse orgulho permanecerá como objetivo e a graça de Deus não virá. Para Ele todos são iguais. O virtuoso, o ladrão, o forte, o fraco, todos são indistinguíveis. Para a sociedade, as diferenças têm importância, mas não para Deus. Sua graça está chovendo sobre todos, mas, se você carrega um guarda-chuva de ego acima de sua cabeça, como irá se encharcar de Sua Graça? Cada um tem o direito de entrar no reino da Consciência Pura (Brahma loka); este é o direito inato de todos os homens. Ele é amável para com todos, em todos os momentos de suas vidas. Cada pessoa tem apenas que perceber essa amabilidade através da remoção de seu ego.

“Aquele que mendiga isso ou aquilo de Deus não é um devoto, porque quer serviço Dele. Devoto é aquele que pede a Deus para utilizar-se de seus serviços a Seus pés. Devoção é serviço a Deus.”

Por mais pecador que um indivíduo seja, no momento em que ele se entrega ao Senhor ele se torna um devoto - sua salvação está garantida. A pessoa a quem você está tentando alcançar, Paramapurus'a, é seu próprio Ser Interior. Seu relacionamento com Ele não é externo nem pode ser definido pelas cortes, leis ou sociedade. É um relacionamento familiar. O desejo de encontrar Deus não é um assunto unilateral. É algo recíproco. Você dá um passo em direção a Ele e Ele dará vinte em sua direção.
Quando uma criança começa andar, ela o faz a pedido ou insistência do pai. Tenta andar, mas cai. Então o pai avança e a carrega no colo. Assim também, Deus. Faça os menores esforços e Ele o levantará e o carregará em Seu colo. Seu relacionamento com Deus é pessoal. Ninguém pode romper este relacionamento. É parte de seu ser, seu direito de nascença.
Há um verso famoso nos Upanisáds (escrituras espirituais) que diz que não se pode alcançar Paramapurus'a, a menos que seja forte e cheio de energia. A palavra bala significa a força espiritual que funciona na base de um ser vivo. Na linguagem popular, todavia, bala significa “capacidade”. Depende da extensão em que o indivíduo faça uso de sua energia espiritual, psíquica e física. Uma pessoa pode ter uma grande capacidade, mas enquanto não a utilizar, esta não será útil para a realização de Deus. Bala, portanto, depende da extensão do uso da capacidade individual.
Quando a ponte divina foi construída por Ráma para cruzar o oceano, Hanumán, o macaco gigante, trouxe montanhas, mas o esquilo trouxe somente pequenos seixos. Ambos eram igualmente fortes e cheios de energia, pois cada um estava trabalhando com toda a sua capacidade. Assim, até mesmo um homem comparativamente mais fraco pode tornar-se balván (forte) utilizando a pequena energia que tem. Qualquer energia que você tenha, utilize-a para sádhana e serviço e você será, então, o balván, capaz de alcançar Paramapurus'a. Nenhum de vocês precisa, portanto, se desesperar. Todos têm os recursos necessários para alcançar o Todo Poderoso.
A utilização da energia deve ser na direção correta. Se você tem que se dirigir para o Leste e você começa a ir para o Oeste, essa ação será considerada insana. A Ánanda Márga tem o meio correto através de abordagem subjetiva e do ajustamento objetivo. Enquanto os seguidores de Ánanda Márga mantém seus olhos firmes no Absoluto, não ignoram esse mundo relativo. Eles trabalham para a auto-realização e para a melhoria social e, assim, a utilização de sua energia nunca é em vão. Quando o esforço for correto e sua utilização adequada, vocês certamente atingirão a meta. Eu não quero que vocês esperem vida após vida para alcançar sua meta. Vocês devem realizar sua meta nesta vida. Porque vocês deveriam perder um precioso momento desta vida? Portanto, não temam! O sucesso é seu. Continuem fazendo o esforço correto!
O objetivo primário de todo aspirante espiritual não é, ele próprio, desfrutar o néctar da devoção, mas distribuí-lo ao seu redor. Ele fica ávido por dividir com os outros a bem aventurança que desfruta.
Antigamente, havia um determinado devoto que costumava ir de um lugar para outros distribuindo bem aventurança da devoção. Seu nome era Nárada. Uma vez, ele perguntou a Paramapurus'a: “Senhor, todos os eruditos e filósofos dizem que Tu és onisciente, mas as pessoas não sentem Tua presença em todo o lugar. Qual é o local, portanto, em que Tua presença pode ser mais sentida? Qual é o local que Tu consideras o mais querido?”
O Senhor respondeu:” É verdade que estou em todos os lugares; não há ação, pensamentos ou sentimento em que Eu não esteja presente. Todas as ações têm lugares ante Meus olhos, dentro de Minha mente. Nada pode ser feito ou pensado com a intenção de esconder de Mim. Ainda assim, eu não vivo no sétimo céu como se pensa. As mentes que estão livres de estreiteza e limitações são os locais mais queridos para Mim. O verdadeiro significado da palavra Yoga é unificar. Mas aqueles que fazem ásana, pránáyáma, etc, sem devoção, estão cultivando no deserto. Sem água da devoção, seus esforços não têm sucesso. Eu não estou no coração de tais yogis secos.
O significado da palavra bhakti é atração pelo Supremo. Quando a atração é por alguma coisa limitada é chamada asakthi; quando a atração é pelo Supremo é devoção, bhakti. Não há acordo, nenhum ponto de encontro, entre asakthi e bhakti, entre a atração pelo Supremo e a atração pelos objetos do mundo. Em asakthi o sentimento é de que vou conseguir determinado objeto. Em bhakti, o sentimento é de que eu me uno a Ele. Onde não há desejo, aí mora o Senhor. O Senhor e o desejo pelo mundo não podem coexistir, como o sol e a noite.
Para os devotos, todos os outros prazeres são insípidos. São comida sem sal. Assim, o Senhor diz: “ onde meus devotos cantam Meus louvores e fazem kiirtan, para lá Eu vou – não posso evitar que isto aconteça.”
Uma pessoa é erudita, outra é rica. Elas podem ou não ser devotas. A única coisa necessária ao devoto é o amor ao Senhor. Quando todos os sentimentos, toda dedicação, são dirigidos a Ele, isto é devoção. O único requisito é o coração sincero. Se seu coração é puro, você não precisa de mais nada.
Nada se ganha por se tornar um homem de conhecimento (jináni); isto tem utilidade apenas enquanto ainda não há devoção. Quando você come algo saboroso, o papel sobre o qual você colocou esta comida é o conhecimento (jinána). A comida em si mesma é a ação (Karma) e o sabor da comida é a devoção (bhakti). Se você saboreou a comida, o papel usado para envolvê-la (jinána, conhecimento) tem que ser jogado na lata de lixo. Somente isto é sabedoria. Seja sábio!

Deus é o controlador da força vital que mantém os organismos vivos. Ele é o amigo que nos salva das mandíbulas das calamidades pelo toque afetuoso e delicado. Ele existe em toda a parte. Está presente ao nosso redor, às vezes como expressão sonora, às vezes como pensamento ou emoção, e, ainda, às vezes como entidades individuais. Não há lugar nenhum no universo onde sua Entidade não esteja manifesto. O que nós aparentemente consideramos ser um vazio está também pleno de Sua Entidade.Ele está até mesmo onde o intelecto humano não pode alcançar, e vai até além do limite da imaginação. No mundo planetário é Sua glória que brilha como o sol. A coluna vertebral do sistema nervoso, o louvor aos ancestrais mortos, a verdade dos sábios, o controlador, o amigo, o sol – tudo isto são entidades separadas? Não, tudo é Ele, tudo e´Ele.

“ O centro vital ou o núcleo de todas as idéias e emoções é Ele – a Alma Suprema, a Alma das almas. Concentre-se no Eu característico. Você veio ao campo
da sádhana para entrar no reino da luz, além das margens da escuridão. Que a sua
jornada para o empíreo seja gloriosa e triunfante.
Boa viagem para você!”

A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

05/12/2009

PODERES OCULTOS OU PARAMAPURUS'A

Qual é a meta da vida humana? O homem deve amar o quê? Paramapurus'a (Consciência Suprema) ou os poderes ocultos? Se alguém adquire poderes ocultos, pode fazer tantas coisas! No terceiro estágio da sádhana* o sádhaka consegue alguns poderes ocultos. Suponha que depois de obtê-los esteja tão envolvido com eles que queira exibi-los. O que acontecerá? Ele terá uma queda. Não se encontrará em lugar algum. Não continuará a ser um sádhaka. Assim, nesse estágio, o terceiro estágio, ele terá que ser muito, muito cauteloso. E mesmo com os poderes ocultos, deverá dizer: “Quero Paramapurus'a, não os poderes ocultos”. Vocês entendem?
A mãe está cozinhando e seu pequeno bebê está ali, chorando...ma,ma,ma! O que a mãe fará nesse momento? Dará um brinquedo àquele pequeno bebê e começará novamente a cozinhar. Mas o bebê é muito inteligente e diz: "NÃO! Eu não quero este brinquedo, quero você!" Então, o que fará a mãe? Terá que fazer assim ( Baba imita a mãe afagando o bebê em seus braços). É a mãe, e não o brinquedo, que o bebê inteligente quer.
Da mesma forma, o poder oculto é exatamente como um brinquedo. Se Paramapurus'a lhe der um brinquedo, o que você deve dizer? Você deve exclamar: "OH, ah! muito bom, muito bom!”? Não. Você deve dizer: “Eu não quero isto, eu quero a Ti!” O que você deve dizer? “Eu não quero o brinquedo, quero o fabricante do brinquedo!” Portanto, você vê que o terceiro estágio de um sádhaka é um estágio importante. Você deve escolher entre os poderes ocultos e Paramapurus'a.
O que você fará nesse caso (conversando com um discípulo americano), nesse terceiro estágio da sadhana? Você escolherá poderes ocultos e as pessoas dirão: “Oh! Fulano é um homem sobrenatural. Fulano, você é um grande yogui. Você tem tanto poder. Você fará assim? Não, não, você quer Paramapurus'a. E você...? E você...? (perguntando a vários discípulos.) Você não quer poderes ocultos? Não, você não quer poderes ocultos. Isso está certo. “Eu não quero poderes ocultos, eu quero o Senhor dos poderes ocultos!”
Quando um sádhaka quer poderes ocultos de Paramapurus'a, ele pode ou não conseguir poderes ocultos, mas é certo que ele não conseguirá Paramapurus'a, porque ele não quis Paramapurus'a. ...Ele quis poderes ocultos, assim ele pode ou não conseguir poderes ocultos, mas ele não conseguirá Paramapurus'a. Seja muito escrupuloso com relação a isso.
(Aqui, Babá fez uma pausa por um minuto e olhou muito vagarosamente e intencionalmente para todos na sala. Havia absoluto silencio.)
Vocês entendem? Vijay Kumar, levante-se. Você quer poderes ocultos? Você não quer poderes ocultos? Então, você não é um rapaz “inteligente” se não quer poderes ocultos! Você não quer ser inteligente assim, eh? Medite nos poderes ocultos e veja se você está conseguindo alguma...o que devo dizer...Ánandam (bem aventurança) ou não. Ahhh! Agora medite em Paramapurus'a – não o pertubem, por favor...medite em Paramapurus'a (a cabeça de Vijay se elevou) . Certamente você está conseguindo Ánandam (bem aventurança). (A cabeça de Vijay subiu mais alto, suas costas se arquearam). Tente ficar com Paramapurus'a. Vá mais e mais fundo...(as mãos de Vijay se levantaram até altura dos ombros, depois mais e mais alto, esticadas e tremendo enquanto Bábá conversava)...mais e mais fundo...mais e mais fundo...(Vijay gemendo) ...mais e mais fundo...(o gemido de Vijay se torna mais intenso)... ESTEJA COM PARAMAPURUS'A... vá mais e mais fundo! (Vijay suspirou e caiu de costas em samádhi (transe de êxtase) no colo do outro discípulo.
Não o pertubem. Ele queria Paramapurus'a. Assim...se você quer conseguir poderes ocultos, vá mais e mais para fora. Se você quer Paramapurus'a, vá para o intimo, sempre mais e mais fundo.
Você deveria sempre se lembrar disso. Não procure poderes ocultos, busque Paramapurus'a. Poderes ocultos, como todos os poderes, são transitórios, temporários e não permanentes por natureza. Assim que você morrer, os poderes ocultos lhe serão tirados. Mas Paramapurus'a permanecerá com você, mesmo nesse momento, pois essa propriedade é de natureza permanente.
Poder oculto é também um poder comum. O público em geral não possui esse poder comum, é por isso que eles pensam ser um poder sobrenatural. O ouro é também um metal ordinário, mas, porque ele é um pouco raro, torna-se caro: caso contrário, as máquinas, as espadas, os tratores seriam manufaturados com esse material? Ouro, e não ferro.
É exatamente assim. O poder oculto é também um poder ordinário; mas, porque ele é um pouco raro, o povo diz que ele é sobrenatural. Não há nada sobrenatural nesse mundo – tudo é natural.
Vocês querem poderes ocultos, meus filhos? Ou vocês querem ser “tolos” como aquele (apontando para Vijay, ainda em estado de êxtase, no chão)?
* Primeiro estágio: dificuldade; Segundo estágio: experiência de bem aventurança;
Terceiro estágio: obtenção de poderes ocultos ; Quarto estágio: iluminação.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

08/11/2009

DEUS

Para um homem de inteligência média, água e gelo são duas entidades diferentes, mas aquele que conhece um pouco da verdade sabe que gelo é apenas a forma condensada da água. Similarmente, onde o homem médio vê uma grande diferença entre o pote e o oleiro, o conhecedor de Deus vê apenas unidade entre eles. Deus e o mundo são duas entidades diferentes ou são indivisíveis? Uma é verdade e a outra falsa? A diferença entre as duas é verdade ou ilusão? Tais perguntas ou maneira de pensar jamais surgem na mente de uma pessoa com visão Cósmica. Se o mundo e Deus são duas entidades distintas ou se uma não é diferente da outra – tais pensamentos estão errados em si. O conhecedor de Deus sente que o mundo é, de fato , Sua própria manifestação. Sabe que tudo é Ele. Você sabe como é esta diferença de uma perspectiva Cósmica? Não mais que a diferença entre homem e ser humano, entre mar e oceano. Do ponto de vista de um sádhaka a distinção não existe.
Deus é como uma pessoa cujo sobrenome é Smith. O filho o chama de “pai”, pois vê nele uma manifestação paternal; seu pai o chama de “filho”, pois vê nele uma manifestação filial; o estudante o chama de “senhor”, pois vê nele a manifestação de um mestre; e o homem comum o chama de “Ei, cartola!” pois vê sua cartola como a coisa mais importante. Mas todos esses tratamentos como “pai”, “senhor”ou “Ei, cartola!” são muitas pessoas diferentes? Na realidade isto é o resultado de se ver a mesma pessoa sob diferentes ângulos.

Deus é o Senhor dos objetos criados; Ele é o controlador de todos eles. Esse mesmo Deus dos objetos move-se no útero como embrião e quando nasce, o evento, na verdade, deveria ser chamado de nascimento de Deus, porque todas as criações nada mais são que manifestações do próprio Deus.
Há uma lua, mas seus reflexos, caindo em incontáveis poças de água, parecem incontáveis luas. Nenhuma lua nova nasce. A mesma lua está sendo refletida ou está nascendo em muitos receptáculos. Da mesma forma, o único e mesmo Deus está se manifestando como ilimitadas entidades unitárias em incontáveis receptáculos mentais.
A união de um sádhaka com Deus tem sido expressa com um exemplo excelente. Um rio, não levando em conta seu nome e identidade, é absorvido pelo oceano e dali em diante não pode manter sua própria existência exceto como oceano. Assim também, um sádhaka, depois de fundir-se com Deus, não pode mais pensar em si mesmo senão como Deus. Vendo o rio Ganges podemos dizer que é a água do Ganges. Podemos distinguir a água do Rio Yamuna, ou a água do Rio Sarasvati, mas, uma vez que elas entram no oceano, não podemos separá-las, nem distinguir uma da outra. Apesar disso, elas estão lá. Ambas perderam suas respectivas entidades-nominais na entidade do oceano.
Quando um conhecedor da Verdade se funde ao Ser Supremo, seu pequeno senso de existência se perde e, alcançando unidade com a Entidade Suprema, ele mesmo se torna Supremo. As práticas espirituais são o meio para a expansão da alma, não para sua aniquilação; portanto, sámadhi não significa suicídio, mas auto-transcendência. Quem conheceu Deus torna-se o próprio Deus, pois a entidade unitária toma a mesma forma de seu objeto de ideação. Quem tem Deus como objeto de sua ideação torna-se o próprio Deus.
Se uma boneca de sal for medir a profundidade do oceano, certamente se dissolverá e se tornará o próprio oceano. Da mesma forma, se o conhecedor de Deus for sondar Deus, ele se une ao oceano de Deus e torna-se o próprio Deus. Esteja constantemente absorvido no pensamento de Deus e você também se tornará Deus.

A graça de BáBá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

25/10/2009

MANDHÚVIDYA: O DOCE CONHECIMENTO

O conhecimento de Deus não pode ser conseguido tão somente através da leitura de livros. É necessário ardor e prática espiritual, isto é, o indivíduo tem que prosseguir seu caminho tendo Brahma como seu destino. Se todas as tendências são inclinadas para Ele, elas irão se tornando cada vez mais e mais sutis e finalmente se fundirão com Ele. Quando não há tendências, não há mente. Você irá alem do acesso da mente. Você se libertará dos sentimentos de prazer e da dor e finalmente atingirá o Ser Supremo.
O individuo tem que avançar com completo empenho, conservando a mente escrupulosamente afastada dos vícios. Jamais deixe a pureza de sua mente ser poluída de modo algum.
Depois de praticar isto por algum tempo, você perceberá que a mesma mente que sustentava suas tendências vis tornou-se sua maior amiga. Todos os propósitos são servidos por sua mente. Deixe-a ter a inspiração constante de sua Alma. A Verdade Absoluta se revelará em você automaticamente.

A vida é uma sádhana espiritual,
e o resultado deve ser oferecido
no altar do Todo Poderoso.

Os que adotam o caminho reverso são realmente ignorantes, pois, dedicando-se a um propósito materialista, transformam sua mente gradualmente em materialidade. Pela degeneração gradual, seu conteúdo mental atinge um estado em que nem merecem ser chamados de seres humanos. Assim, não se dediquem a objetivos materialistas. Não permitam serem conduzidos além de si mesmos por impulsos e tendências. As tendências extrovertidas e a dedicação a objetivos materialistas são impedimentos certos à realização do Ser.

Mas, na vida mundana, os objetivos finitos são indispensáveis. A preservação da existência não é possível se apenas o caminho do shreya (ganho espiritual) for seguido. Quando está claro que apenas shreya é necessário para o progresso espiritual supremo do individuo, somente shreya deve ser procurada e não preya (ganho material).

Então, surge a questão: como o aspirante manterá sua existência durante o período de práticas espirituais, quando ele não pode ser aconselhado a procurar qualquer tipo de preya? Ele terá que lidar com preya, de tal forma que ela não possa se tornar a causa de suas limitações ou de extroversão de tendências, mas, ao contrário, o leve à introversão das tendências e, daí, para Mukti (libertação). Esta tarefa é conhecida como madhúvidya (doce conhecimento).


Madhúvidya lhe ensina que você pode se empenhar para conseguir Mukti mesmo enquanto você estiver envolvido na vida mundana, sabendo, é claro, que antes de lidar com qualquer objeto de gratificação, você o receba com sentimento Cósmico. Enquanto alimenta seu filho, você deve contemplar que não está alimentando seu filho, mas sim, a manifestação de Brahma na forma de seu filho. Quando ara sua terra, deve contemplar que está servindo à manifestação de Brahma na forma de sua terra. Se seguir mandhúvidya corretamente, você pode conservar-se longe dos grilhões das ações mesmo que você esteja fazendo as ações. Esta mandhúvidya vai penetrar em seu interior e exterior com êxtase da bem aventurança de Brahma. Esta bem aventurança irá aliviar permanentemente todas as suas aflições. Então, Avidya (a força condutora à materialidade) não pode vir com suas mandíbulas ferozes abertas para devorá-lo. A glória da Entidade Benigma Única brilhará em sua direção, vinda de cada um do todos os objetos.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

05/10/2009

PARAMAPURUS'A - Consciência Suprema


O que é Purus'a? Aquele que permanece imóvel é Purus'a. Ele não exerce nenhuma atividade. Quem é o Operador ? Prakrti, o Princípio Operativo (Energia Criativa de Deus). Paramapurus'a é o Princípio Cognitivo, a Entidade Testemunha. Purus'a está a par de tudo que é feito por uma entidade. O que quer que a mente individual execute é conhecida pela Alma unitária no mesmo momento; isto é, o que quer que sua mente faça é conhecido imediatamente por seu Átma, sua Alma. Qualquer ação, vício ou virtude, que é executado por sua mente, cria uma impressão na Alma unitária, e as impressões das ações na Alma unitária são imediatamente transportadas para a Alma Cósmica.

Qualquer que seja a ação que a Mente Cósmica faça, não é realmente uma ação, porque tudo é interno. Mas o que quer que a mente unitária faça tanto é interno como externo. Por exemplo, se surge um desejo de roubar em sua mente, ele pode ser interno enquanto você não o transforma em ação. Mas qual quer coisa que a Mente Cósmica faça é interno, totalmente dentro de Sua arena mental; não há nada externo para Ela – tudo está dentro. O que quer que Ela faça, Ela faz dentro de si mesma. Sem seu conhecimento Ela rouba sua mente, sua alma. Numa linda manhã, você descobrirá que perdeu a mente. Sua mente não existe, pois Ela o roubou, e você começa a dançar exatamente como um lunático. De que maneira Ela conseguiu roubá-la é um mistério para você.
Portanto, Ela executa tudo dentro de si mesma – tudo está dentro, nada está fora. Suponha que seu patrão chegue; você o cumprimentará e dirá: “Por favor, entre, sente-se e coma alguma coisa.” Você o bajula, mas, por dentro, você diz:“Que pertubação acabou de chegar! Quando ele irá embora?” Seu patrão não sabe disto. Assim, dois “eus” estão dentro de você – um executa a ação no mundo externo e o outro está dentro. Você está bem familiarizado com este “eu” íntimo, mas os outros não têm a informação correta sobre ele. Sádhana, portanto, tem como objetivo reunir os dois, o “eu’ interno e o “eu” externo, num único “eu”.
Duplicidade na personalidade de um mesmo indivíduo é uma doença. Quanto maior for a distância entre estes dois “eus’, mais você sofrerá tormentos psicológicos. Você deve lembrar-se que, nesta segunda metade do século XX, há uma grande distância entre o “eu’ interno e o “eu’ externo. E por causa da dificuldade de ajustamento destes dois ”eus” há um aumento do número de lunáticos. Esta é a maior doença do século XX.
“Ele está longe, muito longe daquele que pensa que Ele está distante; e Ele está muito próximo daquele que acha que Ele está perto. O homem que tem os olhos para ver, que O conheceu mesmo muito pouco, sabe que Ele habita em seu próprio senso de existência, no próprio desejo de seu coração, como radiância Suprema. Para procurá-Lo, para atingi-Lo, não é necessário correr de um lugar para outro.”
Mas com relação a Paramapurus'a não há dupla personalidade. Tudo é interno, o mundo inteiro é interno para Ele. O que é o mundo externo para você é interno para Ele. O que quer que você pense ou faça em sua mente é também interno para Ele. Ele penetra em seu mundo interno, em sua mente, e você não sabe que Ele entrou. Entretanto, Ele roubará sua mente e você não saberá.
Um homem também quer que Deus roube sua mente. Eu já lhe disse que um de Seus nomes é Makhanchora (ladrão de manteiga) um dos nomes do Senhor Krsna. Ele roubará o Átman (Alma)de um homem e sua mente não o saberá. Assim como a manteiga é a essência do leite, assim também o Átman é a essência do corpo. Ele rouba o Átman, portanto ele é makhanchora.
Geralmente, o homem diz a Deus para vir a ele, mas na realidade Deus já está com ele. O homem é simplesmente incapaz de vê-Lo. Quando Deus aparece, o sádhaka se entrega completamente, porém apenas com sua mente consciente. No canto mais interior de sua mente, ele sente que quando Deus aparece diante dele, ele irá certamente se entregar. Mas, quando ao mesmo tempo, ele pensará que tem sofrido muito de asma, e internamente pedirá a ajuda de Deus para sua cura. Deus, que está no canto mais interior de sua mente, sabe até mesmo disto.
Este mundo externo, este mundo expresso que você vê, está cheio de ação, cheio de ritmos. Este mundo de ação é tanto extroverso como introverso para você. Existe um mundo dentro de sua mente – esse seu mundo interno. E o mundo que você vê por fora é o mundo extroverso. Assim, esse mundo interno para você é composto de idéias e o mundo externo é composto de ação. Mas para Paramapurus'a não há nada semelhante a um mundo extroverso, tudo é introverso. E assim, para Ele, este mundo é imaginário, Sua projeção mental.

Suponha que você retratou Jodhpur (uma cidade da Índia) em sua mente. Isso é parte do mundo das idéias. Mas, quando você olha para fora, você descobre que está em Jairpur (outra cidade da Índia) e não em Jodhpur. Então, você percebe que Jodhpur de sua mente é apenas uma idéia e Jairpur é um fato. A mesma coisa ocorre no sonho. Enquanto você sonha você pensa que tudo é real, porque o mundo não existe ali. Para Paramapurus'a não há nada como o mundo extroverso, assim como o mundo interno imaginário que você pensa ser verdadeiro no sonho também não existe. Para Ele, o mundo existe em Sua ideação. Nada é extroverso, pelo contrário, tudo é introverso. Assim, este mundo é imaginário para Ele.
Deus é um mágico mestre que através de sua palavra mágica criou tudo e Se escondeu dentro de Sua criação. Se você quer realmente conhecer a criação, o truque do mágico – isto só pode ser feito quando você se junta a Ele e a Sua equipe.
Para Ele este mundo é feito de imagens e esses cosmos ideacional o tem como seu centro. Ele está no centro desse cosmos ideacional todo – abrangente. Ele tem que controlá-lo. Você já viu um pescador lançando sua rede num rio? O pescador lança a rede e tem que manejá-la também. Da mesma forma, Paramapurus'a fez o mundo ideacional que tão somente Ele tem de manejar e controlar. Ele controla o mundo ideacional através dos princípios de energias (gunas ),não diretamente. Por exemplo, o comandante ordena a seus soldados que capturem alguém. Então quem captura? São os soldados, o poder dos soldados. Vê-se que foi o soldado que capturou o homem. Mas o soldado faz isto apenas sob direção de seu comandante. Assim, Deus (Paramapurus'a) é exatamente igual ao Comandante e Prakrti (Princípio Operacional) ao soldado.
As vezes, o homem cria dinheiro em sua mente, e vendo o balanço bancário mental sente-se feliz. Às vezes, o homem se faz Primeiro Ministro e se sente feliz e, às vezes vê mentalmente seus inimigos serem surrados e fica contente. Tudo isto é feito apenas para satisfazer sua fome mental, para saciar sua sede mental. Por fim, vemos que o conteúdo mental de um individuo é transformados em objetos materiais; é tudo dirigido para prazer pessoal, para o prazer material. O fluxo mental do individuo é chamado vísayarasa (fluxo mundano) e o fluxo da Mente Cósmica é o Fluxo Supremo. Se acontecer de a mente individual, pelo menos uma vez, entrar em contato com o Fluxo Supremo, os prazeres materiais irão parecer secos e insípidos como vegetais sem sal. Mas os objetos materiais são necessários para manter a existência física. Por isso o sábio faz o fluxo individual absorver-se no Fluxo Supremo
O sábio transforma as ondas do fluxo mundano em ondas do Fluxo Supremo. Este é o único caminho da segurança.
Krsna (aquele que atrai esse mundo ideacional, Deus) é o núcleo do Fluxo Supremo do oceano de idéias, e as mentes individuais são como botes naquele grande oceano. De acordo com o subir e descer do Fluxo Supremo de Deus, as mentes individuais também sobem e descem, como o bote que sobe e desce nas ondas do oceano. Assim também, a mente humana, intencionalmente ou não , dança seguindo os ritmos e ondas criados por Deus. Isso ela tem que fazer – não há escolha.Se alguém diz que não vai dançar porque está envergonhado, está enganado. Na realidade ele dança; simplesmente não sabe que está dançando. Todos dançam no oceano do Fluxo Supremo; os seres vivos têm que dançar. Não há escapatória. Esta dança é a rasaliila de Krsna, o jogo do Fluxo Universal.
Tudo neste mundo de relatividade é casual. E Paramapurus'a? Ele está além do alcance da relatividade. Porque Ele faz o mundo dançar? Porque Ele fez o oceano do Fluxo Supremo? A resposta não pode ser encontrada no mundo da casualidade. Porque Deus fez as coisas assim, não se explica, pois Ele está além do campo da casualidade. Os sábios agirão para ajustar suas ondas às ondas de Seu jogo. Eles não procurarão saber porque Ele fez tal ação. Eles tentarão simplesmente conhece-Lo. Se você já O alcançou, então pergunte-Lhe: “Porque criaste este jogo?”
Se você não pode saber a causa de uma coisa insignificante como sua dança, como poderá saber a causa das ações de Deus? O individuo tem um cérebro e um crânio muito pequenos. Não lhe é possível conhecer as ações de Deus. Suponha que alguém seja um mestre em vinte matérias. Se for chamado repentinamente para comparecer a um exame de mestrado, não passará, terá que estudar outra vez, e só então estará capacitado a se candidatar ao exame. Isso prova que o individuo pode falhar em sua própria atividade. Portanto, como pode ele entender a causa do jogo de Deus? Não pode. A melhor maneira é amá-Lo, juntar-se ao Seu grupo. Se existe verdadeiro amor, certamente o Mágico mestre lhe fará entender tudo, porque, quanto mais os homens de Seu grupo souberem, tanto melhor para Ele.
Há um ritmo particular no Fluxo Supremo. Aquele que toma conhecimento disso não gosta mais do fluxo mundano e deixando-o naturalmente será absorvido pelo Fluxo Supremo. Então, o apego aos ritmos do fluxo mundano é diminuído e ele fica como os lunáticos. Dizem, corretamente, que Rádha (a grande devota do Senhor Krisna) ouvindo a música melodiosa da flauta de Krsna , começou a se portar anormalmente. Isso aconteceu devido ao repentino ajustamento do fluxo individual às ondas do Fluxo Supremo.
Um menino do campo, quando trazido a cidade, vai ao cinema. Então, ele não gostará mais das representações teatrais do campo. Ele dirá:” Aquelas peças são antiquadas. O cinema é muito melhor.” Não é assim? Da mesma forma, quando alguém entra em contato com as ondas do Fluxo Supremo, o encanto do fluxo mundano se desvanece.
Onde quer que haja vibração, há som. O som do Fluxo Supremo é a flauta de Krsna. O som do fluxo mundano é – “dinheiro, mais dinheiro – mais milho – mais vegetais – mais balanço bancário”. Você não ouve isso? O som da “Primeira Classe”, o som da “pensão depois da aposentadoria” são os nossos fluxos mundanos. O Som do Fluxo Supremo é a flauta de Krsna. Ouvindo-o, o homem não apreciará mais o som do fluxo mundano.
Todas as ações são controladas pelo Princípio da Energia (Prakrti) mas o princípio da energia é controlado por Paramapurus'a. Assim, somente Paramapurus'a deveria ser a totalidade da vida e o objetivo final dos seres humanos. Deve-se sempre ter em mente que o fluxo mundano dos indivíduos é circundado pelo Fluxo Supremo nas dez direções. Você nunca está longe de Deus. Ele está sempre com você, e de forma alguma você está sozinho. Já que sua atividade está dentro do Fluxo Supremo, o que quer que você pense, o que quer que você faça com seus órgãos, tudo é conhecido por Deus, e como Deus o conhece, torna-se o dever de Deus, como Entidade Testemunha, adverti-lo.

O que quer que você faça, Deus vê tudo. Para Ele, nenhuma parte de seu ser está fechada. Ele é a parte mais intima de seu ser. Hoje, eu estou muito ocupado e tenho que ir a uma festa, portanto , farei apenas três ou quatro minutos de sádhana. Ele sabe que você está colocando uma festa acima de sádhana. Ele ouve tanto as palavras que você pronuncia como as palavras que você pensa. Na realidade, Ele as ouve primeiro, antes que elas se tornam mentais. Portanto, Ele conhece plenamente tudo que se passa dentro, fora e abaixo da mente. Não tente esconder nada Dele – você não terá sucesso.

Eu já lhes disse, Deus é o Criador, o Operador. Ele fez o voto, de não puni-lo, mas de corrigi-lo. O que quer que Ele ache que é apropriado para você , Ele fará. E também correto é rezar para que Ele o faça de acordo com Sua vontade. Deus irá pensar bem de quem quer que tenha se colocado sob Sua proteção. Aquele que pensa em seu próprio bem por si mesmo não terá a ajuda de Deus. Deus dirá que ele está cuidando de si mesmo,e assim deve continuar a fazer. Mas, para aquele que se entregou totalmente a Deus, Deus terá uma responsabilidade especial. Diz se que Deus tem uma responsabilidade especial para com os devotos. É dever de Deus conservar o prestígio do devoto, e é dever do devoto deixar tudo com Ele. Qualquer energia que esteja trabalhando, seja no Fluxo Supremo, seja no fluxo mundano, está tudo sob Seu controle. Portanto, uma vez que você O tenha amado você não será fraco, nem estará desamparado nem sozinho. Você será vitorioso. Lembre-se Dele e marche em frente – a vitória será sua. Você não deve temer as forças mundanas. Quem desfruta a força maior de Deus terá sucesso com certeza. A vitória será certamente d'Ele.
VITÓRIA PARA TODOS!!!

A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

06/09/2009

BHAKTI - DEVOÇÃO

A palavra
Bhakti (devoção) significa veneração. Para que haja veneração, tanto a pessoa que venera como Ele, o que é venerado, devem estar presente. Por essa razão, enquanto houver diferença entre o devoto e Deus existirá a oportunidade de Bhakti sádhana.

Bhakti significa desejo intenso pelo Supremo. Então surge a questão se bhakti é natural ou antinatural para os seres vivos. Todas as coisas que vemos neste universo manifestado, sejam as conscientes, seja a matéria bruta, exercem atração umas sobre as outras. Esta atração é o dharma (natureza) do universo criado e, como conseqüência, a continuidade das projeções de pensamentos da Mente Cósmica é mantida. Portanto, eu digo que a atração é natural em tudo. É devido à atração mútua de miríades de corpos celestes que oscilam no espaço infinito que o equilíbrio é mantido no firmamento. Há um esforço para auto preservação. A abelha voa ao redor das flores em busca do mel apenas com o objetivo de preservar a existência. Pode ser notado que todos os seres buscam sempre o que lhes é mais duradouro e seguro e que pode assim lhes proporcionar uma segurança maior. As pessoas correm atrás do dinheiro unicamente porque acreditam que podem manter suas vidas sob sua proteção, isto é, que somente o dinheiro pode salvá-las. Mas não sabem que o dinheiro não pode dar nem estabilidade permanente nem uma proteção garantida. Durante o período de suas vidas, o dinheiro irá e virá muitas vezes. Algumas vezes, sua fascinação ofuscará seus olhos e outras, a sua falta os fará chorar, com fome.

Sem falar apenas do dinheiro, todos os objetos finitos têm essa característica. O que não é infinito não pode permanecer para sempre como objeto de seu prazer. Não pode ser seu refúgio permanente, já que a existência de todos esses objetos finitos é dependente de outros, determinada por limites de tempo, lugar e pessoa.

Se a extraordinária velocidade com que o homem extrovertido persegue objetos finitos for introvertida em direção ao Ser Supremo de sua vida, ele pode alcançar Brahma, ele pode realizar o Estado Supremo.

O devoto recita:

“Oh, Senhor, Todo Poderoso, que a atração que o homem ignorante mantém em direção aos objetos de sua mente se torne um eterno amor por Ti, através de Tua lembrança.”

Você compreende, por certo, que a bhakti pura não pode ser baseada em objetos finitos, já que estes causam extroversão de sentimentos. Mas, observo, tristemente, que muitos homens limitam seu amor e devoção aos objetos finitos. Qual é o resultado? Eles não alcançam a visão abrangente que o amor confere. Não compreendem que cada ínfimo átomo do vasto universo é uma manifestação criativa da própria Consciência Cósmica, Sua grandiosa expressão. Gastam milhões na criação de ídolos, mas ignoram as aflições da humanidade sofredora.

O mundo é um fenômeno mutável. Portanto, é imprudente apegar-se a qualquer objeto neste mundo instável. O próprio nome e a forma sofrerão mudança com a variação do tempo e do lugar. A criança se torna jovem, o jovem se torna velho, e o velho um cadáver. Mas, se homens sábios vêem todos os objetos do mundo como expressão única da Consciência Cósmica, então, ao verem a mudança no nome e na forma de um objeto em particular, não serão afetados nem por dor, nem por prazer. A Consciência Cósmica, para eles, permanecerá Consciência Cósmica e eles nada perderão.

Os métodos e tipos de bhakti Yoga são numerosos. Cada um adota o processo de bhakti sádhana de acordo com sua própria natureza.

DEVOÇÃO PRIMÁRIA (támasika bhakti):

Aqueles que buscam prazeres finitos ao invés de Bem–Aventurança Suprema e que estão sob a influência da violência, da arrogância e inveja, são sádhakas primários.

DEVOÇÃO MUTATIVA (rájasika bhakti): os que realizam as praticas espirituais com o objetivo de alcançar um objetivo finito em particular são chamados os sádhakas mutativos. Os sádhakas mutativos estão absorvidos na realização de seus objetivos egoístas, embora não prejudiquem os outros. Veneram o Senhor de modo materialista, com flores e adornos para obtenção de objetos mundanos, fama ou riqueza; eles desejam aqueles objetos e não o Senhor.

DEVOÇÃO SUTIL (sattvik bhakti): Os que exercem na sua prática com a prece:

“Ó senhor, que meu karma seja aniquilado. Emancipa-me do ciclo da vida e da morte”.
Os que exercem sua prática como um dever; e também os que exercem por temer que as pessoas possam censurá-los são classificados como sádhakas sutis. Visto que eles não procuram o Supremo, mesmo esta sattvika sádhana não pode ser considerada como uma sádhana Suprema, porque nenhum desses motivos controla as energias dos aspirantes e as dirige ao adorado, o Brahma Supremo. O objetivo do aspirante é canalizado numa direção diferente, ele busca uma meta inferior.

Estes três tipos de devoção, primária, mutativa e sutil são uma forma inferior de devoção.

DEVOÇÃO NÃO QUALIFICADA (nirguna bhakti) aqui, o aspirante não tem nenhum outro propósito; ele vai em direção ao Brahma Supremo conduzido apenas por seu próprio espírito. Se lhe perguntam porque O ama e se consagra a Ele, responde então:

“Porque O amo? Não sei. Eu O amo tão somente porque gosto de amá-Lo. Eu não deveria amá-Lo? Ele é a Vida de minha vida a Alma de minha alma.”

DEVOÇÃO COMPLETA (kevala bhakti): se o aspirante percebe desde o início a permanência da devoção não qualificada, perguntas como “o que eu já consegui?”, “que pretendo atingir?” etc. não lhe surgem na mente. Isto é a culminação do bhakti. Se existe a indivisibilidade do conhecimento com o objeto, então, existe uma e apenas uma entidade, e é por isso que tal devoção é chamada kevala bhakti. Kevala bhakti não é conseguida através de banhos, exercícios ou esforços. Aqueles que não foram abençoados pelo menos um pouco , com a graça Divina, não podem realizá-la.

Ao falar em bhakti o uso de palavra bháva (ideação espiritual) é indispensável. O que significa bháva? Bháva é aquilo através de que o conteúdo da mente (citta) é purificado e dominado pelo princípio sutil (sattvik), brilhante com os raios de sol do amor. Como resultado de bháva o homem dirige suas forças atrativas naturais ao adorado. Mas, aqui, o adorado não está fora dele: o adorado é a Vida de sua vida, a Mente de sua mente e o Mestre vital de toda a sua existência. Quando este sentimento de devoção pelo adorado desperta a introversão de suas tendências, ele é absorvido por essa bháva. Ele alcança o estado de auto-realização.

Quando há medo ou qualquer outra propensão grosseira na mente, não pode haver bhakti pura. A devoção gerada através do medo não é, de forma alguma, bhakti, mas sim um lamentável estado de crueza mental.

Alguns por medo do inferno e outros por medo da tortura e retribuição na próxima vida oram ao Senhor e, em particular, anseiam por salvação. Isto revela falta de conhecimento da verdade. Não se deve estimular esse complexo de inferioridade. Os que aceitam ou conhecem o Senhor como seu próprio Eu, não tem razão alguma para nutrir medo Dele. Esse movimento sem temor em direção ao Senhor é chamado amor.

Quando a mente atinge a serenidade Suprema, e quando se desenvolve um sentimento de afeição por todos os seres vivos, os sábios chamam isso, amor. O amor não pode ser desenvolvido por qualquer coisa desprezível ou finita. O amor e paixão são tendências mutuamente antagônicas.

O apego por uma coisa finita é uma expressão de energia extrovertida, enquanto a atração pelo Infinito é uma expressão de energia introvertida. É por isso que ambos não podem nunca coexistir. O aspirante terá, portanto, que transformar, habilmente, paixão em amor. Você ama seu filho? Não, não, você não ama seu filho. Você ama Brahma na forma de seu filho. Amando seu filho como um filho, você não pode amar o Senhor. Onde há sentimento de filho, não há o Senhor, e onde há o Senhor, não há o filho. Onde você existe, Ele não existe, e onde Ele existe, você não existe.

Agora, essa sádhana que é a sádhana para a união completa, para a unificação, começa com amor temeroso. O amor tem que existir. A menos que haja amor não pode haver unificação.. Assim, o amor tem que existir, mas ele começa com amor temeroso e termina com amor intrépido e o espaço entre amor temeroso e o amor intrépido é o espaço de sádhana. O que é sádhana? Sádhana é a transformação do amor temeroso em amor intrépido.”

Há três níveis de devotos: inferiores, intermediários e superiores. Aqueles que não têm conhecimento nem fervor, são devotos inferiores. Aqueles que têm reverência, mas não têm o conhecimento das shástras (escritura, filosofia), são do tipo intermediário de devotos. Aqueles versados nas shástras, competentes nas práticas de sádhana e de mente firme, são os devotos de grau mais alto. Kevala bhakti é conseguida apenas pelo mais alto grau de devotos. Apenas eles alcançam a evolução infinita de suas almas.

Portanto, ó devotos, lembrem-se do nome do Senhor, do contrário todos os seus esforços se reduzirão a zero. Sob todas as circunstâncias e em meio a todas as atividades, estabeleça a si mesmo firmemente no Seu nome. O dharma da infância é estudar e praticar Brahma sádhana; o dharma da juventude é ganhar dinheiro e praticar Brahma sádhana e o dharma da velhice, quando você se torna incapacitado para todas as atividades físicas, é apenas praticar Brahma sádhana.

Os verdadeiros devotos amam o mundo, a sociedade e tudo a seu redor, porque vêem todas as manifestações da engenhosa Prakrti (Energia Cósmica), repletas do sentimento do Espírito Universal único. Eles amam o finito como parte do Universal. Amam os prazeres do mundo como bem aventurança divina diversificados pelo tempo, lugar e pessoa. Eles mantém suas mentes absortas nas correntes eternas do fluxo divino. Somente tais aspirantes devotados são os verdadeiros desfrutadores, e seu objeto de satisfação é o Brahma Supremo.

Os aspirantes de bhakti entregam tudo de si a seu Adorado. Todas as coisas objetivas estão dentro da mente, daí, se a própria mente é entregue a Brahma, tudo automaticamente também o é.

O universo é o Teu lar, a própria Suprema Prakrti (Energia Cósmica) é Tua consorte. Ó Senhor, Tu de nada necessitas. Ó Senhor, que posso eu oferecer-Te? Ah! Sim! Eu me lembro de uma coisa. Teus verdadeiros devotos arrebataram Tua mente. Tu necessitas de uma coisa – Tua mente está perdida. Ó Senhor,eu Te ofereço minha mente. Agracia-me com tua aceitação.”

Quando a profundidade devocional chega, o amor também transborda cheio de sentimentos elevados. Apenas nesse estágio ocorrerá a sua realização final da Consciência Suprema. Onde “eu” está, “Ele” não está...onde “Ele” está “eu” não está. Lembre-se a devoção é o pré-requisito da sádhana. A maturidade da devoção é o amor, e a maturidade do amor é Ele.”
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

03/09/2009

JINÁNA, KARMA E BRAKTI - CONHECIMENTO, AÇÃO E DEVOÇÃO

Deve-se entrar em contato com o Pai Divino, alcançá-Lo, através de Jinána, Karma e Brakti. O que é Jinána? Jinána é o conhecimento espiritual e não o conhecimento mundano. O conhecimento mundano é um conhecimento distorcido. Não é conhecimento, absolutamente. O conhecimento espiritual é o verdadeiro conhecimento. Mas o que é conhecimento espiritual? A pessoa deve saber quem ela é e qual é o seu objetivo. Este é o conhecimento espiritual
Em seguida vem Karma. Karma significa ação. Se a pessoa sabe o que ela é, qual é sua aspiração, terá que se mover em direção à meta de sua vida. Este movimento, esta abordagem prática, esta ação é chamada Karma. E depois de karma, quando o indivíduo chega perto Dele deve unir-se a Ele, tornando-se um com Ele.


O Bhakti Yoga pode ser dividido em duas grandes categorias; uma é a devoção atributiva e a outra é a devoção não atributiva. Na devoção atributiva, há três estágios. O primeiro é a devoção estática. Nesta, o devoto diz:
“Ó meu Senhor, eu sou Teu devoto. O Sr. X é meu inimigo. Por favor, dá-lhe um fim”.
No caso da devoção estática, o devoto não quer estar com o Senhor. Ele quer que alguma coisa de ruim ou cruel seja feita a seu inimigo. Essa é a devoção do pior tipo. Como não era seu desejo se tornar um com o Pai, ele nunca irá estar unido com o Pai. Como o Pai Supremo também é o Pai Supremo daquele inimigo, Ele poderá ou não matá-lo. A devoção estática não é devoção.
Depois vem a devoção mutativa. Neste caso, o devoto diz ao Senhor:

“Eu sou Teu devoto. Por favor, dá-me dinheiro. Por favor, dá-me nome e fama.”

O menino quer apenas brinquedos de sua mãe. Se o menino começa a chorar, a mãe deve deixar seus afazeres para atender a criança. Mas, se a criança quer apenas os brinquedos, ela nunca terá a mãe. Aqui, também o sádhaka não expressou seu desejo de se tornar um com o Pai; assim ele não conseguirá a salvação. Ele não quer tornar-se um devoto. Yogui significa aquele que está finalmente unificado com o Eu Supremo. Também este tipo de devoto pediu coisas mundanas. Você sabe, as coisas mundanas são limitadas. O dinheiro pode ser muito, mas não é infinito. Assim, o Senhor pode satisfazer ou não seu desejo. Ele tem que cuidar dos interesses de tantos filhos! Ele tem tantos filhos.Ele não pode satisfazer seu desejo injusto. Portanto, esta devoção mutativa não é absolutamente devoção.
Agora vem o terceiro tipo de devoção atributiva, a devoção sutil. Neste caso, o devoto diz:
“Eu sou Teu devoto. Mas, Ó Senhor, sou um homem velho. Dá-me alguma coisa concreta. Eu quero a salvação. Sabes que estou enfastiado deste mundo. Meus órgãos digestivos se tornaram desordenados. Não posso comer. Por favor, dá-me paz”.
Esta é a devoção sutil, porque aqui, o aspirante, o devoto, não quer nada material. Esta é melhor do que devoção estática e mutativa, porque ele pede salvação ao Pai Supremo. Mas ele não quer o Pai Supremo. Portanto, ele não é um Yogui. Um Yogui tem que se unificar com o Pai. Um Yogui não pedirá brinquedo algum ao pai.
Em seguida, vem a devoção não atributiva. Na devoção não atributiva há duas fases. Uma é chamada rágánugá bhakti, a outra é chamada rágámiká. Na devoção rágánugá bhakti o devoto diz:
“Ó meu Senhor, eu Te amo, porque Te amando sinto prazer. Não quero nada de Ti. Eu quero amar-Te, porque sinto prazer”.
Esta é a devoção não atributiva, mas não é a forma mais elevada de devoção.
A forma mais elevada de devoção é chamada rágámiká. Em rágámiká o devoto diz:
“Ó Senhor, eu Te amo. Eu quero amar-Te. E porque quero amar-Te? Quero que meu amor Te dê prazer. Eu não quero nenhum prazer. Eu Te amo para não sentir prazer, mas para Te dar prazer”.
Esta é mais elevada forma de devoção. E por meio deste tipo de devoção, devoção rágámiká, o yogui entra no mais intimo contato com o Ser Supremo e se torna um com Ele. Quando o seu amor é para dar prazer ao Senhor e não para desfrutar prazer, sua mente fica subjetivada, Isto é, sua mente se torna metamorfoseada na mente do Senhor, e é por isso que esta devoção rágámiká é a única devoção. Através desta devoção o yogui se estabelece na posição de Beatitude Suprema. O homem e seu Deus se tornam um. Este é o único objetivo da vida humana - tornar-se Um com Ele.

“Conhecer si mesmo, é o verdadeiro conhecimento, servir a todos com ideação de Deus é a verdadeira ação e o voto de dar prazer ao Senhor é a verdadeira devoção".

Quando se chega perto do Pai Supremo, é preciso se dirigir ao Pai:

“Ó Pai, dá-me proteção em Teu colo abençoado, em Teu colo cheio de graça”.
Para dizer isto, têm que se estabelecer um relacionamento de fé implícita e do mais sincero amor ao Pai. Esta fé implícita juntamente com o zelo espiritual é chamada devoção. Assim, o conhecimento e a ação vão ajudá-lo a desenvolver devoção, mas sua unificação com o Ser Supremo se estabelece apenas com a ajuda da devoção. Onde há ação e conhecimento, mas há ausência de devoção, nada pode ser feito. Na vida de um aspirante espiritual, na vida de um yogui, nada pode ser feito se há ausência de devoção. Assim, vocês filhas, vocês filhos devem lembrar–se que terão que desenvolver devoção, devoção implícita juntamente com zelo espiritual. E essa devoção os ajudará. A devoção é a única faculdade que pode ajudá-los, que pode estabelecê-los na Beatitude Suprema.
A Graça de BáBá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii

16/08/2009

ANANDA KIIRTANA 07/09 OPEN DOORS RETIRO GT SECTOR

Retiro Setorial GT Sector - América do Sul, Brasil, Belmiro Braga, MG, Ánanda Kiirtana, realizado em julho de 2009, denominado de OPEN DOORS, Portas Abertas, com a participação livre e espontânea de todas as atuais tendências de Ánanda Márga.

14/08/2009

DEUS E SUA CRIAÇÃO

Diz-se que há uma diferença entre Deus e o homem, entre o Criador e Sua criação. A diferença básica é que Deus está livre de todas as limitações, enquanto o homem está acorrentado a limitações. A diferença entre um objeto material e outro é conhecida por suas respectivas qualidades. Uma manga é uma manga pela virtude de suas qualidades; uma maçã é uma maçã por causa de suas características. Se as características e qualidades da manga se transferirem para a maçã, esta, então, não será uma maçã, mas se tornará uma manga.A diferença entre as características do Criador e as da criatura é que os conserva distintamente separados. Se através da sádhana , a criatura desenvolve as características do Supremo Progenitor, então , ele se torna o próprio Supremo.
Deixe-me dizer uma palavra sobre as qualidades de Deus e suas Criaturas. Etimologicamente Iishvara (um nome sânscrito para Deus) significa “O Controlador”. Deus é o Controlador e o ser vivo é o controlado. Neste mundo, todos os objetos, grandes ou pequenos, desde o átomo até o cosmos, são controlados pelo Supremo Controlador. No reino físico, você não é o controlador das ações. O homem não sabe que pode vir a morrer no momento seguinte. Ele é controlado por Alguém que tem absoluto direito para agir assim e que não pode ser questionado. Quando o proprietário quer que o inquilino deixe sua casa dará ao inquilino um aviso. O que pode o inquilino fazer? O máximo que ele poderia fazer seria recorrer a lei.
Agora, você nem mesmo possui seu corpo. Você pode apenas usá-lo. Deus é o proprietário. Se Ele quiser, Ele toma seu corpo de volta e Ele pode fazê-lo sem mesmo dar um aviso.No reino de Deus não há tribunais. Ele é o Supremo Proprietário e Seu direito é absoluto, eternamente absoluto. Deus é o controlador e os seres controlados não podem dizer coisa alguma, eles terão que se render a Ele.
Portanto, você viu a relação entre Deus e as criaturas. Deus tem o controle em Suas mãos e os seres vivos não são livres. É claro que você pode dizer que no reino de Deus há uma certa medida de liberdade. Se você se rebaixa a condenar Deus, Ele não irá dizer coisa alguma. Mas você percebe que é capaz de aviltar Deus, através de Seu poder? Você toma o poder de Deus para O aviltar! Agora, o que você fará quando Deus é controlador? Este poder de controle de Deus é admirável e mesmo mágico. O mágico transforma uma pedra em um pombo, e as pessoas apenas assistem à transformação. Como a pedra transformou-se em pombo, isto as pessoas não compreendem. Será que ela realmente se transformou ou não? Isto não se sabe. O mistério atrás disto é conhecido pelo mágico e os poucos de seu grupo que estão no palco com Ele.
Deus está controlando todos por Seu poder mágico. O que fará a pessoa que quer descobrir os íntimos segredos de seu mágico poder de Deus? Para saber o que, por que e como da influencia mágica de Deus, você terá que penetrar no grupo do Mágico-Mestre e desenvolver amor por Ele. Amando e não discutindo com o Supremo, e participando de Seu grupo, você conhecerá a técnica secreta de Seu controle. Como pode o Homem evoluir no caminho do progresso? Desenvolvendo amor por Deus.
Maharishi Kanad, um grande santo, costumava perguntar o que é este cosmos. O universo é a combinação de átomos. Um átomo é uma força material, uma força crua, uma força física. Se as atividades do mundo fossem entregues ao átomo o que aconteceria? Haveria choque e luta. Se o átomo fosse tudo, este mundo belo, evoluído e sistemático que funciona sob certas normas e princípios, não teria sido fundado. Maharishi Kanad disse que a matéria elementar existe, mas a matéria não controla a matéria. O que controla é a faculdade cognitiva – Deus. A força cega não pode criar um mundo sistematizado. Você tem que salvar se do laço da serpente do materialismo, e você pode salvar se a si mesmo entregando se a Deus. O homem que prontamente se entrega a Deus é um sábio, e seu progresso será extremamente rápido.
O homem não é meramente o corpo físico com mãos e pernas; o homem é maior , é mais grandioso que isto. O corpo físico não é controlado pelo corpo, mas pela mente, que, por sua vez, é controlada pela consciência Cósmica (Deus). Assim o homem sábio deverá se conduzir de acordo com o desejo de Deus. Motivado de acordo com o desejo de Deus, o homem irá se engajar nas atividades do mundo.
Qual é a outra característica de Deus.? Ele permanece infenso ou indiferente à angústia, ação, reação e dependência. Todas as criaturas deste mundo não têm o mesmo nível de elevação. Se o homem continua a elevar sua mente até atingir além da periferia destes quatros fatores, então ele se torna Deus.
Agora, o que é angústia? Aquilo que prejudica a naturalidade da mente – aquele estado que o homem quer evitar – é chamado angústia. Suponha que você cheire alguma coisa fedida. Sua mente não permanecerá firme e você perderá logo o senso de julgamento. Você vai querer ficar longe daquela coisa mal cheirosa, porque ela é causa de sua angústia.Você vai querer ir onde haja alguma coisa fragrante, porque aquilo aumenta seu bom humor e jovialidade. Se, antes de meditar, você queima um pouco de incenso, você naturalmente se sentirá mentalmente bem.
Os seres vivos são afetados pela angústia. Considerando se os diferentes tipos de angústia, existem quatro tipos de ações que os seres humanos executam. Devido à ignorância e à atração pelas coisas físicas, o homem comete muitas ações que trazem dor e sofrimento enquanto as executa e que deixam dor e sofrimento depois da execução. Suponha que haja uma competição de rasagula (doce delicioso) entre alguns homens, e alguém devora cinco kilos deste doce. Enquanto está comendo, o individuo sofre, no sentido de que ele está sendo forçado a comer por causa da competição, de que ele está comendo contra sua vontade, apenas para se sobressair como herói. Você também conhece as conseqüências dolorosas de comer uma grande quantidade de doces! Tal ação traz sofrimento enquanto executada e depois de concluída.
O segundo tipo de ação traz sofrimento e depois prazer. Suponha que seus amigos começaram a seguir caminhos tortuosos acumulando bens e aceitando subornos e você continua a viver a vida dura, mas honesta, cheia de pobreza e problemas. Você está sofrendo, é verdade, mas as conseqüências de seu sofrimento vão ser premiadas no sentido de que você viverá com honra e respeito. Neste segundo tipo de ação houve sofrimento no início, mas as conseqüências vão ser felizes.
O terceiro tipo de ação trazer prazer e depois dor. No terceiro tipo de ação há muito prazer em fazer a ação, mas seus efeitos são muito ruins. Considere quatro pessoas: Sr.A, Sr. B, Sr.C e Sr. D, viajando de Magpur a Bombain, Sr. A, Sr.B e Sr.C estão viajando sem passagens, de 1º classe, num vagão com ar condicionado. O Sr. D, entretanto, tem uma passagem de 3º classe e está viajando num compartimento cheio de gente onde está passando por muita privação. Sr. A, Sr. B e Sr. C estão instalados confortavelmente e se divertindo. Durante a fiscalização das passagens, Sr. A, Sr.B e Sr. C são levados sob custodia policial e o Sr. D felizmente chega a seu destino. O comportamento do Sr. D trouxe dor e prazer, enquanto o comportamento dos outros trouxe prazer e depois dor. Lembre-se que Deus está além do âmbito das três ações mencionadas.
O quarto tipo de ação traz prazer. Aqui não há dor, nem enquanto a ação está sendo executada, nem em suas conseqüências. Este tipo de ação é de Deus e é também possível ao homem. O que Deus faz traz prazer. E para os homens a sádhana espiritual traz prazer. Sim, no reino espiritual, o homem e Deus chegam ao mesmo nível ou ponto comum. Quanto maior sua sádhana, tanto mais próximo você estará de Deus.
Quando a ação é executada, tanto no plano físico como no psíquico, é chamada karma. Deus não faz nada no plano físico. Para Deus tudo é interno. Para Ele não há mundo externo. Tudo é Sua projeção psíquica interna, nada é externo. Para os seres humanos há projeção psíquica interna e projeção psíquica externa. O homem que projeta um fantasma em sua mente e pensa nele continuamente irá projetar sua mente externamente e verá o fantasma no mundo externo. Quem não pensa no fantasma não o verá, mesmo durante a noite. Assim, para o homem há um “interno” e um “externo”. Se os pensamentos do fantasma se tornam dominantes na mente e se a projeção restante da mente subconsciente é suspensa ou unida à aquela projeção interna, aí a personalidade está perdida. Se a mente naquele momento pensar que se tornou um fantasma, a pessoa agirá como se fosse um fantasma. Esta é uma doença associada à histeria. E as pessoas erroneamente dizem que o fantasma entrou em seu corpo. Tudo isso é psicológico.
Você age pela sua mente e por suas mãos e pernas. Algumas vezes pode agir mentalmente, mas não pode agir fisicamente por causa do medo da sociedade e por outras causas. O homem que diminuiu a diferença entre ações internas e externas é um homem verdadeiro. O homem interior e o exterior devem ser um. Se uma dupla personalidade se desenvolve lado a lado, e se a diferença entre as duas personalidades se torna muito grande, então o homem morre. Esta dupla personalidade é muito perigosa para o desenvolvimento humano. Unifique-as.

O sábio considerará se a civilização moderna é uma civilização verdadeira ou não. Eu não sou um intelectual, mas sei que o maior defeito desta civilização é que nela uma dupla personalidade está se desenvolvendo. A distancia entre o homem interior e o homem exterior esta aumentando continuamente. Esta distancia é menor, mesmo agora, nos habitantes ignorantes dos vilarejos.
Entretanto, em Paramapurusa, não há oportunidade para uma existência dupla. Em Deus tudo é interno; nada é externo. Tudo está dentro, nada está fora. Portanto, esta é a diferença entre as ações de um ser humano e as de Deus, a Criatura e o Criador.
Quando um homem faz qualquer ação, há uma reação. Onde há ação há reação igual e oposta, contanto que o tempo, espaço e as pessoas permaneçam imutáveis. Se um dos três fatores mudar, então a reação não será igual e oposta. A reação será um pouco maior ou um pouco menor. Suponha que numa noite, às 19:00 horas, o Sr. X pede emprestado 20.000 rúpias ao Sr. Y. Se o dinheiro não for devolvido no mesmo instante ele terá que ser devolvido com juros. Você terá que devolver uma quantia maior do que a que você recebeu.
A reação não ocorre no mesmo local e nem logo após as ações. A reação pode ocorrer depois de algum tempo – depois de poucas horas, dias, meses, anos ou mesmo, algumas décadas. Se você comete uma ação má, você terá que sofrer suas conseqüências, e você terá que pagar juros sobre a ação. Daí, a reação que você terá que suportar será maior que a ação. A reação não está em Deus, apenas no homem. Já foi dito que Deus não executa a ação no mundo externo, mas o homem o faz. Se o homem executa uma ação indébita em sua mente, a mente terá que sentir a reação. Ainda que seja dito nos Shástras ( escrituras ) que em Káli Yuga ( a atual era das trevas ) o pecado mental não é pecado, isto significa, na realidade, que o pecado mental não é punido mas deveria ser evitado, e o pecado externo é punido e deveria ser indubitavelmente evitado.
Se alguém comete um furto, terá que receber uma punição como reação. O furto é punível e deve ser evitado. Alguém que comete um furto em sua mente não prejudica ninguém neste mundo; assim, seu pecado não é punido. É claro, ele deveria ser evitado, porque se a mente pensa continuamente “eu roubarei, eu roubarei”, então o homem cometerá um furto fisicamente.
A uma ação benevolente corresponde uma reação benevolente, a uma má ação corresponde uma má reação. Uma ação boa prende como uma corrente de ouro, uma má ação prende como uma corrente de ferro. Deus não sofre qualquer reação porque não há nada externo a Deus. Tudo está Nele e tudo é Ele. O que quer que Deus faça está dentro de Si próprio, e não é nem bom nem ruim. Se você batesse num cavalheiro seria uma ação errada, mas bater em si mesmo não é censurável. Ninguém lhe dirá coisa alguma. Ninguém irá mover uma ação de difamação contra você, por qualquer coisa que você tenha feito com você mesmo. Assim, o que quer que Deus faça é com Ele mesmo, portanto, não há reação. Esta é a diferença entre o homem e Deus.
Todas as coisas criadas, todos os seres vivos precisam de proteção. Por exemplo, a cidade de Nagpur está sob os cuidados de algum distrito. O distrito está sob a administração de algum estado, e o estado está em alguma nação, a nação num continente, e assim por diante.
Mesmo a sustentação desta terra está no sistema solar, onde o sol é o núcleo. O sistema solar tem seu lar na galáxia, no cosmos. E o que é o núcleo dos Cosmos? É Paramapurus'a. Mas Paramapurusá não tem proteção. Ele não depende de coisa nenhuma. Por outro lado, o homem tem de depender de alguma coisa, de alguma proteção, de algum recurso. Se o homem quer se salvar da angustia, ele terá que absorver e adotar as qualidades de Deus. Lembre-se, a ação que traz prazer é comum tanto ao homem como a Deus. Assim, o homem deve encorajar este tipo de ação e isto implica em que ele deve fazer tanto mais sadhána quanto for possível. Mesmo as atividades mundanas devem ser encaradas como se elas fossem uma parte da sadhána. Atribua divindade a todas as ações que faz. Aí, então, você estará salvo da angústia. Antes de fazer qualquer coisa, você deve usar seu Guru Mantra (uma prática que atribui divindade a todas as ações mundanas). Toda a ação passa a ser então parte da sadhána, e não mais uma ação acorrentadora. Não haverá reação se você fizer todas as ações considerando todos seu Ser. Pratique madhuvidya!-(a doce ideação de que o Supremo está em todo lugar).
Com relação à proteção, o homem não deve pensar em termos de vila, cidade, distrito. Somente Deus deve ser sua proteção, e ele deve pensar que está sob a proteção de Deus apenas. Apenas Sua proteção, apenas Seu barco pode nos levar através do rio da vida. O homem se torna Deus, refugiando-se Nele. E você deve refugiar-se Nele agora; será difícil mais tarde.
Deus é inexplicável, indefinível. Ele é a própria personificação do amor. Considerando as conexões e relacionamentos mundanos, todas as coisas são mútuas, nada é unilateral. Você paga ao comerciante algum dinheiro e ele lhe dá o que você quer. O relacionamento é mútuo. Você não pode obter nada do comerciante se não pagar pelo que deseja. Também você não dá dinheiro ao comerciante sem obter alguma coisa em troca. O relacionamento é mútuo. Isto é negócio. Quando a conexão é unilateral, quando você dá sem receber algo de volta, isto é chamado seva ( serviço). O homem de negocio anuncia que ele tem “servido à sociedade nos últimos anos”. Na realidade, ele não faz serviço algum, ele negocia. Ele recebe dinheiro para fornecer algum bem em troca. Similarmente, o homem faz ações mundanas para comer, falar, etc. para seu prazer. Qualquer coisa que o homem faça para sua felicidade e satisfação de Deus é chamado prema ( amor). Amor é unilateral; todo o trabalho mundano é mutuo.
VOCÊ NUNCA ESTÁ SÓ OU ABANDONADO.
A FORÇA QUE GUIA AS ESTRELAS GUIA VOCÊ TAMBEM.
Deus não faz nada para Si mesmo. Deus é amor personificado, porque o que Ele faz é para servir os seres vivos. Ele é a morada do amor. Seu amor é inefável. Ele é inexplicável. O homem é impelido pelo egoísmo e guiado por seu limitado intelecto nos assuntos do mundo. Eu me lembro de ter ouvido em algum lugar que se pediu a um senhor que risse. Ele, sendo um homem de negócios, replicou: “Qual é o lucro que eu terei por meu riso?”. Antes de fazer alguma coisa, o homem vê se lhe será lucrativo fazer aquilo. Este não é o caso de Deus. Ele pertence a todos. Ele é para todos.
Enquanto Deus é inexplicável, podemos dizer alguma coisa sobre a natureza do homem. Por exemplo, diremos que esta pessoa é excêntrica; este senhor é puro de coração; este homem é bom, exceto por seu temperamento apaixonado e assim por diante. Em uma palavra, o homem é explicável, mas Deus é inexplicável. Vyasa, um poeta da antiga Índia, escreveu os Puranas (escritas antigas) para a educação pública e para elogiar as características divinas de Deus, assim ele elaborou acerca de Deus. Mas isto não deveria ter sido feito, porque Deus é inexplicável, Ele é indescritível. Ele está além dela. Ele não pode ser expressado; Ele está alem até mesmo da mente. Assim, não é possível para as escrituras escrever sobre Ele. E você sabe, Vyasa depois de ter escrito as escrituras, desculpou-se a Deus e procurou ser perdoado com estas palavras:
“Tu estás alem da forma, e ainda assim, eu Te descrevi. Esta é a minha primeira falta e crime. Tu estás alem de todas as qualidades, ainda assim, descrevi Tuas qualidades como compaixão, misericórdia, etc...Esta é a minha segunda falta e crime. Tu és onipresente, ainda assim, eu reforcei e propaguei a importância das peregrinações. Ao dizer que as peregrinações a um local ou um mergulho em algum rio sagrado seria algo virtuoso e capaz de produzir certos benefícios materiais, eu Te afrontei a Tua onisciência. Este é o meu terceiro crime. Ó Deus, eu cometi conscientemente estes três crimes. Perdoa-me Senhor”.
Sim, Deus é infinito. O homem pode ser descrito: Tom é deste tipo, Dick é daquele tipo. O homem deve contemplar Deus. Aí, então, ele também será inexplicável; Ele também será a personificação do amor.
Você trabalha com um cérebro, mas Deus trabalho com milhões de cérebros. Você se considera erudito depois de ter lido alguns livros e diz:” Onde está Deus? Mostre-me” Ah! Você tem o olho para Vê-lo? Se for pedido para um cego para ver um elefante, o que poderá ele ver? Para ver o elefante você precisa de olhos. O homem tem dois olhos, ambos na frente. Um olho atrás e outro na frente poderia ter servido a este propósito. Os dois olhos estão na frente e o homem não pode nem mesmo ver o que está acontecendo atrás de si. Mas Deus “vê” com um número infinito de olhos. Ele vê mesmo o que você faz clandestinamente . Ele “vê” o que você está pensando em sua mente. Você ( apontando para um sadhaka de Hyderrabad) pensa que lhe teria sido conveniente se Nagpur estivesse mais perto de Hiderabad, mas para Deus não existe isto que chamamos distância. Ele não tem que ir a lugar algum. Ele tem um pé aqui na tenda e Seu outro pé talvez esteja em sua casa de Hiderabad. Você deve se lembrar que no caso de absoluta cognição existe velocidade absoluta ou pausa absoluta, mas no domínio de relatividade não pode nunca haver velocidade absoluta ou pausa absoluta; em todo o lugar há velocidade relativa e pausa relativa.
Ele está neste mundo de cinco fatores fundamentais. E neste mundo psíquico, nas esferas das mente, Ele existe em Sua onipresença. Ele criou todas as esferas da mente, e Ele existe em todo lugar.
Mas o ser limitado existe numa região limitada deste mundo material. Se alguém diz que Ele é um especialista em Geografia, e se eu lhe pergunto o número de casas de Nagpur ou o numero de tijolos das casas, ele não estará apto a responder. Quantos tijolos há em Nagpur é certamente uma questão de Geografia, mas eu não encontrei nenhum especialista em Geografia que pudesse responder minha pergunta.
A inferência é que o conhecimento humano é imperfeito e nunca se pode pretender ser perfeito em qualquer conhecimento humano. O orgulho do saber é, portanto, sem sentido. O homem nada tem de que possa se orgulhar. Se há alguma coisa de que possa se orgulhar, é Deus. Você pode certamente se orgulhar do Pai que é perfeito e divino. “Eu sou o filho de Deus.” Este é o tipo correto de orgulho. Fora disso, nada há de que se possa orgulhar.
O homem sabe apenas algumas coisas do passado recente. Ele nem mesmo pode saber o que acontecerá no próximo momento. Mas Deus sabe de tudo. Ele é onisciente porque o mundo de relatividade está dentro Dele. Ele é o conhecedor do passado e do futuro. O conhecimento do homem é muito limitado. Se aqueles que passaram no exame de bacharelato tivessem que prestar um exame neste momento, penso que nenhum passaria. Mesmo se lhes fossem dadas agora as mesmas questões do exame anterior, não passariam, porque teriam esquecido muito do que aprenderam antes.
Os homens são guiados pelos complexos de superioridade ou pelos de inferioridade. Suponha que alguém passe no exame de bacharelato e as pessoas de sua vilas sejam todas analfabetas.
Quando ele for a sua vila terá tal ar de orgulho que não irá se misturar espontaneamente com o povo e não falará livremente com eles. Poderá também sentir inferioridade de pertencer a uma vila atrasada enquanto está entre os habitantes da cidade. No homem, os sentimentos de grande e pequeno brotam. O homem não tem perspectiva desapaixonada.
Deus, pelo contrario, olha para os tolos e os sábios, os pretos e os brancos, os altos e os baixos, e para todos – com os mesmos olhos. O homem, porém, pensa sobre o grande e o pequeno. Ele adula os grandes e desdenha ou negligencia os pequenos. Para Deus não há diferenciação, Deus é para todos. Em tempos de tristeza você diz: “Ó, Deus, salva-me!” e o homem perverso diz: “Ó, Deus, salva-me!”. Deus ouve mesmo o perverso, mas você despreza o perverso. Eu disse uma vez que Deus não pode fazer duas coisas. Ele não pode criar outro Deus como Ele, embora possa criar todas as outras coisas, e Ele não pode odiar ninguém. Mesmo que Deus deseje odiar alguém, Ele não pode fazer isso. Os que estão no paraíso e os que queimam no fogo do inferno são ambos igualmente queridos de Deus. Deus tem compaixão por todos. Ninguém está sem seu apoio. Se uma criança vil chora no inferno e diz:
“ Ó, Deus, agora eu não posso suportar o tormento. Salva-me!” Deus o ouvirá e o protegerá como protegeria qualquer outro. Mas você não tem esta característica. Quando você vê uma pessoa perversa sofrendo, você diz: “Ah, é bem feito!” Você tem intenso ódio por aquele homem perverso.
Você pode responder ordens de outros, mas Deus não pode receber ordens de ninguém. Esta é a diferença fundamental entre você e Deus. A despeito disso , Deus o abençoou com uma coisa maravilhosa – a mente. A natureza desta coisa, a mente, é que, assim como ela pensa, assim se torna. O que pode você fazer muito convenientemente? Unir sua mente a Deus. Tendo a ideação de Deus, você mesmo vai se tornar Deus, e todas as qualidades e características de Deus lhe advirão. Deus não pode ser dois. Você vai se fundir com Deus e se tornar aquele Deus uno. Você se estabelece assim em benção eternamente.!
As pessoas que dedicam tudo de si ao pensamento do Grande e à inspiração do Supremo são verdadeiramente os grandes heróis. Tais heróis na verdade, são os virtuosos e somente eles são capazes de levar a história da humanidade das trevas para a luz.
A Graça de Bábá - Shrii Shrii Ánandamúrtijii