05/03/2009

LIBERAÇÃO DA FORÇA ESTÁTICA

            Anteontem, o tópico do discurso no Clube de Renascença Universal (RU) foi A liberação do intelecto. Uma questão poderá surgir em suas mentes: o que significa a liberação do intelecto? O intelecto é, essencialmente, um idéia impessoal ou uma idéia abstrata. Agora, como pode surgir a questão da liberação de uma coisa que seja impessoal, um conceito abstrato? A este respeito, a minha opinião ponderada é: sim, de fato existe a necessidade da liberação do intelecto. De fato, o que quer que exista neste universo – matéria densa, idéia sutil ou consciência – tudo precisa de liberação. Na ausência de liberação, não pode haver a expressão natural de um objeto ou de um indivíduo. Isto é, se queremos ver a expressão total do objeto ou o desdobramento completo das qualidades e capacidades que estão latentes em um indivíduo, a liberação do objeto ou desse indivíduo é indispensável.

            Os seres humanos anseiam pela liberação do domínio da força estática. Agora, qual é a natureza dessa liberação? Não é possível alcançar a liberação desse corpo físico denso. A liberação do corpo físico significa a morte. Para alcançar a liberação das restrições da força estática, o indivíduo terá que empreender esforços persistentes. Os esforços combinados para alcançar a liberação das restrições econômicas, submissão política e todos os tipos de dependência social, no mundo físico, é a liberação da força estática no mundo material. Para obter a liberação desses tipos de restrições do mundo físico, os seres humanos terão que fazer esforços conscientes. Se um país estiver subjugado por outro país, então, este país subjugado terá que empreender uma guerra para alcançar a liberação das correntes da servidão. É por isso que a liberação das limitações do mundo físico é essencial para os seres humanos. Notamos que onde existe subserviência neste mundo – seja econômica, política ou social – o desenvolvimento apropriado das qualidades subjacentes ou da genialidade dos seres humanos permanece um sonho distante. É por isso que em todas as esferas da vida existe a necessidade de liberação. A liberação das limitações da força estática é imprescindível.

            Mais sutil do que a matéria é a mente. A mente também deve ser liberada da escravidão psíquica. Notamos na sociedade várias formas de pressão psíquica, inúmeras formas de exploração. Para alcançar a liberação desta forma exploração e tirania, os seres humanos devem esforçar-se para se liberarem das limitações psíquicas. O anseio interno para alcançar a liberação é uma necessidade natural de cada ser humano. A essência da mente humana é conhecida como intelecto. A intuição não pode ser chamada precisamente de essência da mente. Na verdade, a intuição é mais sutil do que a mente; é um aspecto muito especial da existência humana. Melhor seria chamar a intuição de décimo primeiro órgão ou sexto sentido. A chamada discriminação entre o sagrado e profano, o permanente e o transitório, o puro e o impuro possui uma medida própria. Esta medida deve permanecer necessariamente imaculada. Devido às limitações dos vários tipos de exploração e tirania contra o intelecto, na esfera física, o espírito humano se debate em agonia reprimida. De maneira semelhante, a capacidade humana de pensar, no mundo psíquico, é também arrebatada. Na esfera intelectual, quando os seres humanos tentam agir de forma a alcançarem seu desenvolvimento espiritual e intelectual, vários tipos de dogmas surgem e criam obstáculos.

            O que é um dogma? A resposta é a seguinte: dogma é uma idéia preconcebida que proíbe os seres humanos de irem além dos limites dessa idéia ou objeto. Nessa situação o intelecto humano não pode funcionar livremente. Algumas pessoas dizem: “Está bem, nós podemos não obter a máxima utilização de nosso intelecto, mesmo assim podemos dispor de dez ou vinte por cento de sua capacidade.” Minha opinião ponderada é que, com o dogma, não se pode utilizar apropriadamente nem mesmo dez ou vinte por cento do intelecto humano. A utilização de uma mísera quantidade do intelecto é inadmissível. O maior tesouro dos seres humanos é a sua faculdade psíquica, o seu intelecto. Este intelecto não pode ser utilizado para o seu proveito máximo. Que situação mais trágica do que esta poderia existir?! Portanto, precisamos da liberação do intelecto humano. Deixem-me explicar um pouco mais o que é dogma. Suponhamos que o intelecto queira seguir um determinado caminho. Entrementes, o dogma vem por todos os lados e proíbe: “Oh! Não! Não! Dê mais um único passo e irá para o inferno eterno. Se você for, você será queimado no fogo eterno do inferno. Você estará condenado ao inferno pela eternidade.” Quando o intelecto deseja a utilização máxima dos recursos materiais, o dogma interfere e diz o seguinte: “Oh! Não! Você não deve fazer isso! É perigoso para os seres humanos, é um ultraje absurdo. Isto levará a humanidade à ruína.

            Quando o intelecto humano fica ardentemente estimulado a se aventurar em um novo empreendimento, na esfera psíquica, o dogma aparece novamente e determina: “Oh! Não! Você não deve fazer isso. Isto trará a sua ruína.” Assim, em cada esfera, a cada passo, os dogmas colocam obstáculos na mente humana, no intelecto humano. Para servir à humanidade, o intelecto terá que se libertar de todos os tipos de limitações, de todos os tipos de dogmas, de todas as formas de influências profanas. A não ser que isso seja alcançado, a raça humana não poderá ter um futuro radiante. Se a humanidade atual quiser anunciar o advento de uma alvorada dourada, ela terá que alcançar a emancipação completa do intelecto humano através de uma luta implacável contra o dogma, apoiada por uma coragem ilimitada e desinibida. Esta é a razão pela qual, em todos os cantos e direções do mundo, somente um slogan, vindo de todas as vozes, deve ecoar, Dogma – nunca mais, nunca mais!

 P.R.SARKAR(Abhimata, Parte 4)