14/10/2014

A NEO-ÉTICA DA SALVAÇÃO MULTILATERAL

Até agora os cientistas tinham a percepção de que nenhuma estrutura poderia vir a existir sem uma base carbônica; isto é, a sobrevivência, a multiplicação e a dissolução de qualquer es­trutura não seria possível sem olocus standi[razão especiosa]carbônico. Tantos os átomos carbônicos como os não-carbônicos adquirem sua estru­tura atômica dos microvita. O microvitum necessita de espaço em teoria, mas não no campo físico. Uma estrutura carbônica ne­cessita de espaço tanto na teoria como na prática. O microvitum não é de origem carbônica.

                                         
Vejamos como é a estrutura de um átomo de carbono. Um átomo tem um núcleo em cuja órbita estão os elétrons. O peso de um átomo é definido pela massa de seu núcleo. A diferença entre dois átomos é, principalmente, a diferença nuclear. A esse res­peito, a massa dos satélites(eletróns) é de pequena importância. Se o núcleo de um átomo for partido, certamente serão liberadas energias ou calorias extraordinárias.

É verdade que cada estrutura protozóica é baseada em átomos de carbono. Um único microvitum é insuficiente para formar um átomo de carbono, porém, quando bilhões de microvita se solidificam, um átomo de carbono se forma – de modo geral ou natural de natureza heterogênea e, sob circunstâncias especiais, de natureza homogênea. A singularidade ou a pluralidade de átomos constitui uma molécula, e várias moléculas adquirem a característica de um elemento, sejam os elementos de natureza homogênea – como o hidrogênio, o carbono, o hélio – sejam os elementos de natureza heterogênea – como o monóxido de hidrogênio, o peróxido de hi­drogênio, o monóxido de carbono, o dióxido de carbono, etc. Um átomo pode ter uma natureza interna tanto heterogênea como homogênea e também sua natureza externa pode ser tanto heterogênea como homogênea. O mesmo acontece com uma molécula. Porém sua natureza interna é mais heterogênea, enquanto o aspecto externo é mais homogêneo habitualmente. Portanto, um átomo mantém sua magia unitária de acordo com a sua homogeneidade ou sua hetero­geneidade internas.

O hidrogênio, o enxofre e o oxigênio coletivamente formam o ácido sulfúrico. Quando esses elementos se combinam sob cer­tas temperaturas, em condições barométricas específicas e proporções específicas, obtemos um resultado. Se faltar um desses fatores condicionantes, vai variar o resultado da mesma forma.

Caso não exista átomo carbônico, a estrutura protoplásmica não pode ser formada. As células protoplásmicas são de na­tureza molecular heterogênea. Se os núcleos das células pro­toplásmicas se dividirem, eles liberarão uma energia muitas vezes maior do que a liberada pela explosão nuclear. Obviamente, os corpos vivos, sendo compostos de incontáveis células protoplásmicas, possuem proporções enormes de energia – algo que está além da compreensão normal.

Bilhões de microvita produzem um único átomo de carbono. É por isso que não se pode dizer que todas as coisas vieram dos átomos de carbono. Pelo contrário, os átomos de carbono vieram dos microvita. Não apenas os átomos de carbono, mas todos os outros tipos de átomos são criações dos microvita. Naturalmente, a química, a bioquímica e todos os outros ramos relacionados passarão por uma mudança revolucionária. Certamente virá o dia em que um ômega de matemática coincidirá com um ômega de bioquímica[i]. Todas as fórmulas e teorias seguidas até agora terão de ser reformuladas, redefinidas e reclassificadas.

Já que um átomo não se encontra dentro do alcance de um microscópio comum ou de um telescópio comum, como poderiam os microvita – que são muitas vezes mais sutis e menores do que os átomos – chegarem ao alcance de um microscópio comum ou de um telescópio comum, ou da percepção ordinária, seja na esfera psíquica, seja na das inferências?

Cada estrutura de origem carbônica deste universo, tanto ani­mada como inanimada, possui uma mente. Isto é, uma mente está associada a cada estrutura, seja na forma expressa seja na forma não expressa. Onde a mente não está expressa não existe co­bertura endoplásmica, e onde a mente está expressa, a cober­tura endoplásmica passa a existir. Onde quer que exista mente, ela necessita de pábulo (nutrição), tanto de natureza carbônica quanto de natureza não carbônica. Se o pábulo psíquico é de natureza carbônica, o movimento psíquico é para o denso e, se o pábulo psíquico é de natureza não carbônica, o movimento psíquico é para o sutil. O pábulo psíquico não carbônico ajuda na motivação suprapsíquica e espiritual. Um aspirante espiritual genuíno deve ser muito cuidadoso ao selecionar o seu alimento. O pábulo de natureza carbônica ajuda a manter e a nutrir estru­tura física e o pábulo de natureza não carbônica ajuda a fortale­cer a estrutura psíquica. A assimilação cada vez maior de pábulo carbônico imperfeito afeta adversamente o triângulo psíquico de forças, impedindo assim o progresso psicoespiritual de uma pes­soa. Poderá até chegar o estágio em que a estrutura física venha a ficar quase sem mente. A fábula mitológica de Ahalyá [que se tornou pedra por seus pecados, no épico Ramayana, bem como a mulher de Ló, conforme a Bíblia] pode ser citada como um exemplo do caso em questão.

Quando as pessoas se desinteressam pelo pábulo não carbônico e ficam progressivamente absorvidas no pábulo carbônico, ocor­rem dois efeitos perniciosos como consequência. Primeiro, o campo de nosso próprio pábulo carbônico aumenta, enquanto a mente, de forma gradual e contínua, é levada em direção à matéria bruta. Em segundo lugar a mente da pessoa se fixa em devorar o pábulo carbônico dos ou­tros. Esta é a explicação psicológica do imperialismo. Isto é, o imperialismo tem sua origem na psique e atua na esfera psíquica. Quando expressado externamente toma várias formas, tais como capitalismo, capitalismo estatal, comunismo, nacionalismo, comunalismo, paroquialismo, provincialismo, socialismo, imperialismo de castas, chauvinismo masculino, lingualismo. Uma vez eu fui a uma vila onde a língua local era o bengali. Porém, mesmo no ensino fundamental era ensinado o hindi como substituto da língua mãe. Este é um exemplo evidente do imperialismo linguístico, etc., constituindo todos eles doenças psíquicas em formas e aspectos variados.

Estimulada por esta doença psíquica, uma superpotência impõe seus interesses nacionais egoísticos sobre outros estados mais fracos, para estabelecer a sua soberania política, militar, etc. Um poder imperialista deseja dominar e explorar outras unidades socio-político-econômicas para expandir, perpetrar e consolidar seus interesses escusos. Um poderoso grupo linguístico suprime outros grupos linguísticos minoritários; as chamadas castas su­periores subjugam as castas inferiores na sociedade e sugam sua energia vital sob muitos disfarces e argumentos, e homens oportunistas usurpam os direitos da população feminina de várias ma­neiras. Em todos os casos prevalece a mesma doença psicológica, inerente ao imperialismo.

O imperialismo é anti-humano. Vai de encontro ao espírito do neo-humanismo e à ética da vida humana. É prejudicial ao pramá sam’vrddhi, pramá rddhi e pramá siddhi [vide Democracia Econômica – cap. 6]na sociedade humana. Em resumo, ele impede o progresso humano e cria guer­ras mundiais e todos os tipos de forças divisionistas e destrutivas na sociedade.

imperialismo é uma força negativa, um fenômeno destrutivo que gera condições injustas e exploradoras na vida individual e coletiva. Tal radiação venenosa da força negra atrai forças ne­gativas como os microvitanegativos. Estes microvita negativos intensificam e incrementam as atividades demoníacas do imperia­lismo em todos os aspectos da sociedade humana: arte, literatura, educação, comércio, indústria, agricultura, moralidade e relações sociais. Eles cultivam uma psicologia baseada na escravidão, no complexo de inferioridade, na pseudocultura, na exploração psico­econômica e, em certos casos, são a causa do niilismo e do ci­nismo.

Para destruir o imperialismo, o qual está profundamente enraizado na psique humana, a Neo-Ética, baseada nos pontos seguintes, é indispensável:
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(1) A Entidade Macrocósmica deve ser aceita como o Desiderato Supremo da vida humana;
(2) Deve existir um ajustamento adequado e uma combinação equilibrada entre o pábulo carbônico e o pábulo não carbônico.

Esta é a Neo-Ética da presente era; uma panacéia para os males sociais imperialistas atuais e sua rede de desordens psíquicas. A aplicação da Neo-Ética levará à salvação multilateral da socie­dade humana, ao remover a exploração econômica, a supressão política, a doutrinação religiosa, a imposição cultural e a subor­dinação social.

O PAPEL DO GURU

Eu já comentei que, se houver na mente e no corpo humano um ajus­tamento adequado e uma combinação equilibrada entre o pábulo carbônico e o pábulo não carbônico, não haverá nenhuma forma de impe­rialismo. Pelo contrário, o céu descerá sobre a terra árida.

Se seguirem o caminho da Neo-Ética, os seres humanos al­cançarão grande progresso na esfera espiritual com maior velocidade. Com a ajuda do pábulo não carbônico, eles aguçarão sua penetração psíquica nos espaços atômico e molecular (em níveis inter e intra). Com a ajuda dos microvita eles serão capazes de pul­verizar seus ectoplasmas e transformá-los em fatores de faculdade cognitiva.

Hoje em dia, a maioria das pessoas não conhece a técnica de utilização dos microvita. A Entidade Universal, sentada em um lugar, tem usado os microvita para acelerar o crescimento espiritual dos indivíduos em diferentes corpos celestes e de diferentes maneiras. Somente a Entidade Suprema – que está familiarizada com essas técnicas e que pode ensiná-las aos aspirantes espirituais individuais – é que é o Guru Supremo. Ele mantém todos dentro de Sua in-fluência e com a ajuda dos microvita eleva a todos espiritualmente.

Os seres vivos, através de seus próprios esforços individuais, po­dem alcançar apenas um pequeno progresso no mundo carbônico, porém, no mundo não carbônico, somente a graça do Guru Supremo pode guiá-los para o Objetivo Supremo.

Portanto, já foi dito corretamente: Guru krpáhi kevalam (A graça do Guru é tudo). Esta é a única Verdade Suprema. Este é o começo e fim da vida.

P.R. Sarkkar - Madhu Karnika, Kalikáta 26/3/87

Published in:
A Few Problems Solved Part 8
Microvitum in a Nutshell [a compilation]
Prout in a Nutshell Volume 2 Part 9 [a compilation]



[i] 1. ô.me.ga = Quím.  Relativo ou pertencente a um grupo ou posição finais.
2. (maiúscula Ω e minúscula ω) é a vigésima quarta e última letra do alfabeto grego. No sistema numérico grego vale 800. No modo matemático do LaTeX, é representada por: . (fonte: Babylon).

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