14/09/2014

BRAHMACARYA - Permanecer Conectado a BHAHMA

O significado correto de Brahmacarya é permanecer conectado a Brahma.
Brahma Vicarana’na’m Brahmacaryam”.
Sempre que uma pessoa faz um trabalho, ou pensa em fazê-lo, considera o objeto com o qual entra em contato como uma entidade finita. Devido à constante aspiração por ganhos materiais, a mente é tão absorvida pelos objetos materiais que a sua consciência torna-se densa. O significado da prática de Brahmacarya Sádhaná é o de considerar os objetos com os quais a pessoa entra em contato como diferentes expressões de Brahma, e não como formas materiais. Por esta concepção, mesmo que a mente vagueie de um objeto a outro, ela não se afasta de Brahma porque extrai sentimentos cósmicos de cada objeto. Como resultado disso, Preya Sádhaná (enfoque extrovertido) é convertido em Shreya Sádhaná (enfoque introvertido) e Kama converte-se em Prema (Preya quer dizer atração pelos objetos materiais, enquanto Shreya quer dizer atração pela realidade derradeira. Kama quer dizer desejo pelos objetos finitos e Prema desejo pelo infinito).

Muitos interpretam erradamente Brahmacarya como sendo a preservação de sêmen. Deveria ser lembrado que nenhuma das duas palavras “Brahma” e “Carya” tem relação com a palavra sêmen. Além do mais, mesmo fisiologicamente, a preservação do sêmen é um blefe. Seja por causa de doenças em certas glândulas seja por outros processos similares, a menos que alguém se torne mutilado, não será possível observar esse tipo de Brahmacarya.
Sem dúvida é certo que, se o significado natural da palavra Brahmacarya (isto é, sentir a Entidade Cósmica em todos os objetos materiais) é aceito, o controle na vida do homem se torna essencial, porém, este controle não implica infligir as leis da natureza. O controle significaria seguir as leis da natureza de forma apropriada. A prevenção da perda seminal por algumas medidas apropriadas, ou a prevenção da formação de excedente através do jejum é, em geral e erradamente, denominada de Brahmacarya.
Mas, para aqueles que não são casados, este suposto Brahmacarya, (que na verdade não é Brahmacarya), tem importância, porque reduz a possibilidade de excitação sexual e, assim, previne a perda seminal, que pode ocorrer devido à excitação enquanto acordado, dormindo ou sonhando. Isto ocorreria porque, quando não há excesso de sêmen, não surge o desejo físico para despendê-lo. Posteriores considerações mostrarão, contudo, o quanto vale este suposto Brahmacarya. Não seriam a mesma coisa prevenir a formação de sêmen em excesso e a perder o excesso? Tudo o que deve ser dito é que a primeira alternativa é boa para os solteiros e a segunda para os casados.
As pessoas que, por diferentes métodos repressivos, tentam prevenir a perda de sêmen, na verdade, sofrem reações físicas e mentais negativas. Seus corpos se desenvolvem grosseiramente e falta-lhes vivacidade. A supressão do desejo sexual dá origem a outros desejos, especialmente a raiva, sob uma forma mais terrível. Em tempos muito antigos, apenas o sentido autêntico de Brahmacarya era aceito. Mais tarde, quando a sociedade foi dominada pelos intelectuais, a “intelligentsia”, os assim-chamados monges que tinham se dedicado à exploração, pensaram que, se fosse permitido a um cidadão comum dedicar-se às práticas espirituais, eles perderiam a qualquer momento o esquema de exploração, ao qual estavam apegados. Eles pensavam: “Se o homem comum for inspirado por ideais espirituais, sua racionalidade crescerá cada vez mais. Por isso, o povo deve ser mantido desamparado e indefeso. O medo e o complexo de inferioridade devem ser infundidos no homem para explorá-lo.” Eles sabiam que esta massa explorada consistia de gente comum, cuja maioria era de pessoas casadas. Se portanto, a perda de sêmen fosse declarada anti-religiosa, eles conseguiriam sua meta sem dificuldade. O intento foi imediatamente alcançado. O homem comum começou a pensar que, ao levar a vida de casado, cometia um grave erro, um pecado abominável, entregando-se a atividades contra Brahmacarya. Os monges observavam o celibato e se tornaram, portanto, muito superiores. Os assim-chamados reclusos aproveitavam-se da situação e exploravam a sociedade sem dificuldade.
Se esses monges são realmente Naesthika Brahmacariis (aqueles que não perdem nenhum sêmen), isto não pode ser decidido por argumentos. Isto só poderia ser decidido por um exame médico. Pode-se dizer, sem a menor dúvida, que muitos desses monges não passariam por esse exame.
O casamento é uma função natural, como tomar banho, comer, dormir etc. Portanto, nada há de condenável nele, nem ele é contra o Dharma. Uma vez que um homem honrado ou um Sádhaka elevado não está proibido de comer, não há qualquer razão para ele evitar o matrimônio. Porém, é preciso um controle adequado sobre o comer e o dormir, aliás, sobre cada passo da vida. A falta desse controle leva a doenças. A comida é necessária para a vida; porém, comer sem controle causa indigestão. O banho é refrescante, porém, a falta de controle do banho, isto é, o banho muito prolongado pode acarretar resfriado. Do mesmo modo, o casamento é útil, porém, a vida de casado sem controle pode causar doenças ao corpo e à mente.
O matrimônio é um pouco diferente das outras funções naturais da vida, tais como comer, dormir etc. O matrimônio não é tão essencial à vida como o comer e o dormir. A necessidade do casamento varia de acordo com o indivíduo. Por isso, segundo a opinião da Ananda Marga, cada indivíduo tem liberdade completa no que concerne ao casamento. Por exemplo, o casamento de pessoas que sofrem de doenças físicas ou mentais, ou as que não estão bem de finanças, ou que se acham em circunstâncias não favoráveis ao casamento (ou seja, se o casamento puder causar infelicidade), não é desejável. Aqueles que estão constantemente comprometidos no cumprimento de um ideal ou aqueles que têm de passar a maior parte do dia ganhando a própria subsistência ou com outras ocupações mentais, não deveriam se casar, porque eles não poderiam cumprir seus deveres familiares adequadamente. O casamento de tais pessoas é nocivo à sociedade em muitos casos.
Embora o casamento não seja recomendável àqueles que têm certas doenças, ou que estejam em condições pessoais desfavoráveis ao casamento, existe a possibilidade de eles se entregarem a vícios velados, devido ao fato de não serem casados. Para evitar essa possibilidade, eles devem se esforçar para atingir um ideal elevado ou se engajar em práticas espirituais laboriosas [serviço social]. A degeneração psicológica resultante da supressão das tendências naturais pode ser evitada apenas com o esforço para realizar um ideal elevado.
Foi dito anteriormente e continuo a repetir que o homem deve exercer o autocontrole em cada aspecto da vida, seja ele grande ou pequeno. Este controle não implica suprimir o desejo, mas sim controlá-lo. Desejos e tendências são atributos naturais dos seres humanos. Portanto, para aqueles que desejam suprimir os desejos, melhor seria adotar um método mais fácil, ou seja, o suicídio, ao invés de buscar práticas espirituais difíceis. Eu não vejo nenhuma razão que justifique o suposto Brahmacarya adotado por shaevas, shaktas, vaesnavas, ou aqueles que acreditam nas Puranas, porque seu Deus — Shiva, Visnu, Krs’n’a e outros mais — eram pessoas comuns. As Puranas mencionam os nomes de suas esposas e seus respectivos filhos.
O Dharma é baseado em Satya. Dharma Sahna Yatra na Satyamasti”. “Onde não há Satya não há Dharma”.
A interpretação errônea de Brahmacarya pode conter qualquer coisa, exceto Satya. Portanto, não há Dharma ou Brahma nela.

O homem deve progredir ao máximo, aceitando o que é simplesmente a verdade. Este é o caminho de um Sádhaka; este é o caminho de Dharma. Pode ser um privilégio dos profissionais religiosos parasitas negar o que é simplesmente a verdade na vida prática, porém, nesse caso a santidade de Dharma não é mantida. Não é o caminho de Satya; é o que se chama de hipocrisia.
                   Um Guia Para A Conduta Humana - Shrii Shrii Ánandamúrtijii.

05/06/2014

RETIRO ESPIRITUAL DA ÁNANDA MÁRGA SETORIAL DE INVERNO

RETIRO ESPIRITUAL DA ÁNANDA MÁRGA SETORIAL DE INVERNO




20/04/2014

A Vinda de Táraka Brahma

13 de maio de 1979 A Noite, Fiesch, Suíça

Ontem à noite, durante DMC eu disse que nem o tempo eterno, nem a natureza, nem o destino, nem acidente, nem os fatores quinquelementais são a Matriz Causal e, portanto, estes não podem ser aceitos como objeto de ideação . Não só isso - eles não são perfeitos em si mesmos, pois mesmo que tais entidades entrem em ação de proximidade uns com os outros - mesmo sob tais circunstâncias - não podem ser aceitos como o objetivo da vida humana.
Veja você, se o tempo eterno entra em grande proximidade com a natureza, mesmo assim não temos nada de concreto, nada adorável. E como você sabe, a natureza funciona no âmbito do tempo eterno. Assim, mesmo se este tempo eterno entrar em contato muito próximo com a natureza ou quaisquer outros fatores, não teremos algo novo, nada de novo, nada adorável. E o acidente, todos os acidentes, acontecem no âmbito do tempo eterno. Não há nada de novo no acidente. Ou seja, ele não se constitui em acréssimo filosófico. E o destino, o que é o destino? O destino é a reação em potencial, reação imanifesta. Quando ação é feita, está dentro do âmbito do tempo, e quando as reações ocorrem, também estão dentro do âmbito do tempo. Os fatores quinquelementais - são a causa aparente do tempo. Assim, onde quer que exista o tempo ou exista o assim chamado destino ou os assim chamados acidentes, os fatores quinquelementais existirão. Então, suas aproximações mútuas ou a suas combinações não fazem - não criam - qualquer coisa nobre que possa ser aceita como o Desideratum da vida humana.

"Desideratum" é uma palavra singular, e Eu disse que o termo plural " Desiderata " não deve ser utilizado. O Desideratum é algo singular. E este é Paramapurus'a .

Agora, quando Paramapurus'a diretamente ou fisicamente entra em contato com esses fatores, o que acontece? Paramapurus'a está além da periferia do tempo, mas quando ele entra em contato ou vem dentro da jurisdição do tempo, o que acontece? Nós temos algo novo, então?  Paramapurus'a está além dos limites temporais e espaciais e limitações pessoais. Mas quando Ele chega dentro dos limites de Suas jurisdições, o que acontece? Ou o que pode acontecer? Sob tais circunstâncias, dizemos que Paramapurus'a se tornou Táraka Brahma. Sob tais circunstâncias, Ele chega aqui em uma determinada data, deixa esta terra também em uma data específica, tem o nascimento de Seu corpo quinquelemental, e a morte de Seu corpo quinquelemental. Como vocês constatam, isto nós sabemos, Ele é uma Entidade Impessoal, como o Centro do Universo. Mas quando Ele chega sob a jurisdição desses fatores relativos, temporais, espaciais e pessoais, Ele não continua a ser uma Entidade Impessoal. Ele torna-se algo pessoal, algo mais próximo, algo intimamente relacionado, e este é o nosso Táraka Brahma.

Agora, por que é que Ele entra em contato com os fatores quinquelementais? Por que Ele vem dentro das jurisdições dos fatores espaciais, temporais e pessoais, estes três fatores relativos fundamentalmentais? Qual é a causa? Há duas razões. Um fato é, o intelecto humano pode obter satisfação após entrar em contato psíquico com a Entidade Impessoal, mas o coração do homem não está satisfeito com essa Entidade Impessoal. O coração humano quer algo mais, algo mais sentimental, algo mais agradável. E é por isso, apenas para satisfazer, apenas para dar prazer para Sua progênie, que Ele vem no âmbito desses fatores relativos. Paramapurus'a torna-se Táraka Brahma. E o segundo motivo é que, neste mundo criado, neste universo, todo e cada progresso é um progresso que ocorre através de choques e de coesões. E os seres humanos devem ter suficiente resistência (stamina) intelectual para seguir em frente, lutando contra todas as pedras dos obstáculos. Quando o intelecto humano fracassa em fazer algo novo, em ajudar a sociedade a se mover para a frente, Paramapurus'a não encontra outra alternativa senão colocá-se no âmbito dos fatores espacial-temporal-pessoal justamente para orientar a sociedade humana depravada e degenerada.

Agora, quando a sociedade está em uma condição degenerada ou depravada, onde tendências fissíparas dominam, onde o princípio estático domina, torna-se impossível para Paramapurus'a de permanecer inalterado ou inatingível pelos sentimentos e gritos humanos e as demandas humanas. Então, e só então é que Ele vem na forma de Táraka Brahma. Táraka significa "O Libertador". E este Táraka é o Bábá do mundo criado. Para Ele os devotos cantam, Bábá nama kevalam!

P.R.Sarkar - 13 de maio de 1979 à noite , Fiesch , Suíça

The Coming of Táraka Brahma
13 May 1979 evening, Fiesch, Switzerland

Last night during DMC I said that neither the tempus eternal nor nature nor fate nor accident nor the quinquelemental factors is the causal matrix, and therefore they cannot be accepted as the object of ideation. Not only that – they are not perfect in themselves, but even if these entities come into actional proximity with one another – even under such circumstances – they cannot be accepted as the goal of human life.


You see, if the tempus eternal comes in very close proximity with nature, even then we get nothing concrete, nothing adorable. And as you know, nature functions within the scope of the tempus eternal. So even if this tempus eternal comes in closer contact with nature or any other factors, we get nothing new, nothing fresh, nothing adorable. And accident, all accidents, take place within the scope of the tempus eternal. There is nothing new in accident. That is, it constitutes no philosophical addition. And fate, what is fate? Fate is the unquenched reaction, unsatisfied reaction. When action is done, it is within the scope of the tempus, and when reactions take place, that is also within the scope of the tempus. The quinquelemental factors – they are the apparent cause of the tempus. So wherever there is the tempus or there is so-called fate or so-called accident, the quinquelemental factors are there. So their mutual touch or combination doesn't make – does not create – anything noble that can be accepted as the Desideratum of human life.


“Desideratum” is a singular word, and I said the plural term “desiderata” should not be used. The Desideratum is a singular one. And that one is Parama Puruśa.



Now when Parama Puruśa directly or physically comes in contact with these factors, what happens? Parama Puruśa is beyond the periphery of the tempus, but when He comes in contact or comes within the jurisdiction of the tempus, what happens? Do we get something new then? Parama Puruśa is beyond temporal and spatial and personal boundaries. But when He comes within their jurisdictions, what happens? Or what may happen? Under such circumstances, we say Parama Puruśa has become Táraka Brahma. Under such circumstances He comes here on a particular date, leaves this earth also on a particular date, takes the birth of His quinquelemental body, the death of His quinquelemental body. This we find, and, as you know, as the hub of the Universe He is an impersonal entity. But when He comes within the jurisdiction of these relative factors, temporal, spatial and personal, He no longer remains an impersonal entity. He becomes something personal, something closer, something closely related, and that is our Táraka Brahma.


Now why does He come in contact with the quinquelemental factors? Why does He come within the jurisdictions of the temporal-spatial-personal factors, these three fundamentally-related factors? What is the cause? There are two reasons. One thing is, the human intellect may get satisfaction after coming in psychic contact with the Impersonal Entity, but the human heart is not satisfied with that Impersonal Entity. The human heart wants something closer, something more sentimental, something more pleasing. And that's why just to satisfy, just to give pleasure to, His progeny, He comes within the scope of these relative factors. Parama Puruśa becomes Táraka Brahma. And the second reason is that in this created world, in this universe, each and every progress is a progress through clashes and cohesion. And human beings must have sufficient intellectual stamina to move forward, fighting against all those pebbles of obstacles. When the human intellect fails to do something new in helping society to move forward, Parama Puruśa finds no alternative but to bring Himself within the scope of the temporal-spatial-personal factors just to guide the depraved and degenerate human society.


Now when the society is in a degenerate or depraved condition, where fissiparous tendencies dominate, where the static principle dominates, it becomes impossible for Parama Puruśa to remain unaffected or unassailed by human sentiments and human cries and human demands. Then and then only does He come in the form of Táraka Brahma. Táraka means “The Liberator.” And that Táraka is the Bábá of the created world. For Him devotees sing, Bábá náma kevalam.

                                                                    P.R.Sarkar -13 May 1979 evening, Fiesch, Switzerland      P.R.Sarkar -13 May 1979 evening, Fiesch, Switzerland

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